O Grimório Proibido de Dorothy Novel — Capítulo 202: CAPÍTULO 202 - Medicina

O Grimório Proibido de Dorothy Novel
Cap. 202
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O Grimório Proibido de Dorothy Novel

CAPÍTULO 202 - Medicina

Capítulo 202

2.421 palavras~11 min de leitura

Novo Continente, acampamento da Tribo Tupa, dentro de uma tenda espaçosa.

Desde que adquiriu a nova língua, Kapak estava trancado em sua tenda, remexendo sua coleção de caixas de madeira, lendo avidamente as inscrições nos itens dentro delas e aprendendo curiosamente sobre seus usos.

Os vários artefatos intrincados fascinavam Kapak. Ao examinar esses itens inteligentes e práticos, ele não podia deixar de sentir uma admiração pelo engenho dos invasores. Embora suas ações fossem desprezíveis, sua tecnologia avançada era algo a que aspirar.

"Se um dia nossa tribo também pudesse criar coisas tão engenhosas, não só seríamos capazes de resistir aos invasores, mas também poderíamos viver e nos desenvolver melhor."

Enquanto vasculhava os itens na caixa, Kapak não podia deixar de se sentir assim. Ele passou a tarde inteira sentado em frente à caixa, mexendo em seu conteúdo.

Justamente quando Kapak continuava a examinar sua coleção, passos apressados se aproximaram repentinamente de fora da tenda. Ao ouvir os passos, Kapak rapidamente juntou os itens espalhados e os colocou de volta na caixa. Enquanto fechava a tampa, a aba da tenda foi puxada para o lado, revelando um membro da tribo barbudo e corpulento com uma expressão de urgência no rosto.

'Baru? Qual o problema? Por que você está tão apressado?' Kapak perguntou curiosamente, tendo acabado de terminar de arrumar.

O homem, recuperando o fôlego, respondeu: 'Huff... huff... Shangya, Shangya pegou a Doença da Faixa Vermelha. Ela está muito fraca agora. O pajé diz que ela pode não passar da noite.'

'O quê?! Leve-me até ela!'

Ao ouvir as palavras de Baru, Kapak imediatamente se levantou e o seguiu para fora da tenda. Depois de caminhar pelo acampamento, que estava cheio de várias tendas, eles finalmente chegaram a uma tenda maior. Várias pessoas estavam paradas na entrada.

Ao entrar na tenda, Kapak viu que muitas pessoas já haviam se reunido lá dentro. Elas estavam amontoadas em torno de uma área de dormir no centro, observando ansiosamente o que estava acontecendo. Ali, uma mulher da tribo, com lágrimas nos olhos, estava embalando uma menina de uns dez anos.

A menina nos braços da mulher parecia fraca, encharcada de suor, e respirava pesadamente, como se estivesse com febre. Ela estava semiconsciente, e sua pele estava coberta de faixas de marcas vermelhas de várias profundidades.

Vendo isso, o coração de Kapak se apertou, e ele perguntou à mulher.

'Tia Muma... o que aconteceu com Shangya...?'

'É a Doença da Faixa Vermelha... O pajé fez tudo o que pôde, mas não há mais nada a ser feito. Esta não é uma doença causada por espíritos malignos, então ervas comuns não funcionarão. O pajé diz que está tudo nas mãos do Grande Espírito agora, mas você sabe... Shangya é tão jovem... ela não vai conseguir...'

A mulher falou com a voz embargada, e o coração de Kapak afundou ao ouvir suas palavras. Sua expressão ficou tão sombria quanto as dos outros ao seu redor.

A Doença da Faixa Vermelha era uma doença que assolava as tribos desta terra desde os tempos antigos. A causa era desconhecida, mas uma vez contraída, faixas vermelhas apareciam na pele, acompanhadas de fraqueza, febre e até inconsciência. Tinha uma taxa de mortalidade significativa.

Os adultos da tribo tinham uma chance de sobreviver à doença devido à sua constituição mais forte, mas os idosos e crianças que a contraíam tinham quase certeza de morrer.

