Amor Invisível Sob o Céu NoturnoAmor Invisível Sob a Noite de Muitas Cores – Capítulo 2 – Capítulo 2: Tamanho Anelar
Capítulo 15♪
Julho chegou e Kakeru-kun começou a levar a sério a busca por emprego.
Mais do que levar a sério, foi Yuuko-chan quem, vendo que Kakeru-kun não estava fazendo nada, o levou a uma feira de empregos, e foi assim que tudo começou.
Ouvi essa história de Yuuko-chan.
"Fufufu, espero que o Kakeru-kun se esforce ao máximo."
Quando ri, Yuuko-chan suspirou e disse...
"Não é algo para se rir."
Eu me encontrava com Kakeru-kun com menos frequência na universidade.
Desde que voltei para a faculdade, ele tentava me acompanhar o máximo possível, e estávamos juntos todos os dias. Mas ultimamente não nos vemos, e me sinto um pouco sozinha.
Normalmente consigo ir à universidade sozinha.
Já me acostumei com o campus; conheço os atalhos para chegar à próxima sala de aula e onde ficam as escadas, então consigo me locomover sem problemas. Eu até consigo comprar chá com leite na máquina automática, e ultimamente tenho gostado de sentar no banco de grama e aproveitar o sol.
"Bom dia, Fuyutsuki-san~!"
Ouvi a voz de uma colega. Essa voz pertence à Ayakawa-san, que às vezes me cumprimenta.
Acho a voz da Ayakawa-san forte e determinada.
"Bom dia~"
"Precisamos trocar de sala para a próxima aula."
"Hã? Ah, é mesmo?"
Para mim, mudanças de sala ou de horário são um desafio. Os avisos são afixados no mural dos alunos, e eu não consigo ler esses papéis. Professores gentis enviam um e-mail um dia antes, mas depende da boa vontade deles, e nem todos os professores fazem isso.
Outro dia, quando entrei na sala de aula, achei que estava muito silenciosa, ou melhor, que não havia ninguém lá. Então percebi que a professora também não viria. Tudo o que eu conseguia fazer era rir e dizer: "Eles me pegaram!", mas me senti um pouco triste.
É por isso que sou muito grata às pessoas que me contam essas coisas.
"Você gostaria de vir comigo?"
"Claro. Agradeço."
"Você precisa que eu lhe dê meu braço ou algo assim?"
"Não, mesmo que não pareça, consigo andar sozinha sem problemas."
Caminhei, checando o chão com minha bengala branca. Hoje, a luz do sol estava agradável.
"Fuyutsuki-san."
"Sim?"
"Sério? Quantos anos você tem?"
Por causa da minha pausa nos estudos, agora sou mais velha que meus colegas. Acho que não tive a oportunidade de falar sobre quantos anos fiquei afastada, então minha idade é um mistério para eles.
"Mesmo que não pareça, já tenho vinte e dois anos."
“Não me surpreende, já que você sempre parece mais madura, Fuyutsuki-san.”
“Eu realmente pareço assim?”
“Você está sempre andando com seu namorado, não é? Ele é seu namorado, certo?”
“Sim, ele é meu namorado. Apesar que dizer ‘ele é meu namorado’ é meio constrangedor.”
Ayakawa-san riu e disse: “Que convencida!”
“Mesmo dizendo isso, você é bem fácil de conversar, Fuyutsuki-san.”
“Eu passo a ideia de que sou difícil de conversar?”
“Ah~”, disse Ayakawa-san. “Talvez seja minha culpa, mesmo que soe rude.”
“Então, por favor, fale comigo sem hesitar.”
Eu sorri, e Ayakawa-san retribuiu o sorriso.
Não sei como é o rosto dela ou que tipo de sorriso ela tem, mas tenho certeza de que ela é uma pessoa encantadora. Na minha cabeça, eu a imagino com um jeito meio masculino.
"Então, posso te perguntar outra coisa que está me incomodando?" Ayakawa-san hesitou.
"O que é?"
"Você não consegue mesmo ler o mural de avisos?"
