Sonhos de Outro Mundo — Capítulo 149: CAPÍTULO 149 - 84.2 ❃ Unindo forças.

Sonhos de Outro Mundo
Cap. 149
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Sonhos de Outro Mundo

CAPÍTULO 149 - 84.2 ❃ Unindo forças.

Capítulo 149

2.293 palavras~10 min de leitura

Capítulo 84.2 ❃ Unindo forças.

Sonhos de Outro Mundo

Em um local que grita desordem e morte em todas as direções, um singelo saco de pano, comumente usado para se por vegetais e frutas, começa a se remexer, quebrando o ambiente antes preenchido de estalos de ossos e respirações grotescas realizadas pelos esqueletos.

Cada movimento parece carregar um toque imenso de determinação e força, como se alguém no saco suplicasse por mais uma chance neste mundo em que nasceu.

A cada movimento, seu dedo parece escapar para fora do ambiente fechado.

O ar, apesar de pesado e nauseante, parece como um campo de floresta após uma grande tempestade.

Apesar de pútrido, o ar parece carregar as energias da pessoa que luta por sua liberdade, lhe dando mais afinco em seus movimentos.

Cada ação é carregada de espírito de luta, até que, por fim, seus esforços geram um resultado, mesmo mínimo, e sua mão sai, tateando a atmosfera que a presenteia com um ar gélido, porém agradável.

Um pouco mais ao lado, Evangeline visualiza a cena, seus olhos rubis arregalados e imersos nos movimentos de alguém no saco. Para ela, desde o início, pensara que fosse a única pessoa dentro dessa masmorra.

Enfrentou desafios que uma pessoa sozinha quase não resistiria e até saboreou o sabor da morte em alguns momentos, entregando-se por completo nas lutas contra os chefes. Todavia, ao presenciar uma mão sair do saco, a faz questionar a realidade ao seu redor.

“Como alguém conseguiu permanecer viva nesse lugar…?”A questão sobrevoa sob o ar, envolta em incredulidade. Evangeline, com sua mente fervilhando de dúvidas, recorda-se das dificuldades que enfrentou até o momento presente. Cada luta, cada adversidade, deveria ser travada por um grupo, não por uma única pessoa.

“Eu nunca imaginaria que alguém conseguiria atravessar esse caminho assim como eu, nessa masmorra. Eu já havia aceitado que era assim por ser uma Majin, mas aquela mão… parece ser de um humano… então…”Sua linha de pensamento é abruptamente interrompida quando o braço de uma garota emerge do saco, confirmando ser o de uma jovem humana.

O baque do braço ao chão ecoa pelo ambiente sombrio, atraindo a atenção dos esqueletos, antes imersos em seus movimentos erráticos. Eles começam a vaguear em direção ao saco, movidos pelo som que interrompeu sua quietude mórbida.

“Merda! Se os esqueletos perceberem que tem alguém vivo naquele saco, será uma grande dor de cabeça para quem quer que esteja ali. E-e-eu… preciso fazer algo!”Evangeline sente um frio percorrer sua espinha enquanto encara a adaga em sua mão.

Imagens de um movimento rápido, cortando os esqueletos, atravessam sua mente, mas a insegurança de chamar a atenção do golem ainda oscila em seu coração.

As marcas de sua última luta ainda esfaqueiam sua mente, e as cicatrizes em seu braço direito queimam como lembranças amargas.

A vontade de auxiliar a pessoa presa no saco é intensa, mas o medo a paralisa, congelando-a no lugar. Seus olhos se fixam nos esqueletos que se aproximam cada vez mais, enquanto sua mente trava uma batalha entre coragem e terror.

Evangeline sente o tempo desacelerar, cada segundo se estendendo em uma eternidade angustiante. Seu coração bate descompassado, ecoando a urgência da situação. A decisão deve ser tomada rapidamente.