Nesta terra, muitas doenças eram causadas por espíritos malignos, e tais doenças podiam ser curadas por pajés que expulsavam os espíritos possessores. No entanto, muitas doenças, como esta, não eram causadas por espíritos. Nesses casos, os pajés só podiam contar com ervas, mas sua eficácia era limitada. Por exemplo, a doença atual estava além do poder das ervas para curar.

Com base na experiência passada, a condição de Shangya era quase uma sentença de morte. A atmosfera na tenda estava carregada de tristeza. Esta não era a primeira vez que eles experimentavam tal situação. Todos os anos, vários membros da tribo morriam desta doença.

Depois de entender a condição de Shangya, Kapak se sentiu profundamente desanimado. Como os outros, ele baixou a cabeça, olhando para a menina atormentada pela doença. Contra esta doença, eles não podiam fazer nada além de lamentar.

Em meio aos soluços da mulher, a atmosfera na tenda era solene. Kapak lembrou-se do comportamento animado da menina no passado, seu coração cheio de dor. Então, de repente, uma ideia brilhou em sua mente.

'Tia Muma, espere um momento. Shangya ainda pode ter uma chance. Eu já volto!' Kapak disse à multidão, então, sob seus olhares perplexos, ele correu para fora da tenda.

Correndo pelo acampamento, Kapak voltou para sua tenda e começou a vasculhar sua caixa de madeira. Depois de procurar por um tempo, ele encontrou um pequeno frasco de vidro contendo pílulas brancas.

Segurando o frasco na mão, Kapak leu o rótulo nele, que listava o nome do medicamento e suas instruções.

'Comprimidos de Alomesina, produzidos pela Cobit Pharmaceuticals em Tivian. Especificamente para a Febre da Faixa Vermelha do Novo Continente...'

'Febre da Faixa Vermelha do Novo Continente... Isso poderia ser a Doença da Faixa Vermelha...?' Kapak murmurou para si mesmo enquanto lia o rótulo.

Ele então examinou cuidadosamente os sintomas listados no frasco e descobriu que eles correspondiam quase exatamente à Doença da Faixa Vermelha. Ele também sabia que os invasores se referiam à terra onde ele vivia como o 'Novo Continente'.

'Então realmente pode ser a Doença da Faixa Vermelha. Uma doença que as tribos não conseguem curar desde os tempos antigos, e os invasores conseguiram produzir uma cura em apenas algumas décadas?'

Segurando o frasco, Kapak murmurou em descrença. No entanto, não havia tempo para se demorar nisso. Depois de verificar a dosagem, ele despejou dois comprimidos e correu para fora de sua tenda, voltando para a tenda de Shangya.

'Tia Muma, dê isso para Shangya.'

Chegando na frente da mulher, Kapak entregou a ela os comprimidos. A mulher olhou para ele com um toque de confusão.

'Kapak... o que é isso?'

'É uma pílula de pó de ervas dada a mim por um pajé errante que encontrei antes. Ele disse que é eficaz contra a Doença da Faixa Vermelha. Dê uma chance.'

Kapak disse isso porque, devido às atrocidades dos invasores, a tribo nutria uma profunda desconfiança de produtos industriais que não fossem armas de fogo. Então, por enquanto, Kapak não se atreveu a dizer a verdade.

'É mesmo...? Então vamos tentar...'

Ouvindo as palavras de Kapak, Muma, quase desesperada, pegou os comprimidos e, com um brilho de esperança, deu-os à semiconsciente Shangya, seguido por um gole de água.

Depois disso, Kapak e muitos outros ficaram na tenda, esperando. Eles esperaram por mais de duas horas.

Durante essas duas horas, a menina nos braços da mulher, que estava respirando pesadamente, gradualmente começou a respirar de forma mais constante. As faixas vermelhas em sua pele começaram a desaparecer, sua febre diminuiu e ela caiu em um sono tranquilo.

Vendo isso, todos na tenda olharam em espanto, e a mulher se virou para Kapak com alegria.

'Grande Espírito! Isso... isso é realmente milagroso! Kapak, seu remédio realmente funcionou! Muito obrigado, Kapak! Seu remédio salvou minha Shangya!'

