O Grimório Proibido de Dorothy NovelCAPÍTULO 208 - Estátua
Capítulo 208Nas profundezas do Campus do Rei, na câmara de tortura do Ninho das Oito Torres.
A escuridão repentina mergulhou a câmara de tortura no caos. Prisioneiros gritavam, guardas entravam em pânico e os cultistas se esforçavam para reacender as lâmpadas. No ambiente completamente escuro, onde nada podia ser visto, isso se provou excepcionalmente difícil.
Finalmente, um dos guardas conseguiu encontrar um palito de fósforo que geralmente usava para acender cigarros. Após apalpar para riscar, uma tênue chama surgiu na escuridão. Justamente quando se preparava para usar essa minúscula luz para reacender as outras lâmpadas a gás, notou repentinamente o rosto frio e desconhecido de um homem iluminado pelo brilho do fósforo.
“Quem é você... Ah!”
Antes que o guarda pudesse dizer mais, seu corpo foi perfurado por uma lâmina. Soltou um grito e desabou, a única fonte de luz extinguindo-se em um instante, mergulhando o espaço de volta na escuridão.
Após o primeiro grito, mais clamores se seguiram em rápida sucessão. As marionetes de cadáver de Dorothy, agindo como assassinas na escuridão, se aproximaram dos guardas desorientados e os apunhalaram um por um. Seus movimentos frenéticos traíam suas posições.
Enquanto os gritos continuavam, o número de guardas diminuía rapidamente. Logo, restavam apenas dois Sombreadores. Embora também não pudessem ver na escuridão, sua audição e reflexos apurados permitiram que evitassem os ataques das assassinas repetidamente. Conseguiram até contra-atacar, decepando a cabeça de uma das marionetes de cadáver.
Para esses dois Sombreadores, Dorothy ordenou que suas marionetes sacassem suas armas e disparassem continuamente em direção às fontes de movimento na escuridão.
Sombreadores podiam desviar de balas, não porque eram mais rápidos que elas, mas porque podiam sentir quando uma arma estava apontada para eles e começavam a se esquivar antes que o gatilho fosse puxado.
Nesse ambiente totalmente escuro, os dois Sombreadores já estavam lutando para evitar ataques à curta distância. Sem visibilidade, não conseguiam detectar quando as armas estavam apontadas para eles. Quando as armas disparavam, era tarde demais para se esquivar.
O tiroteio contínuo ecoava pelo espaço estreito e escuro, os flashes dos canos fornecendo os únicos lampejos de luz. Quando o tiroteio cessou, os dois últimos Sombreadores haviam caído. A câmara de tortura agora estava preenchida apenas com os gritos dos prisioneiros.
Após lidar com todos os guardas, Dorothy ordenou que uma de suas marionetes acendesse uma lâmpada a gás preparada previamente. Usando sua luz, reacendeu as outras lâmpadas, restaurando a iluminação da câmara.
Com a luz restaurada, os prisioneiros nas celas, com seus corpos cobertos de ferimentos, ofegaram em choque ao ver os numerosos cadáveres no chão. Olhavam com medo para os dois homens encharcados de sangue que ainda estavam de pé—as duas marionetes de cadáver de Dorothy.
“Calma, cavalheiros. Não queremos lhes fazer mal. Na verdade, estamos aqui para salvá-los.”
Vendo os prisioneiros assustados e em pânico, a marionete de cadáver Brandon ajustou seu chapéu manchado de sangue e falou.
As palavras de Brandon deixaram os prisioneiros momentaneamente atordoados. Enquanto isso, a outra marionete havia recuperado as chaves dos guardas caídos e começou a destrancar as portas das celas uma por uma, libertando os prisioneiros feridos.
Uma vez libertados, os prisioneiros irromperam em aplausos. Muitos se reuniram ao redor de Brandon, alguns expressando sua gratidão.
“Oh... Santa Mãe, pensei que seria torturado até a morte por aqueles monstros. Muito obrigado! Vocês devem ser anjos enviados pela Mãe para nos salvar desses demônios! Como devemos chamá-los?”
Vendo os prisioneiros emocionados, Brandon acendeu um cigarro com sua mão manchada de sangue, tragou e sorriu.
