Sirius — Capítulo 73: CAPÍTULO 73 - 72 Xu Wang

Sirius
Cap. 73
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Sirius

CAPÍTULO 73 - 72 Xu Wang

Capítulo 73

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Capítulo 72: Xu Wang

Sirius

Você não pode conquistar um homem livre, o máximo que pode fazer é matá-lo.

Teoria da Intenção ~ Sócrates

— Já se arrependeu pelos seus erros?

— Desde o primeiro dia, pai.

— Eu sei quando está mentindo, Xu Wang, não recomendo fazê-lo.

— Peço seu perdão, eu falhei.

— Pare com essa baboseira! — retrucou o homem. — Não peça perdão, não peça desculpas! Não consegue entender que essa sua fraqueza é o maior de seus problemas!?

Xu se calou com a gritaria do homem ecoando em todo o calabouço.

— Não investi tanto tempo em um fraco que choraminga suas decepções, quero a verdade, nada mais do que isso.

— O que o senhor quer que eu diga?

— Pare de pensar no que eu quero! Não é desse jeito que te criei, você tem o sangue dessa família, não me desonre dessa forma! — respondeu. — Vou te perguntar novamente, você se arrepende dos seus erros?

— Não…

— Mais alto!

— Não! Não me arrependi, nem por um segundo, eu precisava dele vivo!

— E por que? O que você viu naquele garoto que os meus olhos falharam em enxergar? Me diga!

— Ele é… interessante, vai me ajudar a ser mais forte, ele tem o que é necessário para queeupossa chegar ao ápice — respondeu Xu.

— Aquele moleque? — debochou. — Sua mente deve estar tão vendada quanto sua visão, qual logica te levaria a essa conclusão?

— Acreditaria em mim se eu dissesse que ele nunca havia sentido mana ate aquele momento? O senhor viu o que ele é capaz de fazer, derrotou todos os mercenários que o senhor colocou atrás dele, que preço deve ter sido pago para manipular aquele exame?

— Bem menos do que pensa.

— O que? — perguntou, surpreso.

— Teus olhos não falharam contigo… nós, deuses não interferimos nos testes, o preço a ser pago por tal interferência normalmente é muito mais pesado do que foi, a força do mundo em si nos cobra, mas nesse caso em especifico, é como se o moleque fosse uma anomalia… só não consigo saber o porquê.

— Então, por que me pediu para matá-lo?

— Foi um teste, não somente seu, mas também do moleque.

— Um teste?

— Caso ele morresse ali, a situação seria resolvida por si só, a constante aleatória iria ser eliminada, no entanto, se ele sobrevivesse, confirmaria minhas suspeitas sobre sua anormalidade.

— Pai, eu não entendo…

— Significa que você está certo, garoto — elucidou. — Uma anormalidade pode ter potencial 0, assim como potencial infinito. Ele irá crescer e se tornara uma fonte, uma que alimentara o seu crescimento, até que um dia você consiga engoli-lo por completo.

— Engoli-lo?

— Xu, grave isso na sua cabeça, nós somos uma família de imperadores, quando gostamos de algo, pegamos, quando lutamos por algo, ganhamos e quando queremos algo, nós temos! — disse o homem. — Jamais se arrependa de uma decisão! Jamais peça perdão! Jamais se ajoelhe!

— Sim, pai.

— Você é meu filho, um filho da fênix, levante-se e honre o brasão que carrega em seu corpo.

Wang ficou de pé, ainda amarrado pelas grossas correntes que o prendiam a parede.

— Ex Favilla Nos Resurgemus — disse o homem.

— Das cinzas nós ressuscitamos — respondeu Xu.

— Perfeito, venha, temos muito o que fazer — falou, passando pela porta da cela.

— Senhor, quer que o soltemos? — perguntou um dos guardas.

— Não há necessidade, ele nunca esteve preso.

BOOM

Do fundo da cela, pedregulhos e poeira voaram para fora e o barulho das correntes caindo no chão foi ouvido. Os guardas imediatamente olharam para dentro, enxergando apenas um par de olhos vermelhos brilhando na escuridão, o corpo do albino em si emanava luz flamejante para iluminar o caminho. Em seu peito, um brasão incandescente brilhava.

— Tomou um tempo para pensar em minha oferta?

Parado em frente ao homem com o mesmo rosto que ele, mas que possuía um longo cabelo branco, Li novamente era questionado.

— Ainda não tenho motivos para confiar em você.

“Urghque moleque irritante!” pensou. “De uma forma ou de outra, é melhor que ele foque na conjuração, afinal, uma vez que eu tomar esse corpo vou precisar que ele já esteja acostumado à minha magia.”

— Por que não considera que sou apenas sua mente tentando te levar para o melhor caminho? — disse o homem. — Afinal, você já viu que eu não consigo te ferir fisicamente, não tenho como lhe fazer mal.

— Mas você tentou…

— Pelos deuses, o que posso fazer para lhe convencer de que quero ajudá-lo?

— Me diga o que quer em troca? — disse Li, após pensar um pouco. — Talvez eu sinta alguma verdade se você for sincero.

“Ele não vai acreditar em mim se eu continuar inventando desculpas… uma coisa que eu quero em troca…” pensou calmamente.

— Zilá.

Jihan arregalou os olhos ao ouvir o nome demoníaco de seu pai biológico.

— Como… sabe esse nome?

