As Multiplas Faces de VictoriaVolume 1 – Interlúdio – Interlúdio: O Chef de Hagl
Capítulo 15O Conde Norman Highland, de Hagl, tinha vindo a Ashbury para uma visita. O território de Highland era especializado em marcenaria, importando madeira de alta qualidade de Ashbury para fabricar móveis de luxo. Quando o Conde Highland viajava para o exterior, seu chef, Dave, sempre o acompanhava; assim, toda vez que comiam uma refeição deliciosa, Dave podia prová-la para recriá-la para ele em casa.
Depois de garantir a madeira e saborear alguns frutos do mar, eles estavam se preparando para voltar para casa quando um nobre de Ashbury fez um grande pedido de móveis, dizendo que queria reformar completamente sua casa com peças da empresa do Conde Highland.
E assim o conde e o Chef Dave decidiram adiar seu retorno e foram para a capital de Ashbury. Enquanto a carruagem percorria suas ruas movimentadas, Dave avistou alguém familiar na multidão e aproximou o rosto da janela. Era uma cozinheira chamada Carol, que fora aprendiz no emprego anterior de Dave, trabalhando para a família de um marquês. O nobre que a apresentara à família disse que ela era filha de um amigo.
Carol tinha bons instintos para a culinária, e parecia que ela estava destinada a se tornar uma cozinheira maravilhosa. Ela ganhou o favor da jovem futura segunda esposa do nobre e frequentemente a acompanhava.
Mas então um dia, o nobre caiu em desgraça. A jovem noiva fugiu apressadamente com suas joias, e Carol inexplicavelmente desapareceu com ela. Dave escreveu para a pessoa que apresentara Carol à família, mas a resposta que recebeu foi evasiva e vaga: Carol não é da sua conta.
Ela estava andando com um homem musculoso de cabelos prateados que parecia ser um aristocrata. Havia uma garotinha bonita de cabelos loiros com eles, e os três tinham sorrisos no rosto enquanto caminhavam juntos.
Imagino se Carol se casou com um aristocrata. Agora que penso nisso, imagino o que aconteceu com aquela noiva em potencial também. Lembro que ela adorava a cor rosa e tinha vários vestidos em tons ligeiramente diferentes, ele recordou, mas então seu empregador falou com ele, tirando-o de seus devaneios.
Depois disso, Dave e o Conde Highland voltaram para Hagl.
Um dia, Dave estava voltando para casa do mercado quando notou um homem parado ali. Era seu benfeitor, que o apresentara à posição onde trabalhara para o marquês antes de o nobre cair em desgraça. Antes que o homem pudesse entrar em sua carruagem para partir, Dave o chamou.
— Conde Ixley! Que bom vê-lo novamente. Sou Dave, o chef que o senhor apresentou ao marquês há algum tempo.
— Ah, sim. Confio que esteja bem?
— Sim. Atualmente estou empregado pelo Conde Highland.
— Entendo, entendo. Bem, boa sorte para você, então! — O Conde Ixley entrou em sua carruagem e estava prestes a falar com o cocheiro como se quisesse dizer que a conversa havia terminado, mas então ouviu o que Dave disse em seguida.
— Sinto muito por não ter podido ajudar Carol mais. Sei que o senhor foi quem arranjou o emprego dela. Eu a vi em Ashbury, e ela parecia estar bem.
— Carol? Você a viu? Tem certeza de que era Carol?
— Sim. Ela está tão bonita quanto sempre, e parecia muito feliz.
Depois disso, o Conde Ixley começou a interrogar Dave sobre Carol. Ele queria saber onde a vira, com quem estava, o que vestia e como penteava o cabelo. Ele finalmente deixou Dave ir depois que ele respondeu a todas essas perguntas, deixando-o ali, sem palavras.
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Força de Operações Especiais de Hagl, controle central.
— Isso é verdade, Conde Ixley?
— Sim. Um chef que trabalhou com ela por cinco meses inteiros a avistou, então deve estar correto.
Lancome fez várias perguntas ao Conde Ixley e fez anotações. Depois que o conde saiu, Lancome fez um anúncio aos agentes.
— Chloe foi encontrada.
Todos os agentes se reuniram ao redor, parecendo atordoados.
— Parece que ela está na capital de Ashbury.
— Isso significa... que Chloe desertou?
— Parece que sim.
Os agentes trocaram olhares surpresos.
— Ashbury? E por que nossa melhor agente desertaria?
— Vou recuperar Chloe. Dan, Jacob. Vocês vêm comigo.
— Sim, Chefe. Mas podemos ir nós mesmos. Não há necessidade de o senhor vir conosco...
— Vocês podem prometer que conseguirão convencer Chloe a voltar e trazê-la de volta ilesa? Não queremos um cadáver silencioso. Nosso objetivo é recuperar a perícia e as habilidades de Chloe.
O rosto de Dan se tensionou; sua observação lhe rendeu um olhar penetrante de Lancome.
Lancome imediatamente tentou obter permissão para partir, mas o primeiro-ministro fez Lancome esperar por algum tempo antes de entrar na sala.
