Você Foi Humilhado! — Capítulo 127: CAPÍTULO 127 - 106 de 01 - Pervertida!

Você Foi Humilhado!
Cap. 127
0%
Você Foi Humilhado!

CAPÍTULO 127 - 106 de 01 - Pervertida!

Capítulo 127

1.489 palavras~6 min de leitura

Capítulo 106 de 01 - Pervertida!

Você Foi Humilhado!

Volume 5: Terceiro Destemido.

Dam Hacraul pertencia à linhagem secundária do clã Zura. Desde a infância, demonstrava curiosidade por invenções e, apesar dos julgamentos, escolheu tornar-se ferreiro. A opinião dos outros pouco lhe importava, desde que pudesse criar o que desejava.

Aos treze anos, seu talento chamou a atenção da primeira linhagem, permitindo-lhe ascender, ainda que mantivesse o status secundário. No entanto, continuava alvo de desprezo por parte dos mais nobres, que o viam como alguém fraco, limitado à forja.

A proteção da líder do clã impedia qualquer represália contra ele e, garantia-lhe liberdade para seguir com suas pesquisas. Ao receber permissão para acessar os livros da biblioteca, descobriu novos desejos e ambições, que mudariam o rumo de sua vida.

No livro, havia ilustrações de diversas armas e suas formas de uso, mas nenhum método de fabricação. Isso despertou nele o desejo de recriá-las. No entanto, dispunha de poucos materiais, já que todos eram destinados à produção de espadas e arcos.

Sendo o único capaz de forjar espadas de ferro reforçado, mais resistentes e duráveis, considerou compartilhar suas ideias com o alto escalão. Porém, seu pedido foi prontamente negado, e lembraram-lhe que sua única utilidade era a criação de armas.

Aos dezessete anos, sentia-se insatisfeito com o próprio clã. Apesar das ideias promissoras, não recebia apoio nem mesmo da própria família. Diante disso, cogitou fugir, ainda que não soubesse o que faria depois.

Com sua habilidade de fogo de sobreaquecimento, conseguia queimar lentamente qualquer material com uma eficácia superior. No entanto, por pertencer à segunda linhagem, sempre precisou de um objeto intermediário para canalizar seu poder.

Naquela noite, escondido perto da muralha sul, preparava-se para fugir. Antes disso, deixou uma surpresa em seu local de trabalho. Havia incendiado a área, mas sabia que isso não bastaria.

Para garantir a destruição, aqueceu um pedaço de ferro até o limite. Conhecia bem as propriedades do material, os efeitos colaterais de sua habilidade, e sabia que, sob calor extremo, acabaria explodindo. Sem tempo a perder, lançou no forno em chamas e, aumentou ainda mais a intensidade do fogo.

O fogo comum não conseguia atingir altas temperaturas tão rapidamente quanto a habilidade de Dam, o que lhe dava tempo suficiente para se preparar para a fuga. Escondido na muralha, aguardava com cautela a explosão.

Pouco depois, um estrondo rompeu o silêncio da noite, seguido por chamas que se ergueram acima das muralhas. Os soldados de prontidão correram para o local, e foi nesse momento que ele escalou a estrutura e escapou, sentindo a liberdade pela primeira vez.

Já fora da cidade, seguiu seu caminho e, afastou-se o máximo possível. No entanto, sua alegria foi passageira. Dias depois, esgotado e sem conseguir dormir, percebeu que algo o assombrava. Sempre que tentava descansar, demônios surgiam para impedi-lo.

Cansado de tanto sofrimento, decidiu retornar à cidade. Desta vez, no entanto, optou por arriscar entrar por um portão diferente. Ao se aproximar do portão oeste, foi barrado e questionado, mas antes mesmo de responder, caiu no chão, inconsciente.

Horas se passaram até que Dam, aos poucos, abriu os olhos. Ouviu então duas vozes jovens que conversava ao seu redor.

— Kai, esqueça isso, olhe os cabelos dele, são daquele clã odiado.

— Não interessa Castiel! Eu quero apreender como ele fez uma espada tão boa. Nem o meu mestre consegue fazer uma assim — disse enquanto analisava a espada.

Colocou o braço no ombro de Kai e disse: — Podes ser o meu irmão, mas não posso deixar ao lado dele.

— Por que não?! — questionou, afastando-se.

— Ainda me pergunta? — perguntou. — Ele é do clã Zura! — gritou e balançou a mão.

— Me desculpe por ser do clã Zura — Dam se desculpou enquanto se levantava.

Castiel silenciou e não disse mais nada, afastando-se e deixou Kai e alguns soldados no quarto. Logo depois, Ele foi questionado sobre suas origens. O líder da cidade, ciente de suas habilidades, decidiu usá-lo, mas ele só aceitou sob a condição de poder continuar suas pesquisas.

O trato foi feito, e ele seguiu com seus estudos enquanto seu próprio clã o buscava, tentando não divulgar informações sobre seu paradeiro. Dam provavelmente sabia disso, razão pela qual era raramente visto fora de seu trabalho, sempre escondia seu rosto e cabelo.

Três anos se passaram, e finalmente conseguiu construir as armas dos seus sonhos. No entanto, isso não representava tudo o que ele queria. Seu plano sempre fora usá-las para seu próprio benefício. Sabia que sua habilidade de fogo, não era adequada para combates diretos, mas com essas armas, ele teria o poder de lutar.

