Terramar: O Mar Encoberto Novel — Capítulo 76: CAPÍTULO 76 - Capítulo 76: O Cartel da Navalha

Terramar: O Mar Encoberto Novel
Cap. 76
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CAPÍTULO 76 - Capítulo 76: O Cartel da Navalha

Capítulo 76

1.241 palavras~5 min de leitura

— Se posso perguntar, quem é você? — a voz de Reynold carregava um tom cauteloso.

— Sou capitão de uma embarcação de exploração. O homem que você prendeu é meu engenheiro-chefe — respondeu Charles enquanto acariciava as costas de Lily para confortar a atiradora visivelmente ansiosa. O rosto de Reynold assumiu uma expressão de desconforto e indecisão enquanto ele enfrentava um dilema.

Lidar com os do mar era uma tarefa difícil, lidar com os da exploração, muito pior. Essas pessoas possuíam habilidades que lhes permitiam explorar aquelas ilhas perigosas. Ele era apenas um homem encarregado de lidar com os crimes cometidos por civis comuns, como ele se enredou nessa confusão? Normalmente, a marinha do Governador se encarregaria de qualquer problema causado por esses indivíduos problemáticos.

Após um breve momento de reflexão, Reynold se levantou e foi até a porta, fechando-a com um gesto decidido. Com uma expressão amarga, voltou para seu assento e disse a Charles: "Se ele tivesse matado um qualquer, eu teria deixado você levar a culpa. Mas seu tripulante matou o irmão mais novo do líder do Cartel da Navalha. Se o liberarmos, vamos nos dar muita mal."

— Onde está meu tripulante? Quero vê-lo — insistiu Charles.

— Está na cela de prisão. Eu já vou te levar lá — respondeu Reynold, levantando-se rapidamente para abrir a porta.

Sob o olhar atento dos policiais armados de uniforme preto, Charles entrou na área de detenção.

No instante em que James avistou Charles entrando, foi ao seu redor e se debateu contra as correntes às quais estava amarrado.

Ao ativar o Anel de Tentáculos, Charles puxou a mordaça de pano sujo da boca de James e perguntou: "O que aconteceu?"

— Capitão! Aquele sujeito tentou arrancar a roupa da Mosicca na minha frente! Eu... não consegui suportar! — rugiu James, com os olhos vermelhos de raiva.

Com um golpe veloz de sua Lâmina Sombria, Charles quebrou as algemas que prendiam James, fazendo o homem forte cair ao chão.

— Senhor, você não pode... — protestou Reynold, visivelmente nervoso.

— Se alguém tiver problema com você, diga meu nome. Estou hospedado no terceiro andar do Boteco Morro no distrito portuário — afirmou Charles.

Ao tirar James da delegacia, o senso aguçado de Charles captou claramente os olhares que o observavam. Certamente, o Cartel da Navalha enviara seus homens para monitorar a situação.

— Traga sua esposa comigo até minha casa — ordenou Charles, virando-se para James em tom calmo.

— Capitão, eu... eu matei alguém... O que devo fazer? Não quero acabar na prisão. Mosicca precisa de mim — pediu James, com o rosto marcado pela incerteza.

— Faça o que eu mandar, não entre em pânico, tudo isso logo vai passar — tranquilizou Charles, dando um tapinha no ombro do homem corpulento.

James tentou recuperar a compostura, assintiu e saiu em direção à padaria de Mosicca.

Logo, o quarto de Charles na taberna já estava bastante cheio. Dipp estava agachado no chão, mordendo uma junta de carne fria. Enquanto isso, Audric permanecia no canto do cômodo, girando um copo com líquido vermelho.

— Capitão, sua casa é um pouco pequena demais? Por que não compra uma casa de verdade? — perguntou Dipp após engolir um pedaço de carne.

Ignorando as reclamações do timoneiro, Charles virou-se para Lily e perguntou: “Por que você reuniu todo mundo aqui?”

— Tinha medo de que fosse perigoso. Quanto mais, melhor! Convidei meus amigos para chamarem os outros; eles devem estar a caminho — explicou ela.

— Sem necessidade. Diga a eles que todos podem voltar. É uma coisa menor que vai se resolver rapidinho — afirmou Charles.

Segurando as mãos da esposa, James fez uma reverência profunda para Charles. "Capitão, desculpe, fui impulsivo demais."

