O Fantasma do Deserto Vermelho — Capítulo 25: CAPÍTULO 25 - 24 Para a Forja

O Fantasma do Deserto Vermelho
Cap. 25
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O Fantasma do Deserto Vermelho

CAPÍTULO 25 - 24 Para a Forja

Capítulo 25

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Capítulo 24: Para a Forja

O Fantasma do Deserto Vermelho

Era uma aposta psicológica. Uma jogada baseada na arrogância do Nemesor. E a lógica de Anya era impecável. Dolorosamente impecável.

Zeon fechou os olhos por um longo segundo. O silêncio no canal privado foi preenchido apenas pelo som áspero de sua própria respiração em seu capacete. Ele odiava a lógica dela. Odiava que ela estivesse certa. Odiava que o universo os tivesse encurralado neste beco sem saída onde a única resposta era o sacrifício de sua melhor soldada.

“Certo,” ele disse finalmente, e a palavra saiu como se fosse vidro quebrado. Sua voz estava embargada, não pela tática, mas pela imagem de Anya fora do Kation, enfrentando o Nemesor com uma bomba. Ele forçou o comandante a assumir o controle do homem que estava em pânico, o homem que queria gritar para ela não ir.

“Eu te dou cobertura,” ele continuou, a voz endurecendo com uma resolução forçada. “Vou disparar tudo o que resta no arsenal do Espectro. Vou… fazer barulho.” A palavra saiu amarga. Não era desgosto pelo papel de seu Kation; era a agonia impotente de saber que “fazer barulho” eratudoo que ele podia fazer enquanto ela corria o risco de ser apagada da existência. Ele daria qualquer coisa para trocar de lugar com ela, para ser ele a fazer a corrida suicida, mas a lógica fria de Anya e o estado de seu próprio Kation o prendiam ali, relegado ao papel de espectador desesperado. Cada tiro que ele disparasse

“Vou manter a atenção daquele bastardo dividida. Mas no último,últimosegundo, Anya… você ejeta. Você me ouviu? Vocêejetaeentão… você aciona o cartucho. Essa é a ordem. A ejeção vem primeiro.”

Houve uma pausa. “Mesmo que funcione… a explosão…” Anya disse, sua voz terrivelmente calma, não como uma pergunta, mas como uma constatação tática. “Nós estaremos no raio. Nós dois, Zeon.”

O uso do nome dele novamente, a calma aceitação de que este era um pacto suicida para ambos… quebrou algo nele.

“Eu sei,” Zeon rosnou, o punho enluvado batendo no console do Espectro. “É a única equação que resta, Anya.” A frase saiu como cinzas em sua boca. Um plano onde ele, o comandante, se escondia atrás do barulho, enquanto pedia à sua tenente… à sua parceira de séculos… para ser a bomba. Era o Pragmatismo Sacrificial na sua forma mais hedionda, uma doutrina que ele estava começando a odiar mais do que o próprio inimigo.

Por vários segundos torturantes, houve apenas o som da respiração dela no canal encriptado. Então: “Entendido, Capitão. Traçando rota para a Câmara da Forja. Maximizando a assinatura de energia para parecer uma tentativa desesperada de alcançar o Aegis.”

A calma dela era mais assustadora do que qualquer grito.

“Anya… tenha cuidado,” Zeon sussurrou, a ordem militar se desfazendo em um apelo pessoal.

“Sempre tenho, Zeon. Começando a corrida. Cubra-me.” O canal privado se fechou.

O Vidente danificado começou a se mover, não rápido, mas com uma determinação instável, mancando em sua perna vazando refrigerante, diretamente em direção à entrada arqueada da Câmara da Forja, onde o Aegis pulsava suavemente.

O Nemesor, que estava flutuando em direção ao Espectro incapacitado de Zeon,parou. Seus olhos de estrela morta viraram-se, rastreando o movimento lento e deliberado do Vidente. A isca funcionou. A lógica da máquina prevaleceu: o Kation sobrevivente estava fazendo uma corrida desesperada pelo prêmio.

“Começando a corrida. Cubra-me, Zeon.” O canal privado se fechou, deixando Zeon sozinho com o peso de sua ordem.

O Vidente danificado começou a se mover, não rápido, mas com uma determinação instável, mancando dolorosamente em sua perna vazando refrigerante, diretamente em direção à entrada arqueada da Câmara da Forja, onde o Aegis pulsava suavemente. Cada metro que ela avançava era uma facada no coração de Zeon.