A mulher exclamou agradecida, e os espectadores começaram a murmurar em espanto, discutindo a cena incrível diante deles.

'Ei, Kapak, você é incrível! Você pode até curar doenças agora...'

'A Doença da Faixa Vermelha é algo que nem o pajé consegue lidar, mas o remédio deste garoto realmente funcionou...'

'Kapak! Você tem mais desse remédio?'

...

Em meio à conversa, Kapak ficou momentaneamente atordoado com o que viu, mas então ele também sentiu uma onda de alegria.

"É verdade! O remédio realmente funciona! Ele pode curar a Doença da Faixa Vermelha!"

Kapak pensou consigo mesmo, sentindo-se imensamente grato por agora poder entender a língua dos invasores e saber como usar o remédio.

"Louvado seja Aka, o conhecimento que você me concedeu me permitiu ajudar os outros na tribo. Isso é realmente maravilhoso."

Kapak sorriu ao perceber o verdadeiro valor do conhecimento. Ele tinha mais do que apenas aquele frasco de remédio em sua coleção. Se os outros fossem igualmente eficazes, ele poderia ajudar a tribo a superar ainda mais doenças.

Não apenas remédios! Se ele pudesse dominar as outras tecnologias dos invasores e até mesmo criar suas ferramentas, a tribo poderia escapar do atraso, da fome e da doença.

"A razão pela qual os invasores podem massacrar nosso povo é porque eles têm armas, remédios e ferramentas mais avançadas. Se pudéssemos ter e usar isso, poderíamos resistir a eles até certo ponto."

Mas tudo isso exigia conhecimento! Mais conhecimento! Kapak percebeu que simplesmente aprender a língua não era suficiente. Para ajudar melhor a tribo, ele precisava de mais conhecimento sobre as tecnologias avançadas dos invasores.

E isso, o espírito conhecido como Akasha poderia fornecer, desde que ele pudesse oferecer conhecimento igualmente valioso em troca!

Com esse pensamento, Kapak fez uma pausa. Ele não conseguia pensar imediatamente em como encontrar conhecimento valioso o suficiente para oferecer a Akasha.

Depois de comemorar a recuperação de Shangya com a multidão jubilosa, Kapak voltou para casa. Ao longo do caminho, ele ponderou em silêncio.

"Parece que terei que encontrar uma oportunidade para perguntar ao pajé se nossa tribo tem algum conhecimento oculto e valioso."

...

Em um canto tranquilo da Biblioteca do Campus do Rei.

Tendo acabado de trocar por um novo conhecimento, Dorothy sentou-se com um profundo olhar de confusão no rosto.

"Grito de Lentidão Temporal? Uma redução de 30% no tempo em um raio de dez metros, sem efeito em mim, durando cinco segundos do meu tempo. Parece decente, mas... por que eu só consegui um segmento? Quando usei Pritt Comum, consegui três segmentos de Força Implacável. Desta vez, usando o Glifo Espiritual completo, consegui apenas um segmento de Lentidão Temporal? E essa Lentidão Temporal tem um limite de alcance? Não pode afetar nada fora do raio? Não era assim que funcionava no jogo..."

Com essas perguntas girando em sua mente, Dorothy decidiu perguntar ao sistema. Ele geralmente respondia a perguntas sobre suas próprias funções.

"Ei, sistema, por que eu só consegui um segmento de Grito de Lentidão Temporal desta vez quando usei o Glifo Espiritual, mas com Pritt Comum eu consegui três segmentos de Força Implacável? E por que a Lentidão Temporal tem um limite de alcance?"

O sistema respondeu rapidamente.

"Resposta: Lentidão Temporal envolve o eixo do tempo e é um Grito avançado, exigindo mais conhecimento linguístico para ser totalmente desbloqueado. O limite de alcance existe porque a estrutura do eixo do tempo deste mundo difere da de Nirn. Este Grito não pode comandar todo o eixo do tempo."