"Infelizmente, não consigo ler o que está impresso no papel. Seria ótimo se eu pudesse ler com a mente."
"Fuyutsuki-san, você também faz piadas."
A voz de Ayakawa-san estava misturada com uma risada.
"Então, se você não se importa, podemos trocar números? Eu te aviso se alguma coisa for postada no mural. Aliás, você sabe usar um smartphone?"
"Fufufu, eu consigo usar um smartphone até de olhos fechados. Ah, é verdade, isso também é uma piada. A coisa dos olhos fechados era brincadeira, mas sim, eu sei usar um smartphone."
[Del: KKKKKKKKKKK. | Kazuki: Quebrei kkkkkkkk]
“Hahaha, Fuyutsuki-san, você é uma pessoa engraçada quando fala.”
Ayakawa-san riu ao meu lado.
“O que significa ser uma pessoa engraçada?” Além de Kakeru-kun e os outros, agora existe mais uma pessoa gentil comigo.
Isso me deixa muito feliz.
Consigo fazer a maioria das coisas sozinha.
Mesmo assim, muitas pessoas me apoiam. Muitas pessoas me estendem a mão.
Eu seguro essas mãos e sigo em frente.
É assim que eu vivo.
Às vezes me sinto um pouco culpada.
Mas acho que é melhor expressar gratidão do que me sentir culpada.
“Muito obrigada, Ayakawa-san.”
“De nada~”, respondeu Ayakawa-san.
Isso me encheu de alegria.
Naquele instante, ouvi a voz de um homem dizer: "Ah, o anjo do terraço. Ela não está com o namorado hoje."
"Fuyutsuki-san, os garotos te chamam de anjo. O que houve?" perguntou Ayakawa-san.
Involuntariamente, cobri o rosto com as mãos.
"Eu gostaria de saber~"
Nesse caso... eu realmente preferia que não tivessem feito isso.
[Del: Anjo é~~ | Kazuki:Me lembrei de uma certa personagem loira… | Del: Mentes conectadas.]
♪
"Koharu~ Aqui estão suas roupas."
Disse minha mãe enquanto me trazia minhas roupas de ginástica, pois já estava quase na hora de Kakeru-kun chegar.
Kakeru-kun vem ao meu apartamento todas as noites.
Então, nós dois saímos para caminhar.
Antes disso, eu troco de roupa e, todas as vezes, minha mãe deixa as roupas no meu quarto.
"Obrigada, mãe."
"De nada~. Se cuide e divirta-se."
Minha mãe respondeu com uma voz alegre. Ela sempre parece feliz nos dias em que o Kakeru-kun vem ao apartamento. Tenho certeza de que ela também gosta dele.
Pego a roupa de ginástica que a mãe deixou na cama. Ela sempre a coloca em um lugar fácil de alcançar. As roupas têm um cheiro bom, de amaciante, e estão perfeitamente dobradas.
Pensando bem, eu nunca lavei roupa nem estendi para secar.
A mãe faz isso para mim todos os dias. E não só isso, ela também cozinha, lava a louça, limpa a casa e prepara o banho.
Tudo, absolutamente tudo, minha mãe faz.
Quando penso nisso, percebo que há tantas coisas que eu não sei fazer... e isso me deixa triste.
Nesse instante, a campainha tocou.
"O Sorano-kun chegou~"
“Ceeerto!” respondi.
A voz da mamãe soava feliz.
Mesmo com a noite fresca, fico encharcada de suor pegajoso enquanto caminho.
As cigarras ainda não estão cantando, mas o som de insetos vem de algum lugar. Uma brisa quente, como se tivesse varrido a Baía de Tóquio à noite, sopra suavemente. As flores de cerejeira estão ficando verdes, Kakeru-kun me disse.
Kakeru-kun começou a trabalhar meio período no mesmo restaurante que Narumi-san, e ontem à noite me contou que Yuuko-chan tinha ido visitá-lo.
"Até que horas a Yuuko-chan ficou?"
"No fim, ela ficou até o horário de fechamento, às 23h. Ela estava bebendo com outros clientes."
"Eles eram conhecidos dela?"
