Sonhos de Outro Mundo — Capítulo 80: CAPÍTULO 80 - 56.5 ❃ Interlúdio.

Sonhos de Outro Mundo
Cap. 80
0%
Sonhos de Outro Mundo

CAPÍTULO 80 - 56.5 ❃ Interlúdio.

Capítulo 80

2.533 palavras~11 min de leitura

Capítulo 56.5 ❃ Interlúdio.

Sonhos de Outro Mundo

Sendo interrompida por uma voz infantil ao longe, Evangeline vira abruptamente o olhar para constatar de quem é a voz.

De primeiro momento, a meio-elfa observa as vestimentas da figura.

A criança traja um vestido bem simples, com uma coloração azulada, — e alguns babados na parte inferior, além de uma cinta de couro presa em sua cintura. Seus sapatos são pretos, similares a sapatilhas, porém com algumas cordas de couro que percorrem a parte do pé até o alto da canela, — cruzando-se em sintonia. Ela possui também uma meia ligeiramente grande da cor branca.

Quanto mais se aproxima para perto da meio-elfa, a pequena figura balança seus belos e cintilantes cabelos brancos ao ar, que ressaltam ainda mais os olhos azuis que demonstram grande intensidade emocional.

— Isabel!

Evangeline finalmente reconhece quem é a pessoa ao longe e, no meio disto, o espaço entre as duas é apagado, fazendo com que Isabel finalmente se aproxime de sua mestra, envolvendo seus braços em volta da cintura dela em seguida, — abraçando-a com muito esmero.

— Bem-vinda de volta, minha mestra.

Como resposta ao abraço da jovem garota, Evangeline também a abraça.

Alguns segundos se passam e após o reencontro de mestra e aprendiz, Isabel, com grande entusiasmo no rosto, comenta como ela soube que Evangeline tinha chegado no vilarejo.

— Eu tinha razão…! Sabia que minha mestra tinha chegado! Senti sua mana desde quando você pisou aqui.

Um pouco impressionada com a perícia que a pequena apresenta com sua percepção mágica, Evangeline a parabeniza por evoluir sua capacidade.

— Vejo que você conseguiu evoluir e muito sua percepção de mana enquanto estive fora, Isabel. Estou muito orgulhosa de você.

Contudo, após descobrir da boca de sua aprendiz que ela conseguira sentir sua presença, faz com que uma expressão de surpresa aflore em seu semblante. Visto que, quando chegara no vilarejo, não estava usando sua habilidade de movimento《Mana Flash》, pois antes mesmo de chegar nos arredores do vilarejo, desativara a habilidade para não assustar os moradores. E, nem quando destruíra a carruagem do cocheiro, estava perto o suficiente para ter sua mana vazada para dentro do local.

E, durante todo o momento que esteve no vilarejo, fez com que sua mana ficasse completamente suprimida para não chamar muita a atenção.

”Isso é bem curioso… Ela acabou de dizer que sentiu minha mana quando pisei no vilarejo, mas me recordo de estar suprimindo completamente qualquer mana desde quando eu saí dos arredores de Nakkie. Mesmo que eu tenha usado a minha habilidade de movimento, além de destruir aquela carruagem, algo que intensifica em muito a minha presença, foram ações que realizei fora desse lugar, então, como…? ”

Passando a mão direita nos belos e longos cabelos de Isabel, — penteando com bastante cuidado, Evangeline esboça um belo sorriso, dado a progressão que sua aprendiz teve em sua ausência.

Sem perder muito tempo naquele local, Isabel, com a atenção de todos, pelo fato da cena que realizara a pouco tempo, chama a atenção de sua mestra uma vez mais, — convidando-a para segui-la até a loja de Anastácia.

— Minha mestra… agora que confirmei que a mestra finalmente chegou em casa, poderia me acompanha até a loja da mãe Anastácia? Ela ficará muito feliz de vê-la de novo, já que ela está completamente animada em te mostrar o projeto dela…

Com uma expressão um tanto confusa, Evangeline, — guiando a mão para o rosto para segurar o queixo, questiona para si mesma, tentando lembrar do tal projeto de sua amiga ferreira.

— Projeto… hein…?

