As Multiplas Faces de Victoria — Capítulo 2: Volume 1 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Quando Conheci a Garota

As Multiplas Faces de Victoria
Cap. 2
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As Multiplas Faces de Victoria

Volume 1 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Quando Conheci a Garota

Capítulo 2

6.815 palavras~30 min de leitura

— Bem, acho que vou dar uma volta pela cidade agora.

Decidindo usar algo discreto, coloquei uma saia longa azul-marinho que seria fácil de caminhar e uma blusa cor de marfim, então saí do meu quarto de hotel.

— Tenha um bom dia — a pessoa na recepção me chamou alegremente.

Saí do hotel e me dirigi ao centro, onde ficavam as lojas.

A capital de Ashbury era aproximadamente dividida em quarteirões norte, sul, leste e oeste, com um castelo no centro. Meu hotel ficava no quarteirão sul, e o bairro era movimentado, com muitas lojas, mercados e escritórios. Segundo minha pesquisa, essa área tinha a maior população de imigrantes.

Os restaurantes e barracas de comida aqui vendiam pratos de muitos países. Todos os tipos de cheiros deliciosos pairavam aqui e ali enquanto eu andava pela rua. Mesmo tendo tomado um café da manhã tardio e farto, senti meu estômago roncar um pouco. Comprei um pastel fresco em uma padaria e fui mastigando enquanto olhava a cidade.

— Hmm?

Naquele exato momento, avistei uma garotinha que parecia bastante aborrecida sentada em um banco na praça. Me perguntei se ela estava esperando alguém, então a observei de longe por um tempo, mas não parecia que ninguém viria buscá-la.

E se algum homem mau tentar sequestrá-la?

Ela não estava chorando — apenas sentada, olhando para o vazio. Algo não parecia certo nisso. Não podia simplesmente ficar olhando e não fazer nada, então caminhei até ela.

— O que aconteceu? Você se perdeu?

— Não estou perdida.

— Qual é o seu nome?

— Nonna.

— Onde está sua família, Nonna?

— Mamãe mandou eu esperar bem aqui.

— Você sabe há quanto tempo foi isso?

— Pouco antes do sino bater dez vezes.

Eram mais de duas da tarde. Se a garotinha estava esperando pela mãe aqui há mais de quatro horas, imaginei se ela havia sido abandonada. Seu cabelo estava um pouco desgrenhado, e sua pele e vestido estavam levemente sujos.

— Você está com fome? Posso comprar algo para você comer. Depois espero com você pela sua mãe.

A garota assentiu, então peguei sua mão e a puxei para cima, e nós duas fomos até as barracas de comida. Nonna parecia estar com muita sede, então comprei para ela um pouco de água com suco de laranja chamada "água de frutas", e ela bebeu tudo em um gole só. Comprei outra para ela, e depois peguei dois sanduíches recheados com carne grelhada e pepino. Voltamos para o banco. Assim que Nonna abriu a boca para comer, seus olhos se arregalaram, como se ela estivesse se lembrando de algo.

— Obrigada — disse ela, antes de começar a devorar a comida.

Eu me pergunto o que aconteceu. Sua mãe ainda não tinha aparecido. Nonna parecia bastante educada, então ela deve ter sido criada com algum nível de cuidado. Talvez sua mãe tivesse falido ou arrumado um novo namorado que não queria nada com Nonna. Perguntei sobre o pai de Nonna, mas ela parecia não ter um.

— Tente comer mais devagar para não engasgar, certo?

— Certo.

— Tenho outra garrafa de água para você. Beba enquanto come.

— Certo.

— Quantos anos você tem, Nonna?

— Seis.

Eu só tinha oito anos quando o negócio do meu pai faliu. Estava prestes a ser enviada para trabalhar como empregada doméstica quando Lancome me encontrou e me acolheu. Embora, suponho que seria mais preciso dizer que meus pais me venderam para ele. Mas eles não tiveram escolha, então nunca os culpei por isso. Na verdade, fiquei feliz por ter sido de alguma ajuda para minha família.

Quando Nonna terminou de comer seu sanduíche, começou a cochilar.

— Coitadinha. Você está esperando aqui há muito tempo.

Ela estava dormindo profundamente com a cabeça no meu colo. Embora um pouco suja, era claramente uma garotinha muito bonita, com cabelo loiro e olhos azul-acinzentados. Precisamente o tipo de garota que alguém com más intenções não hesitaria em sequestrar.

Que bom que a encontrei primeiro.

Ficamos ali até o anoitecer, mas sua mãe nunca apareceu.

Ela realmente foi abandonada.

Ela ainda estava dormindo profundamente, então a carreguei nas costas enquanto procurava um posto de guarda. Eles provavelmente enviariam Nonna para um orfanato, onde ela teria que esperar por sua mãe. Enquanto esses pensamentos passavam pela minha mente, vi um jovem correndo em minha direção a toda velocidade.