“O-o-o quê…!? Me-meu… corpo não se mexe? Será obra da minha segunda alma… de novo…?”A dúvida sussurra na mente de Evangeline, mas é tarde demais.

Os esqueletos finalmente se aproximam do saco, e tudo que a meio-elfa consegue fazer é se esconder mais atrás do pilar, tentando omitir sua presença.

“Perdão por isso… eu preciso ficar viva nesse lugar, caso contrário, não poderei achar uma cura para Karenn…”Em um ato de autopreservação, Evangeline vira o rosto, tentando não observar a cena que se desenrolará diante de seus olhos.

Os esqueletos, agora próximos do saco, observam o braço que se projeta para fora. Grunhidos e estalos ressoam pelo ar quando percebem que não é um osso, mas sim, um braço de carne e osso.

Um dos esqueletos, desprovido de pernas, se arrasta até o braço, tateando-o, tentando entender o que é aquela coisa.

Porém, em um movimento súbito, a mão do braço se cerra, e com um giro rápido e preciso, arranca o crânio do esqueleto em um só golpe.

O estalo seco do crânio se desprendendo ecoa pela sala, chamando a atenção de todos os esqueletos e de Evangeline, que prende a respiração e fixa os olhos na cena.

Os esqueletos, agora alertados, começam a se mover desordenadamente, seus ossos rangendo e estalando.

— Hah…! Francamente… — uma voz clara e vibrante corta o silêncio opressivo, ecoando pelas paredes úmidas e frias.

Os esqueletos, perturbados, reagem instantaneamente, assumindo posturas agressivas. Seus ossos ressoam como tambores sinistros, movendo-se com uma fúria silenciosa em direção ao saco.

Todavia…

— Quem diria que de todos, eu seria a raptada por aquela aberração… até pareço algum tipo de donzela…. — A voz emerge do saco, carregada de ironia e desprezo.

Lentamente, uma jovem começa a se desvencilhar do tecido, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade feroz ao se fixarem nos esqueletos que se aproximam.

— O que é isso, festa de ossos…? Pffh…! Não me façam bocejar de tédio! — Com um sorriso desdenhoso, seus olhos emitem um brilho intenso. Uma onda de energia irrompe dela, arremessando os esqueletos para longe, seus corpos desajeitados colidindo com as paredes em um espetáculo de caos.

A jovem se levanta agilmente do saco, revelando sua figura por completo. É uma visão de força e beleza, uma combinação rara e poderosa.

Seus longos cabelos loiros estão presos em um rabo de cavalo elegante, enquanto uma franja rebelde cobre parcialmente seu olho direito. Seus braços, bem definidos, testemunham os anos de treino árduo.

Um traje de couro avermelhado molda seu corpo de maneira a destacar cada curva e músculo, tornando-a atraente segundo os padrões masculinos. Contudo, o que realmente chama a atenção é a longa espada que, repentinamente, começa a se materializar em sua mão, brilhando com uma luz mística.

— Tsk! Qual é dessas pilhas de ossos!? Acham que têm habilidade para lutar contra mim? Vão sonhando! — A jovem guerreira vocifera, sua voz ressoando com uma mistura de desprezo e determinação.

Com um movimento fluido e poderoso, sua longa espada corta o ar em um arco devastador, liberando uma onda de pressão que desmonta os esqueletos como se fossem frágeis peças de brinquedo Lego, espalhando ossos por toda a sala.

— Hmph! Francamente, só me faltava essa, esqueletos completamente ferrados, querendo me enfrentar. — Com um gesto confiante, ela repousa a enorme espada sobre suas costas, seus olhos azuis agora analisando o ambiente sombrio e opressor ao seu redor.

— Mas que raios…? Merda, aquele troço me jogou… Tsk…! — Uma pontada aguda de dor irrompe em seu ombro direito, o mesmo membro que momentos atrás executara o golpe destruidor. — Merda, acho que desloquei meu ombro e rachei meu osso…!