"Não, de jeito nenhum. Quando Hayase ficou bêbada, ela disse: 'Acabei de conhecer vocês!' e me deixou numa situação constrangedora."
"Ah, bem."
Kakeru-kun me disse que o lugar onde ele trabalha é um café durante o dia, mas à noite se transforma em um bar.
Resumindo, eles servem bebidas alcoólicas à noite. Segundo Kakeru-kun, quando a "reação química" acontece entre Yuuko-chan e álcool, quase sempre acaba em problema.
Embora ele tenha dito isso com uma voz que não parecia nem um pouco irritada.
Na verdade, ele parecia achar graça. Esse é o Kakeru-kun.
"Peguei um táxi com o Narumi e fomos da Estação de Tóquio para Kiyosumi Shirakawa, desviando para o alojamento da universidade."
"Kakeru-kun, você também devia estar cansado."
"Um dia... aquela garota vai se meter em encrenca por causa do álcool."
"Quando isso acontecer, por favor, ajude-a."
"Certo", disse Kakeru-kun. "Se eu estiver lá, é claro que a ajudarei."
Essas palavras gentis me deixaram feliz, então retribuí seu braço.
De repente, senti o cheiro de Kakeru-kun vindo de seu ombro. Um suor diferente do meu. Um cheiro que eu gosto.
"Ei, Koharu-san, não está difícil para você andar assim?"
"Você ajuda a Yuuko-chan, mas não a mim?"
"Hã? Está com algum problema agora?"
"Me guie direito, por favor."
Kakeru-kun riu, como se pensasse: "Do que você está falando?"
Então, ele me guiou, dizendo: "Cuidado, tem grama ali."
A caminhada habitual em Tsukishima tem uma mistura de aromas do mar e da grama.
Com a chegada do verão, o aroma verde também ficou mais forte.
Acho que o verão é uma estação em que você sente o poder da vida.
De alguma forma, sinto que estou cheia de energia.
"Você consegue ver as estrelas hoje?"
"Ah~, não dá para ver muitas."
Kakeru-kun me disse isso sem mais nem menos.
O Triângulo de Verão não está visível. Às vezes, aviões piscam luzes vermelhas, e Kakeru-kun diz que parecem estrelas cadentes se movendo lentamente. Imaginei aquela cena.
"A Hayase deveria parar de se comportar mal quando bebe!" Kakeru-kun gritou de repente. Eu respondi: "Não é uma estrela cadente", e ele riu, dizendo: "Obrigado por entrar na brincadeira".
Passar esse tipo de tempo juntos, trocando essas palavras, me deixa muito feliz.
"Temos um encontro amanhã, depois de muito tempo. Para onde devemos ir?"
"Ginza está bom?"
"Claro!"
"Então eu te busco de manhã."
"Obrigada."
Mas então eu pensei em outra coisa...
“É um dia de folga. Tem certeza de que não tem problema?”
“Como assim?”
“Bem, eu pensei que você estivesse ocupado procurando emprego ou algo assim.”
“Não se preocupe. Estou lidando bem com isso. As entrevistas estão começando a aparecer aos poucos.”
“Está tudo bem?”
“Honestamente, é como dar três passos para frente e dois para trás. Estou progredindo, mas lentamente.”
“Não desanime!”
“Dizem que procurar emprego é um teste de resistência, então preciso fortalecer meu corpo com você, Koharu.”
“Então, vamos correr?”
[Del: Fica cômico se lembrarmos que “Kakeru” significa, literalmente, correr.]
Com isso, Kakeru-kun e eu começamos a correr levemente.
Desde a primavera, temos alternado entre corrida e caminhada, e com o tempo aumentamos a distância.
Agora, Kakeru-kun diz que consigo correr uns duzentos metros.
“Desculpe.”
O som de uma buzina na rua próxima me fez sentir falta da voz de Kakeru-kun por um instante. Mas, de alguma forma, senti que ele estava se desculpando.
"Por quê?"
"Bem... tenho estado ocupado com o trabalho e procurando emprego, então não temos conseguido nos ver muito ultimamente."
"Tudo bem. Você sempre me manda mensagem antes de dormir, não é?"
