A Cavalaria de um Cavaleiro Fracassado — Capítulo 55: Volume 11 – Capítulo 3 – Capítulo 3: Visita a Kledelland

A Cavalaria de um Cavaleiro Fracassado
Cap. 55
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A Cavalaria de um Cavaleiro Fracassado

Volume 11 – Capítulo 3 – Capítulo 3: Visita a Kledelland

Capítulo 55

5.183 palavras~23 min de leitura

Um telefonema veio de Johan, o Primeiro Príncipe de Kledelland, para Lunaize.

O assunto era: “Como responder ao relatório da Sede da Liga Internacional de Cavaleiros-Magos que menciona que um criminoso extremamente perigoso chamado Marionette King Or=Gaule, pertencente à Rebellion, está escondido nos arredores de Vermillion e Kledelland. Gostaria de ter uma consulta prévia antes da guerra, já que é quando o tráfego de cidadãos dos dois países se intensifica.”

E, além disso, Johan disse o seguinte:

O samurai que derrotou a Princesa Carmesim em um país distante do leste. Ele queria conversar com o Worst One Kurogane Ikki antes da guerra.

Também estava interessado nele como cavaleiro.

Um pedido nascido da curiosidade de Johan. Quanto a Lunaize, ela queria que Ikki priorizasse o fortalecimento de Tilmitt e companhia, mas como haviam forçado Kledelland a aprovar a proposta de Ikki, uma pessoa de outro país, como representante, ela o emprestou a Johan.

Portanto, Lunaize deu sua aprovação com relutância e pediu para acompanhar Ikki.

Quando Ikki foi perguntado por Lunaize, que preparava sua posição como membro da equipe representante de Vermillion como prova de seu próprio valor e fazia várias preparações antecipadas para persuadir Sirius, não havia como ele recusar.

Assim, Ikki, Lunaize e Stella, que se agarrava a Ikki desde que ele iria, os três embarcaram em um pequeno avião exclusivo da realeza com destino direto a Kledelland.

“Kledelland e Vermillion são países que estão em guerra, embora seja de acordo com as regras da Liga, então eu achava que os dois países tinham uma relação mais crítica, mas pensar que na realidade era próxima o suficiente para que as realezas mantivessem contato privado.”

Ikki, que foi convocado e ouviu os detalhes no meio do caminho, disse honestamente surpreso.

Stella concordou com ele.

“Realmente, é uma história estranha agora que você mencionou. Eu brincava com Johan-nii quando era bem pequena, então considerava isso natural. Mas quando estudei no Japão, entendi bem que minha família é, como dizer, especial.”

Então Lunaize disse aos dois:

“Naturalmente, não éramos próximos desde o início.”

Afinal, “Vermillion é um país que conquistou sua independência por causa da guerra contra Kledelland”.

“O ódio existente entre ambas as realezas e países nunca foi superficial. Eles continuaram competindo entre si por muito tempo e os cidadãos também eram educados para se odiarem. Foi assim por centenas de anos. Passavam o ódio de pai para filho, de filho para neto, continuaram se odiando por centenas de anos. Mas não quer dizer que eu tenha compreendido o raciocínio por trás da dor e da desonra. ...Não acham que é uma tradição ridícula?”

Ikki, que foi perguntado por sua opinião, respondeu com um breve aceno.

“... Acho que sim. É só que... perdoar é muitas vezes mais difícil do que odiar.”

“Exatamente. É uma discussão tola, mas também inevitável.”

A história humana era uma história de guerras.

Não existia nação que não carregasse o peso de seus atos.

Se um país assim existisse, não teria o problema de “o que fazer”.

“Mas, trinta anos atrás, algo ainda mais ridiculamente estúpido apareceu, pior do que essa tradição estúpida.”

“Foi Otou-sama, talvez?”

Lunaize assentiu diante da percepção de Stella.

“Sim, Chichi-ue, ou seja, o Rei Sirius. O Rei Sirius invadiu Kledelland sozinho, acessou o trono, lutou contra os oponentes, o exército de Kledelland, pisou no palácio real e disse ao Rei Clef, que estava isolado: 『Se você me odeia, então vou brigar com você o quanto quiser. A guerra de cerca de cem anos atrás, então deve ser retomada pelos países?』”

[Almeranto: ‘Chichi-ue’ é uma forma bem formal de se referir a um pai.]

“Oh, ooooh...”

“Q-que heroico, não acham? Embora dê a sensação de um problema internacional se algo desse errado...”

