Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 622 - Uma Abordagem Dura
Capítulo 622Capítulo 622 Uma Abordagem Dura
Com cautela, Erik e Rebecca começaram sua caminhada pelas ruas estreitas e desordenadas da favela, pisando no calçamento quebrado e manobrando habilmente em torno do lixo espalhado por toda parte. O cheiro de decomposição e desespero impregnava o ar, dificultando a respiração, e as ruas, antes vibrantes, agora estavam assustadoramente silenciosas e desprovidas de qualquer sinal de vida. O contraste gritante entre os arranha-céus reluzentes da cidade e seus arredores criava a impressão de dois mundos distintos.
Os edifícios estavam desmoronando, suas fachadas manchadas por anos de negligência e janelas tapadas para impedir a entrada de invasores. As poucas pessoas que viam pareciam esgotadas e desgastadas, com os olhos baixos e os rostos marcados pela preocupação. Era um lugar onde a sobrevivência importava mais do que a esperança.
Pessoas em roupas esfarrapadas passavam arrastando os pés, seus rostos abatidos e olhos vazios, carregando as marcas das dificuldades e do desespero. A maioria dos indivíduos eram mercenários que não tinham meios financeiros para contratar um curandeiro, resultando em ferimentos graves que dificultavam sua capacidade de continuar seu trabalho. Era uma visão triste.
O ar estava denso com o cheiro de podridão e lixo, e os sons da cidade estavam abafados, substituídos pelos gritos distantes de crianças e o grito ocasional de raiva ou frustração proferido pelos adultos. Sombras espreitavam nos becos, e os olhos dos habitantes da favela os seguiam, desconfiados.
— O que exatamente estamos procurando? — perguntou Rebecca, sua voz cheia de incerteza ao observar seus arredores cruéis.
Os olhos de Erik estavam atentos, examinando os rostos das pessoas que passavam. — É provável que os membros da Gangue da Cruz de Cristal usem um broche — explicou ele, sua voz baixa. — É um símbolo de sua filiação, e geralmente os usam no peito, mas aqui não podem exibi-lo com orgulho. Procure por ele em lugares discretos, não completamente escondido, mas também não óbvio.
Rebecca olhou para ele, franzindo a testa. — Você tem certeza disso? Eles ainda o usariam aqui?
O rosto de Erik era uma máscara de concentração, mas ele balançou a cabeça. — Não, não tenho certeza, mas é a melhor pista que temos.
Os olhos de Rebecca se estreitaram, sentindo algo mais. — Devemos procurar mais alguma coisa?
— Sim — respondeu Erik, seu olhar nunca se desviando da multidão. — Procure por pessoas incomuns.
Rebecca riu, o som destoando do silêncio opressivo da favela. — Na favela, todo mundo é incomum.
Os lábios de Erik se contraíram em um leve sorriso, mas seus olhos permaneceram sérios. — Certo, então procure por viciados em drogas. É provável que a gangue esteja envolvida no tráfico de drogas, e os viciados podem nos levar até eles.
O riso de Rebecca desapareceu, substituído por um olhar de determinação. — Tudo bem, vamos fazer isso.
Eles continuaram a caminhar, seus passos ecoando contra o calçamento gasto, seus olhos saltando de um rosto para outro em busca de seus alvos. À medida que avançavam para as profundezas da favela, as sombras se alongavam e a sensação de perigo crescia. Erik não estava preocupado com sua segurança, mas com Rebecca. Ele poderia lutar contra qualquer um, mas sua amiga não.
As pessoas que encontraram ao longo do caminho os observaram atentamente, seus olhos refletindo uma combinação de curiosidade e apreensão. Ao entrarem na favela, Erik e Rebecca podiam sentir o peso das verdades ocultas e a escassez de confiança.
— Ei, olhe aquela mulher... — disse Erik.
