Pacto com a Súcubo — Capítulo 110: CAPÍTULO 110 - 109 A pedra se rompe!

Pacto com a Súcubo
Cap. 110
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Pacto com a Súcubo

CAPÍTULO 110 - 109 A pedra se rompe!

Capítulo 110

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Capítulo 109: A pedra se rompe!

Pacto com a Súcubo

— Alguém? Tem… alguém aí? — A voz de Mical saiu fraca.

Ela tropeçou num montinho de areia e, suas pernas já enfraquecidas, não suportaram seu peso. A garota caiu sobre uma duna seca e quente.

O sol queimava sua visão. A garganta parecia a ponto de se partir.

Não teve forças para se levantar.

— Jés? Cadê… cadê você? Alguém… Renato… me ajuda… eu tô com medo.

— Tá com medo?

Mical abriu os olhos para ver de onde vinha essa voz, e viu aquela garotinha de cócoras ao lado dela.

Devia ter algo entre 4 ou 5 anos. Cabelos pretos e longos, com uma franjinha sobre a testa.

Usava roupas leves e uma mochila de estudante cor de rosa nas costas.

— Quem é você? — perguntou Mical.

— Não sei — disse a menininha, com um sorriso bobo.

— Onde estamos?

— Não faço ideia! Só me lembro de acordar com você dizendo que estava com medo. E aí fiquei com vontade de vir falar com você.

Mical passou a língua nos lábios, para tentar aplacar a secura, e, com sede, engoliu saliva.

Então usou toda a força que tinha para se sentar.

— Eu conheço você? Sinto que conheço.

A garota lançou um olhar de dúvida e pôs a mão no queixo.

— Hum… não sei. Ei, por que você tem medo? Sinto um poder vindo de dentro de você. Poder de cura.

— Cura?

— Sim! Uma benção divina!

— Tudo o que eu sinto é sede. E medo. Tô sozinha aqui há anos! Tantos anos que perdi a conta! Fui abandonada por todos!

— Não tem anos. Tá aqui há alguns dias apenas. Mas parecem anos. E tenho certeza que estão todos preocupados com você.

A garotinha se levantou e olhou em volta.

— Isso aqui parece uma prisão. Você vai sair um dia. E eu vou com você! — Ela sorriu e ergueu o polegar, num sinal de jóia.

— Não tenho a menor ideia de como você ainda tá vivo, mas vir aqui foi um erro! — berrou Andrei, entredentes, segurando o próprio braço quebrado, na qual a ponta do osso aparecia rasgando a pele.

Com o braço bom, o mercenário puxou a pistola do coldre.

Mas Renato parou seu movimento, segurando-o pelo braço, e desferiu um soco na boca do estômago.

— Urg! — Andrei grunhiu de dor e soltou a arma.

— Você disse que o Hiro é fraco, mas estava enganado. Sabe quanta força é necessária pra continuar se levantando daquele jeito?

Ele acertou mais um soco no mesmo lugar. Andrei caiu no chão, com sangue e saliva lhe escorrendo pela boca.

— Força essa que você não tem, aparentemente.

— Desgra… çado! — gemeu ele. — Vai… morrer!

Renato riu.

— Eu poderia ter te matado com esse golpe. Meu punho poderia ter atravessado seu corpo com facilidade. Sabe por que eu não fiz isso?

Andrei permaneceu calado. A dor era imensurável. Sempre que puxava o ar pra respirar, a dor aumentava e se espalhava para o tórax. O golpe tinha quebrado duas de suas costelas, e o estômago parecia que tinha sido deslocado de lugar.

— Porque você vai me dizer onde encontrar a Kath — concluiu Renato.

Andrei moveu e puxou os braços, tentando libertar-se, e a dor aguda no local da fratura subiu pelo osso e fez o corpo inteiro se arrepiar.

Seus pulsos estavam amarrados por cordas. Ele estava preso a uma cadeira. Odiava estar desse lado de um interrogatório.

— E então? — disse Renato. — Como eu encontro a Kath?

Andrei sorriu de forma amarga.

— Pode deixar que ela vai te encontrar, garoto! Mais cedo ou mais tarde!

O soco de Renato fez Andrei ver estrelas e sua visão se apagou por alguns segundos. Ele engasgou no gosto de sangue e cuspiu dois dentes, um canino e um pré molar.

— Se lembrou?

Após alguns segundos completamente desnorteado, o mercenário abriu um sorriso banguela e ensanguentado.

— Você bate que nem mulherzinha!

Renato assentiu. Rodeou o mercenário e segurou o braço dele no local da fratura. Apertou.

— Arrrrg! Ma… maldito! Arg!

— Diga! E eu deixo você morrer.

— Vai… se fuder! Você é quem vai morrer, garoto! Eu vou te… arrrrrg!

Renato pressionou ainda mais a fratura. Pôde sentir o osso se movendo debaixo da carne do homem e a pontinha que aparecia fora da pele.

— Você… acha que sabe fazer isso? — disse Andrei. — É um completo amador! Teria pesadelos se visse o Lúkin interrogando!

Renato deu de ombros.

— E o que tem de tão difícil em causar dor?

Foi quando ouviu um som de estrondo vindo da direção dos quartos; e junto, veio aquela sensação estranha de formigamento atrás do cérebro, de quando emanações energéticas poderosas acontecem nas proximidades.

No quarto, a pedra fundacional sobre o peito da demi-humana, que antes fora acinzentada, já tinha adquirido uma coloração ainda mais escura. As paredes do quarto tinham ficado sujas, como se salpicadas de fumaça negra.

A própria estrutura da pedra não suportava a intensidade da Maldição da Escravidão. Suas moléculas vibravam de um jeito enlouquecido. Os átomos estavam a ponto de se partir.

