Sonhos de Outro Mundo — Capítulo 42: CAPÍTULO 42 - 42 ❃ Um teatro vingativo.

Sonhos de Outro Mundo
Cap. 42
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Sonhos de Outro Mundo

CAPÍTULO 42 - 42 ❃ Um teatro vingativo.

Capítulo 42

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Capítulo 42 ❃ Um teatro vingativo.

Sonhos de Outro Mundo

— Ah, não! Que grupo é esse? Por que estão quebrando o selo? Essa não… Preciso informar a minha irmã, agora mesmo.

A jovem dríade some rapidamente do mesmo modo que chegara.

Enquanto Reeves observa parado o grupo retirar as pedras na estrada, ele sente algo o observando entre as árvores. Ele inclina-se para averiguar, mas não nota nada de diferente, — a dríade que estava ali a poucos minutos atrás já havia partido. Ainda com esse pressentimento em mente, o rapaz coça a parte de trás da cabeça em grande dúvida.

— Estranho, tenho certeza que tinha alguém ali atrás nos observando… eu devo tá ficando maluco. Não devia ter tomado o vinho que o “bengalinha” ofereceu…

Enquanto questiona a própria sanidade mental, ele, logo tem a atenção realocada para um dos companheiros o chamando.

— Líder Reeves! Parece que tinha outra entrada selada na caverna, mas o senhor Roger, a destruiu completamente. Ahaha!

Declara Scotty, completamente animado com a capacidade de seu colega de grupo.

Reeves então se aproxima dos companheiros, e observa que a passagem está finalmente aberta. Em seguida, dá a ordem para todos:

— Certo, pessoal, vamos entrando. Eu quero acabar com isso ainda essa semana…

O jovem líder franze a sua testa, ainda confuso com o que sentira, porém, ignora o seu pressentimento e se realoca com o seu grupo para dentro da escura caverna, ocultando-se dos raios solares de fora.

Duas horas antes do grupo de mercenários romperem o selo da caverna…

Em Nakkie, uma extensa população é aparente nas ruas. Há incontáveis pessoas presentes, onde as suas atenções estão sendo direcionadas para uma estrutura de madeira ao centro. Uma plataforma composta por madeiras claras, semelhantes a tábuas de bétulas. No centro da estrutura, encontra-se um púlpito preto e ao lado, um mago com uma luxuosa túnica.

O mago, traja-se com uma túnica ciana, com detalhes brancos e duas faixas brancas verticais que descem de seu ombro até os seus pés. O homem, comporta em sua mão um longo cajado de 180 centímetros, o mesmo tamanho de sua altura. Possuindo uma aparência altamente experiente, com olhos extremamente espremidos como os de uma tartaruga bem idosa, e por fim uma grande barba grisalha que parece ter contraste com sua alta sabedoria.

Também na estrutura, encontra-se o prefeito da cidade, Algust Phesto, e ao seu lado, sua irmã mais nova, Moira Hanatsu. Ao lado adjacente do mago e os dois irmãos, está Bentley, pertencente da guarda real de Axerth, ajuda na segurança das pessoas importantes em cima da plataforma.

No início, haviam poucas pessoas presentes na rua, porém, com o passar do tempo, mais e mais pessoas chegaram e se juntaram naquele local. A massa de pessoas está completamente enorme, e todos estão esperando o grande anúncio mencionado nos cartazes colocados nas estruturas.

Todas as pessoas em volta começam a se perguntar sobre o que é o tal anúncio do prefeito, além da senhorita da companhia de comércio também estar presente no local. Todos já sabem que Moira e Algust são irmãos, Entretanto, seus trabalhos são complementarmente opostos, e isso de certa forma causa imensa dúvida em todos.

Toda a dúvida faz com que as pessoas simultaneamente sussurrem umas para as outras, até que se torna um grande falatório constante. A fim de amenizar o excesso de falas da multidão, Algust, acena para seu filho, Bentley, para que o mesmo aquiete todos. De maneira a concordar com o pedido de seu pai, o rapaz, assentindo com a cabeça, inspira profundamente e guia o ar nos pulmões, até que, por fim, solta um poderoso grito que prende a atenção de todos.

— ATENÇÃO!

A voz firme e imponente, ecoa completamente o local. Chegou a ser tão poderoso que até mesmo foi possível escutá-lo pelos portões da cidade.

Em reposta, todos na multidão calam-se, temendo aquela voz. Bentley, ainda com a autoridade imposta sobre todos, continua seu aviso:

— Escutem agora mesmo! O prefeito, Algust, irá pronunciar-se!

Seguidamente, o rapaz retoma sua postura, retrocede um passo e entra em guarda.

Prontamente, ao lado, o prefeito dá alguns passos e dirige-se até o púlpito em sua frente. O homem sobe os dois degraus da estrutura, em seguida chama a atenção do mago ao lado, que ativa seu feitiço de ar, que propaga a voz de quem fala.

Logo após, Algust, molhando os lábios com a língua, coça a sua garganta a fim de refinar a voz. Por fim, inicia o pronunciamento aguardado por todos:

— Caros Cidadãos, agradeço a todos que puderam comparecer a este anúncio importante. E para aquele que não puderam estar presentes, peço que transmitam as minhas palavras. Dito isto, começo…

— Como alguns já devem saber, está se espalhando um infortuno boato por toda a cidade. Este boato diz sobre a invasão de uma Majin. Sobre este, porém, lamento-lhes informa que,este boato é verdadeiro.

