Terramar: O Mar Encoberto NovelCAPÍTULO 671 - Capítulo 672: Touchdown
Capítulo 671— Você não precisa mais comer humanos?! — Perguntou Charles, tão empolgado que agarrou os ombros de Anna e a sacudiu vigorosamente. — Você consegue realmente sobreviver com comida de gente agora?
As duas porções de café da manhã eram feitas para duas pessoas, e só elas estavam na Sala do Capitão.
Anna achou a empolgação de Charles estranhamente divertida. — Para de me sacudir, tá? Não é tão grave assim. De qualquer forma, deixa eu te mostrar.
Com isso, Anna pegou duas fatias de pão perfeitamente torrado e espalhou um pouco de feijão cozido macio sobre elas para fazer um sanduíche simples. Depois, engoliu tudo de uma vez, sem mastigar.
Diante da expressão esperançosa de Charles, Anna levantou um dedo, pedindo que ele esperasse. Moments depois, ela pegou a xícara quentinha de leite e a bebeu de uma só vez. Anna então começou a destruir seu café da manhã.
Quando terminou a comida, Anna enfiou os dedos no peito e puxou algo. A pele do peito de Anna foi recuada, revelando um conjunto único de órgãos internos.
Os pulmões e o coração de Anna estavam conectados, enquanto seus demais órgãos pareciam bastante diferentes dos órgãos humanos. Contudo, o mais estranho de todos era seu estômago, que era redondo e roxo.
O estômago de Anna ondulava suavemente enquanto digestava o que ela tinha acabado de comer. Além disso, não parecia um órgão de nascença, pois estava coberto por suturas tortuosas, semelhantes a centopeias, com pequenos tubos de cobre enterrados dentro delas.
— Fiz umas modificações no meu estômago. Agora, ele consegue digerir comida humana.
Charles estendeu a mão e acariciou o estômago pulsante de Anna.
Sentia como uma garrafa de água quente lisa, cheia de diversos ratos se contorcendo.
— Você realmente modificou seu próprio estômago? Isso é ótimo, mas… de onde você conseguiu a tecnologia para fazer isso? E como nunca me contou antes?
Anna afastou a mão de Charles que tentava se aproximar e colocou sua pele de volta no lugar. Então, ergueu o queixo, parecendo orgulhosa de sua conquista, e respondeu: — É um segredo. De qualquer forma, que tal uma surpresa?
Ao invés de responder, Charles levantou Anna, levantando-a do chão e a jogando bem alto no ar. Depois de pegá-la de novo, beijou seu lindo rosto.
Charles estava realmente empolgado. Anna não precisaria mais comer pessoas para sobreviver. Ou seja, enquanto ambos quisessem, poderiam viver como verdadeiros casal humano.
Os dois se beijaram apaixonadamente por algum tempo. Quando os lábios se separaram, Anna olhou para Charles com um sorriso. — Que surpresa grande… você não vai me recompensar com alguma coisa?
Charles deu um beijo na boca vermelha de Anna e a levou até a cama. — Eu te dou o que você quiser.
Anna se livrou dos braços dele e pulou da cama. Ela acenou com o comunicador da Fundação, dizendo: — Não quero falar sobre isso. Quero dizer isto.
O sorriso de Charles desapareceu ao ver o disco metálico na mão de Anna.
— Anna, você sabe que isso não pertence só a mim. Pertence a todo o Mar Subterrâneo.
— Não seja tão pão duro, tá? Eu te devolvo em alguns dias. Não vou quebrar.
Charles segurou o rosto de Anna entre as mãos e olhou dela com ternura. — Eu sei que você consegue ler memórias, mas sabia que também posso fazer isso, Anna?
— Para de brincadeira. Por que você não diz logo que é o Superman?
Anna perguntou, girando os olhos para ele.
— É uma habilidade especial que só uso com meus queridos, porque se chama compreensão.
Anna olhou para Charles com calma e silêncio, nos olhos dele.
— Eu te entendo tanto quanto me entendo. Tudo tem uma linha vermelha que não pode ser cruzada, e ultrapassá-la ou não faz toda a diferença. Decidimos trabalhar com a Fundação, e salvar o Mar Subterrâneo deve vir antes de tudo.
