Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 847 - Caçando a Sombra 4
Capítulo 847Capítulo 847 À Caça da Sombra (4)
Enquanto o grupo cortava os céus de Nokisi Point em seu carro voador, Ramon assumiu a direção, seu foco inabalável enquanto a paisagem urbana passava velozmente abaixo.
Rebecca, curiosa e um pouco intrigada, virou-se para Erik.
— Por que voltamos tão cedo? Ainda havia tanta coisa para explorar.
Erik, recostado em seu assento, lançou um olhar para o pedaço de papel que havia descoberto no armazém. — Não era necessário ficar mais tempo — disse ele.
— Além disso, se precisarmos, sempre podemos voltar mais tarde.
A tranquilidade em seu tom sugeria que ele estava confiante em seu próximo movimento. Devia haver uma razão para ele e Ramon estarem tão seguros em deixar o armazém.
Rebecca, não muito satisfeita com a resposta, insistiu.
— Mas por que não é mais necessário? — perguntou ela, franzindo a testa em confusão.
— Porque eu encontrei uma pista. — ele fez uma pausa. — Estamos a caminho de encontrar alguém que pode saber do que se trata tudo isso. — Ele entregou o papel para Rebecca.
— O que é isso? — ela perguntou. — A pista.
A conversa chamou a atenção de Ramon, sua seriedade como motorista não vacilando enquanto ele navegava pelo ar.
Erik virou-se para ele. — Então, quem é esse cara que vamos encontrar?
Ramon pareceu pensativo, então suspirou.
— O Informante: Vincent Hawk — disse ele, sua voz carregando um respeito que sugeria que este não era um contato comum.
— Vincent é conhecido no submundo como 'Olhos de Falcão', é um veterano experiente da cena criminal de Nokisi Point. Ele é... ou melhor... ele era um amigo meu. Vincent começou como ladrão, mas acabou se tornando um informante.
Alguns segundos silenciosos se seguiram.
— Vincent construiu sua reputação por ser capaz de encontrar informações sem ser pego e por se lembrar de cada pequeno detalhe com precisão. Apesar de conhecer os meandros do submundo da cidade, ele permanece neutro, vendendo informações para quem estiver disposto a pagar seu preço. É muito raro, se me perguntarem.
Erik, ainda ponderando o potencial de seu próximo encontro, virou-se mais uma vez para Ramon com uma pergunta que o estava incomodando.
— Você tem certeza de que esse cara terá as informações que procuramos? — Havia um toque de ceticismo em sua voz.
Ramon assentiu. — Sim, tenho — disse ele. — Vincent já trabalhou ao meu lado. Nós éramos parte da mesma equipe, servindo os mesmos chefes antigamente.
O carro virou à direita em um cruzamento.
— Quando decidi deixar essa vida para trás, Vincent ficou por mais um tempo antes de seguir sozinho. Ele está no jogo há tempo suficiente para conhecer os meandros, especialmente daquele armazém. Ele ficou lá anos antes de eu sair, então é lógico que ele saiba algo que possa nos ajudar agora. Já que ele estava lá, ele deve saber.
— Se você diz — disse Erik. Uma nota de otimismo cauteloso apareceu em sua voz quando o grupo se aproximou de seu destino.
Diante deles estava um imponente arranha-céu, seu design elegante cortando uma silhueta marcante contra o horizonte de Nokisi Point.
Rebecca, espiando pela janela do carro, virou-se para Ramon com um olhar confuso.
— É aqui que Vincent trabalha? — perguntou ela, seu olhar varrendo a imponente estrutura.
Ramon balançou a cabeça, um leve sorriso brincando em seus lábios.
— Não, é aqui que ele mora. — Isso provocou um assobio de surpresa de Camille.
— Se ele mora em um lugar como este, ele deve ser um baita informante.
O arranha-céu era um testemunho de luxo, com carros voadores de alta qualidade entrando e saindo do estacionamento no topo do prédio.
Abaixo, a base do arranha-céu tinha muitas lojas de luxo, seus displays brilhantes e fachadas elegantes prometendo exclusividade e opulência.
O grupo chegou ao estacionamento, onde Ramon manobrou o carro para uma vaga vazia.
Juntos, eles se dirigiram para o elevador, a porta de entrada para os escalões superiores do arranha-céu.
Ramon navegou pelo painel para encontrar a campainha de Vincent e a apertou, iniciando uma chamada para a campainha do informante.
Para sua surpresa, a voz de Vincent estalou pelo alto-falante, uma mistura de curiosidade e surpresa clara em seu tom.
— Ramon? — Vincent sorriu, mas tinha um rosto visivelmente chocado. Ele não via Ramon há anos. — RAMON! HAHAHA! Como você está? O que te traz aqui?
Ramon se inclinou mais perto do alto-falante, sua voz firme.
— Vim visitar, Vincent. E para comprar 'algo' — disse ele, a última palavra carregada de implicação.
A resposta de Vincent foi imediata, sua atitude mudando para uma de calorosa hospitalidade.
— Você é sempre bem-vindo aqui. Vou mandar o elevador para você. — Ele disse essas palavras, mas não conseguia ver todos, apenas Ramon e Camille.
O grupo entrou no elevador, uma bolha silenciosa de expectativa os cercando enquanto eles subiam para o apartamento de Vincent.
A viagem foi rápida, durando menos de um minuto, mas a tensão pareceu esticá-la por mais tempo.
Quando as portas finalmente se abriram, eles foram recebidos pelo luxo expansivo do espaço de convivência de Vincent, um reflexo de seu sucesso como informante.
No entanto, no momento em que Vincent pôs os olhos em Rebecca e especialmente em Erik, sua reação foi de puro choque.
Sua atitude acolhedora desapareceu, substituída por um olhar de puro medo.
— O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI?! — O olhar de Vincent estava fixo em Erik com uma mistura de medo e incredulidade.
Ele então se virou para Ramon, — VOCÊ VEIO AQUI PARA ME MATAR?!
— O quê?! Não! — disse Ramon.
— Então por que você trouxe Erik Romano aqui?!
Isso deixou Ramon surpreso. Ele sabia que os Blackguards [1] estavam procurando por ele e que ele era bastante famoso como Erik Kay aqui em Etrium.
Mas e se houvesse algo mais? No entanto, Erik deu um passo à frente. — Por que é um problema eu estar aqui?
Vincent se virou para ele com uma cara confusa. — Você está realmente perguntando isso depois do que você fez com a Gangue da Cruz de Cristal e Howell?
— Como você sabe disso? — Erik tinha um brilho assassino naquele momento.
Ramon o impediu de caminhar mais, seus olhos transmitindo uma única mensagem: não faça nada precipitadamente.
— Você realmente acha que ninguém ia falar naquele seu pequeno grupo de resistência?
— Desculpe, Vincent — disse Ramon. — Eu juro que isso não foi intencional ou para te machucar. Nós só viemos aqui para encontrar algumas informações. — Um olhar apologético apareceu no rosto do homem.
Foi nesse ponto que Erik começou a brincar com seu Poder de Cristal Cerebral da Instabilidade, acalmando o homem.
[1] - Uma força militar ou organização sombria e poderosa.
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