Terramar: O Mar Encoberto NovelCAPÍTULO 467 - Capítulo 468: Presentes
Capítulo 467— Mamãe, voltei — disse Sparkle para Anna. Anna estava na sua forma monstruosa verdadeira e ocupada mastigando algo. Três figuras desesperadas e assustadas — duas mulheres e um homem — estavam chorando de medo em frente a Anna.
O único homem entre as figuras — um idoso com barba branca — gritou: — Governadora Tucker, não tenho uma irmã como você! Você é apenas uma aberração nojenta! Uma monstra que se aproveita das pessoas mudando suas memórias!
— Então, finalmente entendeu? Infelizmente, percebeu isso tarde demais — respondeu Anna, suas tentáculos retorcendo-se ao redor do velho e atirando-o para dentro do estômago de Anna.
— Os ossos de idosos são realmente duros. Minha dentadura está doendo só de roer neles — comentou Anna.
As duas mulheres começaram a gritar ainda mais alto e se debater para escapar, mas não tinham para onde correr.
— Mamãe, vou brincar com Nene.
— Espere, o que o safado fez com você? — perguntou Anna, fixando sua enorme pupila em forma de cruz amarela no centro de sua grande forma, voltada para sua filha.
— Quem é o safado?
— O safado é o seu pai. Seu pai é o safado.
— O safado me levou para brincar. Ele me fez rastejar de caixa em caixa, e lá encontrei uma senhora. Ela foi muito gentil comigo e me deu muitas coisas maravilhosas. Ela também… — Sparkle contou com sinceridade.
Anna logo descobriu o que Charles tinha passado na sala 068.
Terminada a refeição, Anna reclinou-se tranquilamente na sua cadeira, apoiando o queixo no cotovelo do braço. — Ele se machucou?
— O papai perdeu um olho — respondeu Sparkle. Depois, ela correu até Anna, fechou os olhos e se aninhou ao redor do seio da mãe.
— Foi o olho esquerdo ou o direito?
— O olho direito; o que consegue se mover sozinho — respondeu Sparkle.
— Então, não é grande coisa. Mais alguma coisa? — perguntou Anna, acariciando os longos cabelos de Sparkle nas costas.
Os cabelos negros de Sparkle rapidamente se transformaram em tentáculos que se enrolaram suavemente nos dedos de Anna. — A cabeça do papai também doía bastante. Ele estava mesmo em dor — contou Sparkle.
Os olhos de Anna se arregalaram levemente com a revelação, e logo um semblante de desprezo apareceu em seu rosto. — Agora ele que se dê mal. Ainda acha que o mar é seu quintal ou algo assim?
— Mamãe, mais alguma coisa? Se não, posso ir brincar com Nene agora? — perguntou Sparkle, fitando o rosto bonito de Anna.
— Pode, mas lembre-se de não revelar sua verdadeira identidade para ela. Se fizer isso, vai perder sua amiga — avisou Anna, soltando Sparkle.
— Certo! — exclamou Sparkle e desapareceu no ar.
Deixada sozinha, a expressão relaxada de Anna deu lugar a um certo receio e aborrecimento. — Gao Zhiming, se continuar brincando assim, uma hora vai acabar se matando — pensou ela.
Enquanto isso, Sparkle reapareceu em seu quarto. Oito tentáculos se contorciam sob a saia, procurando entre os presentes aquilo que ela poderia levar para a amiga, Nene.
Ela ponderou sobre quais presentes dar à Nene, mas logo percebeu que todos eram adequados. No final, decidiu levar tudo, incluindo as duas marionetes tremulantes.
Estava prestes a teleportar até a porta de Nene quando parou ao perceber algo. Se fosse até lá desse jeito, a mãe dela só permitiria que ela ficasse uma noite.
Olhou ao redor do corredor do Palácio do Governador e viu uma empregada varrendo ao longe. Acenou com a mão para ela e foi até a funcionária, dizendo: — Quero ir a algum lugar — me leve lá.
A empregada alta deixou a vassoura de lado, ajoelhou-se e disse: — Como desejar, Senhora Sparkle.