Apoiada na parede coberta de grafites de um prédio dilapidado, o corpo frágil da mulher parecia ainda mais magro, seu rosto marcado com os sinais reveladores do vício. Fundos e vidrados, seus olhos refletiam o estado de sua pele pálida e coberta de feridas. Suas roupas, antes resplandecentes e vívidas, agora estavam esfarrapadas, mal se agarrando à sua figura esquelética. O tecido havia se deteriorado e afinado devido ao uso constante e à exposição aos elementos. Cada movimento parecia fazer com que as roupas ficassem ainda mais soltas, acentuando sua fragilidade e vulnerabilidade.
Seu cabelo, antes brilhante e meticulosamente cuidado, agora era um emaranhado caótico de nós e sujeira. Mechas de cabelo se projetavam em todas as direções, espelhando a desordem e a dificuldade de seus arredores. Ela não conseguia pagar ou priorizar cuidar de sua aparência, pois a sobrevivência era de extrema importância.
A fusão de suas roupas desgastadas e cabelos desgrenhados evocava um retrato de alguém que havia suportado dificuldades significativas e lutado para comprar até mesmo o mais básico. Ela era uma personificação viva do desespero, uma figura trágica consumida por sua necessidade pelas drogas que haviam dominado sua vida.
— Você acha que ela é viciada em drogas? — perguntou Rebecca, olhando para a mulher enquanto lhe lançava um olhar de piedade.
A voz de Erik era baixa enquanto ele acenava para ela. — Fortemente... — ele respondeu. — Vamos fazer algumas perguntas a ela...
Rebecca assentiu, seguindo Erik enquanto se aproximavam dela. Ela cambaleou para trás quando os dois apareceram diante dela, seus olhos saltando de um lado para o outro como se procurasse uma fuga.
Erik agiu rápido, agarrando seu braço e puxando-a para um beco próximo, longe de olhares curiosos. Sua Flyssa [1] estava para fora instantaneamente, a lâmina brilhando fria enquanto ele a apontava para sua garganta.
— Por favor, não me machuque — a mulher gaguejou, seus olhos cheios de terror. — Eu farei o que você quiser. Apenas não me machuque.
— Nós não vamos machucá-la se você cooperar — disse Erik, sua voz fria e inflexível. — Veja dentro dos bolsos dela. Veja se ela tem alguma droga — Erik disse a Rebecca.
O rosto de Rebecca se contorceu em desconforto com o manuseio brusco da mulher, mas ela fez o que lhe foi dito, enfiando a mão no bolso da mulher e puxando um pequeno saco plástico cheio de uma substância marrom em pó. Ela o ergueu para Erik ver, seus olhos cheios de uma mistura de aversão e pena.
— Quem te vendeu isso? — Erik exigiu, seus olhos fixos na mulher, sua voz aguda e autoritária.
Os olhos da mulher saltaram de Erik para Rebecca, seu corpo tremendo. — Eu... eu não sei o nome dele — ela gaguejou, sua voz quase um sussurro. — Ele é só um cara. Aparece por aqui às vezes. Eu juro, não sei mais nada.
O rosto de Erik estava duro, seus olhos inflexíveis. — Pense melhor.
Os olhos da mulher se encheram de lágrimas, e seu corpo tremeu de medo. Mas por trás do terror, havia uma faísca de desafio, um vislumbre da pessoa que ela já foi antes que as drogas a dominassem.
— Eu te disse, eu não sei mais nada — ela insistiu, sua voz se elevando em desespero. — Por favor, apenas me deixe ir. Eu não vou dizer a ninguém que eu vi vocês.
A espada de Erik permaneceu firme, a lâmina brilhando na luz fraca do beco. Seus olhos estavam fixos na mulher, procurando por qualquer sinal de engano, qualquer pista que pudesse levá-los à Gangue da Cruz de Cristal.
Os apelos da mulher pairavam no ar; Erik e Rebecca sabiam que tinham que prosseguir para descobrir a verdade e levar a gangue à justiça. As apostas eram muito altas, e o destino da mulher era apenas uma pequena peça em um quebra-cabeça muito maior.
[1] - Flyssa: Uma cimitarra longa e fina tradicionalmente usada pelas tribos berberes da Argélia e do Marrocos.
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