— Este Majin, é uma mulher, ela invadiu a poucos dias a estalagem de meu companheiro, Bramir. Já devem estar ciente que toda a estrutura cedeu e foi destruída recentemente, essa foi a causa daquela coisa que o atacou no mesmo dia que eu estava presente.

— Me dói bastante dizer isso, logo após o acordo de paz que fizemos com o reino dos elfos…

O homem, põe a sua mão sobre a face, cobrindo-a parcialmente e tentando esconder o sorriso debochado, visto que está fingindo ser uma pessoa preocupada com a atual situação. Mas o que ele realmente planeja é atrair o público para seu show de atuações.

Em reação, os cidadãos a frente da estrutura começam a cochichar umas com as outras, porém, uma voz se propaga entre elas. Tal tom se mostra com grande indignação e raiva:

— Isso é uma afronta! Os elfos estão querendo guerrear novamente! Devemos caçar essa majin e matá-la!

A voz que repercutiu na região é de um homem de meia-idade, com uma aparência simples. Vestindo roupas humildes de um camponês, e um bigode preto que destaca-se no rosto. Todos olham diretamente para ele, porém, o mesmo não se acua e persiste com sua expressão intocada, assim fazendo com que as pessoas concordem, enquanto balançam suas cabeças.

Algust, esboça um sorriso maléfico de satisfação sob o seu rosto tampado com a mão, pois começa a perceber que a atuação está fazendo o efeito que deseja. Em seguida, retoma a sua postura anterior, prosseguindo sua declaração.

— Não, não, meus caros cidadãos. Não podemos descontar nossas frustrações nos elfos, pois isso pode provocar uma nova guerra. Nosso Rei, já assinou um tratado de paz, a fim de evitar perdas e novas tragédias. Recomeçar um novo embate é desvalorizar o esforço que ele fez.

— Tudo que precisamos focar é: nos danos das estruturas e…

O homem, em meio da plateia, pronuncia-se novamente, agora com uma voz firme e direta que incetiva as pessoas em volta:

— ISSO!

— É tudo culpa daquela majin. Se ela não tivesse vindo para a nossa cidade, não teríamos que passar por isso!

— SIM!

Toda a massa concorda com a frustração do homem em uníssono.

Com mais outro sorriso perverso em seu rosto, que tenta esconder a todo o custo, o prefeito alegra-se ao descobrir que sua atuação realmente está funcionando. E, em pensamento, declara:

”Foi uma ótima ideia ter contratado esse cara. Certamente é um miserável, e lhe falta moral, por isso foi um ótimo plano usá-lo. Além disso, ele atua muito bem, até me preocupo, pois ele está fingindo melhor do eu, o próprio prefeito. Se continuar assim, todos da cidade ficarão contra aquela majin, e tudo o que ela disser para se defender será anulado pela massa.”

— Cidadãos de Nakkie, eu, o prefeito, junto a minha irmã, dona da companhia de comércio da cidade, nos unimos em prol de ajudar a saúde e o bem-estar do povo. Secretamente, iniciamos a procura da criminosa, porém, ela ainda não foi encontrada.

— Mas não temam! Pelo seu próprio descuido, eu mesmo senti e sei como é a sua frequência de mana, pois, além de eu ser um ótimo prefeito, sou também um ótimo receptor para essas coisas. Então, caso ela de um passo em falso, nós a capturaremos sem grandes dificuldades!

Após ouvirem as palavras mentirosas e afiadas do homem, todos da multidão começam a comemorar alvoroçadamente. Em suas mentes, o prefeito, Algust, é o exemplo mais virtuoso de um belo de herói, mesmo sendo um homem extremamente soberbo e fora de peso. Todos começam a gritar dizendo; “Algust é o melhor!” e outros revoltados declaram; “Morte ao majin e vitória a Algust!”

Uma imensa alegria eufórica toma conta de Algust, todos em sua frente despejam admiração por todo o seu ser, e a única coisa que o homem faz é, empinar o seu nariz ao alto e pôr as suas mãos na cintura, simbolizando um verdadeiro herói.

Em seguida, o prefeito, desce do púlpito indo até à irmã em baixo, e nos seus ouvidos, sussurra:

— Deixarei o resto com você, Moira. E, antes de tudo, seja graciosamente imponente.

A moça se toma por desespero, pois em sua concepção padrão, não conseguiria lidar com tamanha massa de pessoas, porém o seu irmão, com uma delicada batida em seu ombro, a conforta, removendo parcialmente o seu medo de palco.

Logo após, Algust, desce da plataforma e direciona-se para a sua carruagem, que o espera um pouco mais a frente do local. Feliz por realizar um grande feito de enganação, o homem entra sorrindo no veículo e, de imediato, ordena o cocheiro para seguir caminho até a sua residência.

— O que está esperando? Me leve logo daqui! Aqui cheira a pobreza…

— …

Durante todo o caminho, pequenas risadas falhas começam a sair de sua boca, até que por fim se tornam gargalhadas:

— Ahah… ahaha. Ahahaha! Finalmente eu irei me vingar daquela coisa. Majin, você vai se arrepender por ter me ameaçado antes.

O cocheiro a frente, um pouco preocupado, apenas ignora as falas do homem e continua guiado a locomotiva.

Fim da leitura

Capítulo 42 concluído

CAPÍTULO 42 - 42 ❃ Um teatro vingativo.