“Cruz Rosa... Isso é tudo que vocês precisam saber.”
“Vão para casa, prisioneiros. Este caminho leva à saída, à sua liberdade.”
Brandon apontou para a passagem de saída. Os prisioneiros, após expressarem sua sincera gratidão, ajudaram-se mutuamente em direção à saída e logo desapareceram. Uma vez que se foram, Dorothy emergiu de trás de uma cobertura perto da entrada da câmara e olhou para a câmara de tortura agora vazia.
Dorothy não estava preocupada com os prisioneiros acionando o alarme no corredor em teia. As pessoas que poderiam receber o alarme já haviam sido mortas por ela.
Depois que Nephthys conseguiu acessar a Área Interna, ela obteve informações sobre o corredor em teia de Eli. O corredor enviava alertas silenciosos para os membros próximos do Ninho das Oito Torres quando detectava contato incomum.
Essa era a razão pela qual, mesmo que Thorn Velvet estivesse envolvido com os Caçadores longe dali, Dorothy ainda precisava que Nephthys a carregasse. Ainda havia Transcendentes estacionados na Área Interna, então ela não podia arriscar acionar o alarme.
Agora que os dois Transcendentes de Nível de Aprendiz estacionados na Área Interna haviam sido eliminados, Dorothy não precisava mais se preocupar com a teia.
Após libertar os prisioneiros, Dorothy rapidamente limpou o campo de batalha. Guardou todos os cadáveres dos guardas em sua caixa mágica, reabastecendo suas reservas de cadáveres, e então continuou sua exploração.
Desta vez, Dorothy deixou uma pequena marionete de cadáver na câmara de tortura para monitorar a área enquanto outra pequena marionete liderava o caminho à frente. Ela seguiu atrás, descendo ainda mais nas ruínas pelas escadas da câmara de tortura.
Carregando uma lâmpada a gás, Dorothy caminhou para baixo e logo chegou a um novo nível abaixo da câmara de tortura. Este nível era uma área similarmente espaçosa, mas não havia ninguém presente. No entanto, na luz fraca, Dorothy notou um grande contorno indistinto.
“Tem... alguma coisa ali?”
Pensando nisso, Dorothy caminhou até a borda do espaço subterrâneo e encontrou uma lâmpada a gás pendurada em um pilar de pedra. Após algum esforço, conseguiu acendê-la.
“A lâmpada a gás ainda funciona... Deve ter sido instalada recentemente. Isso significa que esses caras também estiveram ativos neste nível…”
Dorothy pensou consigo mesma, então prosseguiu para acender as outras lâmpadas a gás na área. À medida que várias lâmpadas gradualmente iluminavam o espaço, a cena neste nível lentamente se tornou visível.
E então, ela congelou.
Ao contrário da câmara de tortura acima, este nível parecia ser as ruínas de um altar destruído.
O altar, construído em uma era desconhecida, há muito havia caído em ruínas. Todos os vasos e instrumentos rituais haviam sumido, restando apenas uma plataforma elevada, degraus de pedra rachados e esculturas tênues. A característica mais marcante das ruínas do altar era a estátua em pé no centro.
A estátua parecia ser uma jovem deusa com uma figura esguia, vestida com vestes simples e fluídas. Suas mãos estavam juntas em frente ao peito, segurando um espelho redondo.
Se alguém olhasse apenas para o corpo, era uma estátua serena e bela de uma deusa. No entanto, a cabeça desta estátua requintada havia sido cortada e substituída por uma cabeça de aranha grotesca, completa com múltiplos olhos, presas em forma de foice e uma expressão ameaçadora.
Fitando a estátua, Dorothy permaneceu congelada no lugar. Ela já havia visto essa cena antes.
Não muito tempo atrás, no trem para Tivian, entre os bens interceptados e pertencentes ao Departamento de Serenidade de Ulster, havia uma fotografia retratando uma cena quase idêntica—uma estátua de deusa com sua cabeça substituída por uma aranha.
“Interessante... Tem uma nas Montanhas Afiadas, e agora outra tão longe. Que tipo de divindade é essa? Por que há estátuas dela em diferentes partes de Pritt? E uma até apareceu nas ruínas do Escriptório de Numerologia Estelar. Essa divindade poderia estar conectada ao Escriptório de Numerologia Estelar?”