Lunaize riu dos dois que ficaram sem palavras.

“Mesmo sem erro, foi um problema internacional de fato.”

Ele é realmente um grande tolo. Mas o Rei Clef não pareceu achar que ele estava fazendo papel de bobo. “Não consigo odiar esse cara incrível”, disse ele. E então pareceu chegar a uma conclusão. Sobre a tolice de forçar uma raiva falsa e um ódio falso aos cidadãos. Desde então, os dois países pararam a educação de plantar hostilidade nos cidadãos em relação ao outro país, e assim vêm melhorando suas relações aos poucos por meio de um intercâmbio cultural positivo. A guerra atual ainda herda o nome de conflito territorial, mas... para dizer a verdade, essa guerra não faz muita diferença se quem vencer ou perder.

“É mesmo?”

“Porque o lado que ganhar os direitos dos campos de gás concorda em ser responsável pela melhoria da infraestrutura do lado que os perdeu após os eventos serem realizados. Esta guerra agora é mais como um exercício conjunto apenas no nome.”

“Então vai ter muitas barracas de comida, né?”

Ikki, que ouviu isso, entendeu e percebeu que o motivo pelo qual o lado de Kledelland aceitou sua participação na guerra era porque, por argumento, ele derrotou a Princesa Carmesim. Em outras palavras, esta guerra era como uma festa amigável entre dois países, então não era como se ir para a vitória fosse bom ou ruim. Supondo que fosse o mesmo para a outra parte, então um pensamento assim seria o melhor se os eventos ficassem mais animados por causa disso.

“Mesmo assim, Otou-sama fez isso. Eu ouvi como um rumor, uma história de um problema causado no velho Kledelland. Achei que era algo trivial porque era sobre Otou-sama, afinal.”

“Eu não sabia até ouvir do Rei Clef. As pessoas em geral mantiveram em segredo, achando que eu ficaria com raiva se soubesse. Na verdade, como a habilidade do Rei Clef não era grande, isso provavelmente se tornaria a causa de uma nova guerra.”

“Mas eles conseguiram resolver o ressentimento entre Vermillion e Kledelland porque o seu heroico Otou-sama não era escravo dessa velha tradição, não é?”

Mas Lunaize deu de ombros diante das palavras de Ikki.

“Hmm, será? Uma ideia política dizendo 『Considerando o sentimento nacional, manteremos esta forma de guerra, mas a reduziremos a uma formalidade e dividiremos os lucros igualmente』 vinda de Chichi-ue é totalmente impensável. Acho que a orientação de Haha-ue esteve nessa série de reformas.”

[Almeranto: ‘Haha-ue’ é uma forma bem formal de se referir a uma mãe.]

“Tenho a mesma sensação. Mesmo agora, a administração interna e a diplomacia são lideradas por Okaa-sama. Tenho certeza de que a mente por trás disso é Okaa-sama.”

Pensando bem, a outra coisa que Stella disse antes...

Quando Stella foi ao Japão, ela contou que a Consorte Astraea havia colocado o Rei Sirius, que se opunha fortemente a ela, na prisão.

Parecia existir um equilíbrio absoluto de poder entre aquelas duas pessoas.

... Vou me certificar de não irritar Ogibo-san.

[Almeranto: Ogibo = Sogra.]

“Bem, é por isso que Vermillion e Kledelland adotaram uma política de apaziguamento iniciada pelas duas realezas para aliviar os ressentimentos do passado. O intercâmbio cultural entre as realezas que Ikki lembrou de forma surpreendente faz parte disso. Até a maioria das crianças, ou nós no caso, nos tornamos tão próximos independentemente da situação política.”

“Johan-nii não consegue se relacionar de igual para igual com Luna-nee desde sempre. Eles realmente são como irmãos de verdade.”

“Se for assim, então ele é como um Onii-san para Stella.”

Stella assentiu vigorosamente.

“Sim. Johan-nii é um dos cavaleiros mais fortes desta região, e ele sempre me levava junto para treinar.”

“Embora eu tenha a impressão de que você só o espancava de forma unilateral e cruel, não era?”

Lunaize deixou escapar um sorriso amargo e olhou para o para-brisa do avião.

E disse aos dois:

“Ei, já dá para ver. Aquela é Lucelle, a capital de Kledelland.”

◆

Lucelle, capital de Kledelland.

Ikki e os outros desembarcaram no aeroporto reservado para uso governamental e de pessoas importantes e concluíram os procedimentos de entrada ali.

