Terramar: O Mar Encoberto NovelCAPÍTULO 195 - Capítulo 195: Anomalias e Retorno
Capítulo 195Dia 86. Tentei escrever como o Capitão.
De manhã, comemos biscoitos e aveia. No almoço, comemos carne enlatada e sopa de peixe com cogumelos. À noite, comemos peixe frito e banana frita.
Joguei com marinheiros e perdi 2400 para o Pequeno Jak. Estou aqui.
Hoje o Capitão está doente. Eu faço a patrulha por ele.
Dipp prendeu a respiração e se concentrava intensamente enquanto escrevia cada letra. Quando finalizou a última pontuação na entrada do diário, um suspiro de alívio saiu de seus lábios.
As letras na página estavam tortas, e as palavras variavam em tamanho, mas foi uma conquista notável para Dipp, que nunca recebeu uma educação formal.
"Escrever é tão difícil. É muito mais difícil do que explorar ilhas," resmungou Dipp.
Após guardar o diário, que tinha uma aparência bastante semelhante à de Charles, Dipp virou-se e acenou para o grupo de marinheiros jogando dados. Ele entrou no corredor estreito e começou sua patrulha diária do navio.
Seguindo as instruções de Charles, Dipp inspecionou minuciosamente cada dobra e cantinho do Narwhale—da cozinha às seções de combustível e água, e também ao convés. Essa era a tarefa que Charles confiara a ele, e ele precisava realizá-la da melhor forma possível.
Depois de completar suas rondas, Dipp chegou à cabine do capitão, abriu suavemente a porta e entrou.
"Capitão, a patrulha diária foi feita," relatou Dipp com um leve orgulho, dirigindo-se a Charles, que segurava a testa com expressão de dor.
"Obrigado. Devo estar melhor até amanhã," respondeu Charles com voz rouca.
Desesperadamente, Dipp acenou para indicar que estava tudo bem e respondeu: "Tudo bem, sem problemas. Estamos a poucos dias de Hope Island. Pode deixar a patrulha do navio comigo. Descanse bem, Capitão."
Justo ao se virar para sair, uma voz fraca de “espera” ecoou atrás dele.
Dipp virou-se e ajudou Charles, que parecia frágil, a se sentar na cama. Olhando nos olhos vermelhos de Charles, Dipp perguntou: "Capitão, o que aconteceu?"
Charles ficou em silêncio por um momento antes de questionar: "Você deixou a 096 criar uma persona na sua cabeça?"
Os cantos da boca de Dipp tremeram um pouco de culpa, antes de se curvar em um sorriso constrangedido. "Não. Como isso seria possível? Você sabe que eu—"
"Chega," interrompeu Charles. "Pare de fingir. Você não consegue esconder isso de mim. Quando foi que aconteceu?"
Percebendo que não conseguiria manter a mentira, Dipp coçou o pescoço, envergonhado, e admitiu: "Não foi nada demais. Um grupo de bandidos apareceu na Hope Island no ano passado, com planos de um grande roubo. Durante nossa luta, acho que acabei mantendo a máscara por tempo demais."
Charles deu um tapinha reconfortante no ombro de Dipp. "Elizabeth conhece alguém que consegue preparar um elixir capaz de apagar a persona. Procure por essa pessoa quando voltarmos."
Antes que Dipp pudesse dizer alguma coisa, seu rosto ficou rapidamente frio, e seus olhos brilharam com uma mistura de fúria e desespero.
"Capitão, você realmente quer me apagar? Sou o Dipp, e também sou ele!"
"Não, você não é. Você é apenas um produto daquela relíquia," a voz de Charles tinha uma frieza cortante.
Surpreso com a franqueza de Charles, os olhos de Dipp se arregalaram em descrença. Após um momento de silêncio, ele disse: "Tudo bem, Capitão. Se essa é sua ordem, estou disposto a levar isso até o fim na minha vida!"
Ao ouvir isso, Charles rangeu os dentes. A persona alternativa de Dipp ainda era Dipp. Isso fazia com que ele se sentisse como se estivesse ordenando a morte de um próprio membro da tripulação. Sua dor de cabeça, que já aliviara um pouco, começou a aumentar de novo.
O semblante de Dipp voltou ao normal, e ele se apressou em explicar: "Capitão, podemos falar sobre isso mais tarde. Na verdade, me dou bem com o Walker e com o Jim."
Charles soltou uma risada suave, incrédulo. "Então, existem mais de um?"