Sob a orientação da empregada, Sparkle deixou o Palácio do Governador e embarcou na grande cesta de madeira que as levaria até as brânquias do O Edir — um lugar sempre coberto de esporos.
A empregada, carregando diversos objetos, olhou surpresa para a cabana. — Senhora Sparkle, essa é mesmo a casa da sua amiga?
— Por que não poderia ser? — questionou Sparkle, voltando-se para a empregada.
— Não, com certeza é. É só que não esperava que sua amiga fosse tão… comum — respondeu ela.
Ao invés de responder, Sparkle bateu na porta de madeira.
Donna abriu a porta com uma concha na mão e ficou surpresa ao ver duas figuras na porta — uma alta e uma baixa. A pequena era familiar, era a própria Sparkle.
— O que trouxe você aqui, Sparkle? E… quem é ela? — perguntou Donna.
— Ela é uma das pessoas da mamãe. E vai ficar comigo. Agora posso brincar com Nene o quanto eu quiser, né? — afirmou Sparkle. Então, agachou e passou por Donna, atravessando sua saia um pouco suja, para encontrar sua amiga.
A empregada entrou na casa, olhou ao redor do interior simples e seguiu de perto Sparkle, sem sequer olhar para Donna, dona da casa.
Donna não ficou irritada com o comportamento irracional da empregada. Pelo contrário, seu rosto revelou uma ponta de autorecriminação ao olhar para a funcionária que vestia uma roupa feita de tecido requintado.
O fato de a empregada de Sparkle vestir roupas melhores do que ela mesma indicava que os pais de Sparkle deviam ser bem ricos. Donna deduzia que o pai de Sparkle provavelmente era proprietário de um grupo de mercadores com mais de uma dúzia de navios de carga.
Diferente de sua mãe, Nene não pensou muito ao ver a empregada. Ela ficou simplesmente feliz ao ver que sua amiga tinha vindo visitá-la. Colocou o pão preto que segurava no colo e correu para abraçar Sparkle.
— Que legal, Sparkle! Fico tão feliz de te ver aqui de novo. Senti muita falta de você! — exclamou a menina.
As duas crianças riram e pularam por um tempo antes que Sparkle dissesse para a empregada colocar os presentes na mesa. Ela tinha trazido tantos presentes que o pão preto de Nene foi empurrado para a beirada da mesa.
Ao ver os objetos, Nene fez uma expressão hesitante. — Sparkle, são tudo pra mim?
— Hmhm. São todos para você — respondeu Sparkle. Pegou um pedaço de bala colorida e entregou a Nene.
— Mas… não tenho nada para te dar em troca.
— Não precisa me dar nada. Tenho muitos dessas coisas — disse Sparkle, colocando um pedaço de bala colorida na mão de Nene.
Diante de tantos brinquedos, a expressão hesitante de Nene desapareceu e foi substituída por uma de alegria. — Então, aceito seus presentes. Se algum dia eu encontrar algo interessante, vou te dar também — prometeu.
Nene colocou a bala na boca, e seus olhos se arregalaram imediatamente. — Mmhm~ — está tão doce! Está tão gostoso! É muito melhor que os doces da tia — exclamou empolgada.
— Os amigos do meu pai me deram, e meu pai também comprou duas pessoas minúsculas para mim — contou Sparkle, colocando as duas marionetes pequeninas na mesa.
As marionetes olharam para o rosto imponente de Sparkle e começaram a acenar com as marionetes de madeira enquanto recitavam suas falas com entonação adequada.
Enquanto olhava para as marionetes minúsculas, Sparkle percebeu algo e pisca seus grandes olhos. Huh? Elas viajaram comigo, então por que ainda estão vivas? Eu achava que só a Mamãe podia viajar comigo assim.
Nene ficou realmente pasma. Não fazia nem uma hora desde a visita de Sparkle, mas ela já não acreditava mais no que estava acontecendo. Sentiu como se o mundo estivesse sofrendo mudanças definitivas sem seu conhecimento.
— Sparkle, quem é exatamente seu pai? Isso é muito incrível… — disse Nene, admirada.
As orelhas de Donna se levantaram ao ouvir a pergunta da filha; ela também queria saber essa resposta.
E foi aí que Sparkle respondeu: — Meu pai é um safado.
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