The Beginning of Zero — Capítulo 5: CAPÍTULO 5 - 5 - Uma Mudança Repentina

The Beginning of Zero
Cap. 5
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The Beginning of Zero

CAPÍTULO 5 - 5 - Uma Mudança Repentina

Capítulo 5

1.149 palavras~5 min de leitura

Capítulo 5 - Uma Mudança Repentina

The Beginning of Zero

— Finalmente te achei! — A voz de Aiza cortou o silêncio da biblioteca, aguda como um grito. Ela estava na entrada, ofegante, o vestido sujo de terra e os cabelos bagunçados, como se tivesse acabado de sair de uma briga com o jardim. — Então era aqui que você tava se escondendo?

Fechei o livro com umtapaque ecoou nas paredes de pedra. As letras miúdas já tinham feito meus olhos doerem, e a aparição dela só piorou a dor. O livro era pesado, com a capa de couro desgastada e as páginas amareladas, cheirando a mofo e tinta velha.“Por que eu insisto em ler essas coisas?”

— Não é da sua conta, enxerida — grunhi, evitando olhar para ela.

O silêncio que seguiu foi curto, mas dava pra sentir o calor do olhar dela furando minha nuca. Quando levantei os olhos, Aiza estava com as bochechas vermelhas, os punhos cerrados e os lábios tremendo, como se estivesse prestes a explodir.

— O QUE VOCÊ DISSE?! — berrou, a voz estridente fazendo meus ouvidos zumbirem.

Antes que eu pudesse cuspir outra resposta, algofrioeúmidome atingiu no peito. A esfera de água explodiu contra minha camisa, encharcando-me num segundo. O choque gelado me fez engasgar, e a água escorreu pelas costas, molhando até as meias. A camisa grudou na pele, e o ar gelado da biblioteca fez meu corpo tremer instantaneamente.

— Aiza! Que raio foi isso?! — gritei, levantando tão rápido que a cadeira capotou com um estrondo. Minhas mãos tentaram espremer a camisa, mas só consegui respingar água no chão. A poça se espalhou pelo mármore, refletindo a luz fraca das velas.

Ela cruzou os braços, o sorriso de satisfação estampado no rosto redondo.

— Ninguém manda ser mal-educado — cuspiu, girando no salto. Os passos dela ecoaram pelo corredor, cadacliquedas botas me fazendo ranger os dentes.

Fiquei parado, pingando. A biblioteca cheirava a mofo e papel velho, e a luz fraca das velas projetava sombras nas estantes.“Por que ela sempre tem que estragar tudo?”Aiza, com seus seis anos e a magia que brotava dos dedos como se fosse brincadeira, era o centro das atenções desde que aprendera a conjurar água. Enquanto isso, eu ainda estava tentando sentir a magia no ar, sem sucesso.

Meu pé chutou a cadeira caída, e o rangido metálico das dobradiças me arrepiou.“Até o mobiliário aqui é velho…”Olhei para a porta semiaberta, onde o reflexo do mármore molhado brilhava como um espelho. A vontade de correr atrás dela e esfregar terra em seu rosto perfeito era forte, mas meus joelhos tremeram.“Não. Melhor não.”

Apertei os punhos, sentindo a água escorrer pelas pernas. O cheiro de papel úmido começou a subir das páginas do livro caído.“Ótimo. Agora vou ter que explicar pro bibliotecário…”

Saí arrastando os pés, as botas encharcadas fazendo barulho a cada passo. No corredor, o vento frio que entrava pelas frestas das janelas me atingiu como um soco. Arrepiei, os dentes batendo.“Tá bom assim, universo? Mais uma humilhação?”

A sombra de Aiza já tinha sumido, mas suas risadas ecoavam lá longe, junto com o barulho de passos correndo.“Deve ter ido pra cozinha, pra se gabar pra mãe…”Menti pra mim mesmo, fingindo que não me importava.

