Pacto com a Súcubo — Capítulo 193: CAPÍTULO 193 - 192 Âmbar

Pacto com a Súcubo
Cap. 193
0%
Pacto com a Súcubo

CAPÍTULO 193 - 192 Âmbar

Capítulo 193

1.273 palavras~6 min de leitura

Capítulo 192: Âmbar

Pacto com a Súcubo

— Mas que piada ruim! — Essa foi a voz embargada de Tâmara, carregada de ira e ímpeto, porém entalada na garganta, devido a falta de forças da garota. Suas pernas, trêmulas, mal podiam sustentar o peso do corpo. — Acha que vai conseguir quebrar o Renato assim? Não vai!

Morte direcionou para a garota um olhar curioso.

Tâmara deu um passo adiante, com dificuldade, e continuou.

— Não faz ideia do tipo de coisa que ele já suportou! Nem eu aguentaria aquele inferno! Você é só mais um, dentre uma longa sequência de ratos, que o Renato vai abater!

Mical estava ao lado dela, usando seu poder para tentar curar totalmente os ferimentos. Porém, ela própria estava ficando sem forças. A ferida causada pela espada de Guerra resistia à magia de cura e drenava sua energia feito um sangue-suga. Sua visão começava a ficar enevoada e o corpo a formigar.

Morte curvou levemente um dos lados da boca, num sorriso sutil, como alguém que vê algo bobo, porém levemente engraçado.

Uniu os dedos, para estalá-los.

Porém, Renato o impediu.

Não deixaria que matasse a garota.

O rapaz pulou sobre o cavaleiro, segurando sua mão.

Aquilo realmente atrapalhou Morte, e o estalo saiu imperfeito, quase inaudível, mas saiu. E as pernas de Tâmara perderam completamente a força e a menina despencou novamente no chão.

Renato, tomado por fúria, tentou golpear Morte, mas seus punhos não o alcançavam.

De repente, o ar sumiu dos pulmões de Renato e sangue saiu de sua boca.

O pé de Hiro estava afundando em seu estômago.

O chute fez Renato ser arremessado violentamente para longe, e quando bateu contra o chão, rolou por alguns metros.

Renato se levantou e limpou o sangue dos lábios usando o dorso da mão.

— Hiro… você…

— Renato! Você vai precisar me matar!

— Não vou te matar, amigo! Vou te salvar!

— É impossível! Acabou pra mim. — A voz dele saiu melancólica.

Morte riu e deu de ombros.

— Vou deixar vocês se resolverem. — Os trapos de suas roupas mudaram, curvaram-se e se distorceram até tomarem o formato de duas asas negras.

— Espere! — Renato tentou impedi-lo, mas Morte bateu as asas e voou para o alto, e desapareceu entre as nuvens. Guerra o seguiu.

O cavaleiro da armadura vermelha ainda olhou para trás, curioso com o combate que se seguiria, mas como Morte o lembrara há alguns momentos, ele tinha trabalho a fazer.

O garoto até pensou em segui-los, mas…

— Renato! — gemeu Hiro, em agonia. — Eu vou matar elas! Vou matar! Preciso matar!

— Hiro! — Com as suas asas sombrias se projetando nas costas, Renato saltou até o amigo e o segurou, abraçando-o por trás. — Eu vou te deter! Vou te segurar! E aí vamos achar um jeito de salvar você! De salvar todo mundo! Você não precisa obedecer o Morte!

— Você não consegue me deter! — Hiro gritou, e sua voz saiu estridente e raivosa, e ele golpeou Renato usando o cotovelo.

Para Renato, foi como ser atingido por um tiro, ou pior. A vista escureceu, e ele foi jogado para trás, e só não caiu porque conseguiu firmar as pernas a tempo.

— Não pode me deter… a menos que me mate!

— Não vou te matar!

— Você precisa!

Ele saltou, encurtando a distância entre ele e Mical.

— Hiro, você… — Mical engoliu em seco, olhando aquele garoto que, outrora, fora tão gentil, mas neste momento era a personificação de algo malígno. — Precisa lutar contra isso!

— Não tem como… — Direcionou um soco em direção a Mical.

A mão de Renato segurou seu punho ainda no ar, impedindo o golpe.

A mão livre de Hiro afundou no estômago de Renato, num soco poderoso.

Hiro curvou as sobrancelhas, numa careta confusa.

— Renato! Desculpe! Eu não… não… Arg! Você precisa me… eu quero morrer!Isso dói demais! Viver dói demais!

