Um Toque de Caos — Capítulo 10: CAPÍTULO 10 - 9

Um Toque de Caos
Cap. 10
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Um Toque de Caos

CAPÍTULO 10 - 9

Capítulo 10

1.252 palavras~5 min de leitura

Capitulo 9

Um Toque de Caos

Mais tarde, o navio atracou em um pequeno porto escondido nos arredores da cidade para permitir que a tripulação aproveitasse o festival.

O primeiro dia do festival era tudo o que se podia esperar em Spades: luzes coloridas, música animada e o cheiro de especiarias misturado ao sal do mar. O mercado noturno era um espetáculo de luzes e sons, com barracas vendendo de tudo, desde joias feitas à mão até comidas exóticas.

Draven, agora mais à vontade, caminhava ao lado de Vênus.

A cozinheira era alta e imponente, com a pele morena que parecia relembrar a luz das tochas ao redor. Seus cabelos pretos caíam em cascatas suaves, interrompidos por uma única mecha branca que contrastava de forma intrigante. Seus olhos castanhos, profundos e cheios de malícia, brilhavam com um humor astuto. Apesar de sua aparência quase humana, a longa cauda escamosa que se movia atrás dela denunciava sua natureza como um dragão-de-komodo.

— Você não parece tão fora do lugar agora — comentou Vênus, com um sorriso. — Não achava que um assassino saberia relaxar.

— Surpresa — respondeu Draven, permitindo-se um pequeno sorriso.

Ele observou as barracas ao redor, parando em uma onde um colar de pérolas chamou sua atenção.

— Para quem é isso? — perguntou Vênus com um tom cúmplice.

Draven hesitou por um momento antes de responder.

— Fallon.

Vênus deu um sorriso amplo e cúmplice.

— Então, temos um romântico em nosso meio. Boa escolha. Pérolas ficam bem nela. Por isso Nixoria gosta tanto.

— Como sabe? — o olhar de Draven caiu sobre ela com um tom de desconfiança.

— Crescemos juntas no templo, mas fui adotada aos 13 pela Tia Andréa. — Vênus respondeu, como se nada fosse. — Troco cartas com Fallon a cada duas semanas. Foi assim que ficamos sabendo de você.

O naga assentiu em compreensão. Ele pegou o colar, agradeceu ao vendedor e seguiu com ela. Passaram por músicos tocando melodias animadas e moradores dançando em círculos. Draven parou por um momento, observando a alegria ao seu redor.

— Vocês fazem isso sempre? — perguntou ele.

— O quê? — Vênus riu. — Nos divertir? Claro. A vida no mar já é cheia de riscos. Um pouco de alegria é essencial.

A tripulação havia se espalhado pelo mercado, cada um aproveitando a noite à sua maneira. Astéria, a carpinteira, estava em um canto da praça, dançando com uma graça surpreendente para alguém com tentáculos.

Vênus, estava rodeada por barracas de comida, experimentando pratos exóticos e fazendo amizade com os vendedores locais.

— Você tem que provar isso! — gritou ela para Draven, acenando com uma tigela de frutos do mar apimentados.

Draven recusou educadamente, preferindo continuar andando. Ele encontrou Nix e Lucius em um canto menos movimentado, ambos observando a tripulação com sorrisos cúmplices.

— Está gostando do festival, príncipe encantado? — perguntou Nix, um tom provocador em sua voz.

Draven deu de ombros.

— É… diferente.

Lucius riu baixo, seu olhar avaliador pousando sobre Draven.

— Aproveite enquanto pode. Amanhã, voltamos ao plano.

Draven assentiu, sentindo o peso das palavras.

O canto tranquilo onde Nix, Lucius e Draven conversavam começou a ser inundado por uma energia diferente. Do outro lado do bar improvisado, um grupo de adolescentes humanos chamou a atenção. Não só por seres humanos serem uma espécie alienígena naquele mundo mas também porque usavam roupas estranhas, diferentes das que qualquer um ali estava acostumado, dois deles com uniformes colegiais e o terceiro com um moletom preto cobrindo sua face.

— Ouçam bem! — gritou um deles, um garoto alto de cabelo azul brilhante. — Fomos enviados para este mundo com uma missão. Viemos destruir a Filha do Caos e salvar este lugar de sua destruição!