— Eu quero que você o destrua, queime suas partes e faça-o sofrer — disse o homem, cada uma de suas palavras carregavam genuína sinceridade, afinal, ele odiava aquele nome ainda mais do que Li. — Eu juro sob minha alma.

— Perguntei como sabe esse nome!?

— Ele era meu amigo, mas me traiu e se tornou um demônio — respondeu, juntando uma mentira no meio das verdades.

Dentro de sua mente, Jihan sentiu que aquela pessoa não estava mentindo, se imergindo nos próprios pensamentos, tentou entender a situação.

— Eu fui sincero, era o que você queria, foi o suficiente? — perguntou, depois de algum tempo.

— Qual o seu nome?

— Já te disse, eu sou você.

— Só me diga logo algo que posso te chamar — retrucou. — Se vamos passar por isso mais vezes, você tem que ter um nome…

— Um nome… Nasháh, me chame de Nasháh.

“Er… um nome difícil, combina com alguém tão excêntrico” Pensou Li.

— Se está dizendo isso, quer dizer que aceitou minha oferta?

— Eu vou tentar, se vir que não está funcionando, ou se perceber que você está mentindo para mim, ou qualquer coisa desse tipo, encerrarei tudo!

— Muito bem…

— Comecemos logo?

— Não, você voltara aqui mais tarde.

— Que? Achei que quisesse fazer isso o mais rápido possível.

— Não é escolha minha, já está na hora de acordar…

— Li! Acorda logo, você tá atrasado!

Abrindo os olhos, Jihan se deparou com a mão de Matheus estapeando sua cara.

— Já acordei, já acordei!

— Por Kali, como alguém pode ter um sono tão pesado… ahn? Que cara é essa? Não dormiu direito?

— Não… não, na verdade me sinto melhor do que nunca — respondeu.

— Então vá tomar um café, temos que nos apressar para o treino, já passou da hora.

Levantando-se rapidamente, Li lavou o rosto e se preparou para mais um dia de treinamento árduo nas mãos de Matheus e Prado. Andando pelos corredores de Arcadia, Li percebeu pela janela que a cidade de Anpýrgio estava cada vez mais movimentada, devido ao Torneio de Erebus estar cada vez mais próximo.

— É uma pena que o seu primeiro torneio vai ser aqui mesmo na cidade, seria incrível conhecer outros reinos, eu soube que a capital do Império Élfico é extremamente linda — disse Matheus.

— Pensei que todos os torneios fossem aqui.

— Acho que não te expliquei exatamente o que é esse torneio… — O homem levou a mão ao queixo pensativo. — Bem, acho que é bom começar com o início. O torneio é feito anualmente em diferentes reinos para celebrar a paz após a guerra secular há muito tempo atrás.

“Paz?” pensou Li.

— Acho que não tem sentido em explicar isso agora, não vem ao caso. O ponto é, esse ano completam 500 anos do fim e o nosso Rei propôs que o torneio desse ano fosse feito no Bastião Humano, Anpýrgio — explicou. — Dito isso… ouvi em um bar esses dias conversas sobre isso ser uma jogada política na intenção de dispensar o pensamento que existe uma animosidade entre a humanidade e as outras raças.

— Eu percebi, sinto que desde que cheguei aqui só me encontrei com humanos e nada mais.

— Outras raças não gostam de se misturar com humanos e é compreensível. Quando eu era mais novo passei meses estudando sobre as abominações que a humanidade fez com Elfos, Anões, Homens besta e todo o resto.

— Estou ficando mais curioso a cada vez que você fala sobre isso…

— Talvez não seja uma má ideia para você dar uma lida de vez em quando… por precaução.

— Vou manter isso em mente.

— Enfim, minha esperança é que depois desse torneio as coisas comecem a ficar mais tranquilas… além disso… espero que as outras raças comecem a se sentir mais a vontade por aqui — desejou Matheus. — Eu pessoalmente sempre me dei bem com os Homens Besta.

— Vai ser incrível! — Li animou-se ainda mais. — Não estava esperando que fosse algo tão grande, quer dizer que vou ter a chance de lutar contra e conhecer muita gente.

— São oponentes ainda mais difíceis que humanos, digo, cada um tem suas especialidades e fraquezas, mas se formos considerar apenas mana, os elfos tem bastante vantagem…

— Elfos…

“Me pergunto se ela vai estar aqui… talvez seja um desejo vão.” Pensou Li.

— Ei, que cara é essa? — Matheus percebeu que Jihan ficou repentinamente cabisbaixo — Perdeu o ânimo?

— Claro que não! Eu só… estava pensando em uma coisa…

— Esse é o espirito, vamos apressar o passo, Prado deve estar ficando aflito.

BUM

Em meio a uma planície deserta de terra e areia, sons de estouros podiam ser ouvidos a longa distância. Para quem estava mais perto, até mesmo o chão tremia, barulho esse que podia ser facilmente confundido com a explosão de bombas, quando na verdade, eram apenas passos. Passos de pessoas que carregavam pedregulhos de uma tonelada em suas costas.

— Quer dar um descanso? — perguntou o homem mais velho a outra pessoa.

— Consigo continuar mais um pouco… — respondeu a mulher.

Ter uma noção de espaço e tamanho é difícil quando não se tem um referencial. De longe, a impressão é que era um pai e uma filha adolescente carregando uma montanha de carga. De perto, a mulher de quase dois metros parecia uma criança perto do homem de mais de três.

Fim da leitura

Capítulo 73 concluído

CAPÍTULO 73 - 72 Xu Wang