Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 68 - Martin Hais
Capítulo 68Mary, a mãe de Conal, e Lucy, a de Logan, caminhavam pela rua com expressões severas. Dez dias se passaram desde o desaparecimento dos três garotos, mas a esperança da dupla nunca vacilou.
As duas mulheres não acreditavam na polícia, embora fosse provável que pessoas na rua os tivessem visto e, posteriormente, roubado, matado ou feito algo ainda pior com eles.
Como não conseguiam aceitar esse resultado e que os assassinos de seus filhos sairiam impunes, decidiram tomar as rédeas da situação. Elas estavam indo ao encontro do detetive particular sobre quem Mary havia falado, esperando que ele pudesse lançar alguma luz sobre o desaparecimento de seus filhos.
A dupla estava em uma parte desconhecida do distrito leste, que as duas mulheres consideravam perigosa. O lugar tinha muitos mendigos e viciados em drogas em cada esquina. As ruas estavam lotadas e, enquanto caminhavam pelas ruas movimentadas, as duas mães notaram um número incomum de policiais por perto, tantos como se essa parte da cidade estivesse sitiada por eles. Isso deixou ambas as mulheres inquietas, embora nenhuma dissesse nada a respeito, já que estavam com muito medo de falar.
— Onde diabos fica o escritório desse cara? — perguntou Lucy.
— Está perto, não se preocupe... — respondeu Mary.
Elas continuaram a caminhar pela multidão até finalmente chegarem ao que parecia ser um beco entre os prédios.
Não havia janelas de ambos os lados, exceto por pequenas janelas a partir do terceiro andar. O lugar parecia deserto e as duas mulheres se sentiram nervosas. No meio do beco havia uma única porta metálica preta coberta de pichações.
Estava coberta com todos os tipos de símbolos estranhos, principalmente aqueles associados ao ocultismo. Ainda assim, as duas não tinham ideia do que eram.
— Tem certeza de que é aqui? — perguntou Lucy.
— Sim.
— O que fazemos agora? — murmurou Lucy nervosamente.
— Nós vamos entrar... — respondeu Mary. Ela avançou em direção à entrada e entrou sem medo.
Ela se virou para olhar para Lucy e então disse: — Está tudo bem, há apenas algumas escadas aqui...
Finalmente, depois de subir vários lances de escada, as duas se encontraram em frente a uma porta de madeira preta com uma pequena placa metálica onde se lia "Martin Hais, Detetive Particular".
— Que tipo de investigador coloca seu escritório em um lugar como este? — Lucy se perguntou em voz alta.
Mary deu de ombros; ela também estava confusa e tinha as mesmas perguntas de Lucy. A mulher então começou a bater forte na porta, tentando fazer com que alguém a abrisse. Após um minuto sem qualquer resposta, as duas mulheres começaram a se preocupar que sua viagem fosse apenas perda de tempo.
— Você não disse que ele está sempre aqui? — disse Lucy.
— Foi o que meu amigo me disse!
Mary tentou novamente. Ela bateu na porta uma última vez, mas, ao fazê-lo, a entrada se abriu repentinamente, revelando um homem vestido com roupas escuras, usando óculos de sol dentro de casa, com cabelo castanho curto e bigode; ele provavelmente tinha uns cinquenta anos.
— Não podem me dar pelo menos tempo para me vestir? — disse o homem.
Lucy ficou instantaneamente irritada com o homem, mas não pôde dizer nada, temendo que ele não estivesse bom da cabeça. Ela queria evitar qualquer situação possivelmente perigosa.
— Me desculpe — disse Lucy. — Viemos aqui porque precisamos da sua ajuda... — ela acrescentou.
O homem voltou para seu escritório e disse: — Entrem — para as duas mulheres. Quando as duas entraram, notaram primeiro o cheiro de vômito por todo o cômodo, especialmente perto da mesa.
As paredes também estavam manchadas por algo, mas elas não conseguiram descobrir o que era. Por todo o cômodo, garrafas de álcool, jornais velhos, cinzeiros cheios de bitucas de cigarro e outro lixo espalhados pelo chão.
O lixo estava até nos sofás, na forma de fatias de pizza não comidas deixadas nos móveis para mofar.
— Podem se sentar — disse Martin, mas as duas mulheres não tinham intenção de se contaminar naquele perigo biológico.
— Estamos bem — respondeu Mary. — Olha, nós viemos aqui porque queremos contratá-lo...
— Para quê, o que aconteceu?
— Nossos filhos desapareceram... — as duas mulheres responderam. — Nós fomos à polícia, mas eles não ajudaram em nada...
— AH! A polícia! Essa cambada de idiotas não seria capaz de encontrar uma cerveja em uma geladeira cheia delas... — exclamou Martin.
— E você consegue? — perguntou Mary, referindo-se às suas habilidades investigativas.
— Eu poderia até dizer quem colocou a cerveja na prateleira da loja quando ela foi retirada de sua embalagem... — respondeu Martin.
— Você parece estar muito confiante em suas habilidades — disse Lucy.
— Eu estou. Eu tenho feito este trabalho por quase trinta anos.
— Então a polícia... — disse Mary.
— Sim, mas eu não sou como eles — ele disse firmemente.
— Por que não?
— Está brincando comigo? Qualquer um com um cérebro funcional poderia dizer que a polícia é corrupta, e eu realmente tenho prova disso.
As duas mulheres se entreolharam; era precisamente isso que estavam pensando. Em uma cidade onde a cada cem metros, um ou dois policiais estavam patrulhando as ruas, era impossível que nenhum deles visse nada.
Quem quer que tenha sequestrado ou matado seus filhos tinha conexões profundas com a polícia, ou assim pensavam. Além disso, elas presumiram que tudo isso era obra de uma gangue, mas e se não fosse verdade?
As duas mulheres não conseguiam entender por que descartaram a possibilidade de que outro aluno, ou mais de um, tivesse matado seus filhos. Não fazia sentido! Era possível que soubessem o que aconteceu com eles, mas que encobriram o verdadeiro culpado?
Se for assim, a escola estava envolvida? O diretor estava escondendo algo? As duas mulheres não queriam deixar as coisas como estavam.
— Ok, ok. Digamos que acreditamos em você. Você seria capaz de descobrir o que aconteceu com nossos filhos?
— Eu não posso dizer muito se não tiver pelo menos uma visão geral do que aconteceu.
As duas mulheres então começaram a explicar o que sabiam, o que a polícia lhes disse e as personalidades de seus filhos. Lentamente, o investigador começou a ter uma imagem mais clara da situação e, depois de um tempo, interrompeu as duas mulheres.
— Então, vocês estão insinuando que um aluno fez isso? Por mais que me doa dizer isso, a polícia pode estar certa, eles poderiam ter sido sequestrados e seus órgãos vendidos. Isso não é uma ocorrência rara aqui em Nova Alexandria — disse Martin.
— Pode ser, mas queremos ter certeza de que não foi um aluno! Se foi feito por uma gangue, então tudo bem, não podemos fazer nada a respeito, mas se foi um aluno ou vários deles, então podemos pelo menos levá-los à justiça!
— HAHAHAHAHAHAH! — Martin começou a rir alto. — Não há justiça em Frant! Muito menos em Nova Alexandria! — disse ele, rindo alto. Ele estava começando a irritar as duas mulheres, que agora mal conseguiam suportar o cheiro de vômito dentro da sala. — Tudo bem, tudo bem, eu vou ajudá-las, mas saibam disso, meus serviços não são baratos...
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