Aos 22 anos, decidiu partir da vila com outros caçadores, em uma missão para caçar demônios e exterminar os destemidos.

No entanto, essa nunca foi sua verdadeira intenção. O que ele realmente desejava era ir até uma montanha específica, mencionada nos livros que havia lido. De acordo com os registros, ali poderia encontrar um metal mais resistente que o ferro, algo que o fascinava.

Ao convencer os membros do seu grupo a seguir pelo sul, disfarçou seu rosto e cabelo, e assim partiram pelo portão, em busca do tal metal.

Durante a jornada, ele se manteve em silêncio. Não era de sua natureza ser sociável, e seu semblante fechado só reforçava essa impressão. Embora fosse reservado, respondia, ainda que de maneira breve, a qualquer um que lhe dirigisse a palavra.

No grupo, havia uma dupla de gêmeos, Germe e Germa. Ambos eram soldados habilidosos no domínio de suas auras, mas não possuíam habilidades especiais. Contudo, o trabalho em equipe entre eles era admirável, como se conseguissem ler a mente um do outro.

Mesmo enfrentando demônios poderosos, que normalmente causariam dificuldades até para soldados com a aura despertada, eles os derrotavam com facilidade, quando agiam juntos.

Ele sentia um peso, pois não conseguia sincronizar com a dupla. No entanto, não se importava muito com isso, contanto que pudesse alcançar seu destino.

Durante a viagem, apenas Germe conversava com ele. Por algum motivo, a sua irmã não trocava palavras e, limitava-se a olhá-lo ocasionalmente, sem dizer nada. Porém, em uma noite, enquanto seu irmão dormia e Dam estava ocupado fazendo suas balas, Germa quebrou finalmente o silêncio e perguntou:

— Isso… Pode me explicar como funciona?

— Hum? — Dam olhou para ela por um momento e logo voltou ao que estava fazendo, imerso no seu trabalho.

Ela, sentiu-se ignorada e, gritou:

— Dam!

— Hum, o que foi? — ele respondeu, surpreso.

— Eu… isso… na sua mão, como é?

— Ah, isso… — respondeu, mostrando a bala. — É uma bala altamente comprimida.

— Comprimida?

— Sim. — Ele colocou a bala em um dos bolsos, dando um meio sorriso. — Quer ver como se faz?

— Claro!

Germa se aproximou rapidamente e se sentou diante dele. Dam ficou desconfortável com a proximidade. Ele tirou uma pedra do seu espaço e segurou firme.

— Isso aqui é um minério de ferro.

— Minério de ferro? — ela se inclinou, curiosa e, aproximou o rosto da pedra.

— Sim — respondeu, visivelmente constrangido, desviando o olhar. — Com isso, podemos fazer ferro. Tipo a espada que você usa, são feitas de ferro.

— Entendi! — Germa sorriu, claramente impressionada.

Ele ficou ainda mais constrangido. Apesar de seus 22 anos, ele nunca tinha tido uma experiência assim, com uma mulher olhando para ele com tanto interesse e admiração.

— Bem, vou esquentar ela agora. — pegou a pedra e começou a aquecê-la. Ela começou a esquentar rapidamente. — Até ela se transformar em chamas.

Continuou sobreaquecendo o minério por alguns minutos até ele se tornar chamas que flutuavam em sua mão.

— E agora, vou comprimir.

Germa assistia, fascinada. A chama começou a diminuir de tamanho e, moldava-se lentamente na forma de uma bala.

Apesar de não demonstrar, Dam sentiu uma pequena satisfação ao ver a reação dela e continuou:

— Enquanto comprimo, eu esquento de novo. Quando algo é transformado em chamas e resfriado, ele fica mais duro. Com o minério de ferro e minhas habilidades, ele se torna ainda mais resistente que o ferro feito da maneira convencional. Eu chamo isso de ferro reforçado. Entendeu?

— Sim, mas… tenho uma dúvida.

— Fala — respondeu, surpreso.

— No clã Zura, a aura desperta não são as suas chamas?

Ele olhou para o lado, como se estivesse lembrando de algo. Ele respirou fundo e explicou:

— Ah, sim, eu também não sei ao certo. Mas eu despertei essa habilidade enquanto forjava. Nunca vi ninguém com algo assim no meu clã.

Ele a olhou de repente, com uma expressão curiosa.

— Espera, como você sabe que eu sou…?

Germa percebeu que tinha falado demais e se apressou em se desculpar.

— Me desculpa… Eu vi você sem querer se limpando… e vi seu rosto.

Dam a encarou, cético.

— Eu não acreditava que você fosse uma pervertida… — ele disse, desconfiado.

— Não, não sou uma pervertida! Foi sem querer, eu não queria… — o rosto dela ficou vermelho de vergonha.

— Pervertida! — riu, mas com uma expressão travessa.

Ela ficava cada vez mais vermelha enquanto negava, e, embora seu irmão devesse estar dormindo, ele estava ali, sorrindo baixinho.

Fim da leitura

Capítulo 127 concluído

CAPÍTULO 127 - 106 de 01 - Pervertida!