Obviamente, não houve inspeção de bagagem de mão nem interrogatórios, já que receberam tratamento VIP.

Tudo se resumiu a Lunaize trocar duas ou três palavras com o responsável, e os três passaram pelo portão.

Entraram em uma limusine que veio do portão principal do aeroporto e se dirigiram ao centro da cidade de Lucelle.

Chegaram a uma praça, o local combinado para o encontro com o Príncipe Johan.

E então, Ikki, que visitava Kledelland pela primeira vez, prendeu a respiração diante da paisagem.

“Esta é... uma cidade maravilhosa.”

As construções no estilo Art Nouveau se alinhavam como se circundassem a praça.

Uma cena que transbordava um ar ocidental, como se incorporasse a paisagem urbana da Europa medieval.

Era tão bonito que Ikki, que não gostava de tirar fotos, sentiu vontade de emoldurá-la.

“Lucelle, a própria cidade, é Patrimônio Mundial. Vale a pena ver.”

“É, realmente. Sinto como se tivesse viajado no tempo direto para a Idade Média.”

“Fufu, a arquitetura Art Nouveau não é tão antiga assim, mas parece que os asiáticos se encantam com imagens da Europa. É muito popular entre os turistas de lá. Agora que finalmente vieram, podem passear pela cidade com Stella mais tarde.”

“Eu apoio! Vamos fazer isso, tá bom, Ikki!?”

“Claro. Já que estamos aqui――”

“Se quiserem, podem passar a noite sozinhos. De qualquer forma, vocês vão ficar aqui até o fim da guerra. E eu não vou dizer nada para Chichi-ue.”

“O-o que você está dizendo, Luna-nee!?”

Sim, Stella ficou vermelha por causa da forma direta de falar de Lunaize.

“Lunaize-san!”

Um jovem bem-vestido chamou os três e correu até eles.

“Minhas desculpas. Eu os fiz esperar!?”

Lunaize mostrou um sorriso malicioso para o homem que perguntava preocupado e respondeu:

“Não. Pensamos em chegar trinta minutos mais cedo para o encontro com você, então só nos juntamos para passar o tempo.”

“Ah, ahaha... obrigado pela consideração.”

E Stella: “Faz tempo! A última vez que nos vimos foi no Natal do ano passado?”

“Sim, correto. Já faz meio ano. Ouvi que você se destacou no Japão. Que superou o Gale Sword Emperor. Até ouvi que os Cavaleiros-Magos do Japão são fortes; era de se esperar de Stella-chan.”

“Fufun. Bem, eles não eram oponentes para mim, sabe.”

E assim, ela trocou cumprimentos com o jovem.

Pelo que vira até agora, Ikki conseguiu identificar quem ele era sem precisar de apresentação.

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Aquele jovem loiro era uma pessoa que se identificava como Kledelland.

No exato momento em que Ikki presumiu isso――

“E finalmente... o que derrotou a forte Stella-chan duas vezes é você, certo?”

Os olhos azuis de Johan se voltaram para Ikki.

“Prazer em conhecê-lo, Kurogane Ikki-san. Sou Johan Kristoff von Collbrand. Obrigado por atender ao meu pedido egoísta de hoje.”

“N-não é nada, eu é que devo agradecer. Muito obrigado pelo convite, estou profundamente honrado.”

“Como a transmissão do Festival de Batalha das Sete Estrelas foi exibida até aqui, pude assistir às lutas. ... Você foi incrível. Conseguiu lutar contra Stella-chan sem se conter. Ainda estou impressionado com a força de Stella-chan.”

“... Fico lisonjeado.”

“Como companheiro cavaleiro, tenho muito interesse no tipo de treinamento que Ikki-san realiza e na opinião que ele tem sobre a espada. Por favor, permita-me aprender com você.”

“B-bem, não sei se poderei ser útil...”

Devido à atitude educada de Johan, Ikki acabou ficando mais modesto do que o necessário.

Honestamente, ele reagiu de forma um pouco atrapalhada por ser tratado com tanta cortesia pelo Príncipe do país.

Naquele momento,

“Essa é uma boa saudação, não é, Johan?”

Lunaize, com o rosto sério, abriu caminho e se colocou entre Ikki e Johan. E então,

“Seu cachecol está todo torto. Eu sempre digo para você prestar atenção à aparência pessoal, não é? Você tem uma ótima aparência, mas essa preguiça chama atenção. Fique quieto. Vou arrumar para você.”