"Mas você já está dormindo nessas horas, Koharu."
"Sim, eu durmo às 22h, mas ver uma mensagem sua de manhã também me deixa feliz."
"Obrigado", disse Kakeru-kun. "E então, como está indo a universidade?"
"Tudo bem. De uma forma ou de outra, todos estão me ajudando."
"Esse 'todos'... se forem homens, eu não gosto."
"Você está com ciúmes?!"
Me aproximei de Kakeru-kun.
“Não é como se eu estivesse… completamente livre de ciúmes.”
“Completamente livre de ciúmes? Então o que isso significa?” Fiquei feliz em saber que Kakeru-kun estava com ciúmes. “Mas, com todo esse esforço no trabalho, o que você está planejando?”
“Não estou planejando nada, só sei que vou precisar de dinheiro no futuro.”
“Sério?”
“Você duvida do seu namorado?”
“Hmph.” Inflei as bochechas.
Era meu jeito de avisá-lo que eu ficaria brava se ele não me contasse a verdade.
Mas, em vez de ficar com medo… “Que fofa~ Posso tirar uma foto sua?” Ele me provocou.
[Del: Trabalho é, posso imaginar para o que é~]
♪
No dia seguinte, Kakeru-kun veio me buscar e fomos ao nosso encontro em Ginza.
“Só faltam dois degraus para o fim da escada.”
Kakeru-kun, do jeito dele, me ajudou a subir as escadas.
Ao sair da estação de metrô Ginza, a primeira coisa que ele disse foi…
“O que será? Existe algum código de vestimenta em Ginza?”
“Huh? O que está acontecendo de repente?”
“Tem gente estilosa por toda parte. Tipo as garotas com suéteres de verão jogados sobre os ombros, mulheres de quimono, ou os cavalheiros de terno que parecem ter saído direto de uma revista de moda. Todo mundo está bem estiloso. Estão desesperados para estarem bem vestidos. São verdadeiros astros da moda.”
“O que seria isso?”
“Koharu… você está ótima. As roupas que sua mãe escolheu para você hoje também ficaram ótimas em você.”
“Kakeru-kun, preciso te contar, eu também me preocupo muito com as roupas que visto. A minha mãe me ajuda com as cores e texturas, e levo um tempão para decidir quais você vai achar bonitas.”
“Ah— é, sim. Não queria dizer isso, mas claro, acho que é verdade.”
Kakeru-kun ficou sem jeito e pareceu tão fofo.
Mesmo ele sendo adorável, eu fiquei com pena, então decidi ajudá-lo.
"Você acha que ficou bom em mim?"
"Claro, você está... linda."
"Obrigada."
Abracei seu braço esquerdo. Não sei por quê, mas não conseguia evitar o desejo de estar perto de Kakeru-kun e tocá-lo o máximo possível.
Quero estar com ele, nos tornarmos um só, nunca nos separaremos. É isso que eu sinto. É isso que chamam de amor? O desejo de se fundir parece uma emoção que vai além do amor.
"Tem tanta gente aqui, estou um pouco envergonhado."
"Não se preocupe, não dá para vê-los."
"Bem, isso não é justo."
"É inevitável. Se você me abraçar na frente do prédio quando voltarmos para o apartamento, eu me afasto."
"Seria constrangedor se a sua mãe visse, né..."
"Ai, que vergonha!” Me afasto do Kakeru-kun.
"Então, por que não damos as mãos?" disse Kakeru-kun, e eu entrelacei meus dedos com os dele. Senti como se estivéssemos conectados e nos tornássemos um só.
Kakeru-kun me contou que Ginza havia se tornado uma zona de pedestres hoje. "Isso significa que, sendo uma zona de pedestres, estamos no meio da rua?"
"Você está tão animada."
"É uma sensação tão boa."
O ar está tão fresco. O sol está forte e o reflexo no concreto é intenso.
Na minha mente, estou caminhando bem no centro da rua principal de Ginza.
De ambos os lados, estou cercada por prédios e há muitas pessoas caminhando.
Estou caminhando por uma rua que normalmente estaria cheia de carros.
