Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 57 - Um Dia Relaxante 2
Capítulo 57Dentro do escritório do Diretor, o Professor McAllister e o Diretor Harris conversavam sobre Erik. O Diretor Harris estava sentado, como de costume, atrás de sua mesa com um olhar contemplativo. O Professor McAllister, por sua vez, estava em pé na frente dele com uma expressão séria.
— Está me dizendo que o despertar do garoto ainda não terminou? — perguntou o Diretor Harris ao Professor McAllister.
— Sim, senhor. Ele ainda está demonstrando melhoras de força que não deveria; além disso, sua capacidade de aprender está muito fora do comum. Não tenho conhecimento de casos semelhantes, mas é o que eu acho que está acontecendo. Talvez ele mesmo não esteja ciente disso — disse o Professor McAllister.
— Se for como você está dizendo, estamos diante de algo sem precedentes, e devemos ser cautelosos sobre o que fazer a partir de agora.
— Então você está...
— Sim, estou sugerindo não dizer nada aos militares — disse o diretor, provocando indignação no Professor McAllister.
— Mas por quê? Se algo assim for verdade, devemos entender o porquê... — disse o professor.
— Sim, mas isso significaria deixar Erik se tornar um rato de laboratório.
Os dois homens continuaram sua conversa. O Professor McAllister tentou em vão argumentar com o Diretor Harris, mas ele estava irredutível em sua decisão. Nada deveria vazar sobre Erik.
Quando o Professor McAllister saiu da sala, o Diretor Harris se levantou. Ele foi até o enorme mapa que retratava o continente pendurado na parede e o encarou por vários minutos antes de ir para sua mesa.
— Você tinha que ver a cara dela! — disse Floyd para Erik enquanto contava uma história engraçada sobre Gwen, irritando-a profundamente.
— Já acabou?! — perguntou a jovem.
— Ainda não! Hahaha — Esses eram alguns momentos que Erik nunca teve antes de seu falso despertar. Ele os considerava preciosos, mas não conseguia saboreá-los totalmente por causa de sua angústia.
Ter matado Conal, Orson e Logan realmente o fez se sentir maravilhoso, embora, ao mesmo tempo, ele sentisse como se algo tivesse quebrado dentro dele.
Na semana anterior, ele estava nas nuvens porque havia consertado sua deformidade e ganhado um novo poder. Ele acreditava que tudo ficaria bem de uma vez por todas. No entanto, os três valentões decidiram não dar paz ao jovem, levando-o a tomar medidas extremas para resolver o conflito.
— Está ouvindo, Erik? — perguntou Floyd.
— Ah, desculpa — disse Erik, envergonhado.
— Eu queria perguntar isso, mas me parece que você está com alguma coisa na cabeça. Aconteceu alguma coisa? — perguntou Floyd.
Erik foi pego de surpresa pela pergunta; ele não poderia responder com sinceridade, pois não podia contar que havia matado aqueles três idiotas. Então ele forçou seu melhor sorriso e disse: — Nada de mais.
— Se você diz... A propósito, eu estava dizendo...
Floyd então retomou as histórias vergonhosas de Gwen. Ele continuou contando suas histórias por uma hora antes que os quatro amigos decidissem comer algo em um restaurante local. Gwen, obviamente, estava furiosa com Floyd, mas ele não se importava, e tirar sarro dela era hilário.
A noite passou voando, e Erik se divertiu muito e conseguiu esquecer brevemente seus problemas por algumas horas. O grupo conversou sobre isso e aquilo e contou histórias engraçadas sobre professores e outros alunos, não poupando nem mesmo Nathaniel e Anderson.
Erik os achou engraçados; os dois estudantes eram pessoas severas e diligentes que não brincavam muito. Eles não eram conhecidos no campus como brincalhões ou piadistas, embora houvesse uma coisa que ambos sabiam fazer: colocar medo naqueles que odiavam. Imaginá-los cometendo erros bobos foi uma lufada de ar fresco para ele. Ele descobriu que até mesmo os perfeitos e poderosos Nathaniel e Anderson tinham um lado bobo.