A jovem respira fundo, tentando dominar a dor que pulsa em seu corpo. Contudo, sua expressão muda rapidamente de determinação para uma astúcia penetrante.

— Contudo… — Inclina sua cabeça ligeiramente, os olhos brilhando com uma intensidade perscrutadora, fixando-se no pilar onde Evangeline se esconde. — Por quanto tempo vai ficar escondido aí? Acha que eu não conseguiria sentir essa massa enorme de mana que você está liberando?

Evangeline, em seu esconderijo, sente um arrepio de surpresa e confusão percorrer sua espinha.

“Massa enorme de mana que estou liberando…?” A incredulidade e o espanto se apoderam dela. No entanto, antes que pudesse formular uma resposta ou sequer processar a situação, a jovem de olhos azuis já se materializa atrás do pilar, movendo-se com uma rapidez e precisão impressionantes, suas habilidades deixando Evangeline atônita.

— Eu não sei quem você é, mas parece estar na mesma situação que eu… Está vendo aquela porta que parece de metal? — A jovem guerreira aponta com a cabeça para a entrada por onde o golem recentemente desapareceu. — Aquilo está selado com algum tipo de energia estranha. Se quisermos sair daqui, teremos que achar outro local.

— Se “quisermos”, “teremos”? — As palavras escapam dos lábios de Evangeline antes que ela possa se conter, sua mão voando rapidamente para tampar a boca.

— É… de fato… Por quê, não está interessada em sair daqui?

Evangeline, ainda escondida parcialmente atrás do pilar, analisa a situação com olhos penetrantes.

A transformação da jovem, de prisioneira indefesa para guerreira destemida, foi rápida e impressionante. O ambiente, que antes parecia ser um reduto de morte e desespero, agora está preenchido com uma nova energia, quase vibrante, emanando da recém-chegada.

A meio-elfa pondera sobre a oferta de ajuda.

”Eu não conheço essa pessoa, muito menos sei como alguém assim foi parar nessa masmorra… E pelo jeito que ela se referiu antes, ela não deve estar sozinha… Mesmo que ela tenha uma boa força, não parece instável ficar perto dela, porém…” Evangeline observa a jovem guerreira que massageia cuidadosamente seu ombro lesionado, revelando uma vulnerabilidade que contrasta com sua bravura.

A área afetada parece inchada, sinal claro de que a dor é real e intensa.

Uma decisão se cristaliza na mente de Evangeline. Ela pode tirar proveito dessa situação, criando uma dívida de gratidão.

“Eu posso deixá-la com algo para me dever,” ela pensa, sua mente calculando rapidamente as possibilidades.

De outro ponto de vista, a jovem de cabelos loiros se culpa em sua mente, uma torrente de pensamentos frenéticos atravessando sua consciência.

”Merda…! Me deixei ser pega em cima da hora, e nem sei que lugar é esse afinal… Agora, meu ombro tá uma porra, e não sei o que aconteceu com o resto do grupo… Se todo mundo foi separado, isso pode azedar muito… Que mané masmorra de Rank C, isso aqui é…”

Antes que pudesse continuar, a voz de Evangeline corta o silêncio.

— O seu ombro… você deslocou ele?

— Rank… huh!? Quê…? Hm? Ombro?

— Rank? Hah… enfim, sim, me refiro ao seu ombro, você está massageando seu ombro aí atrás, não está?

Percebendo que foi surpreendida com essa questão, a jovem levemente cora suas bochechas, retrucando com certo gaguejamento:

— E-e-e-e… Co-co-como… Argh…! — Ela suspira profundamente, tentando recompor-se. — Sim… acabei deslocando agora pouco quando girei a espada com força, mas também parece que rachou o osso quando bateu na parede… Porém, eu não tenho nenhuma poção de cura aqui…

— Bem…

— Você não está presumindo que sou fraca só porque lesionei meu braço, ou está?