O Nemesor, que estava flutuando lentamente em direção ao Espectro incapacitado de Zeon,parou. Seus olhos de estrela morta viraram-se, rastreando o movimento lento e deliberado do Vidente. A isca funcionou. A lógica fria do inimigo prevaleceu: o Kation sobrevivente estava fazendo uma corrida desesperada pelo prêmio. A aposta psicológica estava valendo.

“MANTENHA OS OLHOS EM MIM, SEU BASTARDO!” Zeon rugiu pelo canal aberto, um grito primal que era parte ordem tática, parte fúria impotente. Ele disparou tudo o que tinha – canhões de pulso, os últimos mísseis restantes, até mesmo as metralhadoras secundárias – nãocontrao Nemesor (o que seria inútil), masao redordele, criando uma cacofonia ensurdecedora de luz e som, explosões de plasma iluminando as paredes góticas, uma tempestade de distrações fúteis, mas barulhentas. Era seu papel agora: ser o barulho, a distração irritante, enquanto ela… ela era a lâmina. Ele precisava manter aqueles olhos púrpuras divididos, mesmo que por um instante.

O Nemesor ergueu uma mão casualmente, dobrando o espaço para desviar a barragem fútil de Zeon, como quem espanta uma mosca irritante. Mas seus olhos permaneceram fixos no Vidente que se aproximava da câmara. Ele começou a flutuar rapidamente em direção a Anya, interceptando sua rotapara a Forja.

O Vidente continuou, mancando, cada vez mais perto. Cento e cinquenta metros… Cem metros… Cinquenta metros… Anya estava quase na entrada arqueada da Câmara da Forja. O Aegis pulsava logo à frente, uma barreira translúcida envolvendo o cubo negro.

O Nemesor chegou, pairando entre Anya e a entrada. Mas por um instante crucial, seus olhos de estrela morta desviaram-se do Kation danificado e fixaram-se no Aegis pulsante. A atração pelo artefato, o objetivo de sua vinda, era palpável. Eleparou, a intenção de desativar o Kation momentaneamente esquecida, substituída pela proximidade de seu prêmio.

Foi o único segundo que Anya precisou.

Com um último comando desesperado aos atuadores moribundos, ela não tentou frear ou virar. Elalançouo Vidente para a frente. Usando o impulso restante e talvez uma sobrecarga final dos propulsores danificados, ela arremessou a massa de cem toneladas de metal como um projétil descontrolado, nãocontrao Nemesor, masem direção ao Aegis, visando destruir tudo – a relíquia, o inimigo, talvez até a si mesma se fosse preciso.

O Nemesorreagiu. A surpresa foi visível, uma ondulação em sua forma escura. A ameaça não era mais o Kation chegando perto; era o Kation prestes acolidircom a Forja. Alarmado, ele abandonou qualquer intenção anterior e avançourapidamente, não para atacar Anya, mas parainterceptaro Kationantesque ele atingisse a barreira do Aegis. Ele se colocou diretamente na trajetória do Kation moribundo.

Nesse exato instante, enquanto o Vidente voava em seu arco final em direção ao Nemesor e à Forja logo atrás, Anya agiu.

O dossel explodiu para cima. A figura esguia de Anya foi lançada para fora em um arco balístico violento.

Durantea ejeção, seus dedos voaram sobre o mecanismo do Cartucho de Antimatéria conectado ao sistema de emergência. Ela ativou a sequência de detonaçãoe soltou-o, deixando a esfera cinzenta cair de volta no cockpit vazio que agora era um míssil suicida.

Anya atingiu o chão rolando, a metros de distância.

Antes mesmo que ela pudesse parar de rolar, o Cartucho detonoudentrodo Kation Vidente em pleno voo.

O universo prendeu a respiração.

Uma luz branca impossível engoliu o corredor, mais brilhante que um milhão de sóis, silenciando todos os sons. Não foi uma explosão de fogo e estilhaços, mas umaanulação. Uma onda denadabranco e puro se expandiu a partir do Vidente, desfazendo a matéria em seu caminho. O metal do Kation, a obsidiāna do chão, o próprio ar… tudo foi desfeito em uma fração de segundo.

A onda atingiu o Nemesor de frente, no exato momento em que ele tentava interceptar o Kation, envolvendo-o em uma esfera de inexistência branca e crepitante. A realidade ao redor do ponto de impacto dobrou-se e gritou, as cores se invertendo, o espaço se rasgando como tecido podre.

Então, tão rápido quanto surgiu, a luz branca implodiu sobre si mesma, deixando para trás um silêncio ensurdecedor, um vácuo momentâneo e a escuridão pontilhada apenas pelas luzes vermelhas de emergência.

Fim da leitura

Capítulo 25 concluído

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