“P-por favor, espere, Lunaize-san. Tem gente na nossa frente nos olhando, é vergonhoso...”

“Se tem vergonha, então tome cuidado para não mostrar uma aparência vergonhosa. ... Além disso, Ikki está tendo dificuldade porque sua saudação está formal demais e você não está considerando sua posição. Mantenha o ritmo adequado. Isso que se chama decoro apropriado.”

Lunaize apontou diretamente a causa do desconforto que Ikki claramente sentia enquanto ajustava o cachecol.

Johan também percebeu o próprio descuido que Lunaize havia destacado.

“A, ahaha... Não sou páreo para Lunaize-san, sou?”

Ele se desculpou com Ikki dizendo “Desculpe” enquanto Lunaize permanecia de pé, imóvel, até terminar de arrumar o cachecol.

Stella olhou de lado para os dois e sussurrou no ouvido de Ikki: “Viu? Eles realmente parecem irmão e irmã, né?”

E.

No entanto, a impressão que Ikki teve da cena era um pouco diferente.

Na verdade... mais do que irmão e irmã, eles parecem...

Gurrrrrrrrrrr...

“Ah!”

Um barulho estranho repentino chegou aos ouvidos dos quatro.

Lunaize olhou para Stella, a origem do som, franzindo as sobrancelhas.

“... Está falando sério? Stella.”

“N-não consigo evitar, sabe!? Ainda não almocei!”

“Sim, mas garotas da sua idade não fazem barulho com a barriga, simplesmente não fazem.”

“M-minha taxa de consumo de energia fica negativa depois de despertar o poder do dragão! Então não me culpe, tá bom!?”

Johan, que viu Stella dando desculpas com o rosto ficando bem vermelho, sorriu.

“Agora que você mencionou, é o momento certo para almoçar. O que acham? Gostariam de comer algo antes de discutirmos o plano contra o indivíduo suspeito mencionado? Tem barracas de comida com o tema da guerra surgindo na praça ali adiante.”

Ele sugeriu aos três.

Stella aprovou a sugestão imediatamente.

“Eu topo! Você também, né, Luna-nee!?”

“... Eu estava falando sério, aliás. Fazer a barriga roncar é insuportável.”

“Então, vamos andando logo para lá, que tal?”

E assim, os quatro começaram a caminhar em direção ao centro do parque próximo ao Estádio Nacional de Lucelle, o local onde a guerra entre Vermillion e Kledelland aconteceria.

Caminharam cerca de dez minutos até o destino.

Embora fosse uma curta distância, como o Príncipe deste país e as Princesas do país vizinho caminhavam lado a lado, atrair os olhares de todos era natural. Multidões se formavam nas laterais do caminho por onde os quatro passavam.

『Oh! É o Príncipe-sama!』

『As Princesas de Vermillion também estão aqui!』

『Mesmo ao vivo, elas são realmente lindas, não são...?』

『Kyaa! Lunaize-sama! Ela é tão legal!』

『Estamos ansiosos pelas lutas! Embora a vitória seja nossa desta vez!』

“Quê!? Estou participando como representante deste ano, então é melhor se prepararem!”

Stella e Lunaize responderam, levantando a voz e acenando para as vozes de boas-vindas que vinham dos dois lados.

Tal cena era verdadeiramente amigável e não deixava transparecer nenhum ressentimento do passado.

Podia-se ver o resultado da política de apaziguamento que as realezas dos dois países vinham promovendo ativamente.

Porém,

H-huh...?

Ikki, que observava aquela cena cordial, parou de andar com uma forte sensação de desconforto.

Na multidão.

Havia um 『buraco』 estranhamente aberto.

Um espaço em branco――――

Não, não é isso.

Não era um espaço em branco.

Ikki abriu não apenas o sentido da visão, mas os cinco sentidos, e olhou fixamente para aquele 『buraco』.

O fluxo do som, a estagnação da atmosfera, os sinais――

Ele compensou a informação visual parcialmente e de forma não natural removida e, então, viu.

Surgindo à superfície como se revelasse a si mesma.

O lugar onde, aos olhos comuns, só se via um espaço vazio.

Uma mulher estava de pé ali.

Uma mulher de cabelos prateados que o encarava com olhos de cores diferentes e que o cercava silenciosamente a uma distância, sem que ninguém além de Ikki percebesse sua presença.

A aura que a envolvia――Ikki a conhecia.

Aquela pessoa é... mas por que ela está aqui...?

