Abismo das Almas — Capítulo 92: CAPÍTULO 92 - 92 — Click

Abismo das Almas
Cap. 92
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Abismo das Almas

CAPÍTULO 92 - 92 — Click

Capítulo 92

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Capítulo 92 — Click

Abismo das Almas

Catedral

Deylanencontrava-se no chão, estendido sobre as pedras frias da catedral. Estava ferido não só no corpo — cortes profundos, respiração ofegante e o gosto de sangue na boca — mas também ferido por dentro; algo nele doía como se um punhal tivesse atravessado memórias e esperanças. Havia uma sede primitiva nele — sede de sangue e de vingança — que ardia nas veias. Ainda assim, havia uma coisa que permanecia intacta, um fio de aço na tempestade: sua mente. Que agora era a única ancoragem real, a única percepção lúcida que o segurava. Ela se mantinha de pé, clara e cruel, lembrando-o da sua fraqueza. Ele sabia que era fraco, sabia que semMeiyao seu lado tudo se tornava mais difícil. SemMeiyele estava reduzido, e a visão dessa realidade batiam nele com força. Neste momento ele estava só, só com a sua mente

—Deylan(respirando profundamente): Haa… é isso. Ela está morta.

—Deylan(em seus pensamentos): Não tenho tempo para sofrer com isso. Devo aproveitar para sair daqui agora, enquanto ele está distraído.

EnquantoDeylanrodopiava mentalmente entre choque e cálculo,Syterpermanecia ajoelhado ao lado do cadáver deMeiy. A cena era grotesca: a lâmina ainda brilhava com um brilho escarlate sob a luz filtrada dos vitrais; gotas miúdas caíam como se o tempo tivesse perdido o compasso.Syterdesabafava frente ao cadáver deMeiy.

—Syter(agachado e encarando a lâmina ensanguentada de sua espada): Há tempos eu diria que sinto muito. (olhando para o corpo deMeiy) Talvez você se pergunte — ou melhor, esteja se perguntando — por quê? Não ataquei vocês mais cedo em Arridar, por exemplo. Por que esperei aqui por vocês? Acho que você já entendeu da pior forma: que esta catedral, na verdade, é uma prisão de almas.

Eu quis garantir que vocês sofreriam mesmo após a morte. Afinal, a morte não é a punição; o que determina isso é o que vem depois dela.

As palavras deSyterecoavam pelo vão central, ricocheteando nas colunas e voltando em murmúrios. Havia uma convicção fria em seu tom, uma satisfação sombria que não tentava esconder.Deylanouviu, mas não deixou que a fúria o dominasse; precisava pensar — como um predador ferido que sabe que a sobrevivência exige astúcia, não apenas fúria. Ele passou a concentrar-se em algo que poderia ajudá-lo a escapar daquela armadilha: vasculhar o próprio tormento e converter aquilo em ferramenta. Cada memória dolorosa, cada trauma, cada punhado de desespero — tudo poderia virar combustível.

—Deylan(em seus pensamentos): Antes de fugir preciso saber se consigo vencê-lo. Preciso capturar seus atributos sem que ele perceba e guardá-los em minha mente como uma cópia dele. Hmmmm… acho que sei como fazer. Espero que funcione.

Deylan concentrou-se e focou no olho direito; nele começo a surgir uma lente, uma lente indetectável.

—Deylan(em seus pensamentos): Consegui. Consigo criar não só entre minhas mãos; com isso poderei analisá-lo e imprimir um registro mental de suas capacidades.

Ao encararSytercom aquela lente psíquica,Deylancomeçou a imprimir uma cópia das características do oponente em sua mente — movimentos, instintos, a cadência dos ataques. A impressão apareceu nítida, quase palpável. Porém, no momento em que a cópia se formava,Deylansentiu uma pontada aguda na mente, uma faísca de dor que vinha do fundo do peito.

—Deylan(sentindo uma leve dor na mente): Ah… ah, o que foi isso? O quê— meu tormento!

QuandoDeylancriou a lente, não percebeu que seu tormento havia sido gasto, porque foi apenas uma mísera parte. Porém, ao usar a lente para imprimir as informações de Syter em sua mente, uma parte considerável do seu tormento foi consumida..

—Deylan(meio atordoado): Ah… o que raios aconteceu? Tsc, que se dane. Não tenho tempo para isso; preciso me apressar.

Respirando com dificuldade,Deylanconcentrou-se novamente. Com a mão, projetou algo que lembrava uma caneta retrátil gastando quase nada de seu tormento que em vez de um botão para trazer a ponta…

—Deylan(com o dispositivo na mão): Agora só me falta algo. Acho que… (olhando o dispositivo) isso só vai me tirar tormento ao realizar sua função. Espero ter o suficiente. Falta uma última coisa.Meiy, lamento ter deixado você ir assim. Eu vou vingar-te, eu prometo.

Ele largou o dispositivo e colocou a mão no chão da catedral; desta vez, boa parte do seu tormento foi usada, e uma marca — um quadrado verde luminescente — surgiu no chão, com uma roda de escritas desconhecidas ao redor.

—Deylan(segurando o dispositivo): Feito. Agora só…

Foi quando a lâmina encostou em seu pescoço, trazendo o frio cortante da morte próxima. O aroma de metal quente e resina que emanava da espada fez com que a respiração deDeylantravasse por um segundo.

—Syter(erguendo a espada): Agora é só isso? Sabe, me surpreende você — achar que eu não notei seus movimentos.

Mas naquela mesma hora, a atenção deSyterfoi desviada. Duas presenças se materializaram nas sombras da catedral — presenças familiares, energias com as quais ele já havia cruzado antes.SynarkeSylahsurgiram com passos determinados.

—Syter(observando os dois): Com—

“O que você fez com o nosso irmão?”

Sem hesitar,SynarkeSylahinvestiram contraSyter:Synarkmovimentava adagas com agilidade felina;Sylahbrandia o bastão com firmeza e graça. Para surpresa dos dois, o avanço encontrou resistência;Syteros conteve com facilidade, como se tivesse previsibilidade nos gestos deles. Então, o som seco de metal ecoou:CLICKCLICK.Syterolhou para baixo e seus olhos encontraramDeylan, junto ao corpo deMeiy. Num reflexo violento, ele empurrou os irmãos para trás e desceu a lâmina com toda a força — mas cortou apenas o vento. A presença deDeylane do corpo havia desaparecido como fumaça,

—Syter(rosnando e gritando): Argh! Argh! Ahhhhh… ahhhhh…

Ele virou-se para os irmãos, olhos brilhando de acusação, e partiu contra eles com as mãos nuas. Num movimento brutal, agarrou os pescoços deSynarkeSylah, aproximando-os com força.

—Syter(encarando-os, furioso): A culpa é toda vossa. Ela não terá descanso por culpa vossa.

Fim da leitura

Capítulo 92 concluído

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