Desconfiando que Evangeline tenha esquecido do “tal projeto” de sua mãe, Isabel, em uma ação rápida, move em direção a orelha direita de sua mestra, cochichando o que é, a fazendo lembrar e esboçar uma expressão completamente animada.

— Ah! Então é isso!?

Assentindo animadamente com a cabeça, Isabel confirma com um sorriso no rosto, enquanto Trevor e Lukas entreolham-se com extrema dúvida.

Após o curto reencontro entre Lukas, Trevor e Isabel, todos seguem rumo a loja de Anastácia para concluírem em fim o que ela realmente esteve fazendo até este tempo.

Durante o caminho até a ferreira, outros aldeões que descobrem da chegada de Evangeline no vilarejo, também despejam as suas felicidades com o sucesso da missão que ela está prestes a começar. Como resposta a isto, — e para não aparacer estranha com os desejos dos moradores, Evangeline, com um sorriso meio a meio e uma expressão inquieta, acena para eles para aceitar suas generosidades.

Por um longo percurso, esta cena um tanto desconfortável, — por parte de Evangeline e, gratificante aos olhos de Isabel, ao constatar que sua mestra agora é reconhecida por todos no vilarejo, pendura até finalmente avistarem a loja de Anastácia.

Olhando para a construção familiar, Evangeline observa que no alto pairam pequenas fumaças escuras que saem de uma chaminé de trás da estrutura, — confirmando com o que Trevor disse um pouco antes, referente a ajuda que teve da ferreira na ideia com a chaminé na escolinha.

Um sorriso de inquietação surge no semblante da meio-elfa ao observar que está prestes a pôr em prática tudo que aprendera para adentrar na masmorra. Ela sabe que não será tão fácil quanto almeja que seja, pois, diferente do seu jogo, ela desconhece toda e qualquer função que as dungeons deste mundo possuem. No entanto, chacoalhando a cabeça, e transformando sua insegurança em vigor, Evangeline adentra na loja com passos apressados.

Um forte toque de sino ressoa no ambiente quieto. O eco do sino preenche todo o local e o quarteto vislumbra a loja de esquerda a direta. Evangeline nota que algumas coisas novas estão presentes nas prateleiras, agora a venda na loja, algo que ela não teve a chance de ver antes, — na sua luta contra os monstros na floresta.

Tomando o desejo de todos para si, Isabel, com um forte clamor de ânimo, chama a sua mãe para que ela saia da pequena sala de forja, — para cumprimentar sua mestra.

— Mãe Anastácia, venha logo! A minha mestra realmente chegou, como eu havia dito antes!

A pequena esboça um verdadeiro sorriso de felicidade no semblante, enquanto espera a chegada de sua mãe no local.

Como resposta ao grito da pequena, Anastácia, de bem longe, — dentro de sua oficina, deixa cair uma ferramenta metálica no chão, como o surto ligeiro que sobressai no local. O barulho ecoa profundamente na região e o tinido metálico pendura por alguns segundos, até que finalmente a ferramenta deixa de quicar e cessa sob o solo.

Passos pesados são emanados de dentro da sala interior, — ofuscado por duas portas de aço. Sons de trancas e ranger são ouvidos por todos, até que por fim, ambas as portas abrem-se e, saindo de lá, surge uma figura de uma bela jovem de cabelos castanhos-escuros, — presos em um rabo de cavalo.

Vestindo-se inadequadamente para uma visita casual como o de agora, Anastácia traja-se com roupas simples de um forjador.

Diferente do seu rosto, — completamente tapado com uma máscara de aço e um visor de vidro temperado e, reforçado com encantamentos de resistência a temperaturas altas, a parte do seu torço quase não abriga proteção alguma.

Com apenas alguns panos enrolados em volta do peito, — que se assemelham a uma blusa top, a moça protege os seus seios, com o intuito de não se ferir de nada que caia sob eles, — algo completamente curioso, pelo fato da barriga e braços estarem descobertos.

Ela também veste-se com uma fomentada calça com diversos bolsos, — que comportam inúmeras ferramentas de solda, diversos grampos, machados e martelos.

Removendo a máscara do rosto, Anastácia esboça um sorriso completamente alegre, ao finalmente confirmar a chegada de sua amiga meio-elfa no vilarejo.