“Ikki?”

“Uaa...!”

Como estava concentrando toda a atenção naquela mulher, Ikki estremeceu quando Stella tocou seu ombro.

“A-aconteceu alguma coisa? Você estava completamente distraído...”

Stella também se surpreendeu com a reação exagerada de Ikki e perguntou, confusa.

Para isso, Ikki tentou voltar o olhar para a mulher de segundos atrás enquanto respondia com um vago “Ah, não...”. Porém, um cidadão comum da cidade agora estava de pé onde a mulher estivera. A figura daquela mulher não estava mais lá. Por causa disso,

“... Não é nada.”

“Poxa. Se você ficar olhando para o vazio, vamos te deixar para trás, hein?”

“D-desculpe. Vou prestar atenção.”

Ikki se desculpou com Stella e acelerou o passo.

◆

Ao longo da fronteira entre Vermillion e Kledelland.

Havia um lugar tingido de amarelo vivo por toda a superfície de uma pequena colina do lado de Vermillion.

Era uma extensa plantação de girassóis que sustentava a exportação de flores cortadas e uma das principais indústrias de Vermillion.

“Ora, ora, este ano eles também desabrocharam lindamente.”

“É, e o interior das colmeias está cheio do mel mais puro.”

“Fiquei preocupada se eles cresceriam direito neste verão frio, mas fico aliviada que vão estar prontos para o festival.”

As mulheres da vila que cuidavam do campo de girassóis suspiraram aliviadas enquanto colhiam os girassóis que haviam crescido esplendidamente.

As flores cortadas ali eram todas entregues gratuitamente a Kledelland.

Elas eram usadas para decorar o local da festa amigável dos povos das duas nações, que acontecia junto com a guerra entre Vermillion e Kledelland, e era chamada de festival . O mel se tornaria doces deliciosos nas barracas para agradar o paladar de homens e mulheres, e as flores cortadas encantariam os olhos das pessoas que assistiam ao desfile enfeitado e aos carros alegóricos.

“Espero apenas que o povo de Kledelland se divirta bastante.”

A garota da vila que colhia as flores murmurou, limpou o suor da testa e olhou na direção de Kledelland.

Naquele momento.

“Hmm?”

A garota captou algo estranho em seu campo de visão.

“Ei, Okaa-san. Hoje também teve exercícios conjuntos?”

“Exercícios? Não ouvi nada sobre isso, mas por que você pergunta de repente?”

A garota apontou do topo da pequena colina para as planícies de Kledelland que se estendiam ao longe e respondeu à mãe, que tinha uma expressão confusa:

“Porque, olha ali. — Por que tem tantos tanques vindo de Kledelland?”

[Almeranto: Vai dar merda…]

◆

Ikki e os outros caminharam direto pela rua principal de Lucelle por aproximadamente dez minutos, e então um espaço amplo e aberto se estendeu diante de seus olhos.

Um parque onde uma grama verde brilhante preenchia a vista sob o céu perfeitamente limpo de verão.

Uma arquitetura solene em formato circular feita de pedra se erguia no centro.

Era o Estádio Nacional de Lucelle, o local da guerra.

Ikki e os demais, representantes de Vermillion, lutariam contra a equipe representante de Kledelland liderada por Johan naquele lugar na semana seguinte.

Além disso, as barracas montadas ao redor do parque para a primeira fase estavam lotadas de pessoas animadas.

Ikki e os outros se misturaram ao grupo animado e visitaram várias barracas para comer.

“Uaaah, olha, olha, Ikki! Essa aqui tem waffle com morangos e creme em abundância!”

“É incrível. Parece um bolo.”

Diante dos olhos alegres e cheios de empolgação de Stella.

Creme fresco rodopiava sobre os waffles alinhados na vitrine, e até as frutas recebiam o mesmo tratamento. Sorvete e calda de chocolate também eram servidos em camadas grossas, dando uma presença bem diferente dos waffles simples vendidos nas barracas japonesas.

Mais do que parecer um bolo, era completamente um bolo.

Pessoas que não eram especialistas em doces extremamente doces obviamente teriam a barriga cheia só de olhar.

Stella, que adorava doces, pagou rapidamente e pediu com “Senhor! Esse aqui, por favor!”, então encheu as bochechas ali mesmo e soltou uma voz de pura alegria.

“Aaah! Muu...〜〜〜〜, os morangos têm uma doçura e um amargor deliciosos――――!”

