Pacto com a Súcubo — Capítulo 182: CAPÍTULO 182 - 181 Clara versus cachaça

Pacto com a Súcubo
Cap. 182
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Pacto com a Súcubo

CAPÍTULO 182 - 181 Clara versus cachaça

Capítulo 182

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Capítulo 181: Clara versus cachaça

Pacto com a Súcubo

Clara olhou em volta, procurando Renato, mas não o viu. Nem mesmo podia sentir sua presença ou notar seu cheiro na brisa.

O garoto tinha desaparecido.

Mas ele podia vê-la.

Estava ao lado dela. Ao tocá-la, sua mão a atravessou, como num jogo mal programado onde os objetos não têm colisão.

Foi parecido com a vez em que foi puxado para a reunião com os cavaleiros. Ele não podia tocar e nem falar com as pessoas.

Tinha se tornado intangível.

Porém, um arrepio atravessou o corpo. Aquela sensação esquisita de estar sendo observado fez cócegas em seu cérebro.

Foi quando viu os olhos felinos do cacique Ysani olhando diretamente para ele. Era o único que podia vê-lo.

E, atrás do cacique, estava aquela onça gigantesca, caminhando suavemente sobre a terra. Ostentava garras que eram como lanças e presas curvas que seriam capazes de rasgar carne e ossos com facilidade.

— Aí está você! — disse Clara, ao lado de Renato. — O que aconteceu?

Ele olhou para ela. Pôde sentir seu toque. As outras pessoas também olhavam para ele.

— Não sei.

Ysani se aproximou. Tinha olhos neutros. As cicatrizes estavam mais visíveis do que nunca. Os primeiros raios de sol, dourados, batiam em sua pele feito brasa.

— Estava do outro lado, não estava?

O garoto franziu o cenho. Tinha muitas dúvidas.

— Acho que sim. E eu vi… — Renato olhou na direção daquela escultura de madeira no formato de uma onça sobre duas patas —, … Vi ela.

Um cochicho se espalhou pela aldeia.

As pessoas evitavam olhar diretamente. Lançavam olhares no canto de olho, curiosas, e sussurravam baixinho.

— Ya Wará. A deusa Ya. Nossa deusa da guerra. — O cacique abriu um sorriso largo. — E ela viu você também.

O rapaz do violão tinha parado de tocar e prestava atenção na conversa de longe.

— Deusa da guerra?

— Sim. Uma das poucas que ainda existem. Sendo bem franco, Renato, nós só te aceitamos hoje aqui porque ela permitiu. Ela te viu e te aceitou. Não sei bem o porquê.

— Entendo. — Renato aspirou o nariz. Estava escorrendo, e o cheiro de tabaco ainda estava forte.

— Mas te vendo agora… suas cicatrizes… são cicatrizes de um guerreiro. Tenho certeza que deve ser forte. Talvez, até mais do que eu.

Nessa hora o burburinho na aldeia aumentou.

— Mas é confuso — continuou o cacique. — Tem um olhar perdido. Não sabe direito o que está fazendo.

— É que eu não tô nesse ramo de guerreiro há muito tempo, sabe? — Renato esboçou um sorriso. — Ainda tô aprendendo.

Ysani assentiu e sorriu também.

— Parece até comigo há um tempo atrás.

— Ninguém nasce sabendo, né?

— Verdade. Às vezes, Renato, a maior batalha se passa dentro de nossa mente. Dentro de nosso espírito. Vencer a si mesmo é a mais difícil das guerras.

Depois disso, foi servido o desjejum. Todas as pessoas já tinham saído do transe de ayahuasca, e a melodia suave do violão tinha voltado a tocar.

Comeram frutas e beiju.

Uma das meninas aldeãs estava servindo suco de caju de uma botija de barro, mas antes que Renato pudesse pegar um pouco, Ysani interveio.

Ele trazia um copo de porcelana, o qual ofereceu ao garoto.

— Bebe isso. Vai gostar mais.

O cheiro alcoólico era intenso. Ia ser pancada. Mas Renato nunca fugiu de uma bebida forte, então bebeu um gole generoso.

O sabor lembrava mandioca, com uma acidez acentuada e um leve toque adocicado. Era bastante encorpada, e o álcool queimava quando descia pelo peito.

Renato tossiu.

Ysani e os rapazes indígenas que o acompanhavam deram risada.