Até que a pedra se quebrou . Uma rachadura a trincou no meio, e as duas metades rolaram até cair sobre o lençol da cama.

O quarto tremeu com um estrondo e uma sujeira escura se dissipou.

Lírica abriu os olhos.

Ainda meio confusa, sentou-se na cama. As pupilas, adaptadas ao escuro, não tiveram problemas em decifrar as formas ocultas pela penumbra: um guarda-roupas, uma cômoda, mesinha de cabeceira. Coisas que ela não conhecia.

Um vento suave e fresco entrava pela janela e movimentava as cortinas.

Ela se levantou e foi até a janela. E olhou para a lua. Um círculo quase perfeito, feito de prata e luz.

Linda.

A garota suspirou.

— Esse céu é mais bonito do que o do Inferno.

— Tem que ver durante o dia. Também é incrível. — Essa foi a voz de Renato, atrás dela.

A garota se virou e abriu um sorriso. Ela pulou sobre ele, abraçando-o, e tirou os pés do chão, de modo que Renato teve que segurá-la em seus braços.

Ele se desequilibrou e tombou para trás, caindo na cama, e a demi-humana caiu por cima.

— Renato… — disse ela, olhando-o nos olhos — sua mente parece perturbada.

— Minha mente tá sempre perturbada — respondeu ele, com um sorriso, sentindo o corpo dela sobre o dele —, mas eu aguento.

Ela inclinou a cabeça, tentando decifrar a expressão dele. Suas orellhinhas se dobraram, como um animalzinho tentando ouvir algo à distância, e ela puxou o ar, farejando.

— Seu cheiro é bom — disse ela.

O garoto sorriu, tímido.

— Obrigado. O seu também.

— Seu cheiro me dá vontade de acasalar.

— Eita! — o garoto engasgou, surpreso.

— Muito bem, muito bem! — Essa foi a voz de Clara. Ela estava na janela, e tinha um olhar ameaçador.

Atrás dela, Tâmara estava flutuando no ar, com sua roupa tecnológica, e com o fuzil gigantesco preso ao corpo pela alça.

— A gatinha tá no cio — disse a súcubo.

— Tô com vontade de arrancar as orelhas dela no tiro! — disse Tâmara.

Renato se levantou.

— Calma, calma! Sem violência entre… — Ele quis dizer “entre minhas garotas”, mas não teve coragem, então parou a frase na metade.

— Em cima da Mical e da Jéssica, Renato?! — disse Clara, apontando para as duas que dormiam na cama. — Que deselegante! Não tem vergonha?

— A gente não ia fazer nada!

— Não ia? — disse Lírica, com cara de choro.

— Ah, bom… talvez…

Tâmara puxou duas granadas.

— Ah, chega! Eu vou explodir todo mundo!

— Calma aí, oh Megumin da deep web! — respondeu Renato. — Que bom que vocês chegaram. Eu preciso de ajuda pra um negócio.

— Ajuda? — A garota dos olhos âmbares ergueu uma sobrancelha, desconfiada. — Ah, tudo bem! Eu não consigo ficar com raiva de você! Não consigo falar “não” para o meu Renato!

Ela guardou as granadas e pulou sobre Renato, abraçando-o.

— Sabe, Tâmara — disse Clara —, eu aprendi uma expressão nova que descreve bem você.

A garota dos olhos âmbares a olhou de soslaio.

— E qual seria?

— Gada demais!

— Renato… — disse Tâmara, pegando as mãos do garoto —, seus punhos estão machucados…

Ele deu de ombros.

— Tem que ver o outro cara.

Enquanto saíam do quarto, estacaram na porta. Paralisados. Todos, tomados pelo mesmo sentimento de assombro.

O garoto sentiu aquele arrepio no cérebro, avisando-o de que algo estava errado.

A demi-humana, com a testa enrugada e uma sensação de alerta, farejou o ar.

— Também senti — disse Clara.

Tâmara mostrou a pele de seu braço. Os pelos estavam todos eriçados.

— Cheiro de… — disse Lírica.

— Anjo — completou Clara.

Seguindo a origem daquela sensação, olharam em direção às meninas que estavam deitadas na cama e viram que Jéssica tinha aberto os olhos, e deles saía um brilho alaranjado suave.

Clara fez uma careta de nojo.

— Uma benção angelical.

— Não — respondeu Lírica. — Duas.

Mical também tinha aberto os olhos. Suas pupilas verdes brilhavam como duas esmeraldas bem lapidadas.

A irmã mais velha sentou-se e, confusa, levou a mão às têmporas e as massageou.

— Ah… que dor!

— Parece que… um crocodilo do Nilo mastigou minha cabeça… depois cuspiu ela só pra poder mastigar de novo! — disse Mical, enquanto via o mundo girar.

Tâmara apertou os olhos, lançando um olhar desconfiado para as duas.

— Hum…

Então, repentinamente, sacou uma pistola, apontou para o rosto de Jéssica e atirou.

— Você tá maluca?! — gritou a garota. — Eu vou te partir em pedaços!

— Só tô devolvendo o favor de antes.

— Vadia!

— Certo, pirigospel, mas antes poderia responder pra gente como você segurou a bala com a mão?

Jéssica franziu o cenho, confusa.

— Como eu fiz o quê?

— Suas mãos.

A menina notou que estava segurando algo. Ainda confusa, abriu a mão e lá estava o pequeno projétil de chumbo expelindo fumaça.

— O quê… como eu… — Olhou para Mical.

— Jés!

Fim da leitura

Capítulo 110 concluído

CAPÍTULO 110 - 109 A pedra se rompe!