— Senhorita Evangeline! Bem-vinda de volta! Eu até te abraçaria… mas… como pode ver, estou completamente suada…

Logo após a isso, Anastácia põe as mãos na cintura, — fazendo com que os meninos presentes observem sua pele descoberta e oleosa. Trevor, como resposta a esta ação, fica completamente desconfortável, ao atiçar algo que os homens não gostam que seja ativado em momentos casuais como este.

Altamente envergonhado por isso, Trevor dá pequenos passos para trás para tentar esconder o volumoso pacote entre as pernas. Todavia, Evangeline, após observar esta cena um tanto embaraçosa, esboça uma expressão completamente pervertida, além de agraciar completamente o seu corpo feminino que não possui estes empecilhos.

”Heheh… parece que algo atiçou no Trevor, não é? Ainda bem que agora eu sou uma garota e não preciso me preocupar com isso… Espera! Isto é algo bom a se pensar?”

No mesmo momento que tenta descobrir o fato de se sentir alegre por não conseguir mais ter esse tipo de comportamento embaraçoso, Evangeline observa uma vez mais Anastácia, concluindo o que ela não havia notado antes.

”É… Anastácia e uma mulher muito bonita mesmo. Até consigo entender como Trevor se sente ao vê-la desta forma, porém algo me intriga. Mesmo que eu esteja neste corpo feminino, ainda possuo minha mentalidade de antes, então por que eu não consigo sentir atração por ela? Será porque a vejo como apenas uma amiga…? Na verdade, para falar a real, desde que cheguei neste mundo não consegui sentir atração por mulher alguma… Nem mesmo por Karenn que é uma garota muito linda… Será… Será que eu vou sentir atração por homens!?”

Movendo as mãos para a cabeça ao liberar uma expressão de completo desgosto, — com as sobrancelhas altamente enrugadas, Evangeline, arrepende-se imediatamente de ter se sentindo bem ao possuir este corpo.

Percebendo que tanto Trevor, — que se afastou do nada, quanto Evangeline que demonstra uma expressão bizarra no rosto, Anastácia, confusa com as ações de ambos, tenta perguntar o que está acontecendo.

— E-e… Senhorita Evangeline? Trevor? O que aconteceu?

Automaticamente após receber esta questão, a meio-elfa retoma sua postura anterior. Todavia, Trevor, ao saber que Anastácia percebeu o que ele fizera, fica completamente envergonhado, — afastando-se um pouco mais do quarteto.

Inclinando a cabeça com extrema dúvida, ao ressaltar uma grande interrogação nela, Anastácia, completamente confusa, espera a resposta de ambos para tentar entender.

No meio deste tempo, Isabel, ao virar a visão para seu mentor, Lukas, o observa retirando um dos fios de cabelo de sua mestra, enquanto observa o fio detalhadamente. Por um pequeno espaço de tempo, a pequena acha aquela cena um tanto estranha, porém ao lembrar que ele sempre fora assim, ignora por hora.

Tomando o passo mais a frente, Evangeline, — ignorando o seu delírio anterior, segura nos ombros de Anastácia, a gira fortemente em 180º e a empurra novamente para a oficina, no mesmo momento que complementa com uma resposta encoberta.

— Venha, Anastácia. Eu te conto lá dentro.

Durante o empurrar da ferreira para o local, Evangeline olha para a posição de Lukas que observara toda a situação calado e o acena com a cabeça e um sorriso, — o fazendo entender entre-linhas para tentar consertar a postura de Trevor. Algo que o faz endireitar a posição do óculos em resposta, — uma ação que faz refletir uma poderosa luz branca nas lentes e emanar uma expressão duvidosa, por parte de sua possível ajuda.

— Então, Trevor… Vamos falar sobre abelhas e borboletas…

— Tsk! Vai se ferrar, Lukas!

Esboçando um sorriso como resposta para a conversa dos dois rapazes, Evangeline, empurra as duas portas de aço, — ao adentrar em fim na oficina da ferreira, — junto de Isabel.

Adentrando completamente no local, Evangeline vislumbra completamente ele, — sendo um tanto apertado comparado a loja do lado de fora.

