O Monarca do Céu — Capítulo 389: CAPÍTULO 389 - 389 – Gumori.

O Monarca do Céu
Cap. 389
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O Monarca do Céu

CAPÍTULO 389 - 389 – Gumori.

Capítulo 389

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Capítulo 389 – Gumori.

O Monarca do Céu

Eles se sentaram em um sofá desgastado na sala de estar decadente, cujos móveis e decoração já tinham visto dias melhores.

A prima desapareceu por um momento, retornando dos fundos da casa com uma bandeja de chá. As folhas de chá-verde eram uma das poucas coisas que ainda cresciam naquela terra empobrecida.

Ela se sentou em uma poltrona em frente a eles, seus olhos verdes cabisbaixos e cheios de tristeza. Com uma voz trêmula, ela começou a compartilhar a situação difícil que se abateu sobre o vilarejo desde a partida de Yonolondor.

— As coisas não iam bem depois que você se foi — ela começou — mas conseguíamos nos virar. No entanto, criaturas começaram a aparecer de todos os cantos, monstros que nunca vimos antes. Os ataques se tornaram frequentes, e os rapazes do vilarejo sempre se colocavam na linha de frente para proteger o resto de nós. — Ela pausou, engolindo em seco antes de continuar. — Isso acabou custando a vida deles, inclusive a do meu marido…

Enquanto ela falava, Eoard escutava tudo de trás de uma porta, agachado e cabisbaixo, suas emoções claramente visíveis em seu rosto jovem e perturbado.

Ela continuou. — As pessoas continuam desaparecendo, agora mulheres e crianças. Dizem que bruxas envenenaram a nascente do rio, e os monstros continuam vindo. Tudo o que podemos fazer é nos esconder e rezar para que não nos levem…

Colin assentiu. — Vou dar um jeito nisso! — ele afirmou com confiança. Olhando em volta, ele perguntou à prima. — Existe algum mapa da região?

Ela balançou a cabeça tristemente. — Não, mapas, alguns móveis e até roupas foram usados nas lareiras para manter todos aquecidos no inverno…

Colin suspirou profundamente, o peso da situação pesando sobre ele. A prima o encarou de cima a baixo, seus olhos verdes cheios de desconfiança e curiosidade.

— Por que você está aqui? — ela perguntou, a voz trêmula. — Reis não se preocupavam, e nunca se preocuparam, com pessoas como nós. Então, por quê?

Yonolondor sentiu o peso daquelas palavras, um lembrete doloroso de suas próprias falhas e omissões quando assumiu Rontes.

Colin, por sua vez, olhou nos olhos da prima com sinceridade e respondeu: — Não sou como os outros. Eu cuidaria de todos vocês como se fossem parte da minha família.

Ele se levantou, decisivo e acrescentando: — Vou dar uma olhada ao redor. Vamos, Samantha.

A dupla deixou o quarto, deixando também Yonolondor ali, com a prima, sozinho e envergonhado por abandonar o lugar onde cresceu à própria sorte.

A sala ficou em silêncio por um momento, o peso das palavras de Colin ainda pairando no ar.

Com os dois sozinhos, Yonolondor tentou quebrar o silêncio pesado. — Kolsec era um bom homem — ele disse com sinceridade.

A prima começou a chorar copiosamente, seu rosto marcado pela dor e pela saudade. Com a voz embargada, ela perguntou.

— Por que você não voltou? Você era a pessoa mais forte da vila… Você prometeu que voltaria…

Yonolondor olhou para o chão de madeira, consumido pela vergonha e pela culpa. Ele não soube responder, o peso de suas próprias escolhas pesando sobre ele.

Ela continuou.

— Dezenas de pessoas poderiam ter sido salvas. — A culpa remoía Yonolondor por dentro, e ele apoiou uma mão na testa, seus olhos se enchendo d’água.

— Fui seduzido pelo poder… Assumo total responsabilidade por tudo isso — admitiu com pesar. — Vou consertar as coisas, eu juro…

Ela olhou para ele com olhos cheios d’água e perguntou: — Se você tivesse tomado o norte, você teria voltado para o vilarejo ou pelo menos mandado ajuda?

Yonolondor não respondeu, seu silêncio falando por si.