Dorothy ponderou enquanto examinava cuidadosamente os detalhes da estátua. Primeiro focou na cabeça.
“O corte na cabeça parece bem recente, muito diferente das outras partes desgastadas da estátua. Deve ter sido feito recentemente. Além disso, o material da cabeça de aranha é claramente diferente do corpo da estátua da deusa. Essas duas partes definitivamente não eram originalmente uma só peça.”
“Então, a estátua da deusa e a cabeça de aranha são duas obras separadas, combinadas à força. A cabeça da deusa foi removida e substituída por esta cabeça de aranha, e isso provavelmente foi feito recentemente, provavelmente pelo Ninho das Oito Torres.”
Enquanto Dorothy analisava, começou a suspeitar por que o Ninho das Oito Torres havia se esforçado tanto para controlar esta ruína.
“O Ninho das Oito Torres corrompeu a Sociedade Acadêmica do Conhecimento Místico para obter acesso à escola e encontrar a entrada para as ruínas. Seu principal objetivo provavelmente era este altar escondido dentro das ruínas.”
“Eles removeram a cabeça da deusa e a substituíram por uma aranha. Imagino qual o significado disso. E com base na situação atual, as ocorrências estranhas nas Montanhas Afiadas também podem estar conectadas a eles.”
Dorothy continuou a pensar, agora suspeitando de uma possível conexão entre a estátua da deusa e o Escriptório de Numerologia Estelar. Levantou a lâmpada e circulou a estátua, observando-a cuidadosamente em busca de mais pistas.
“O estilo deste altar... parece um tanto similar ao das catedrais da Igreja da Radiância. Esta estátua poderia estar relacionada à Igreja da Radiância? É uma estátua da Santa Mãe?”
“Não, já vi muitas representações da Santa Mãe, geralmente como uma mulher madura, com uma figura cheia. Esta estátua, mesmo sem a cabeça, tem uma figura esguia, particularmente na área do peito, que é bem diferente das representações da Santa Mãe. Parece mais uma jovem. Além disso, estátuas e pinturas da Santa Mãe geralmente não incluem espelhos. Esta pode ser uma estátua de uma jovem deusa.”
Dorothy continuou a analisar a estátua. Enquanto examinava cuidadosamente os arredores, notou algo incomum em uma das paredes.
Na parede manchada, um pano preto estava pendurado de forma conspícua. Olhando ao redor, nenhuma outra parede tinha tal adição.
“Um pedaço de pano?”
Curiosa, Dorothy pegou sua caixa mágica e invocou uma marionete de cadáver humano. Ela a fez se aproximar do pano preto para investigar.
“Parece novo, provavelmente pendurado ali recentemente por aqueles caras. Estão tentando encobrir algo?”
Pensando nisso, Dorothy fez a marionete puxar lentamente o pano.
O que apareceu diante dela foi uma parede de tijolos rachada. Em um canto, uma pequena seção dos tijolos havia se desintegrado, revelando uma segunda camada de parede atrás dela. Nesta camada escondida, caracteres entrelaçados estavam inscritos.
“Tem alguma coisa atrás desta parede de tijolos? Esta parede foi construída depois para encobrir o que está inscrito na parede de verdade?”
Vendo isso, os olhos de Dorothy brilharam. Ela fez a marionete remover o pano preto e começou a desmontar cuidadosamente os tijolos soltos. Logo, muitos tijolos foram removidos, e os caracteres inscritos escondidos atrás deles gradualmente se tornaram visíveis.
Havia duas linhas de texto, escritas em línguas diferentes e servindo como traduções uma da outra. Uma estava em Pritt Comum, e a outra... Dorothy percebeu com surpresa que a reconhecia—era Velho Imperial!
Ao lidar com o Crânio de Cervo, Dorothy havia obtido uma tradução de Velho Imperial de Aldrich. Essa tradução estava repleta de poemas elogiando um monarca conhecido como o ‘Rei da Luz’, celebrando sua aliança com aliados para expulsar deuses malignos e demônios e estabelecer um império.