“Hahaha! A Princesa Dragão de Vermillion realmente sabe comer. Ver isso deixa este velho feliz. Aqui, um waffle de chocolate por conta da casa.”

“Sério!? Obrigada, senhor!”

Lunaize soltou um suspiro enquanto observava a troca entre o dono da barraca e Stella.

“Ela comeu três Frankfurt e quatro croque-monsieur antes de chegar aqui e ainda está comendo...? Ikki, case logo e leve essa pessoa de volta para o Japão. Nesse ritmo, vamos ter que fazer uma revisão orçamentária só para as despesas com comida dela.”

Ikki, o interessado, sorriu com amargura diante do sarcasmo, sem saber se Lunaize estava brincando ou falando sério, e Johan, o espectador, riu alegremente.

“Ahaha. Stella-chan sempre foi uma glutona, né?”

“Tudo tem limite. Meu Deus, será que tem um buraco negro na barriga dela?”

“Mas não se preocupem. Ela parece estar se divertindo. Ikki-kun também pode pedir o que quiser. É por minha conta.”

“Ah! Não precisa.”

“Eu o fiz vir até aqui com um pedido egoísta. Se eu não fizer pelo menos isso, minha honra como Príncipe não se sustentará.”

Johan disse e deu de ombros de forma franca.

Ele provavelmente havia escutado com atenção o conselho direto de Lunaize e estava colocando em prática.

Para Ikki, foi um alívio que ele tivesse ficado menos formal, tornando mais fácil conversar.

“Nesse caso, vou pedir o quanto eu quiser...”

Ikki olhou para as barracas enquanto apreciava a consideração de Johan.

―E então,

“Huh? Não é o Johan ali?”

A voz de uma mulher em um grupo chegou até eles.

Quando Ikki virou os olhos na direção da voz, imaginando quem era, havia um grupo de quatro pessoas, dois homens e duas mulheres.

“O que você está fazendo aqui durante o horário de trabalho? Matando aula?”

“Tem certeza? Tanto Mira quanto Luke estão errados.”

“É. Johan não faria isso.”

“Mas olha de novo. Ele está com uma mulher. Quem será...? Ah! Aquela pessoa, acho que é Luna-san!”

“Ah, é ela! Então a garota de cabelo vermelho ali deve ser Stella-chan!?”

E Stella, que notou a presença dos quatro falando em tom familiar,

“Luke-san e Mira-san! Reid-san e Enaris-san também estão aqui! Faz tempo!”

Sim, ela respondeu com um sorriso.

Parecia que os quatro eram conhecidos próximos de Stella e dos outros.

“Espera, o quê? Por que vocês dois estão aqui? Ainda falta uma semana para a guerra, não é?”

Johan fez uma pergunta para uma das quatro, a mulher de cabelo curto.

“Eu os convoquei. Sabe... precisamos conversar com vocês. Sobre o criminoso que a Liga nos alertou que pode estar escondido por aqui. Assim que a luta começar, o vai e vem de pessoas dos dois países vai aumentar bastante. Acho que uma consulta prévia para coordenar a segurança é necessária.”

“O objetivo desse cara é oculto, ou melhor, ele não tem objetivo, mas uma coisa é certa: ele é um líder da Rebellion que causa ansiedade no mundo. Nunca é demais ser cauteloso, não é?”

Johan assentiu ao complemento de Lunaize.

“Além disso, o samurai que derrotou a Princesa Carmesim mesmo tendo poder mágico equivalente ao de um Rank F veio do distante Japão. Gostaríamos de buscar conhecimento nem que seja um minuto ou um segundo mais rápido, se possível.”

Ele cutucou o interesse de Ikki, que havia sido deixado de lado há pouco.

“Ikki-kun. Vou apresentá-los. Eles são os cavaleiros representantes de Kledelland, assim como eu.”

Foi o que imaginei...

Ele já havia deduzido pelos olhares e pelas reações de Stella e dos outros, mas,

“Ikki? Eh? Ele é aquele garoto, o forte jogador estrangeiro que vai participar como convidado desta vez!?”

Parecia que eles não haviam visto Ikki até agora.

Para os quatro surpresos, de cabelo curto,

“Meu nome é Kurogane Ikki e sou um estudante-cavaleiro que veio do Japão. Nesta oportunidade, tenho o privilégio de participar desta guerra como representante de Vermillion. É um prazer conhecê-los.”

Ikki inclinou a cabeça.