A prima se levantou abruptamente e correu para os fundos da casa, enxugando as lágrimas enquanto se afastava.

Eoard ainda estava atrás da porta, seu semblante cabisbaixo e silencioso, ouvindo cada palavra da dolorosa conversa.

Lá fora, Colin e Samantha olhavam ao redor, observando a paisagem desoladora do vilarejo. Samantha franziu o cenho ao perceber a presença de várias manas pegajosas ao redor.

— Há muita mana sombria por aqui — ela observou. — O que você quer fazer?

Colin olhou para o riacho sujo e poluído que serpenteava pelo vilarejo. — Vou seguir o riacho até encontrar a nascente. Se houver alguma criatura ao redor, eu vou matá-la.

Nesse momento, Yonolondor saiu da casa.

— Também vou ajudar — afirmou ele. — Se conseguirmos eliminar todas as ameaças na redondeza, as pessoas poderão voltar a plantar e viver de sua própria subsistência.

Colin assentiu. — É melhor nos separarmos e eliminarmos todas as ameaças ao redor.

Ambos concordaram com o plano e seguiram caminhos distintos.

Colin caminhou por horas, seguindo o riacho que serpenteava por entre as terras desoladas do vilarejo. O riacho o conduziu até um alto morro envolto por uma névoa densa e enigmática.

Ele se abaixou na margem do lago formado pelas águas do riacho e a experimentou.

“O gosto está forte… a nascente deve estar próxima.”

A visibilidade era baixa devido à névoa espessa, e o ambiente ao redor era sombrio e silencioso. A grama estava morta e pisoteada, o silêncio dos animais era perturbador, e ocasionalmente ele sentia o inquietante cheiro de sangue no ar.

Seus instintos estavam aprimorados ao extremo; mesmo estando distante, ele sentia a presença da fonte de mana sombria de forma palpável, guiando-o instintivamente na direção certa.

Determinado, Colin continuou subindo a montanha até encontrar uma caverna escondida de onde o riacho nascia.

O cheiro de morte que emanava da caverna era nauseante. Apesar disso, um sorriso sutil surgiu em seu rosto enquanto ele avançava.

Colin concentrou sua energia e conjurou um orbe elétrico, uma esfera pulsante de energia elétrica que iluminou a escuridão da caverna.

Ele avançou cautelosamente para o fundo, observando atentamente os detalhes ao seu redor.

O interior da caverna estava repleto de fungos que se alimentavam da matéria orgânica de cadáveres em decomposição.

Os fungos cresciam rapidamente, rompendo a matéria e consumindo os cadáveres, alimentando-se da imundície e da morte.

Conforme amadureciam, os fungos expelem esporos que se espalhavam com a mais leve brisa, dando origem a novos fungos e perpetuando o ciclo vicioso de decomposição e crescimento.

A caverna inteira estava infestada por esses fungos grotescos e mortíferos.

“Essa infestação pode estar contaminando a água do riacho, mas… quem está trazendo os cadáveres para dentro da caverna?”

Um arrepio súbito percorreu a espinha de Colin, alertando seus instintos. Ele saltou para trás rapidamente, evitando por pouco uma clava que se lançou na direção dele.

Bam!

Seu orbe elétrico iluminou a figura grotesca que o atacava: um Gumori.

Colin lembrava-se de ter lido sobre essas criaturas horrendas em um livro antigo na biblioteca de Runyra. Os Gumoris eram considerados os mais hediondos e perversos de toda a espécie gigante.

Seus corpos deformados e grotescos refletiam suas condutas vis. Alguns possuíam traços faciais distribuídos aleatoriamente ao redor de suas enrugadas e deformadas cabeças, enquanto outros tinham membros de tamanhos e formatos desproporcionais. Seus terríveis urros ressoavam a cada vez que respiravam através de suas bocas deformadas.

Além de sua aparência repulsiva, os Gumoris eram enormes, com cerca de quatro metros e meio de altura. Eles ficavam nus e de sua genitália exalava um pus fétido, tornando-os ainda mais repugnantes e ameaçadores.

— Então é você? — zombou. — Acho que você é a coisa mais feia que eu já vi na vida.

