Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 665 - Descanso
Capítulo 665Capítulo 665 Descanso (1)
Horas se passaram enquanto trilhavam seu caminho pela densa floresta, o comboio enfrentando pequenos confrontos contra os Thaids.
O peso da jornada estava gravado em seus ossos, um lembrete constante das provações que haviam suportado e das que ainda estavam por vir.
À frente de suas fileiras estava Erik, a figura central de sua equipe heterogênea. Seu olhar percorria os membros da guilda, cada rosto uma tela pintada com as linhas cansadas da exaustão.
Seus olhos transmitiam uma compreensão da dificuldade compartilhada, um reconhecimento silencioso do preço que a jornada havia cobrado deles.
O céu havia escurecido, e nem mesmo os sistemas avançados de iluminação e navegação por IA em seus veículos conseguiam compensar totalmente os desafios de viajar à noite em um terreno tão imprevisível. Erik abriu um canal de comunicação com Kael, que estava gerenciando as pequenas coisas para o comboio.
— Kael, precisamos encontrar um lugar para acampar. Qual é a situação à frente? — Erik perguntou.
Kael demorou um pouco para responder, seus olhos examinando o sistema de mapeamento do veículo. Seus dedos traçaram o contorno digital de um riacho próximo.
— De acordo com o sistema de mapeamento do veículo — ele começou, sua voz firme —, há um riacho logo à frente. — Ele fez uma pausa, seu olhar ainda fixo na tela enquanto considerava suas opções.
Sua mão se afastou da tela quando ele se virou para encarar os outros. — Não deve haver Thaids aquáticos — disse ele, seus olhos encontrando os de cada um deles. — Mas é um ponto de encontro conhecido para os terrestres.
Sua voz continha um tom de preocupação, uma sutil indicação de que sua decisão não deveria ser tomada de ânimo leve.
Ele se recostou em seu assento, seus braços cruzados sobre o peito enquanto contemplava a situação.
Erik ficou em silêncio, seu olhar distante enquanto ponderava sobre suas opções. Seus dedos tamborilavam um ritmo lento e pensativo no apoio de braço de sua cadeira.
— Estamos indo para o Deserto Branco — ele finalmente disse, sua voz carregando uma ponta de determinação.
Ele se inclinou para frente, suas mãos juntas. — Seria sensato ter nossos suprimentos de água na capacidade máxima.
— Vamos acampar perto do riacho — decidiu ele, endireitando-se e percorrendo com o olhar os membros de sua guilda.
Seu olhar suavizou ligeiramente enquanto falava: — Podemos aproveitar a oportunidade para nos lavar e reabastecer nossas reservas de água. — Um leve sorriso surgiu no canto de seus lábios.
Kael fez uma pausa, um toque de incerteza cintilando em seu rosto. — Tem certeza? — ele perguntou. A ideia dos Thaids terrestres à espreita nas proximidades lhe causou um arrepio na espinha. — A presença de Thaids terrestres pode representar uma ameaça.
— Eu entendo a preocupação — disse ele com uma voz calma. Seus ombros largos se levantaram ligeiramente em um encolher de ombros. — Mas já provamos nossa força contra os Erendus e muitos outros Thaids hoje.
— Além disso — disse ele, um sorriso confiante surgindo em seus lábios —, não é como se em outras áreas da floresta não houvesse Thaids. Podemos estabelecer um perímetro e ficar de guarda.
— Precisamos estar totalmente preparados para o deserto à frente. — Havia uma certeza reconfortante na voz de Erik que aliviou as preocupações de Kael.
Respirando fundo, Kael assentiu. Confiando no julgamento de Erik, ele se virou para transmitir a mensagem ao resto do comboio.
— Certo. — Kael pegou seu sistema de comunicação e abriu o canal coletivo. — Pessoal, vamos acampar perto de um riacho à frente. Preparem-se para uma parada e fiquem prontos para proteger a área.
O comboio se moveu cautelosamente pela floresta; a escuridão os envolvia como uma mortalha espessa.
Apesar dos sistemas avançados de iluminação em seus veículos, a ausência de luz natural fez a jornada parecer uma viagem para um abismo.
As árvores se erguiam como sentinelas silenciosas, suas sombras dançando estranhamente enquanto os faróis perfuravam a escuridão. A floresta parecia se fechar sobre eles, cada farfalhar de folhas ou estalo de um galho amplificando a tensão que pairava no ar.
Kael liderava o caminho. Não fisicamente, é claro, esse papel cabia aos ombros de Erik. Os olhos de Kael semicerraram-se para o sistema de mapeamento do veículo, que mostrava que eles estavam se aproximando do riacho.
Os membros da guilda estavam em alerta máximo, seus dedos perto dos gatilhos e seus sentidos aguçados. De vez em quando, o comboio tinha que diminuir a velocidade para contornar árvores caídas ou terrenos traiçoeiros, o rugido baixo dos motores sendo o único som quebrando o silêncio.
À medida que se aproximavam do riacho, a escuridão opressiva pareceu recuar ligeiramente, como uma cortina sendo puxada para revelar um palco. A extensão aberta proporcionava um mínimo de visibilidade, um alívio bem-vindo em meio à obscuridade circundante.