Parei na frente de um vitral quebrado, onde o vento assobiava. Lá fora, o céu estava cinza, e as árvores do jardim se balançavam com o vento.“Por que eu vim parar aqui mesmo? Pra ser o irmão inútil da aiza ?”A voz daquele trono negro veio à mente, mas agora parecia uma piada.“Campeão? Só se for de passar vergonha…”

Um espirro me dobrou ao meio, o corpo todo tremendo. A camisa grudava na pele, e o ar gelado da mansão não ajudava.“Preciso me trocar antes que vire um cubo de gelo.”

Virei a esquina e quase trombei com Aiza, sentada no chão encostada na parede, balançando as perninhas.

— Finalmente saiu! — ela disse, pulando de pé com um salto que quase a fez cair. — Vamos brincar!

Revirei os olhos.

— Tá maluca, criatura? Tô molhado até os ossos!

Ela ignorou, puxando minha manga com força surpreendente.

— Vem! Pega-pega! — gritou, dando um tapa na minha perna antes de sair correndo.

Fiquei parado, olhando praquele vulto desaparecer. Seu riso ecoava, misturado ao som do vento nas janelas.“Por que eu sempre cedo?”

— Se eu pegar você, vai se arrepender! — gritei, começando a correr.

Minhas botas batiam no mármore, cada passo umtumque ecoava nas paredes. Aiza virou a esquina à frente, e quando a alcancei, ela já subia as escadas em caracol, as perninhas rápidas como um raio.

“Essa pestinha vai me matar de exaustão…”pensei, segurando o corrimão escorregadio.

Lá em cima, ela sumiu por uma porta entreaberta — o terraço. Quando empurrei a madeira pesada, o vento me acertou em cheio, arrancando um gemido. Aiza estava na beirada, de braços abertos, rindo da tempestade que se formava no horizonte.

— Olha, Lucas! Vai chover! — apontou para as nuvens negras, enquanto o primeiro trovão rugia.

Fiquei paralisado. A imagem dela ali, frágil e sorridente, me fez engolir seco.“Ela é insuportável… mas se algo acontecer…”

— Desce daí, idiota! — gritei, avançando.

Ela deu mais um passo para trás, os pés no limite do parapeito.

— Me pega! — provocou, os olhos brilhando com a chuva que começava a cair.

O primeiro pingente me acertou a testa.“Merda. Merda. Merda.”

A chuva começou a cair mais forte, encharcando o terraço em segundos. Aiza riu, girando no meio da tempestade, enquanto eu tentava me aproximar sem escorregar.

— Aiza, isso não é brincadeira! — gritei, estendendo a mão.

Ela olhou para mim, os olhos cheios de desafio, e deu mais um passo para trás.

— Confia em mim, Lucas! — ela gritou, e então, sem aviso, pulou.

Meu coração parou. Corri para a beirada, o vento e a chuva batendo no meu rosto, e olhei para baixo. Aiza estava lá, flutuando no ar, cercada por uma aura que brilhava com a luz dos relâmpagos.

— Viu? Eu consigo voar! — ela riu, girando no ar como se fosse uma folha ao vento.

Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Aiza, com seus seis anos, dominando a magia de uma forma que eu nem conseguia entender.

— Desce agora! — gritei, tentando manter a voz firme.

Ela olhou para mim, o sorriso ainda estampado no rosto, e então começou a descer lentamente, pousando suavemente no chão ao meu lado.

— Você viu, Lucas? Eu consigo! — ela disse, pulando de empolgação.

Eu só conseguia olhar para ela, a mistura de alívio e admiração tomando conta de mim.

— Sim, você consegue — murmurei, colocando a mão em sua cabeça.

Aiza sorriu, e então, sem aviso, me abraçou com força.

— Vamos brincar mais! — ela disse, puxando minha mão.

Eu ri, finalmente cedendo.

— Tudo bem, mas só um pouco.

E assim, corremos pelo terraço, a chuva caindo ao nosso redor, enquanto Aiza ria e brincava, mostrando mais uma vez que, apesar de tudo, ela era incrível.

E eu, mesmo molhado e cansado, não poderia estar mais orgulhoso dela.

Fim da leitura

Capítulo 5 concluído

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