— Hiro…

— Não chega perto de mim!

Hiro abriu um par de asas em decomposição, com cheiro de morte, e ganhou altura.

Novamente, Renato não sabia se deveria seguir o amigo, mas…

— Renato! — gritou Mical. — A Tâmara! Ela está morrendo!

O garoto correu até elas. Se ajoelhou ao lado de Tâmara.

— Não… por que ela não está se curando?

— A magia de cura não está funcionando. É parecido com a vez em que eu tentei curar uma menina com câncer. Acho que a morte já estava muito arraigada nela.

— O que está dizendo? Que a morte já pegou Tâmara?

— Eu não sei… Talvez seja por causa dos cavaleiros! Precisamos de um hosp… não… não existem mais hospitais… — disse Mical, com um assombro. — Não existem mais médicos. Peste acabou com tudo. E minha magia não funciona…

— Re… na…

— Não, Tâmara, não fale! Economize suas energias. Vamos dar um jeito de…

— Não. — A voz da garota dos olhos âmbares saiu fraca, quase um sussurro dolorido. — Não existe mais esperança para mim. Eu tô… tô morrendo.

— Eu não vou deixar! Vou te levar para…

— Renato…

— Tâmara, eu vou…

— Renato! Me escuta. Eu te amo tanto! Tanto! Tanto que eu nem sei como… como posso explicar. Não existem palavras. A poesia é inútil. — Lágrimas brotaram no rosto dela. — Toda a poesia do mundo é pequena demais pra caber o que eu sinto.

— Tâmara… não pode morrer. Não pode. Vamos dar um jeito…

— Já me disseram que gente como eu não poderia sentir amor de verdade. Eu sei que… sou quebrada. Eu não sou normal. Meu coração é doente. Mas se isso que eu sinto não for amor, então nada mais é.

— Tâmara! Não deveria ter vindo! Você não deveria…

— Você não pode me dar ordens. — Ela curvou os lábios num sorriso, com muita dificuldade. Seus olhos lacrimejados brilhavam. — Eu não estou no pacto. E ainda bem! Ainda bem que sou eu… que sou eu quem vai morrer, e não você. Eu não poderia viver num mundo sem você, Renato. Seria… doloroso demais.

— Tâmara… eu também amo você. Me apaixonei por você, Tâmara! Por isso, vamos dar um jeito de…

Ela sorriu.

— Obrigado por tudo. Você foi a única pessoa que me tratou com alguma gentileza.

E finalmente os olhos cor de mel perderam o brilho e a luz se extinguiu deles.

— Tâmara! Não… não pode… — O garoto ficou em silêncio. Apertou os punhos tão forte que começou a sangrar.

Fechou os olhos.

Mais alguém tinha morrido, mesmo ele tendo prometido a si mesmo que protegeria a todos.

Ele até traiu a confiança de pessoas amadas para impedir esse desfecho… e foi em vão.

Falhou.

E Tâmara tinha sido a vítima de sua incompetência.

Sentiu vontade de gritar tão alto a ponto de fazer a garganta arder, mas tudo o que conseguiu foi chorar baixinho.

Em silêncio.

Mais uma vez a impotência diante da perda.

Mais uma vez tiraram algo dele. Algo valioso e insubstituível.

Mais uma vez ele não pôde fazer nada.

— Isso… se repete… de novo… e de novo… e de novo…

— Renato… — Mical pôs a mão em seu ombro. Ela estava chorando. — Sinto muito por ela. Acredito que… se ela tivesse a chance… poderia se tornar alguém melhor.

— Ela se tornou, Mical. Ela se tornou alguém melhor.

— Eu sei que isso é triste, mas não temos tempo para chorar agora. Sinto muito. O Hiro… ele pode ter ido atrás das outras garotas.

Renato olhou para o céu, tentando ver a sombra de seu amigo. Viu apenas nuvens.

— Ele não quer ferir ninguém.

— Eu sei. Mas ele vai. Ele quase me acertou agora há pouco.

Renato se ergueu.

— Eu sei. Meu amigo tá sofrendo. Morte tirou dele até mesmo o descanso final.

— Precisa impedir — suplicou Mical. — Minha irmã está lá. Não pode deixar que ela…

— Não vou. Não vou perder mais ninguém. Eu juro!

Fim da leitura

Capítulo 193 concluído

CAPÍTULO 193 - 192 Âmbar