No entanto, a falta de iluminação natural transformou a água em uma entidade sinistra. Apareceu como uma fita preta, serpenteando pelo terreno, como uma serpente silenciosa deslizando furtivamente pela noite. Seu verdadeiro caráter estava envolto no manto misterioso das sombras.
O fim de sua jornada trouxe um descanso muito necessário, mas a escuridão que se aproximava sussurrava ameaças silenciosas. Longe da segurança de seus lares, eles não passavam de estranhos nesta região selvagem hostil.
Os veículos pararam, formando um semicírculo semelhante a uma muralha de fortaleza, uma frágil barricada contra as ameaças desconhecidas da noite.
Os membros da guilda desembarcaram um por um, seus rostos marcados por linhas de fadiga.
Banhado pelo brilho prateado do luar, o riacho próximo cintilava como uma joia na escuridão.
Suas águas eram convidativas, prometendo refresco e descanso. Mas a serenidade da cena foi manchada por uma cautela tácita, um reconhecimento silencioso da região selvagem indomada que os cercava.
A voz de Erik estalou através do sistema de comunicação, convocando Kael para o seu lado. Em instantes, Kael estava lá, de pé ao lado dele. — Quanto tempo as baterias dos veículos durarão se as usarmos para iluminação?
Kael olhou para o painel de controle do veículo, seus olhos examinando a leitura de energia. — Cerca de doze horas — afirmou ele, sua voz firme apesar da gravidade da situação. Ele encontrou o olhar de Erik. — Elas recarregarão com energia solar assim que o sol nascer.
Erik soltou um suspiro que pareceu ecoar no espaço confinado do veículo. Era um som que falava de alívio, mas também de frustração. Ele passou a mão pelos cabelos, seus dedos agarrando os fios com força por um momento. — Eu deveria ter gasto mais nos veículos — disse ele para si mesmo.
Mas então ele pareceu se livrar de seus arrependimentos, seus ombros se endireitando enquanto ele se concentrava novamente na questão em questão. Sua voz estava mais firme quando ele falou novamente. A decisão estava tomada. — Doze horas devem ser suficientes por enquanto.
A voz de Erik cortou o ar, seu tom mudando para um de autoridade. — Primeira ordem do dia — ele começou, seus olhos examinando a área circundante, calculando e avaliando. — É montar acampamento. Quero o máximo de fogueiras possível. Isso não só nos manterá aquecidos, mas também melhorará a visibilidade.
Kael, de pé ao seu lado, acenou com a cabeça em compreensão. Seus olhos estavam focados, absorvendo cada palavra que Erik dizia.
Sua mente já estava girando, organizando mentalmente as tarefas e atribuindo funções. — Entendido — disse ele, sua voz carregando uma ponta de determinação. — Mais alguma coisa?
O olhar de Erik ainda estava fixo na paisagem diante deles, sua mente traçando estratégias. — Sim — confirmou ele, sua voz firme e resoluta. — Posicione os veículos de forma que seus faróis iluminem a área circundante. Precisamos ver o mais longe possível; é nossa primeira linha de defesa.
Kael fez uma saudação, um gesto mais de respeito do que formalidade. — Pode deixar, Erik.
Enquanto Kael se afastava para transmitir as ordens de Erik, o líder da guilda o observava partir. Erik não podia se dar ao luxo de cometer erros; a vida dos membros de sua guilda dependia disso.
A voz de Kael estalou no sistema de comunicação, transmitindo as instruções de Erik. — Todas as unidades, preparem-se para montar acampamento. Acendam o máximo de fogueiras que puderem para aquecimento e visibilidade. Além disso, posicionem seus veículos para maximizar a iluminação ao redor do acampamento.
O comboio entrou em ação. Os membros desembarcaram de seus veículos, reunindo lenha e montando barracas.
Outros manobraram seus veículos, os faróis lançando feixes de luz alongados que cortavam a escuridão como uma espada através de uma sombra. Isso criou um limite iluminado ao redor do acampamento, semelhante a uma barreira protetora de luz afastando a noite que se aproximava.
À medida que as fogueiras crepitavam e banhavam a área em um brilho reconfortante, uma onda de alívio cauteloso permeou os membros da guilda. Era como se um peso pesado tivesse sido parcialmente retirado de seus ombros, seus músculos tensos gradualmente relaxando.
Seus corações, que haviam estado cerrados de ansiedade, batiam com um ritmo menos frenético. A luz parecia afastar não apenas a escuridão, mas também a sombra do medo que pairava sobre eles. Não era uma garantia completa, mas naquelas chamas bruxuleantes, eles encontraram um pequeno alívio para suas preocupações.
Erik examinou o acampamento, satisfeito, mas vigilante. As fogueiras estavam queimando brilhantemente, e os faróis dos veículos preenchiam as lacunas, criando um círculo bem iluminado em meio à floresta escura. Pelo menos por esta noite, eles tinham luz. E onde havia luz,
havia esperança.
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