Os quatro responderam:

“Ara ara, estamos sendo educados de novo de alguma forma. Eu sou Mira. Prazer em conhecê-lo〜.”

“Eu sou Reid. Esta é minha esposa Enaris. Vimos sua luta. Quando assisti, foi a primeira vez que meu coração bateu tão forte em uma partida. Foi incrível.”

[Almeranto: Tô meio perdido aqui, não estão todos mortos? Tô sentindo que tem algo errado.]

“É. Foi impressionante.”

Cada um deles se apresentou.

Porém, um deles. O homem pequeno de cabelo desgrenhado observava Ikki de forma atrevida, como se o estivesse avaliando,

“Mas... a sensação que tenho ao olhar para ele é que não parece tão forte assim, sabe? Acho que consigo derrubá-lo com um soco.”

Sua maneira de falar era incrivelmente rude.

Stella abriu um sorriso provocativo nos cantos da boca.

“Julgar Ikki pela aparência vai te dar uma experiência dolorosa, Luke-san. Estou te dizendo isso porque eu mesma tive essa experiência dolorosa, garanto.”

De alguma forma, ela respondeu com orgulho.

O homem pequeno chamado Luke riu diante da objeção de Stella.

“Posso ter o autógrafo da Princesa Carmesim? Você não é engraçada. — Eu sou Luke. Ouvi falar de você. Nos disseram que você vai nos derrotar para casar com Stella-chan. Mas droga, mesmo no século XXI, eu ri porque essa conversa dá a sensação de vir de uma tribo ou algo assim... mas é uma pena. Estamos carregando o orgulho do nosso país nas costas. Você parece usar a espada com muita habilidade, mas como é apenas um estudante, não vai nos derrotar. Você deveria ter pensado em outro jeito de persuadir aquele tio, o Rei Sirius, de agora em diante.”

Sim, ele provocou Ikki.

Aparentemente, ele era o mais impulsivo dos quatro.

A coerção transmitida era real; parecia que os pelos macios de seu braço se queimariam só de encará-lo.

Um ato que confirmava a verdadeira força de Luke; ele não estava falando à toa.

Se fosse um cavaleiro comum, certamente ficaria intimidado com esse nível de coerção.

E assim, o próprio Luke também usava essa coerção com a intenção de esmagá-lo ali, de forma arrogante, misturando assuntos pessoais na guerra. Isso é o que os caras chamariam de bangai senjutsu.

[Almeranto: Um termo usado em jogos de tabuleiro onde, em vez de obter a vitória jogando o jogo em si, o oponente é derrotado em uma guerra psicológica antes ou durante a partida. Significa literalmente táticas fora do tabuleiro.]

No entanto,

“Não. Isso eu não posso fazer.”

O Worst One Kurogane Ikki não era um cavaleiro comum.

E com um tom de voz que parecia capaz de matar, ele disse:

“Eu jurei. Para ela e para a família dela. Não importa qual seja o desafio, eu certamente vou cumpri-lo. Por isso, não vou perder. As coisas que vocês carregam nas costas são pesadas, mas eu também não posso abrir mão do que carrego nas minhas.”

Resolução e determinação se encontraram neste confronto.

Eles responderam friamente que não eram inferiores um ao outro.

“――Heh.”

Luke abriu os olhos como se estivesse impressionado com Ikki.

“Fufu. Uma bangai senjutsu sem graça é inútil, Luke. Este homem parece um garoto tranquilo, mas tem um ego forte como se seu corpo fosse feito de aço. Quando se trata de teimosia, pode ser comparado ao nosso pai. Ele não é um oponente que você conseguirá abalar com palavras.”

“... Realmente parece. Bem diferente do Príncipe-sama, um homem de natureza igualmente gentil.”

“Ahaha! Isso mesmo. Johan é facilmente manipulado pelas palavras dos outros.”

“Uugh...”

“Gostei de você, Ikki. Embora eu não vá dizer que teremos uma boa luta. Vou te esmagar com toda a minha força!”

“Estarei ansioso por isso.”

Assim, os dois trocaram saudações mais uma vez, e as pessoas que ouviam atentamente o raro encontro entre os representantes dos dois países antes da luta, formando um círculo ao redor deles, ficaram empolgadas.