O tom dramático e exagerado arrancou risadas de alguns frequentadores, mas foi a reação de Nix que se destacou. Ela começou a rir tão alto que virou o centro das atenções.

— Vocês estão falando de mim? — perguntou ela, entre gargalhadas. — Isso é sério?

Os adolescentes se viraram para ela, confusos no início, mas logo assumiram uma postura defensiva.

— Você… você é Nixoria, a Filha do Caos? — perguntou uma garota loira, segurando uma adaga brilhante que parecia saída de um conto de fadas.

Nix se levantou enxugando as lágrimas e fez uma reverência exagerada.

— Em carne e osso. E devo dizer, vocês têm coragem de entrar no meu bar e fazer uma declaração dessas.— Somos os escolhidos! — gritou o garoto de cabelo azul. — Viemos de outro mundo para acabar com sua tirania!

Lucius, que até então observava em silêncio, cruzou os braços, com um sorriso debochado em seus lábios.

— “Escolhidos”, é? E o que exatamente faz vocês acharem que têm uma chance contra ela?

— Silêncio, pirata! — esbravejou o garoto. — Nós temos poderes que vocês nem conseguem imaginar!

— Isso está ficando divertido. — Mathew, que estava espiando a cena de cima de um dos mastros próximos, desceu rapidamente, pousando ao lado de Nix. — Deixe-me adivinhar. Eles acham que são heróis de algum tipo de história, certo?

— Exatamente. — Nix riu de novo, dando um passo à frente. — Mas sabe, garoto azul, tem algo que você não considerou.

— O quê? — perguntou ele, com a desconfiança estampada no rosto.

— Eu sou o caos. — Nix desapareceu no ar, se materializando atrás do garoto com um movimento rápido. Ela colocou uma das mãos em seu ombro, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido. — E o caos não segue regras.

O garoto tentou se virar rapidamente, mas Nix já havia evaporado novamente, surgindo ao lado de Lucius.

— Certo, isso está ficando cansativo. — Lucius deu um passo à frente, mas antes que pudesse fazer algo, um dos adolescentes, provavelmente achando que era sua grande chance, lançou uma pequena esfera de luz mágica em direção a Nix.

— Ah, que fofo. — Nix desviou sem esforço, a esfera atingindo um barril de cerveja que explodiu, espalhando o líquido por todo o bar.

Os piratas ao redor começaram a gritar, alguns fugindo e outros se juntando à confusão. Um dos adolescentes sacou uma espada reluzente, mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, Lucius apareceu em um movimento borrado, segurando-o pela gola como se ele fosse um boneco.

— Acho que já deu de brincadeira, crianças — disse Lucius, sua voz baixa mas carregada de autoridade. Ele jogou o garoto de volta para seu grupo com facilidade. — A próxima “escolha heroica” de vocês vai ser nadar de volta para a costa.

— Eles vieram salvar o mundo de mim, Lucius. — Nix sorriu de forma ameaçadora. — Não é adorável?

— Adorável ou não, eles estão estragando a mobília e o estoque de rum. — Lucius respondeu, se colocando entre Nix e os adolescentes. — Podemos resolver isso rápido ou vocês querem que eu mostre por que chamam este mar de ‘Caos’?

Os adolescentes pareciam hesitar, percebendo que estavam em desvantagem.

— Não sabemos com quem estamos lidando… ainda! — gritou a garota com a adaga, puxando os outros para fora do bar. — Mas isso não acabou! Voltaremos!

Assim que saíram, o bar caiu em risadas e cochichos. Nix olhou para Lucius, balançando a cabeça.

— Você realmente sabe como estragar a minha diversão.

— Alguém tem que manter a ordem nesse navio. — Lucius retrucou, mas um canto de sua boca se curvou em um quase-sorriso. Ele se virou para a multidão. — O espetáculo acabou! Bebidas pra todo mundo!

O bar explodiu em aplausos, e a tripulação do Semente do Caos se reuniu em torno deles.

Enquanto a música recomeçava e o ambiente se acalmava, Nix e Lucius se sentaram novamente. Draven, que havia assistido de longe, se aproximou.

— Isso foi… caótico.

— Bem-vindo ao Semente do Caos, príncipe encantado. — Nix brindou com ele, um sorriso cheio de adrenalina ainda nos lábios.

Fim da leitura

Capítulo 10 concluído

CAPÍTULO 10 - 9