— Você não foi. Se você não consegue proteger sua própria mulher, minha estima por você cairia bastante — respondeu Charles, olhando para a esposa de James.

A mulher não era de beleza extraordinária, mas tinha um rosto agradável e uma postura simples. Sua presença transmitia calma e confiança.

Naquele momento, um barulho alto de confusão veio de fora. Dipp se levantou e abriu a janela. Olhando para fora, reportou: "Capitão, alguns caras estão limpando as ruas."

Charles caminhou até a janela e viu um grupo grande de indivíduos ameaçadores expulsando a multidão. Estavam armados com várias armas de fogo, mas todos ostentavam a mesma tatuagem de adaga no pescoço.

De repente, um homem forte, com tatuagens no rosto, surgiu do grupo. Ele abriu a boca exibindo dentes podres.

— Filho da puta! Muito bem, vocês ousam mexer com meus homens, e agora vieram ao distrito portuário procurar a própria morte. Vou chamar meus irmãos para virarem suas mulheres na nossa frente hoje! Aparecem logo!

Ao perceberem sua arrogância, Charles não mostrou o menor interesse. Eles não eram nada diante das criaturas do mar. Ele levantou a revólver na mão.

Bang! Bang!

Alguns tiros apagaram os lampiões de gás e de óleo na rua, mergulhando a área na escuridão.

Dipp colocou a Máscara de Palhaço no rosto e saltou pela janela. Instantaneamente, gritos de dor ecoaram lá embaixo.

Ao mesmo tempo, Audric se transformou em um morcego e voou em direção a Dipp.

Dentro do quarto, Mosicca ficou assustada com os sons do lado de fora. Sua face ficou pálida enquanto se agarrava firme ao marido, com os olhos bem fechados.

James acalmou sua esposa com delicadeza. A suavidade no olhar dele contrastava com sua aparência corpulenta.

Deixando de lado, Charles sentiu-se deslocado. Apoiou uma mão na parapeito da janela e, com um impulso, saltou para descer ao lado de seus companheiros.

Com o capitão também entrando na luta, James sentiu uma pontada de ansiedade e quis ajudar seus camaradas. Mas não podia deixar sua esposa sozinha.

— O que... o que exatamente você trabalha? Antes, você me disse que era um marinheiro comum de um barco de pesca. Você acha que seu capitão parece um pescador? — questionou Mosicca, com os olhos vermelhos de choro.

Uma expressão amarga surgiu no rosto de James ao envolver a esposa em seus braços com carinho. — Meu amor, desculpe. Mentira minha. Mas se o Capitão não tivesse vindo nos ajudar hoje, provavelmente não conseguiríamos passar por essa provação. Devemos a ele nossa gratidão.

Com sua visão noturna, Charles observou toda a carnificina que se desenrolava. Sob o ataque coordenado de Dipp e Audric, o chamado Cartel da Navalha foi rapidamente derrotado. Os próprios gângsters que antes ostentavam arrogância agora disparavam em pânico, atirando na escuridão enquanto o medo os consumia.

Dipp, com uma calma impressionante, se esquivou dos tiros e chegou até o líder do grupo. Uma luz fria piscou no ar, e a mão dele, armada com uma pistola, caiu com um estrondo no chão.

O líder do Cartel da Navalha recuou, um grito de dor rasgando o ar enquanto segurava seu pulso ensanguentado e ferido.

— Vocês, lixo da ilha, são tão burros? Ainda têm coragem de mexer com quem está em uma embarcação de exploração? — perguntou o jovem mascarado, inclinando a cabeça com um tom de orgulho na voz.

Percebendo o perigo, o chefe do grupo gaguejou: "Eu... eu não tenho ideia. Não foi minha culpa! O grandão nunca disse que trabalhava em uma embarcação de exploração. Se meu irmão soubesse, nunca teria se atrevido a provocar—"

Antes que terminasse a frase, uma lâmina preta atravessou o ar e perfurou sua garganta. Sangue escarlate jorrou enquanto a incredulidade tomava conta dos olhos do homem, que então expirou pela última vez.

— Capitão, você podia ter deixado ele terminar as últimas palavras dele — brincou Dipp, saindo do local com uma cambalhota graciosa.

Fim da leitura

Capítulo 76 concluído

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