Após o jantar, Amber levou seus amigos para casa até que restasse Erik. Amber abriu o teto do carro enquanto viajavam com seu carro, revelando um céu estrelado e uma lua brilhante iluminando a paisagem da cidade como pano de fundo.
Era lindo. Eles conversaram sobre coisas triviais enquanto voltavam para a casa onde ele morava, com Erik tendo dificuldade em tirar os olhos de Amber.
Erik se sentia atraído pela jovem ruiva, mas não tinha confiança suficiente para convidá-la para sair. Ele nunca fez isso e nem sabia por onde começar e, além disso, ele tinha certeza de que Amber não se sentia atraída por ele. Erik ainda se perguntava por que uma garota tão poderosa havia se tornado amiga dele.
Deixando essas coisas de lado, parecia a Erik que não havia mais problemas que aquela noite não pudesse resolver, e ele gostava de estar ali com ela.
Eles chegaram pouco depois das onze da noite. Erik saltou do carro depois de ter agradecido a Amber e então caminhou sozinho para dentro de seu prédio de apartamentos escuro, sentindo-se vazio. A noite que ele acabara de passar com o que ele definiu como seus primeiros amigos foi capaz de clarear sua mente.
Sim, ele matou algumas pessoas, mas elas mereceram, e o que quer que acontecesse com ele, ele decidiu abraçar. Ele não tinha mais medo de ninguém e não deixaria ninguém se aproveitar dele a partir de agora. Seu futuro só poderia ser brilhante a partir daquele momento, e ele decidiu pensar nesse aspecto positivo a partir de agora.
Ao retornar para casa, Erik se jogou no sofá por um tempinho. Ele ainda tinha uma hora, mais ou menos, para treinar sua ligação neural, então ele se sentou na posição de lótus e começou a canalizar mana de e para seu cristal cerebral.
Ele respirou fundo e se concentrou em seu padrão de respiração. Ele pensou em como faria isso.
“Foque na minha respiração e relaxe”, ele disse a si mesmo.
“Feche seus olhos e concentre-se na mana circulando dentro do corpo.”
Erik concentrou-se mais do que nunca. Ele fechou os olhos e fez sua mana fluir por seu corpo. Erik finalmente pegou o jeito de estabelecer ligações neurais.
Acabou sendo muito mais fácil do que ele esperava quando ainda tinha sua deformidade. Algumas horas se passaram sem nenhum obstáculo significativo, e ele ficou feliz em notar que o processo estava funcionando bem.
Embora ele sentisse que o processo era muito lento, e tendo múltiplos poderes de cristal cerebral e muitas ligações neurais para estabelecer, ele tinha que encontrar uma maneira de acelerar o processo.
— Sistema, existe uma maneira de acelerar o processo de estabelecimento de ligações? — Erik perguntou ao supercomputador biológico.
— [RESPOSTA: EXISTEM VÁRIOS PROBLEMAS CRÍTICOS NO PROCEDIMENTO DE ESTABELECIMENTO DE LIGAÇÕES DO HOSPEDEIRO. O SUPERCOMPUTADOR BIOLÓGICO PODE TENTAR CORRIGIR ESSES PROBLEMAS. EMBORA ENERGIA SEJA NECESSÁRIA PARA INICIAR O PROCEDIMENTO, ESTIMA-SE QUE TRINTA PONTOS DE DNA SEJAM NECESSÁRIOS PARA FORNECER A ENERGIA REQUERIDA.]
— Então, você pode fazer isso?
— [RESPOSTA: CORRETO. TRINTA PONTOS DE DNA SÃO REQUERIDOS PARA INICIAR O PROCEDIMENTO. QUARENTA PONTOS DE DNA DETECTADOS; VOCÊ QUER USÁ-LOS?]
— Ainda não, eu quero obter o poder do cristal cerebral de Lomalin antes de começar — Erik respondeu.
O sistema não respondeu mais. Depois disso, Erik foi para a cama, fechou os olhos, pensando no dia que acabara de ter e, apesar de tudo o que estava acontecendo em sua vida, ele se sentiu feliz.
Ele desejou ter tido dias como este antes. Ele sabia que o passado era o passado, mas não podia evitar desejar ter uma vida diferente do que teve até agora.
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