O Fantasma do Deserto VermelhoCAPÍTULO 15 - 14 A Chave da Entropia
Capítulo 15Capítulo 14: A Chave da Entropia
O Fantasma do Deserto Vermelho
“A distorção falha por um microssegundo após ele atacar!”, respondeu Anya instantaneamente das vigas. “Ele tem de baixar o escudo para usar a foice! Há uma janela de vulnerabilidade!”.
“Jax, provoca-o! Força-o a atacar!”, ordenou Zeon, o seu ‘Espectro’ já a mover-se para uma posição de flanqueamento.
“Com prazer! Anda cá, seu lixo esquelético! Herege do caralho!”, gritou Jax, avançando e usando o seu canhão de plasma a queima-roupa, forçando o Declinationes a erguer a sua foice púrpura para bloquear.
No instante em que a foice se moveu, ocrack-thoomdo rifle de Anya ecoou. O projétil de metal sólido atingiu o ombro do Nictis, perfurando a armadura negra e fazendo-o cambalear para trás, a sua forma a piscar.
“Bom tiro!”, gritou Zeon, disparando uma salva de mísseis de enxame cinéticos que explodiram contra o alvo enfraquecido, finalmente derrubando-o numa chuva de metal partido. “Próximo!”.
A tática funcionou, mas era lenta, terrivelmente lenta e consumia recursos preciosos. Para cada Declinationes que o trio de Kations conseguia abater numa dança coordenada de provocação, evasão e tiro de precisão, três outros pareciam avançar para tomar o seu lugar, os seus glifos ornamentados a contorcerem-se com uma energia sinistra. E eles estavam a aprender.
“Ele não está a cair na isca, Capitão!”, gritou Jax, o seu Kation ‘Martelo’ a ser atingido por um arco de energia entrópica projetado pela mão livre de um Declinationes. O impacto fez o mecha de Jax ranger, a energia púrpura a desfazer camadas de blindagem. “Ele recusa-se a usar a foice! Está a manter a distorção espacial e a atacar à distância! Ele sabe que o estamos a provocar!”.
Enquanto a unidade de elite de Zeon estava presa neste xadrez mortal com os tenentes Nictis, a maré interminável de Resonats avançava implacavelmente sobre a infantaria da Hegemonia. Os Legionários de Ferro aguentavam firmemente, mas as suas munições cinéticas eram limitadas e cada disparo de plasma era uma aposta desperdiçada.
“Linha de frente a ceder no Setor Beta!”, gritou uma voz anónima e desesperada pelo canal geral. “Estamos a ser flanqueados pelos rastejantes! Onde está o suporte dos Kations ‘Gladiadores’?! Por Adel, estamos a ser massacrados!”.
Zeon amaldiçoou baixinho, a sua mente a processar a equação impossível. Ele estava preso entre dois infernos: proteger a linha de infantaria que se desfazia ou caçar as unidades blindadas de elite que estavam a despedaçar as suas defesas pesadas.
“Anya, esqueça os Declinationes por agora! Fogo de supressão nas fileiras dos Resonats a flanquear o Setor Beta! Dê-lhes espaço para respirar!”, ordenou Zeon. “Jax, comigo! Vamos abrir um caminho e aliviar a pressão!”.
Foi um erro tático nascido do desespero. No instante em que Zeon dividiu o seu foco, o Declinationes mais próximo, que tinha estado a observar pacientemente, atacou. Moveu-se com uma velocidade antinatural e fluida para o seu tamanho, a sua longa foice de energia púrpura a cortar o ar num arco silencioso e mortal.
“Zeon, cuidado! À tua esquerda!”, gritou Anya, tarde demais.
Zeon girou o ‘Espectro’ o mais rápido que pôde, erguendo a sua própria lâmina de plasma retrátil num bloqueio desesperado. O impacto foi um pesadelo de física impossível. A lâmina de plasma azul sibilou contra a foice entrópica, e em vez do clangor sólido de metal contra metal ou da explosão de energias a colidir, a energia de Zeon pareceu ser drenada, sugada para a lâmina púrpura. A sua própria lâmina de plasma vacilou e encolheu visivelmente, quase se extinguindo. A foice púrpura, imparável, deslizou pelo bloqueio falhado e cortou profundamente o braço esquerdo do Kation.
Não houve um som de rasgão. Zeon sentiu apenas um solavanco e um alarme de dano crítico a gritar no seu ouvido. Ele olhou para baixo e viu, com horror, que a foice não tinha cortado o braço. Tinha apagado uma secção inteira da armadura do ombro, deixando um vazio limpo e fumegante que revelava os circuitos e atuadores por baixo, agora expostos ao vácuo.
“Merda! A foice deles também anula a matéria! É como os rifles!”, gritou ele, recuando o seu kation danificado.
“Mas consome a energia do escudo espacial deles!”, gritou Anya, a sua mente tática a apanhar a nova informação instantaneamente. “Ele está vulnerável!”.
Ocrack-thoomdo seu rifle Gauss soou antes mesmo de ela terminar a frase. O projétil cinético atingiu o Declinationes, agora desprotegido da sua distorção espacial, diretamente no seu cluster óptico. A criatura de metal negro caiu para trás e desintegrou-se.
“É isso!”, gritou Jax, vendo a troca. “Façam-nos atacar! Nós aguentamos os golpes! Façam-nos usar as foices!”.
Por um momento terrível, um ritmo desesperado foi encontrado. A infantaria, agora ciente da tática, concentrava o seu fogo cinético. Jax, com a sua blindagem mais espessa, agia como a isca principal, avançando e recebendo golpes desviados nas suas placas de blindagem, enquanto Zeon e Anya atacavam impiedosamente nas curtas janelas de vulnerabilidade. Era um impasse sangrento, custoso, onde perdiam dez soldados de infantaria para cada Declinationes que conseguiam finalmente derrubar.
Mas o atrito era insustentável. Eles eram simplesmente muitos. Uma horda quase infinita que jorrava dos portais dimensionais. Para cada Declinationes que a unidade de elite de Zeon conseguia abater numa troca desesperada de táticas e munição preciosa, uma dúzia de Resonats parecia tomar o seu lugar, avançando silenciosamente sobre a infantaria que se desfazia. E então, exatamente quando a linha de defesa desesperada da Hegemonia parecia prestes a se estabilizar neste impasse sangrento e insustentável — um equilíbrio terrível onde vidas de soldados treinados eram trocadas por máquinas alienígenas descartáveis a um custo insuportável — quando Zeon pensou que talvez, talvez, pudessem aguentar tempo suficiente, que pudessem forçar uma retirada tática antes que seus canhões sobreaquecessem… a terceira e mais temida casta Nictis se revelou.
Os Messores.
E a batalha ordenada, o seu ritmo desesperado e defensivo, transformou-se instantaneamente num massacre caótico e absoluto. Eles não marcharam pelos portais abertos. Eles simplesmente apareceram.
Eles não marcharam pelos portais abertos. Eles simplesmente apareceram.
“Capitão, nova classe de contato hostil detectada! Múltiplas assinaturas!”, a voz de Anya soou novamente no canal da unidade, a sua calma profissional habitual agora tingida com uma urgência cortante e genuína, quase pânico. “Padrões de portal erráticos e de curta duração abrindo dentro das nossas linhas! Múltiplas vetores de ataque simultâneos! Eles não estão a mover-se através do espaço convencional, Capitão, eles estão a mover-se com ele! Usando micro-rasgos dimensionais!”. O que ela descrevia era uma tática de pesadelo, uma violação da própria arena da batalha, impossível de prever ou defender.
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