Um dos rapazes pôs a mão sobre o ombro de Renato.

— Agora sim, bem-vindo à aldeia!

— Ei, eu também quero! — Clara se aproximou. Ela ainda estava terminando de mastigar seu beiju com peixe.

O rapaz do violão limpou a garganta.

— Talvez seja um pouco forte para uma mulher — disse ele, com um sorriso zombeteiro, claramente provocador.

— Ei! — A garota que estava ao lado dele lhe deu um soquinho no braço. — Eu também vou beber, ouviu Ubiratan?! humpf!

Clara olhou o interior do copo. O líquido estava abaixo da metade.

Ela lançou seu sorriso de desdém.

— Vocês têm mais? Isso aqui não vai dar pra nada.

Ubiratan e o outro rapaz trocaram olhares. Tinham se sentido desafiados.

Os dois saíram e, com a ajuda de outros rapazes aldeões, trouxeram um tambor metálico de 200 litros.

— Agora sim! — disse Karina, a garota aldeã. — Nós duas vamos mostrar pra vocês que mulheres também podem beber!

— Façam as honras! — disse Ubiratan.

— Certo!

Karina pegou um copo e mergulhou naquele líquido branco do tambor.

O cheiro lembrava mandioca cozida, porém um tanto azeda.

Ela bebeu. Até tentou não fazer careta, mas não conseguiu.

Clara também encheu seu copo.

Karina bebeu dois copos e parou, e saiu andando meio cambaleante em direção a sua casa.

— Eu só vou parar! Hic! — soluçou. — Porque… eu tenho… Hic! Preciso ir… Hic!

Clara continuou.

— Eu poderia fazer isso o dia todo. Essa bebida até que é boa.

As pessoas tinham parado de contar no vigésimo copo.

Clara tinha se tornado um tipo de atração. Toda a aldeia se reuniu para vê-la beber.

Quando o conteúdo do tambor se aproximou da metade, o cacique interveio.

— Certo, certo — disse ele. — já provou seu ponto. Se continuar bebendo desse jeito, vamos ficar sem caxiri pelo resto do ano.

— Humpf! Um lugar realmente hospitaleiro me deixaria beber tudo!

Ubiratan se aproximou de Renato.

— Sua amiga é um monstro!

— Você não faz ideia.

Enquanto isso, no prédio de Clara:

Irina estava sentada no sofá, com um notebook no colo, ela digitava com bastante velocidade e corria o dedo pelo touchpad.

Na tela, pequenos quadros com imagens de vídeo eram exibidos, ao lado de linhas de programação formadas por muitas letras, números e caracteres.

— Ouvi falar de magos que faziam magia usando máquinas como essa — disse Lírica, um tanto assombrada. — Tecnomancia!

— Tec…o quê? — Irina ergueu uma sobrancelha, sem desviar os olhos do monitor. — Não entendo quase nada do que você fala, menina-gato.

— Eu não sou uma menina-gato!

— Pois parece muito uma menina-gato!

— Mas eu entendo o que ela quer dizer — retrucou Jéssica. — Essa tecnologia se parece mesmo com magia.

— Qual é, meninas? É só um laptop. Nada demais! Agora, isso aqui que eu tô fazendo é demais sim! Eu sou uma gênia! Muitos diriam isso, sabiam? Contemplem uma gênia trabalhando!

— Gênia? — Lírica enrugou a testa, confusa. — Como aqueles gênios presos em vasilhames de barro, que realizam os desejos dos magistas?

— Hã? — Irina balançou a cabeça. Para ela, a demi-humana falava apenas um monte de sandices sem significado.

— Vai conseguir achar a Tamara ou não?! — questionou Jéssica, impaciente.

— É claro que vou. É só ela passar na frente de uma dessas câmeras que eu hackeei e vamos saber exatamente onde ela está. Estão preparadas para fazerem o que for necessário, não é?

Lírica mostrou suas garras nas pontas dos dedos.

— Sim — respondeu. — Tâmara precisa morrer.

— Vamos cercá-la e acabar logo com isso — disse Jéssica. — Ela é uma ameaça para nós e para o Renato.

Irina assentiu.

— Vamos fazer aquela psicopata maldita pagar por tudo o que fez.

Lírica farejou o ar.

— O Renato chegou.

— Oh, droga! — Irina fechou o notebook rapidamente.

Fim da leitura

Capítulo 182 concluído

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