"Se você estiver insatisfeita com o poder do Grito, depois de aprender caracteres suficientes da Língua dos Dragões e obter o domínio básico da Língua dos Dragões, você pode gastar espiritualidade de Revelação adicional para aumentar o poder do Grito. Se você escolher aumentar a Lentidão Temporal, poderá aumentar seu alcance, mas é aconselhável não exceder um raio de cinco quilômetros, pois flutuações anormais no eixo do tempo podem atrair a atenção de seres divinos."

Após a resposta do sistema, Dorothy caiu em profunda reflexão.

"Lentidão Temporal é um Grito avançado... então custa mais? Isso faz sentido. Se cada segmento diminuir o tempo em 30%, três segmentos totalizariam 90%, quase como parar o tempo. Isso é bem apelão... E como o mundo é diferente, a estrutura do eixo do tempo é diferente, então só pode diminuir o tempo dentro de um alcance, não afetar o mundo inteiro. Isso também faz sentido..."

"Mas o que é interessante é que, depois de dominar caracteres suficientes, posso usar Revelação extra para aumentar o poder do Grito. Se eu tiver Revelação suficiente mais tarde, posso usar o excedente para fortalecer o Grito. Eu me pergunto quão eficiente é isso? Mas tenho que ter cuidado para não exagerar com a Lentidão Temporal, ou pode atrair a atenção de deuses..."

Balançando a cabeça, Dorothy parou de pensar no Grito e voltou sua atenção para o novo 'amigo por correspondência' com quem ela havia se conectado através do Livro de Bordo do Mar Literário. Ela também estava muito interessada nas informações dele.

"Pelo que parece, a outra pessoa parece ser um jovem, fluente em uma língua chamada Glifo Espiritual, não um povo de Pritt. Este Glifo Espiritual parece uma série de selos, não como as escritas alfabéticas populares no continente. Deve ser algum tipo de escrita pictórica."

"O jovem conhece algumas palavras em Pritt Comum, e a língua que ele usa não é uma escrita alfabética do continente, então ele provavelmente é de uma das colônias ultramarinas de Pritt. Ele pode ser nativo daquele lugar."

"Hah... essas palavras realmente podem viajar longe. Elas até chegaram ao exterior. Eu só dei um pouco de Revelação, será que realmente viajou tão longe? É mais provável que minha Revelação tenha pousado em um livro no Reino de Pritt, que foi então levado para o exterior por um navio e encontrado por aquele nativo."

"Eu deveria procurar algumas informações mais tarde para ver qual povo colonial usa este Glifo Espiritual. A Universidade da Coroa Real deve ter alguns estudos folclóricos..."

Dorothy pensou consigo mesma. A biblioteca da Universidade da Coroa Real, embora carecesse de textos místicos, tinha uma extensa coleção de livros mundanos sobre todos os assuntos imagináveis.

"Perfeito. Vou passar alguns dias lendo na biblioteca. Até então, Nephthys já deve ter terminado de ler os textos místicos de Thorn Velvet, e podemos passar para a próxima etapa."

Com esse pensamento, Dorothy se levantou e decidiu verificar se a biblioteca tinha algum material sobre folclore colonial.

Dois dias depois, Campus do Rei, local de encontro da Sociedade Acadêmica de Conhecimento Místico.

'Ufa...'

Sentada em seu lugar habitual, Nephthys virou a última página do livro à sua frente e o fechou com um estalo. Depois de respirar fundo, ela olhou para a capa.

A Procissão da Rainha da Colmeia, Volume 4.

"Finalmente, terminei de ler todos eles..."

Pensando nisso, Nephthys fechou suavemente os olhos e começou a orar em silêncio, pedindo à divindade oculta para limpar a contaminação em sua mente.

Um momento depois, Nephthys abriu os olhos novamente. A estranha sensação em sua mente havia desaparecido. Ela havia terminado de ler todos os quatro volumes dos livros de Thorn Velvet, mas sua mente permaneceu não contaminada. Ela ainda era a mesma de antes.

"Agora, é hora de informar a Srta. Dorothy. Podemos começar a próxima etapa..."

Levantando-se de seu assento, Nephthys pensou com determinação.

[1] - Aka: Adaptação para o contexto da história.

Fim da leitura

Capítulo 202 concluído

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