Ele parece perigoso... Preciso me desviar dele.

Ele segurava uma bolsa que claramente pertencia a uma mulher. Isso significava que ele era um batedor de carteiras. Eu estava carregando Nonna nas costas, mas não tinha outra escolha. Se eu ainda fosse uma espiã, o evitaria. Mas agora eu era apenas uma cidadã comum com boas intenções. Talvez eu tivesse me empolgado no meu primeiro dia de liberdade e decidido reagir sem pensar muito.

Me preparei, e no momento em que o homem passou por mim, estiquei a perna, fazendo-o tropeçar. Ele caiu com um baque espetacular!

— Au!

Um homem musculoso de cabelos prateados que o perseguia alcançou o batedor de carteiras em pouco tempo.

— Desista! — gritou ele.

Por alguma razão, o homem grande estava segurando uma corda fina, que usou para amarrar as mãos do batedor com perícia. Então se virou para mim.

— Obrigado pela ajuda, senhorita.

— Claro. Com licença, mas o senhor vai entregar esse homem aos guardas? Posso ir com o senhor?

— Hmm? Por quê?

— Bem, acho que essa garota pode ter sido abandonada.

O olhar do homem de cabelos prateados se desviou para Nonna nas minhas costas. — Claro, posso levá-la até lá.

Ele não disse mais nada sobre isso. Uma senhora idosa que parecia uma aristocrata correu até ele, sem fôlego, e ele devolveu a bolsa para ela. A mulher de cabelos brancos como a neve fez várias reverências graciosas antes de partir.

O homem de cabelos prateados puxou o batedor de carteiras enquanto me mostrava o caminho para o posto de guarda. Ele me disse que seu nome era Jeffrey Asher. Parecia ter trinta e poucos anos e estava em excelente forma física, a julgar pelos músculos tonificados. Tinha cerca de cento e noventa centímetros de altura e pesava uns oitenta quilos. Suas roupas pareciam bastante caras, e ele parecia abastado. Tinha olhos azuis profundos, traços bonitos e uma voz muito agradável. Tive a sensação de que ele era bastante popular entre as mulheres.

O posto de guarda era um prédio de dois andares situado no centro da área comercial. Dois guardas armados com espadas estavam na entrada e imediatamente endireitaram a postura quando avistaram o Sr. Asher.

Sol: Já mostrando serviço no primeiro dia, goated. | Moon: Demais!!

— Peguei um batedor de carteiras.

— Muito obrigado, Capitão!

Capitão? Se este homem era membro da guarda, eles se refeririam a ele como Comandante, então ele tinha que ser ou um capitão dos cavaleiros ou do exército. Ele estava com roupas civis, então devia ser seu dia de folga.

— E quem é esta senhora?

— Ela encontrou uma criança que foi abandonada. Você se importaria em ajudá-la?

Um membro da guarda me guiou pelo caminho à esquerda, enquanto o Sr. Asher escoltava o batedor de carteiras para a direita. Expliquei como havia encontrado a garotinha, apresentei meus documentos de identificação e assinei como Victoria Sellars nos papéis. Quando tudo isso foi concluído, fiz a pergunta que estava me incomodando.

— O que vai acontecer com a Nonna esta noite?

— Ela terá que dormir aqui. Entrarei em contato com o orfanato, mas o mais cedo que poderão enviar alguém é amanhã.

Depois de esperar muito tempo pela mãe em vão, agora ela teria que passar a noite sozinha no posto de guarda. Isso me lembrou do dia em que fui levada para as instalações da organização de espiões. Lembro-me de ter chorado até dormir de medo e solidão naquele quarto desconhecido.

— O senhor acha que seria possível eu levá-la de volta ao meu hotel esta noite? Acabei de chegar a este reino, então não tenho ninguém que possa me garantir, mas meu coração dói ao pensar em deixá-la depois de passar o dia inteiro esperando com ela.

— Você não tem ninguém para ser seu fiador? Hmm... Se você tivesse alguém de boa reputação para ser seu fiador, eu poderia conceder a permissão. No entanto, sem alguém para verificar se você realmente é hóspede do Hotel Fruud como escreveu aqui, ficamos de mãos atadas.

Isso fazia sentido. Talvez não adiantasse. Eu estava prestes a desistir, quando de repente ouvi uma voz atrás de mim.

— Posso confirmar se ela realmente está no Hotel Fruud. Hoje é meu dia de folga. A única razão pela qual peguei o batedor de carteiras mais cedo foi porque ela o fez tropeçar.

— É verdade? Srta. Sellars, muito obrigado pela sua cooperação! E sim, seria uma grande ajuda se você pudesse verificar o hotel, Capitão.

