Vejo Você Quando a Neve CairVOLUME ÚNICO – Capítulo 49
Capítulo 49Foi a primeira vez na vida que bateram a porta na minha cara. Foi uma sensação estranha. Por um momento, fiquei tão atordoado que não consegui dizer nada.
— Vamos embora por enquanto — falei.
Miyazono e eu nos afastamos e sentamos num café próximo.
Pedi um latte. Ela pediu um Americano e um pedaço de shortcake de morango.
Contei a ela como os jornais estavam faltando na Biblioteca Metropolitana Central de Tóquio e na biblioteca da vila. Alguém não queria que eu lesse aqueles jornais. Alguém estava me seguindo e os removendo. Alguém devia saber que eu viria para Sakusa.
Como o perseguidor misterioso poderia ter descoberto minha viagem? Como ele soube?
Miyazono cortou o bolo com o garfo e me ofereceu um pedaço. Aceitei com gratidão. O bolo estava bom. Não muito doce, doce na medida certa.
— O que tem nesses jornais que você precisa ver tanto? — perguntou ela. — Não pode usar outros jornais? Ou edições de outro ano?
Tomei um gole do meu café.
— Vamos, me conta. — Ela cutucou meu pé por baixo da mesa.
— Tem algumas coisas que preciso descobrir sobre a vila da tia Reiko.
Ela apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos. Ficou me olhando.
— O quê? — perguntei.
— Hmmm… fico me perguntando que segredos você está escondendo. O que aconteceu com você, hein? O que é que você não pode me contar?
— É só uma pesquisa.
— Hmm…
— Estou tentando entender como fui rastreado. Como o misterioso perseguidor conseguiu fazer o editor do Kimiyama Times bater a porta na nossa cara.
— O editor entrou primeiro, né? Talvez ele tenha recebido uma ligação bem na hora, mandando ele não nos mostrar os jornais.
— Mas como o perseguidor misterioso teria esse tipo de controle sobre os funcionários do Kimiyama Times?
— Talvez a equipe tenha sido subornada. Ouvi dizer que jornalistas não ganham muito.
Decidi testar essa teoria. Terminamos nosso café e voltamos para a redação do Kimiyama Times. Subimos as escadas e tocamos a campainha. Desta vez, uma mulher abriu a porta. Ela perguntou quem éramos. Eu disse que era fã do jornal e queria ver algumas edições antigas do Kimiyama Times. Ela pediu para esperarmos e fechou a porta. Cinco minutos depois, voltou e nos mandou embora da forma mais educada possível.
Decepcionados, Miyazono e eu saímos.
— Não vamos conseguir entrar nessa redação… a menos que arrombem. — disse Miyazono — A fechadura da porta parece bem comum, então…
— Invadir não me parece uma boa ideia.
— Hmm…
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