— Não, não… eu só…

— Porque se estiver pensando nisso, pode tirar isso da sua mente! Mesmo que eu seja uma mulher, não serei superada por nenhum homem e nem ninguém! Você entendeu? Com braço, perna ou até mesmo um pescoço quebrado, ninguém parará meu percurso!

Por um instante, Evangeline mostra uma expressão de surpresa ao descobrir a determinação fervente da jovem que encara o mundo com uma ferocidade incomum.

— Na verdade… posso curar seu braço… foi só por isso que perguntei.

— Ah…!

Por um instante que parece se estender como uma eternidade, um silêncio constrangedor paira entre as duas jovens, cada uma processando a gafe cometida momentos atrás.

A jovem guerreira, ainda um tanto envergonhada com a situação, tenta recompor sua postura enquanto observa o ambiente ao redor, tentando mudar o foco de sua mente.

Não obstante, da pilha de ossos próxima a ambas, um esqueleto emerge sinistramente.

Desfigurado e grotesco, ele carrega uma semelhança macabra com o golem de ossos que enfrentaram antes.

Seu torso é uma amalgama de inúmeros ossos de costelas, seu crânio adornado com fragmentos ósseos, e suas pernas desproporcionalmente grossas, cercadas por ossos aleatórios que o tornam uma figura ameaçadora na penumbra da masmorra.

— Merda! Um golem inferior! — A exclamação da guerreira corta o ar, sua voz carregada de tensão enquanto ela se prepara para o combate.

‘’Droga, parece que os restos dos esqueletos que derrotei acabou criando esse golem inferior… mas como? Está relacionado aquela energia que está correndo por este lugar?’’—Dane-se! Isso não importaagora! — Num movimento rápido, ela avança na direção do esqueleto, mãos alcançando a grande espada em suas costas. No entanto, a dor repentina em seu ombro lesionado a faz hesitar por um momento crucial, resultando em um agarre desajeitado da lâmina.

O esqueleto, percebendo a brecha na defesa dela, avança rapidamente para um golpe certeiro.

— Droga…! — Sua exclamação é um sussurro entre os dentes cerrados, os músculos tensos em antecipação ao impacto que está por vir.

‘’Merda, merda! Fui muito afobada na direção dele, devia ter pegado minha espada curta em vez de reusar a grande… Tsk…! Parece que doerá muito dessa vez’’

Todavia, antes que o golpe fatal do esqueleto possa atingi-la, uma presença familiar surge a frente dela. Evangeline, com seu porte decidido e determinação clara nos olhos, intervém com uma destreza que deixa a garota momentaneamente estupefata.

‘’Recentemente ela fez aquele ataque que preencheu o espaço todo de mana e um som alto, porém não se houve nenhum sinal daquele golem. Se ele não aparecerá mesmo fazendo barulho, significa que posso agir livremente aqui dentro!”A meio-elfa conjura suas habilidades mágicas com uma fluidez impressionante, moldando suas chamas esmeraldas em uma esfera de poder concentrado.

— Relaxa, você não é a única que não curte ser vista como fraca. — A voz de Evangeline é firme, confiante, enquanto ela lança seu feitiço com precisão mortal. —『Emerald Sphere of Desolation: Mortalis Precision Shot』!

A esfera de fogo esmeralda voa em direção ao esqueleto mutante com velocidade impressionante.

O impacto é devastador e imediato: a cabeça do esqueleto é desintegrada instantaneamente, seguida pela parte superior do torso. O som de ossos se despedaçando ecoa pelas paredes úmidas da sala, deixando uma pequena cratera na parede atrás do esqueleto desfeito.

A jovem de cabelos loiros, com os olhos arregalados de surpresa, não pode deixar de questionar como uma maga que a pouco disse poder lhe curar teve o poder de executar um feitiço de ataque tão devastador com tamanha eficácia.

Fim da leitura

Capítulo 149 concluído

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