Ele passou a se arrepender profundamente de ter confiado a 096 ao jovem marinheiro. Mesmo advertindo o rapaz para manusear a relíquia com cuidado, isso ainda tinha levado às complicações atuais.
"Capitão, isso é só um problema menor; nós três podemos cuidar disso. Mas e quanto ao seu estado atual?"
Charles deixou escapar um suspiro cansado. "Eu me viro. Pode ir embora."
A expressão preocupada de Dipp permaneceu por um momento até ele sair da sala. Assim que a porta se fechou, Charles reuniu toda a força que tinha para se levantar. De modo instável, foi até o espelho na parede da cabine.
Seu reflexo gasto o encarava—barba por fazer e olhos vermelhos, sinais das inúmeras noites sem dormir que enfrentara.
Desde que saiu daquela ilha V12, algo parecia estar errado com sua mente.
Começou com os sussurros assustadores que voltaram, algo que ele evitara por tanto tempo. Logo depois, dores de cabeça insuportáveis e alucinações auditivas começaram a atormentá-lo.
Charles não era um especialista em doenças mentais, mas ainda conseguia perceber que a tentáculo de Anna não aguentaria muito mais. No dia anterior, quase se perdeu naquela ilusão sedutora novamente.
"Ainda sou um pouco impulsivo demais," comentou consigo mesmo. "Talvez eu devesse ter resolvido isso antes de embarcar em outra viagem."
Por algum tempo, pensara que o tentáculo de Anna seria a cura. Mas, claramente, as Maldições Divinas não eram fáceis de resolver. Enquanto seus sintomas podiam ser controlados na terra, lá no mar, eles se intensificavam bastante com o tempo de permanência prolongada.
De repente, tudo ao seu redor começou a distorcer novamente. Rangeu os dentes, preparando-se para suportar a alucinação. Lembrou-se de que aquilo duraria apenas meia hora. Bastava resistir e tudo voltaria ao normal.
No interior de seu cérebro, o som de uma sucção reverberava, com ritmo alternando entre frenético e lento, como se estivesse evitando um inimigo invisível.
De repente, uma dor aguda e lancinante surgiu no fundo do seu ouvido esquerdo. Uma tentáculo negra saiu de dentro dele, lentamente, rastejando para fora.
Era o tentáculo de Anna. Seus filamentos estavam cobertos por uma camada translúcida de coloração cinza-clara. Com um movimento rápido, a tentáculo lançou a camada translúcida longe, revelando as cicatrizes cruas e cheias de buracos abaixo dela.
O que antes era um tentáculo coberto de filamentos cinzentos agora tinha apenas alguns remanescentes. Estava marcado e desgastado, como se algo no cérebro de Charles estivesse constantemente roendo-o.
Depois de tirar a substância gelatinoso, a tentáculo lentamente retomou seu caminho inicial e voltou a se infiltrar no crânio de Charles. Assim que se acomodou dentro do cérebro, a tortura na cabeça de Charles desapareceu instantaneamente. O único som que restou foi a respiração pesada dele.
No entanto, Charles ainda não se sentia aliviado. Olhando para a substância gelatinosa no chão, murmurou: "Droga. O que está acontecendo dentro da minha cabeça?"
O cais de Hope Island fervia de atividade. Os líderes de facto da ilha estavam alinhados em uma fila, aguardando em silêncio.
Só uma razão poderia explicar uma recepção tão grandiosa: o retorno esperado do governador da ilha em seu navio de exploração. Sob o olhar atento de todos, a Narwhale entrou majestosa no cais.
Com uma expressão sombria, Charles pulou do navio. Leonardo e seu grupo rapidamente se aproximaram para recebê-lo.
"Governador," começou Leonardo. "Ao saber do seu retorno, várias ilhas já enviaram seus enviados. Estão esperando há algum tempo e ansiosos para encontrá-lo. Devo..."
"Deixe que eles esperem. Vamos conversar depois que terminar as questões importantes," interrompeu Charles sem perder o passo e seguiu direto para a catedral da Ordem da Luz Divina.
Leonardo se virou e viu Dipp descendo pelo tablado. Imediatamente perguntou: "O governador não parece muito feliz. Vocês enfrentaram algum problema na viagem?"
Dipp levantou uma sobrancelha e olhou de lado para ele. "Não seja curioso. O Capitão deu ordem de silêncio. Quem falar algo vai ser jogado no mar para alimentar os tubarões."
Reflexões da Cozyjuhye
Tentei fazer o melhor na escrita do Dipp xD Foi difícil. O Google Docs não aprovou nada.
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