— Não há necessidade de você ir pessoalmente. É uma pena que tenhamos perdido Chloe, mas você deveria desistir de trazê-la de volta.
Eu sabia que ele diria isso, Lancome ponderou desanimado. Ele achava uma pena deixar Chloe desaparecer assim. Ela poderia contribuir muito para a organização se continuasse ganhando experiência e eventualmente se tornasse instrutora na academia.
— Vou convencer Chloe a voltar e trazê-la de volta não importa o que aconteça, para que ela possa servir este reino novamente. Por favor, me dê permissão.
Lancome fez uma reverência profunda. Um sorriso fino e irônico cruzou o rosto do primeiro-ministro enquanto ele o observava.
— Esta é Chloe de quem estamos falando, Lancome. Não há como você trazê-la de volta para casa viva. Mas mais importante, isso vai contra os desejos de Sua Majestade. Ele diz: "Um cão que não pode jurar lealdade ao seu mestre deve ser eliminado."
— Precisamos nos livrar dela antes que esses ashburianos percebam seu valor. Faça parecer que ela foi vítima de um crime. Este assunto não está mais em suas mãos.
Isso significava que agora estava nas mãos do esquadrão de assassinato.
— Vá em frente e envie todas as informações que você tem sobre o avistamento de Chloe.
— ...Sim, senhor.
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O café da manhã de Mary foi trazido para uma sala apertada e sombria no terceiro andar do prédio usado pela Força de Operações Especiais de Hagl. Um jovem o carregou; Lancome não aparecia ultimamente.
— Onde está Lancome?
— Ele está ocupado ajudando na academia.
— Há um novo chefe?
O homem não respondeu. Ele colocou descuidadamente a bandeja de comida sobre a mesa e saiu.
Mary decidiu comer. Ela não podia deixar sua resistência diminuir. Suas correntes chacoalharam pesadamente no chão quando ela se levantou para ir até a mesa. Havia grilhões de ferro em seus tornozelos, conectados por uma longa corrente. As janelas eram gradeadas.
Já fazia dois meses que ela estava presa ali, e ninguém viera salvá-la.
Fui abandonada. Eles vão me matar.
Eles deviam pensar que ainda poderiam tirar algum proveito dela; essa era a única razão pela qual ela não estava morta.
Pouco antes de ser capturada, ela saiu furtivamente para encontrar alguém, e quando voltou, a acorrentaram.
— Finalmente temos evidências de sua traição. Você achou que não estava sendo vigiada? — Lancome cuspiu.
Mary tinha vinte anos quando se tornou uma agente dupla.
Os alunos mais novos estavam tendo notas melhores que as dela, e ela começou a entrar em pânico depois que só recebia missões pequenas. Foi então que uma pessoa do reino de Randall a abordou.
— Quero que você nos dê informações sobre a Força de Operações Especiais. Randall está procurando alguém excepcional como você. Se o pior acontecer, garantiremos seu resgate. Você é muito importante para nós.
Ela foi tola em aceitar a oferta pelo valor de face.
Tanto Randall quanto Hagl a usaram. Lancome provavelmente nunca sequer preencheu a papelagem para tornar o casamento deles legal. Muito provavelmente, a união deles não passava de uma maneira de Lancome manter Mary sob vigilância depois que ele começou a suspeitar dela.
O tempo estava se esgotando. Ela precisava fazer algo antes que o novo chefe a descartasse como inútil e a mandasse matar.
— Ei! Mary! O que há de errado?
O homem que trouxe seu jantar viu Mary deitada no chão com sangue escorrendo de sua boca e correu até ela. — Ei! Mary!
No momento em que ele se levantou para chamar alguém, ela agarrou seu tornozelo, puxou com toda a força para derrubá-lo no chão e enrolou a corrente de seus grilhões em volta do pescoço dele.
Quando teve certeza de que ele havia perdido a consciência, usou a corda que fizera com seus lençóis rasgados para amarrá-lo e amordaçá-lo. Ela se levantou e passou a língua dentro da boca. O corte que fizera na carne macia com suas unhas era bastante profundo. Ela fez uma careta com a dor e o gosto metálico de sangue. Ela revistou o homem e encontrou a chave da sala.
Ele não tinha a chave de seus grilhões, então ela usou o palito de prata que ele carregava para abrir a fechadura. Finalmente, ouviu um clique enquanto os grilhões se abriam. Ela olhou para o homem, ainda com sangue escorrendo ao redor de sua boca.
O homem gemeu. — Você vai me matar eventualmente, não vai? — ele disse quando recuperou a consciência. Mary chutou sua cabeça e riu.
— Não vou te matar. Você é muito insignificante. Você nem vale a pena ser morto. — Ela pegou o último pedaço dos lençóis e o molhou com água do copo, então limpou cuidadosamente o sangue de sua boca. Ela saiu da sala e trancou a porta. Ela não sabia para onde ir, mas sabia que se ficasse ali, seria morta.
Nunca mais confiarei em ninguém.
Mary desceu para o segundo andar, pulou pela janela, correu pela escuridão e saltou o muro.
Traduzido por Moonlight Valley
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