— Não há problema. Só estou retribuindo o favor pela ajuda na prisão. Além disso, me doeria ver essa garotinha passar a noite sozinha em um posto de guarda tão sujo.

— Por favor, não o chame de sujo — disse o guarda com um riso resignado. Independentemente disso, ele acabou me concedendo permissão para levar Nonna ao meu quarto para passar a noite.

— Posso carregar a garota.

— Obrigada, eu realmente agradeceria.

O Sr. Asher pegou Nonna nos braços sem esforço, e nós dois conversamos durante todo o caminho. Sua voz era grave, com um timbre aveludado e suave que eu poderia ouvir o dia inteiro.

Ele me disse que era o capitão da Segunda Ordem dos cavaleiros, cujo dever era manter a paz na capital. Eles eram a organização superior aos guardas.

— De onde você é, senhorita?

— De Randall, o reino vizinho.

— Por quanto tempo planeja ficar aqui?

— Toda a minha família morreu em um incêndio em casa, então vim aqui para recomeçar.

Contei minha história de cobertura sem hesitação. Não havia nada de errado em causar uma boa impressão no capitão dos cavaleiros. A chave para uma boa história de cobertura era responder de maneira amigável com um sorriso e incorporar o máximo possível da verdade; isso facilitava a memorização e reduzia as chances de ser pega em uma mentira.

— Você fala muito bem nossa língua — disse o Sr. Asher.

— Obrigada.

Compramos roupas novas para Nonna no caminho e depois fomos para o hotel.

— Bem-vinda de volta, Srta. Sellars — o homem da recepção me cumprimentou, e expliquei a situação com Nonna para ele. O Sr. Asher também parecia ser amigo do homem.

Ele carregou Nonna até meu quarto e a colocou suavemente na cama. — Muito obrigada — eu disse, e o Sr. Asher endireitou a postura.

— Novamente, obrigado por sua assistência na prisão e por ajudar a cuidar da criança. Bem, tenha uma boa noite.

Ele foi todo profissional ao se despedir e se retirar. Eu o observei ir, então tranquei o quarto do hotel. Enfiei uma cadeira embaixo da maçaneta por precaução e fui me refrescar.

Me senti muito melhor depois de trocar de pijama e deitar na cama ao lado de Nonna. Eu estava com fome, mas não podia deixá-la sozinha no quarto para pegar algo, e pedir serviço de quarto parecia um exagero. Então ignorei a fome e decidi dormir.

— Boa noite, Nonna — sussurrei enquanto me deitava. Meu primeiro dia como Victoria Sellars tinha sido muito movimentado.

Na manhã seguinte, acordei com meu estômago roncando. Nonna estava acordada ao meu lado, me encarando.

— Bom dia, senhorita.

— Bom dia, Nonna. Vamos tomar um banho antes do café da manhã?

— Claro.

Descemos para os banhos, que ficavam no primeiro andar e esfreguei Nonna com o sabonete gratuito. Verifiquei casualmente se havia sinais de abuso, mas não havia nenhum. Isso por si só me encheu de alívio.

Sequei-a com cuidado, depois a ajudei a vestir o vestido simples que comprei para ela no dia anterior no caminho para casa.

Ela não me perguntou nada, pensei.

Mas enquanto tomávamos café da manhã, Nonna murmurou de repente: — Cadê a minha mãe?

— Acho que ela não conseguiu voltar. Que tipo de trabalho sua mãe tem?

— Não sei.

— O que você faz quando ela te deixa sozinha?

— Só fico quieta.

— Entendo.

Eu pensara que ela era bastante melancólica, mas talvez tivesse sido criada para esconder suas emoções. Tive a sensação de que sua mãe não voltaria para casa e, mesmo se voltasse, eu duvidava que cuidasse adequadamente de uma garota que já havia abandonado uma vez. Pelo menos, Nonna não passaria fome no orfanato.

— E o que você faz quando está com sua mãe?

— Só fico quieta.

— Ela costuma mandar você ficar quieta?

— Sim.

Existem muitas crianças infelizes como ela. Não deveria me intrometer mais. Sinto pena da garota, mas não é como se eu pudesse ficar com ela, disse a mim mesma.

O café da manhã do hotel consistia em pão com geleia e manteiga, leite, sopa de legumes, ovos fritos e salsicha. Nonna comeu em silêncio. Eu também comi em silêncio.

Nonna e eu andamos de mãos dadas de volta ao posto de guarda sem trocar uma palavra. No caminho, comprei uma fita que combinava com seus olhos azul-acinzentados em uma loja de bugigangas e a amarrei em seu cabelo. Senti como se estivesse aliviando minha culpa com bens materiais, mas o leve sorriso em seu rosto depois valeu a pena.