O Gumori avançou ferozmente na direção de Colin, girando seu tacape pesado em um arco amplo e ameaçador. Com agilidade, o errante esquivou-se em um salto ágil, e em seguida, agachou-se e deu um passo rápido para o lado.

Ele parecia dançar habilmente em meio aos movimentos brutos e desajeitados da criatura grotesca.

— Pessoas que não são usuárias de árvores teriam mesmo dificuldade contra você. Talvez eu mesmo tivesse, um ano atrás.

No momento em que o Gumori avançou novamente, buscando atingir Colin com seu tacape, o orbe de energia que o seguia se transformou instantaneamente em uma espada de raios reluzentes.

Cabrum!

Com um ribombar poderoso, a espada de raios atravessou o peito do Gumori, deixando um buraco fumegante em seu lugar. A criatura soltou seu tacape e caiu pesadamente no chão, derrotada e morta.

Colin se sentou em uma pedra próxima. Subitamente, um círculo mágico se abriu bem à sua frente. Uma matilha de lobos elétricos surgiu do círculo mágico, avançando rapidamente em direção ao cadáver do Gumori caído.

Os lobos elétricos começaram a devorar o cadáver da criatura grotesca, eliminando qualquer vestígio da ameaça que o Gumori representava.

— É melhor que minhas expectativas se mantenham baixas. No meu nível atual, duvido que apareça alguém forte para me enfrentar.

Ele observou atentamente os fungos que infestavam a caverna.

— Hora de dar um jeito nisso.

Ele estendeu o braço direito e tocou a parede da caverna. As tatuagens mágicas em seu braço começaram a brilhar intensamente, emitindo uma luz poderosa.

À medida que a luz se intensificava, os fungos ao redor da caverna começaram a murchar e se desprender das paredes, caindo inertes no chão da caverna.

Os lobos elétricos avançaram contra o restante dos fungos e dos cadáveres, limpando a caverna da infestação que a assolava.

Colin se levantou da pedra e caminhou até o riacho, fazendo uma concha com as mãos e bebendo a água fresca e quase cristalina.

Sentindo-se revigorado e com a sensação de dever cumprido, ele começou a descer a montanha.

À medida que ele descia, até a névoa que envolvia a montanha se dissipou, revelando o cenário claro e ensolarado.

Levou algumas horas e, quando finalmente chegou ao vilarejo, foi recebido por uma cena alegre e animada. Crianças estavam brincando na margem do riacho, jogando água umas nas outras, enquanto suas mães, surpresas e aliviadas, levantavam os vestidos para correrem pela margem e se juntar à diversão.

Colin sorriu satisfeito.

Ele voltou para a casa da prima de Yonolondor, retirando sua capa e a jogando em um canto.

— Tem alguém em casa? — ele perguntou. — Yonolondor, Samantha, vocês já chegaram?

Escondido atrás da porta, Eoard estava observando tudo. Ao ouvir a voz de Colin, o garoto saiu correndo, passando pelo corredor e pela mãe.

Ela foi até a sala e viu Colin sentado no sofá.

— Você matou a bruxa? — ela perguntou com ansiedade.

— Não era uma bruxa, mas o problema foi resolvido.

A mulher não conseguiu conter suas emoções e começou a chorar copiosamente, repetindo “obrigada” várias vezes, aliviada e agradecida.

Yonolondor foi o primeiro a chegar, sua capa manchada de sangue. Poucos minutos depois, Samantha apareceu, suas roupas impecáveis, sem um único arranhão.

— Lidei com alguns grupos de trolls — disse ela com um sorriso astuto — e também peguei tudo de valor que eles tinham.

Yonolondor, esfregando o suor e a sujeira do combate, acrescentou: — Encontrei mais daqueles sapos-gigantes e um grupo de goblins. Preciso de um banho urgente.

Samantha não perdeu a oportunidade de zombar.

— Talvez você devesse treinar para ser um lutador de longa distância.

Yonolondor retrucou: — Você tem sorte de ser uma transmutadora eficiente.

A prima de Yonolondor, aliviada e emocionada ao ver o trio de volta e seguro.

“Acho que a morte de tantos amigos e companheiros não foi em vão.”

Fim da leitura

Capítulo 389 concluído

CAPÍTULO 389 - 389 – Gumori.