Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 929 - Ben Fink
Capítulo 929Capítulo 929: Ben Fink
Erik se forçou a relaxar em uma cadeira, o couro envelhecido rangendo sob ele.
Partículas de poeira dançavam no feixe de luz solar que entrava por uma janela alta, realçando seu novo rosto, o de Ben Fink, um soldado de quem ele roubou a identidade.
Erik escolheu a dedo os candidatos potenciais que poderia impersonar, e esse cara parecia a melhor opção disponível.
O homem era um soldado rude e cansado, não muito bonito. Os ângulos agudos de seu rosto e seus olhos não eram mais os mesmos.
Mas Erik não se importava. O que importava era encontrar informações sobre Richard, mas, mais importante, sobre a equipe. A resistência o pediu para caçar.
O problema era que encontrar aqueles caras era muito difícil, enquanto eles sempre encontravam a resistência. Bem, nem sempre, mas era bem perto disso.
Os olhos de Erik fitavam o vazio na área comum do quartel em que estava estacionado.
O verdadeiro tesouro, no entanto, era a conversa que acontecia ao seu redor. O Sargento Markham, um cara parrudo com o maxilar tão cerrado que sua barba parecia permanentemente presa, bateu sua caneca na mesa.
O cara geralmente era falante e fornecia uma tonelada de informações.
"Ouvi dizer que eles atacaram o depósito de suprimentos do norte de novo."
Um jovem soldado, recém-saído da adolescência, assobiou. "Operação limpa, dizem. Pegaram toda a remessa e sumiram como fantasmas." O Sargento Markham bufou.
"Fantasmas com informações boas pra caralho." Sua voz era uma mistura de fúria e respeito relutante.
"Algo mudou com esses rebeldes. Costumavam empregar táticas covardes antes; podiam até ser descritos como amadores. Agora estão atingindo alvos difíceis e desaparecendo antes que os reforços cheguem."
"Talvez eles estejam apenas com sorte", disse outro soldado, o Soldado Davies, um homem magro com olhos persistentemente preocupados.
"Sorte, o cacete", disse Markham.
"Esse tipo de esforço coordenado... exige estratégia e alguém fornecendo informações excelentes."
Ele percorreu os olhos por toda a sala, focando em Erik, ou melhor, Ben. Erik retribuiu seu olhar sem pestanejar, forçando uma expressão neutra em seu rosto. Ele não podia se dar ao luxo de parecer preocupado.
O suspense persistiu, pontuado apenas pelo clangor repetitivo de um martelo vindo de algum lugar mais profundo dentro da base.
Markham suspirou, e o ar saiu dele em um suspiro lento. "Os superiores estão procurando um traidor. Já estão acusando metade dos malditos soldados de simpatizar com os rebeldes."
Um arrepio percorreu a espinha do Soldado Davies. "Simpatizar? Bem, não é como se não simpatizássemos." "Você já se perguntou, sargento?", perguntou Davies. "Como seria a vida com o General Becker ainda no comando?"
"Sem matar pessoas inocentes, sem cotas para cumprir e sem medo dos blackguards[1]."
O pulso de Erik acelerou. Foi inesperado. Seria esse soldado rude, parte da própria máquina que ele estava tentando desmantelar, questionando o sistema?
Bem, a verdade seja dita, poucas pessoas gostavam de Volkov. Eles simplesmente tinham medo dele e, com certeza, não queriam antagonizar os blackguards.
Como Volkov os convenceu a ajudá-lo estava além da maioria das pessoas que não sabiam a verdade sobre a ascensão de Volkov ao poder.
O Sargento Markham se remexeu em seu assento. "Soldado, não fale bobagens. Todo mundo
entende como são aqueles rebeldes. Selvagens que apoiaram um assassino e se voltaram contra seu país!"
Davies deu uma risada rouca. "Selvagens? Não acho que Becker tenha feito o que foi acusado, sargento. Ele não era do tipo, assim como nós."
A conversa deles foi interrompida pela voz estrondosa do Capitão Alcott da porta.
A sala se colocou em sentido. Alcott, um homem com ângulos agudos e olhos cinza-aço, examinou a sala, focando brevemente em Erik antes de seguir em frente.
"Atenção, soldados! Houve desenvolvimentos. Outro ataque rebelde, desta vez no Portão Norte. As baixas foram limitadas, mas os filhos da puta também atraíram thaids[2] para os portões." Erik lutou para não sorrir ao ouvir essas palavras.
Alcott andou pela sala, suas botas batendo contra o piso de madeira. "Os superiores pediram que todas as equipes se preparassem para defender o portão norte. Devemos deter a propagação desse câncer!"
Ele fixou o olhar no Sargento Markham, sua voz um rosnado rouco.
"Markham, você e seus companheiros de equipe irão para lá o mais rápido possível! Matem o máximo de thaids que puderem!"
Erik sentiu náuseas. Parecia que, embora muitos não gostassem de Volkov, alguns ainda gostavam. Se eles acreditavam que o que estavam fazendo era certo ou simplesmente tinham um gosto doentio por matar, ele não sabia.
"Dispensados!", disse Alcott, fazendo com que a sala entrasse em erupção em uma cacofonia de cadeiras raspando e sussurrando maldições.
Erik se levantou, com a cabeça baixa e seus movimentos medidos. Ele precisava contar a Fischer e aos outros sobre esse novo lote de soldados que iriam guardar o portão norte, e ele tinha que ser rápido.
Embora acabar no portão norte não fosse uma coisa ruim, ele conheceria os turnos de patrulha dos soldados e onde e quando atacar seria o ideal. Havia uma razão simples para os rebeldes estarem mirando nos portões. Eles queriam que os thaids entrassem correndo na cidade.
Desde que os monstros da cordilheira de Eldraith começaram a migrar para o oeste, os thaids que viviam longe da cordilheira começaram a fazer o mesmo. Isso inevitavelmente os levou em direção a
New Alexandria.
Embora atacar os portões e atrair thaids fosse perigoso para os cidadãos, os rebeldes sabiam que essa era a melhor coisa que podiam fazer para desgastar as forças de Volkov e dos blackguards. Se não isso, mesmo forçá-los a lutar e diminuir sua resistência funcionaria.
Eles tinham que forçar os blackguards e os soldados a lutar, e se os portões fossem rompidos, a luta certamente seria muito mais difícil.
Enquanto os soldados saíam, Erik colidiu com o Soldado Davies, que estava passando apressado. A poeira agitava-se ao redor de suas botas, e o clamor das tropas que partiam enchia o ar, seus uniformes um borrão de movimento contra o cenário austero do quartel.
"Tenha cuidado, Fink", disse Davies. "Não gosto de como a situação está se tornando."
Erik grunhiu uma resposta evasiva e passou por ele.
[1] - Tropa de elite que serve a Volkov.
[2] - Criaturas monstruosas.
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