Agora, o texto na parede também estava em Velho Imperial, a mesma língua daqueles poemas. O autor dos poemas do ‘Rei da Luz’ e a pessoa que inscreveu a parede podem compartilhar alguma conexão.
Dorothy começou a ler cuidadosamente o texto na parede. Felizmente, alguém havia adicionado posteriormente uma tradução de Pritt ao lado, permitindo que ela entendesse.
Após uma rápida olhada, Dorothy percebeu que era uma mensagem de despedida.
...
“Acabou. Todos os altares e igrejas na ilha foram fechados e tomados.”
“Tanto públicos quanto escondidos. Aqueles nas cidades e aqueles no deserto. Mesmo este, construído dentro de ruínas antigas para treinamento e meditação, não é exceção…”
“De acordo com o acordo, a adoração à Deusa se retirará completamente das Três Ilhas. Se desejamos continuar seguindo a Deusa, devemos deixar nossa terra natal e viajar para o leste.”
“Estou relutante em deixar este lugar, minha terra natal. Mas pela Deusa, devo abandonar tudo. Há muito tempo jurei um juramento à Lua Espelhada.”
“Povo de Pritania, não tema. Embora nós, os servos da Deusa, devamos partir, suas bênçãos permanecerão sobre esta terra.”
...
Floresta de Pinheiros do Norte, ao norte do Campus do Rei.
Na floresta escura, a batalha brutal e sangrenta se aproximava do fim. Thorn Velvet e as forças de Amin não eram páreo para os caçadores bem preparados. Emboscados perfeitamente, seu colapso foi rápido.
Logo, os subordinados de Thorn Velvet foram completamente eliminados. Seu camarada Amin foi decapitado pelo capitão caçador em combate, e Thorn Velvet foi ferido.
Agora, Thorn Velvet, arrastando seu corpo ferido, corria pela floresta escura. Sozinho e desesperado, ele se esforçava ao máximo para escapar, enquanto os caçadores o perseguiam implacavelmente.
Liderados por seu capitão, os caçadores se aproximavam de sua presa. Um após o outro, sombras negras se moviam rapidamente entre as árvores, aproximando-se da figura em fuga.
Thorn Velvet era um Transcendente das Sombras de Nível Preto, conhecido por sua velocidade. No entanto, seus ferimentos agora o impediam, impossibilitando-o de se mover em plena capacidade.
“Arf... arf... Droga... esses... cães negros...”
Sentindo os perseguidores se aproximando, Thorn Velvet cerrou os dentes e se forçou a acelerar, mas não foi o suficiente para criar distância.
O Capitão Caçador, um Aeromante, e vários membros do esquadrão corriam na frente do grupo. Vendo sua presa se aproximando, o capitão sorriu por trás de sua máscara e apertou seu punho em uma pequena adaga de pedra.
Justamente quando o capitão se preparava para usar uma lâmina de vento para derrubar o Thorn Velvet em fuga, um som denso e farfalhante de repente encheu a floresta escura. Das sombras, um grande enxame de morcegos emergiu, correndo em direção aos Caçadores.
“Protejam-se!”
O capitão imediatamente alertou sua equipe, cortando com sua adaga de pedra para invocar uma rajada de vento que dispersou muitos dos morcegos, criando espaço para sua equipe se esquivar.
No entanto, três Caçadores foram lentos demais. Foram instantaneamente engolidos pelo enxame, seus corpos envoltos em escuridão enquanto caíam no chão, lutando e gritando em agonia.
“Ahhh!!!”
Dentro de cinco ou seis segundos, suas lutas cessaram. Os morcegos se dispersaram, deixando para trás três cadáveres ensanguentados. Os morcegos então voaram em uníssono em uma única direção.
À vista de todos, os morcegos se uniram em uma figura humana.
Quando os morcegos desapareceram, um homem alto e magro em um terno preto estava no chão. Ele tinha a cabeça raspada, orelhas pontudas, pele pálida, olheiras e maçãs do rosto proeminentes. Seus olhos carmesins examinaram friamente os arredores.
“Lorde Claudius!”
Vendo o homem, Thorn Velvet exclamou com alívio, enquanto o Capitão Caçador cerrava os punhos, com uma expressão sombria.
“Vampiro Cinza Branca…”
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