Na parte leste da oficia, encontram-se diversas prateleiras de pedra incrustadas na parede e, dentro delas, caixotes de madeira que abrigam diversos lingotes de liga metálica. Um pouco mais acima, está alguns cofres de aço, — um levemente escurecido por conta da temperatura ambiente, que possivelmente abrigam ingredientes para forjar materiais importantes.

Ao norte do local, possui uma pequena quantidade de vassouras de palha, de grande porte, — comumente usados em casas, como de pequeno porte, bem similares a pinceis. No oeste da oficina, encontra ferramentas usada para fabricar couro, com alguns já pendurados sob o sol da janela. No centro, abriga uma espaçosa forja, — feita completamente de rochas, alimentada exclusivamente por uma vasta quantidade de carvão.

Dentro da forja, alguns pinos de metal são super aquecidos com a temperatura, — deixando-os com uma entonação acesa e calorosa.

Uma expressão de completa surpresa e feita pela meio-elfa ao adentrar pela primeira vez em uma oficina com uma forja.

Ao dar alguns passos para frente, é interrompida por uma pequena pertubação nas chamas da forja, que a faz frear e olhar fixamente para a seu interior, altamente quente.

”Agora entendo por que ela não está vestindo quase nada na parte superior, isto aqui é muito quente. Nem consigo imaginar o quanto de calor ela deve sentir aqui trancada todo esse tempo.”

Ao aproximar-se de Anastácia, Evangeline, movendo-se em direção a uma das orelhas dela, cochicha de forma baixa, — para Isabel não entender, o que aconteceu com Trevor um momento antes.

Um sorriso é desferido pela ferreira logo após, complementado com suas falas.

— Nossa… eu não sabia que minhas roupas estavam chamando tanta a atenção assim. Me desculpe por isso… heheh…

Não conseguindo conter a situação engraçada por ela, Anastácia começa soltar pequenas risadas com Evangeline, até que de repente…

Bem próxima de sua mestra, Isabel puxa algumas vezes o vestido rasgado de Evangeline, com o intuito de chamar sua atenção. Anastácia, ao entender de cara o que ela está prestes a fazer, observa toda a cena com uma expressão atenta.

Notando a expressão da ferreira para aquilo, Evangeline vira-se para atender a pequena, — a questionando o que houve.

— Sim, Isabel? Algum problema?

— Me-meio… que não…

Um pouco insegura no que está prestes a fazer, Isabel, move seu semblante para o chão, juntas as duas mãos, — entrelaçando os dedos um nos outros, enquanto começa a contar o que está sentindo.

— Minha mestra, no primeiro momento que eu te vi, nada além de uma visitante da escolinha passou por minha mente, contudo eu estava errada em pensar isto. Você, minha mestra, foi a primeira em muitos anos que me fez aprender a acessar meu real poder, o meu atributo que estava oculto. Durante muito tempo, fiquei com muito medo de me tornar alguém incapaz de usar magia, na verdade, este era o meu maior medo, pois busco como um objetivo me tornar uma maga aventureira algum dia. E, graças a sua sabedoria, a mestra me deu a oportunidade de um dia isto acontecer comigo. Então, eu agradeço no fundo do meu coração, mestra Evangeline.

Inclinando completamente a postura, Isabel curva-se em agradecimento pela ajuda dada por Evangeline no seu pregresso anterior.

Como resposta a esta ação, a meio-elfa, com um singelo sorriso na face, responde ao agradecimento.

— Está tudo bem, Isabel. Não se sinta obrigada a me agradecer por isso. Como eu disse antes, eu queria ajudá-la, então eu não vejo a razão por me agradecer por algo que eu quis fazer. Porém, para não pisar nos seus sentimentos, eu aceito também, com o fundo do meu coração.

Completamente feliz com a resposta de sua mestra, Isabel, agora com bastante coragem, — despeja o pedido que ansiara realizar a pouco tempo.

— Sinto-me feliz por isso, mestra. Então, como resposta a minha devoção a esta grandiosa ajuda, permita-me acompanhá-la até a masmorra.

— Espera, o quê?

Fim da leitura

Capítulo 80 concluído

CAPÍTULO 80 - 56.5 ❃ Interlúdio.