É uma sensação de transgressão ou libertação. Acho que é mais libertação.
De qualquer forma, só o fato de caminhar já me faz sentir bem.
"O que será? Essa sensação de libertação me lembra da minha cidade natal."
"Também tem áreas de pedestres em Shimonoseki?"
"Não, não era isso que eu queria dizer."
Parece que a sensação de libertação ao caminhar perto do Estreito de Kanmon é semelhante à atmosfera desta área de pedestres.
"Eu também adoraria caminhar por lá."
"Então, quando a busca por emprego der um tempo, vamos para Shimonoseki."
"Sério? Tudo bem?"
"Bem, também seria uma oportunidade para você conhecer minha mãe."
"Ficarei encantada."
"Bem, preciso me esforçar na busca por emprego…"
"Por favor, dê o seu melhor."
Enquanto conversávamos sobre isso, ouvimos uma voz feminina. "Com licença~"
A voz de Kakeru-kun respondeu: "Ah, sim." Foi assim que entendi que estavam nos chamando.
"Vejam, é isso que eu faço."
Kakeru-kun ouviu a mulher. Em resumo, ela parecia ser uma repórter tirando fotos de pessoas para uma publicação gratuita na área de Ginza, e estava nos convidando para participar.
"Koharu, o que fazemos?"
"Estou um pouco envergonhada, mas vou tentar."
A mulher respondeu: "Muito obrigada."
Então, nos instruíram a posar para a foto.
Pensando em uma foto com Kakeru-kun, percebi que ele havia sido educadamente recusado pela mulher, então seria uma foto só minha.
De repente, me senti muito envergonhada e quis esconder meu rosto.
"Ah, deixe-me ficar com sua bengala branca."
Kakeru-kun disse isso e saiu. “Então, Onee-san, por favor, faça uma pose”, disse uma voz masculina grave, diferente da voz da mulher.
Pensei que provavelmente havia um fotógrafo além da repórter.
Uma pose?
Senti tanta vergonha que meu rosto quase pegou fogo.
Decidi fazer uma pose com todas as minhas forças.
Coloquei as mãos na cintura, estiquei uma perna na diagonal e levantei os dedos dos pés.
Então ouvi…
“Koharu… sua pose é… antiquada.”
Kakeru-kun estava rindo.
“Eh? Hã? Huh?”
É que eu costumava ver idols na TV fazendo poses assim.
Não precisa rir, pensei, quase chorando.
Então…
“Koharu?” Kakeru-kun tocou meu ombro e disse em voz baixa:
"Desculpe por rir. Você tem razão. Eu não vi as revistas de moda mais recentes."
Ele pareceu entender a situação rapidamente.
Isso me deixou indescritivelmente feliz. Ele realmente se importa comigo. Ele é incrível e muito gentil.
"Fique em pé, está tudo bem. Você é fofa, então não se preocupe."
Ele disse isso e deu um cafuné na minha cabeça.
O carinho na minha cabeça e a palavra "fofa" me fizeram corar imediatamente.
Meu rosto está definitivamente vermelho!
Não importa mais o que aconteça!
Pensei isso e continuei com a sessão de fotos.
Durante a sessão, ouvi as vozes do repórter e de Kakeru-kun.
"Você é muito fofa."
"Ela não é só fofa, como também tem uma personalidade maravilhosa."
A voz orgulhosa de Kakeru-kun me fez sentir... Sério! Quem foi que disse que estava com vergonha e queria se afastar antes?! O Kakeru-kun faz coisas muito mais constrangedoras!
"A Onee-san não enxerga, correto?"
"Não, ela não enxerga."
Perguntou a repórter.
"Sério?"
"Mas mesmo sem enxergar, ela se veste bem e é bem ordinária."
Foi o que o Kakeru-kun disse. Me senti extremamente tocada.
De alguma forma, meu corpo começou a se mexer inquieto.
"Vocês são casados?"
A pergunta repentina quase me fez cair na gargalhada.
"Hã? Ainda não! Ainda estamos na faculdade!"
"Entendo. Vocês são tão naturais."
