Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 468 - Abrindo Seus Corações
Capítulo 468Enquanto Marcus jazia inconsciente sob a proteção da cúpula, os outros membros da equipe preparavam algo para comer. Como Erik podia cultivar alimentos sempre que necessário, ninguém no grupo corria o risco de passar fome.
Ava e Garrett colaboraram na preparação de uma refeição simples. No entanto, apesar de seus melhores esforços para aliviar o clima, o silêncio sombrio que havia descido sobre o cômodo persistia.
Alexia era responsável por cuidar do fogo e fornecer a lenha que Garrett havia acumulado.
O brilho alaranjado das chamas dançava contra as paredes do abrigo, projetando sombras e conferindo uma qualidade quase surreal à situação. Depois de garantir que a cúpula mantivesse sua solidez estrutural, Erik se juntou às outras pessoas reunidas ao redor do fogo.
Eles se sentaram em um semicírculo, seus corpos buscando conforto no calor como um mecanismo de defesa contra o ar frio da floresta. A luz quente iluminava seus rostos.
A refeição foi consumida com o mínimo de conversa, pois todos estavam preocupados com seus pensamentos. Eles comeram e depois descansaram, esperando o despertar de seu companheiro para que pudessem recomeçar sua jornada.
Ava estava ali, seus traços delicados brilhando no brilho alaranjado do fogo enquanto ela observava silenciosamente as chamas. Desde que haviam montado acampamento, ela estava incomumente quieta; seu olhar perdido nas chamas bruxuleantes da fogueira.
A visão de Marcus deitado inconsciente a havia abalado, e uma nuvem de preocupação pairava sobre seu comportamento normalmente otimista. Finalmente, ela virou a cabeça para encarar Erik, as chamas refletindo em seus olhos enquanto o encarava.
Sua expressão transmitia um interesse sincero e, quando finalmente falou, fez uma pergunta que pairava em sua mente há algum tempo.
— Erik — ela começou, sua voz suave, mas clara, cortando o zumbido silencioso da floresta ao redor deles. — Como era viver na cidade? Quão diferente é de viver na vila?
Suas palavras foram cuidadosamente escolhidas, seu tom repleto de genuína curiosidade. Todos voltaram sua atenção para Erik, esperando que ele respondesse, e houve uma breve pausa depois disso.
Naquele exato instante, ficou abundantemente claro que a pergunta de Ava era mais do que simplesmente saciar sua curiosidade; em vez disso, era uma tábua de salvação para uma sensação de normalidade, um momento de calma em meio à tempestade em que se encontravam.
Enquanto Erik pensava sobre a pergunta de Ava, ele se recostou e olhou para o fogo. — A vida na cidade — ele começou — é muito diferente da vida na vila. A cidade é uma metrópole agitada, repleta de vida e energia. Os edifícios altos, as ruas cheias de pessoas e veículos, as luzes de neon depois do pôr do sol... é quase intoxicante.
Ele fez uma pausa por um momento, reunindo seus pensamentos antes de continuar. — Nunca há um momento de tédio. Há sempre coisas novas para ver, novas experiências para serem vividas. A cidade oferece muitas oportunidades, desde empregos até educação e várias formas de entretenimento. É um lugar onde você pode conhecer pessoas de todas as esferas da vida, de todos os cantos do mundo — disse o jovem.
— Não parece nada mal, essa vida na cidade — Garrett comentou, sua voz rouca cortando o crepitar do fogo. O homem mais experiente estava olhando para Erik enquanto se encostava na parede interna polida da cúpula de plantas.
Seus olhos estavam fixos nele. Suas mãos estavam distraidamente inquietas com um graveto, virando-o e revirando-o nas palmas das mãos.
Quando Garrett continuou, Erik viu um brilho de diversão em seus olhos quando ele disse: — Com certeza é melhor do que fugir de ursos polares comedor de homens e lutar com lobos de duas caudas. — Suas palavras foram proferidas com um sorriso irônico e um ar despreocupado para colocar todos em um estado de espírito melhor.
O canto da boca de Garrett se curvou em um sorriso provocador, mas ele não tirou os olhos de Erik o tempo todo.
O comentário era típico de Garrett, que estava sempre pronto para trazer uma pitada de diversão à situação, não importava a circunstância.
Parecia que Garrett havia encontrado uma maneira de amenizar as difíceis circunstâncias que haviam se desenrolado naquele dia.
Uma leve risada escapou dos lábios de Alexia com o comentário de Garrett. Ela assentiu em concordância, seus olhos brilhando alegremente à luz do fogo. — Ele tem um ponto, Erik — ela provocou. — Não posso negar que a cidade parece atraente, especialmente depois de hoje.
Aproximando-se do fogo, ela cruzou os braços sobre os joelhos, parecendo pensativa. — Ouvi falar dessas coisas que vocês chamam de 'carros'. Nunca vi um, no entanto. Não consigo imaginar como seria, zunindo em um desses.
Ela suspirou baixinho enquanto continuava a olhar fixamente para as chamas bruxuleantes. Seu tom transmitia um senso de anseio que era muito claro. O conceito de tais luxos e abordagens contrastantes da vida despertou seu interesse.
Ela não pôde deixar de ponderar sobre o mundo além da vila, a paisagem urbana que Erik havia experimentado e as maravilhas comuns que ela ainda não tivera a oportunidade de testemunhar por si mesma.
— Certamente não é um lugar ruim para se estar — disse o jovem —, mas uma cidade também pode ser opressiva. O barulho, a correria constante, a quantidade enorme de pessoas... pode ser exaustivo. Sentir-se perdido e como se fosse apenas mais um rosto na multidão é fácil. Além disso, não importa quão boa uma cidade possa ser, se as pessoas que vivem nela forem péssimas, então até mesmo a própria cidade será péssima.
— A vila, por outro lado — disse ele, seu olhar suavizando —, é um lugar de tranquilidade. O ritmo de vida é mais lento e há um senso de comunidade difícil de encontrar na cidade. Todo mundo conhece todo mundo, e há um senso de familiaridade e conforto nisso.
Ele suspirou. — Na cidade, você está cercado de pessoas, mas ainda pode se sentir sozinho. Na vila, sempre há alguém cuidando de você, sempre um rosto amigável para cumprimentá-lo. É um tipo diferente de calor, um tipo diferente de lar.
Erik olhou para Ava, sua expressão pensativa. — Mas cada um tem seu charme, seu próprio conjunto de desafios.
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