— Você vem me espionando? — Perguntou Anna, com a voz um pouco séria.
Charles permaneceu tranquilo ao explicar: — Nunca mandei ninguém para te seguir, mas sei o que você está tentando fazer aqui. É uma dedução baseada no que entendo de você. Estamos juntos há tanto tempo que sei o que você tenta fazer.
— Mas, por favor, não torne as coisas difíceis para mim. Hope Island não é mais só minha ilha. É o centro que conecta o Mar Subterrâneo ao mundo de cima. Não podemos mais nos arriscar a fazer confusão.
— Você está dizendo que estou me envolvendo demais na sua vida na ilha? Que estou mexendo demais? — Anna perguntou, e seu rosto ficou frio ao acrescentar: — Então deixa seus homens virem aqui e tomar conta de Hope Island.
— Então vou partir. Estou me esforçando sem ganhar salário só pra levar bronca.
— Anna, não é isso que quero dizer. Tudo o que estou dizendo é que—— — Charles tentou explicar, mas Anna empurrou o disco metálico no peito dele e se virou para sair.
As palavras depreciativas de Anna ecoaram, penetrando os ouvidos de Charles. — Aqui estou eu, como um cachorro abanando o rabo, esperando um elogio do mestre. Mas, além de nenhum elogio, ainda me chutaram pra longe. Eu sou mesmo patética…
Charles sentiu uma dor no coração ao ouvir as palavras de Anna. Correu até ela para tentar explicar, mas Sparkle a levou embora.
— Ah… — Charles suspirou, impotente, batendo com a testa no disco metálico. Tínhamos nos divertido tanto antes, graças à surpresa de Anna, então como é que acabou tão ruim assim?
A rachadura causada pela hesitação dele em relação à condição da Fundação quase foi sanada, mas uma nova se abriu antes que a anterior pudesse se fechar. Charles pegou seu diário, pedindo para Sparkle trazer Anna até o navio.
Naquele momento, Dipp questionou cautelosamente, espiando pela porta do quarto.
— Capitão, estamos chegando ao destino. Primeiro-oficial diz que estamos descendo rápido demais. Tem que segurar firme pouco antes de tocarmos o chão.
Charles escondou o diário atrás das costas e fez um gesto de despedida para Dipp. — Eu sei.
Dipp hesitou por um instante antes de dizer: — Capitão, casamento é como navegar um barco. Tem que fazer manutenção nele de tempos em tempos. Senão, ele enferruja e fica coberto de cracas. Um navio sem manutenção periódica fica cada vez mais deteriorado, até que não sirva mais para o mar e só possa ser desarticulado.
— Não preciso que me ensine o que fazer. Sai daqui, — Charles respondeu com firmeza.
Dipp saiu obedientemente, e Charles ficou refletindo sobre sua conversa com Anna, sozinho na cabine. Será que falei algo errado? Essa questão envolve todo o Mar Subterrâneo. Não posso dar a ela o comunicador da Fundação. É uma questão de princípios.
Charles começou a se sentir culpado pelo que fez, e, deitado na cama, passou a relembrar seu relacionamento com Anna.
Parece que ela sempre foi a que cedeu em toda essa história. Toda vez que discutimos, ela sempre dá o passo para trás primeiro e faz concessões. Será que tenho a liberdade de tratá-la como se ela só pudesse me amar?
Isso não é saudável. Eu tenho que mudar.
Enquanto Charles mergulhava em seus pensamentos, um estrondo alto e uma tremedeira violenta percorreram a Narwhale.
Pequenos objetos no cômodo foram jogados ao chão, e a sensação de leveza quase desapareceu.
A Narwhale tinha tocado o solo.
Charles abriu a cabeça para olhar as luzes distantes da estação.
Ele olhou para o comunicador na mão, e seu olhar tornou-se decidido. A disputa com Anna precisava ficar de lado agora. O que importava era garantir a ajuda da Fundação.
Resolver a crise de níveis do mar em escala global tinha prioridade máxima. Antes de tudo, eles precisavam garantir um espaço habitável para a humanidade. Caso contrário, tudo seria em vão.
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