"Estamos namorando há um tempo, mas..."
"Você está se gabando?"
"Claro. Como eu não estaria me gabando?"
O Kakeru-kun era orgulhoso demais. Senti-me muito, muito envergonhada, mas também senti que ele se importava muito comigo.
Depois que a sessão de fotos terminou, retomamos nosso encontro. Kakeru-kun parou em um ponto específico.
"Ei, nós..."
"Sim?"
"Estamos namorando há mais de dois anos, mas nunca compramos alianças combinando, não é?"
"Hhuh? Vamos comprar?!"
"Nossa, isso foi rápido! Koharu, vamos nos acalmar um pouco."
Kakeru-kun riu.
“Talvez um dia eu compre alianças iguais. Quero medir o tamanho do seu dedo. Tudo bem?”
Que emocionante!
Eu não poderia estar mais feliz!
“Claro, claro!”
Então, nós dois entramos em uma loja que parecia uma joalheria. Lá dentro, havia um aroma doce, como perfume. Uma mulher que falava calmamente, como uma recepcionista, se ofereceu para medir o tamanho do meu dedo.
A recepcionista tinha uma voz muito gentil.
“Qual dedo você gostaria que eu medisse?” ela perguntou, e Kakeru-kun respondeu: “O anelar, por favor.”
Então…
“Na mão direita ou na esquerda?” ela perguntou.
Sem querer, respondi com a voz trêmula: “N-Na mão esquerda, talvez?” e Kakeru-kun e a recepcionista riram. “E-Então, na direita, por favor…” Enquanto escondia o rosto, estendi minha mão direita e senti várias vezes uma sensação fria ao passar pelo meu dedo anelar.
“É tamanho 36.” Embora eu não tenha entendido muito bem, parece ser um tamanho pequeno.
"A propósito, o tamanho do anel varia entre a mão direita e a esquerda?" perguntou Kakeru-kun.
"Para muitas pessoas, sim. Deixe-me ver sua mão esquerda."
O concierge pegou minha mão esquerda e colocou um anel no meu dedo anelar.
"No seu caso, ambas as mãos têm o mesmo tamanho."
Parecia que Kakeru-kun também estava medindo o tamanho do dedo anelar dele.
"Seus dedos são finos, Koharu. São menos da metade do tamanho dos meus."
Depois que ambos sabíamos o tamanho dos nossos anéis, o concierge disse algo como…
"Gostariam que eu trouxesse alguns anéis para vocês?" e Kakeru-kun perguntou: "Poderiam nos mostrar alguns anéis de casal?" e nos deixaram experimentar vários.
"Ah, esta parte é rústica porque tem uma joia?"
"Sim. Esse tem um pequeno diamante."
Quando levantei minha mão direita com o anel à minha frente, exclamei: "É muito fofo, não é?"
"Você gostaria deste?", perguntei a Kakeru-kun, aproveitando a oportunidade para que ele me mimasse um pouco, ao que ele respondeu...
"Espere, espere! Só viemos aqui hoje para medir nossos anéis. Então… não dá."
"Tch~"
"No futuro, comprarei um anel com um diamante de dez quilates para você", disse Kakeru-kun em um tom infantil.
"E quando será esse futuro?"
"Daqui a uns cem anos?" Como ele fez essa piada, respondi...
"Então, vamos viver até os cento e vinte e dois anos!"
E assim, acabei proclamando longevidade em uma joalheria.
Depois disso, saímos da joalheria e começamos a procurar um lugar para almoçar. Kakeru-kun encontrou uma padaria com mesas no terraço e nos levaram até o fundo.
Kakeru-kun explicou que o terraço ficava no quarto andar e que de lá dava para ver os prédios baixos de Ginza. Havia mesas redondas e poucos clientes.
"Kakeru-kun, você é muito bom nessas situações."
"Por que você está com as bochechas estufadas?"
"Bem... eu me pergunto onde você aprendeu essas coisas."
"Ah, entendi."
"E essa voz alegre?"
"Eu não sabia que você também sentia ciúmes, Koharu."
"Claro que sim... como qualquer outra pessoa." Depois de dizer isso...