『Nossa! Muito bem, rapaz japonês! Você tem muita coragem!』

『Tanto Kledelland quanto Vermillion, deem o seu melhor! Estamos torcendo por vocês!』

『Isso aí! Príncipe Johan! Os representantes dos dois países finalmente se reuniram! Parece que vocês têm algumas coisas para fazer, mas por enquanto, que tal celebrarmos o dia de hoje!? Temos comida e bebida aqui também!』

『Ei, gostei da ideia! Pessoal, vamos comer até explodir!』

“... Eh? Isso é...”

Johan tentou recusar, já que tinha uma reunião importante logo em seguida, mas Lunaize assumiu o controle.

Antes que Johan pudesse dizer algo,

“Obrigada. Agradeço em nome de Vermillion.”

“Lunaize-san...”

“Está tudo bem. A guerra é na semana que vem. Não vamos ficar discutindo e debatendo a cada minuto e segundo sobre coordenação de segurança, então é melhor não desprezarmos a gentileza sincera deles, certo?”

“Se Lunaize-san diz assim... Entendido.”

“Como era de se esperar de Lunaize-san! Ela é tão sensata〜!”

Dessa forma, uma pequena festa improvisada começou na praça onde as barracas estavam montadas.

As pessoas foram até as barracas, pegaram comida como quiseram, tocaram música e aproveitaram o encontro do dia.

Bem, ele poderia inventar uma desculpa barulhenta se quisesse, mas se não tivessem simpatia por Stella e companhia, não teriam começado a falar em fazer uma festa.

Isso é ótimo...

Ikki sorriu diante do espetáculo caloroso.

“Que cara feliz é essa, Ikki?”

“Ah, não... Eu tinha ouvido sobre isso da Lunaize-san, mas agora que vejo de novo, é realmente impressionante. Que o povo de países que lutaram entre si por centenas de anos consiga se dar tão bem assim.”

Disputas territoriais. Disputas históricas.

Não eram os únicos problemas que Vermillion e Kledelland tinham.

Embora Ikki não fosse particularmente interessado em política, ele sabia, pelas notícias que ouvia todos os dias, que o Japão também tinha problemas semelhantes e se esforçava para lidar com eles.

Porém, não era algo que fluía tão facilmente.

Por isso, a relação entre Vermillion e Kledelland parecia algo difícil de se obter, e por si só era muito valiosa e rara.

No entanto, Stella inclinou a cabeça para o lado, dizendo “É mesmo?”.

“Não acho que seja tão estranho assim.”

“Você acha?”

Stella assentiu vigorosamente, como se fosse óbvio.

“Porque todo mundo sempre prefere rir do que lutar, não é?”

Então ela olhou para as pessoas que avançavam com os preparativos da festa e murmurou:

“Toda vez que há um conflito, o egoísmo das pessoas que só pensam em si mesmas desperta. A maioria das pessoas deseja a paz, porém um punhado de egoístas pisoteia os sentimentos das pessoas bondosas. ... Eu não posso permitir isso. Eu me tornei uma cavaleira para não permitir isso.”

Pequenas nações precisavam de cavaleiros fortes.

Para não serem esmagadas pela vontade de países grandes.

Para proteger as pessoas que viviam ali de qualquer maldade.

Os olhos de Stella, enquanto falava isso, olhavam para algum lugar distante.

Talvez ela estivesse olhando para a cena, para seu eu distante—

“Entendi. O que Stella quer proteger não é apenas Vermillion.”

“Isso mesmo.”

Stella assentiu e abriu bem os braços.

Como se abraçasse tudo o que estava à vista.

E então, em voz alta―

“Eu amo Vermillion! Eu amo Kledelland! Eu amo as pessoas gentis que vivem neles! Por isso... para poder protegê-los. Vou me tornar mais forte do que qualquer vilão! Mais forte do que aqueles do futuro de pesadelo! Mais forte do que o criminoso escondido nesta área! Não importa se ele é o Marionette King ou Radish Sprouts, não importa quem ele seja. Enquanto eu estiver aqui, não vou deixar que ele machuque ninguém!”

“Desculpe. Isso é impossível.”

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– Almeranto: E esse é o fim de mais um capítulo meu povo! Esse final nos deixa esperar pelo que nos aguarda no próximo. Provavelmente vai tudo pegar fogo… Até semana que vem!

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Como é uma obra que estou fazendo sozinho, posso cometer alguns erros. Caso tenha algo a relatar, por favor, avise nos comentários!

Claro, caso estejam gostando, eu adoraria saber a opinião de vocês!

Vejo vocês domingo que vem!

Fim da leitura

Capítulo 55 concluído

Volume 11 – Capítulo 3 – Capítulo 3: Visita a Kledelland