"Você é adorável." disse Kakeru-kun.
De repente, senti meu rosto esquentar. Por favor, que ele não diga coisas constrangedoras em público.
"Assim como antes, por favor... não faça isso em público."
“Eu não faço essas coisas com ninguém além de você, Koharu.”
“Verdade?”
“Você acha que eu faria?”
“Não sei, não consigo te ver fazendo isso.”
Kakeru-kun riu.
Tenho certeza de que, se ele não estivesse acostumado comigo, não riria assim.
Eu só quero que ele ria, mas quando percebo que ele está preocupado com o que eu sinto, me sinto mal.
Por isso, essa é a resposta certa. Para ele rir com um ‘Hahaha’.
Me tranquiliza quando ele ri de uma piada assim.
Me faz sentir aceita.
“Pode me emprestar seu ouvido por um instante?”
“Claro, empresto.”
Com cuidado, toquei a orelha de Kakeru-kun, encontrei o lugar certo e sussurrei baixinho…
“Eu te amo muito.”
“Ah, sim… eu também.”
A voz de Kakeru-kun soava envergonhada, e até eu, que havia dito aquilo, senti meu rosto corar.
Depois, escolhemos nosso pedido juntos. Kakeru-kun leu todo o cardápio em voz alta.
Eu escolhi um sanduíche de ovo e Kakeru-kun escolheu um sanduíche de carne, que parecia bem suculento.
Ao fazer o pedido, Kakeru-kun demonstrou sua gentileza habitual perguntando: "Você poderia cortar o sanduíche de ovo em pedaços menores?" Ele já tem um nível especial de gentileza.
De repente, ouvi o choro de um bebê vindo de trás.
Parecia que o Kakeru-kun também tinha notado e comentou comigo:
"Um casal está cuidando do bebê em um carrinho."
"Mais do que um casal, eles parecem um casal casado, mas como são até que jovens, não dão essa impressão", continuou ele.
"Acho que os lugares no terraço são melhores; as vozes não ecoam tanto e é mais relaxante", disse o Kakeru-kun.
"É ótimo vê-los tão animados."
"Eles parecem um pouco mais velhos do que nós."
"Eles se casaram jovens pelo visto." Enquanto eu pensava em como é reconfortante ouvir um bebê chorar livremente, Kakeru-kun mencionou de repente:
"Agora que penso nisso, há pouco tempo, durante a sessão de fotos de rua, a repórter perguntou: "Você são casados?"”
Essa pergunta me pegou de surpresa e eu soltei um "Hã? Nossa..." meio sem jeito. Kakeru-kun também ficou surpreso e sua voz se elevou um pouco quando disse:
"Eu também fiquei surpreso."
E então...
"Koharu, o que você acha de se casar jovem?" Com essa pergunta, comecei a juntar as peças.
Mudar para Shimonoseki depois de conseguir um emprego, os anéis… todos aqueles sinais se conectaram, e percebi que talvez o Kakeru-kun estivesse pensando em algo parecido. Talvez seja só imaginação minha, mas não pude deixar de pensar que ele estava considerando isso…
O quê? Estou tão feliz…!
Foi o que senti, sinceramente. Mas, no momento em que pensei nisso, muitas coisas começaram a passar pela minha cabeça. Ainda há muitas coisas que não consigo fazer.
Na universidade, sempre preciso da ajuda de alguém; dependo muito da minha mãe e também de Kakeru-kun.
Pensando nisso, percebi que preciso ser mais independente primeiro.
Continuar dependendo de Kakeru-kun provavelmente não é a coisa mais saudável a se fazer.
Então, sim, tenho muitas coisas que preciso fazer sozinha.
É por isso que…
Eu disse com um sorriso…
"Kakeru-kun, você vai se formar na universidade este ano, mas eu ainda tenho…"
"Mais três anos."
Tentei sorrir gentilmente.
"Primeiro, preciso garantir que me forme corretamente."
Eu estava fugindo.
Traduzido por Moonlight Valley
Link para o servidor no Discord
Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.
Comentários do capítulo 15
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.