— Obrigada, senhorita — ela me disse do nada em frente ao posto de guarda.

Não consegui decidir se deveria dizer a ela para ser uma boa garota no orfanato, porque ela claramente já estava se esforçando muito para ser uma boa garota. Então apenas acariciei seu cabelo.

Ainda de mãos dadas, entramos no posto de guarda e vimos uma mulher de meia-idade nos esperando.

— Ah, aqui estão vocês — disse ela. — Sou a diretora do orfanato do quarteirão sul. Ouvi dizer que você acolheu essa garota para nós ontem à noite. Obrigada por isso. — A mulher pegou a mão de Nonna. — Venha, então. Vamos — insistiu, e começou a andar.

Nonna deu alguns passos e então se virou para olhar para mim. E aqueles olhos... Aqueles olhos azul-acinzentados...

Tremeram de emoção pela primeira vez.

— Espere! Por favor, espere — chamei.

— Sim? O que foi?

— Não posso ficar com ela?

Definitivamente, não era a primeira vez que algo assim acontecia, porque a diretora deu sua resposta de forma suave e rápida.

— Ficar com ela? Ouvi dizer que você acabou de chegar em nosso reino e mora em um hotel. Você nem tem um fiador, correto? Sinto muito, mas não posso deixar você cuidar dessa garota. Por tudo que sei, você pode fingir que vai acolhê-la e depois vendê-la. Ah, mas não é nada pessoal, é claro. Essas são apenas as regras, e tenho que cumpri-las.

O argumento da mulher fazia perfeito sentido. E ainda assim eu sabia que se deixasse essa garota ir, o olhar em seus olhos me assombraria para sempre.

— Ela tem! Ela tem um fiador! — O Sr. Asher tinha ido ao posto de guarda imediatamente depois que um dos guardas o avisou. — Serei o fiador de Victoria Sellars.

— Entendo... Acho que poderei ficar tranquila se o senhor for o fiador dela, Capitão. Bem, Srta. Sellars, por favor, assine a papelada necessária, e a garota será sua.

Mais uma vez, assinei como Victoria Sellars nos documentos.

Nonna circulava o lago da praça, ocasionalmente mergulhando as mãos na água. O Sr. Asher e eu estávamos sentados em um banco próximo, observando-a enquanto conversávamos.

— Sinto muito por ter chamado você aqui no meio do trabalho — eu disse a ele.

— Não foi nada. Hoje minha carga de trabalho é relativamente leve. Além disso, tenho uma obrigação com os cidadãos de Ashbury. Mesmo assim, por que você decidiu ficar com ela? Você a conheceu ontem.

Nonna se virou para nos olhar. Sorri e acenei. Seu rosto permaneceu impassível enquanto ela acenava de volta suavemente.

— Vi algo em seus olhos que dizia: "Me ajude!" Talvez tenha sido minha imaginação. Mas há muito tempo, havia uma garotinha com os mesmos olhos, e ela me lembrou daquela garota. Quando percebi, já estava dizendo seu nome. Obrigada por ter vindo tão rapidamente. Agradeço muito por concordar em ser meu fiador.

Após uma breve pausa, o Sr. Asher respondeu: — Para ser sincero, senti-me culpado quando voltei para minha hospedagem ontem à noite.

— Sobre o quê?

— Porque sabia que você não deixaria a garota para sair e jantar. Era sua primeira noite em um novo país, e fiquei preocupado que você fosse dormir com o estômago vazio. Não sei, mas tive a sensação de que você também não pediria serviço de quarto. Senti-me culpado por não ter lhe oferecido uma comida deliciosa.

Olhei para ele incrédula. Sua descrição era tão precisa que parecia que ele tinha me observado. Como se pudesse ler minha mente. Não admira que ele servisse como capitão da Segunda Ordem dos cavaleiros, encarregada de manter a paz na capital.

— Não há razão para se sentir culpado, Capitão. Eu sabia que não deveria sair e deixá-la, e não consegui pedir serviço de quarto. O senhor está completamente certo. — Sorri para ele, tentando parecer o mais amigável possível.

— Mas não posso deixar de me sentir culpado. Você me deixaria pagar seu jantar esta noite? Gostaria de expressar minha gratidão por você ter ajudado a prender aquele batedor de carteiras e por ter acolhido a garota abandonada.

Ele era tão genuinamente sincero que tive que rir, apesar de mim mesma. — Só se Nonna puder vir também!

🃁 🂡 🂱 🃑

— Nonna, que tal encontrarmos um lugar para alugar para nós duas? Algum lugar com cozinha, para que eu possa cozinhar para você.

Eu estava ansiosa para saber que tipos de comida ela já havia experimentado e o que ela gostava de comer.

— Cozinhar para mim?

— Isso mesmo. Cozinho muito bem! A partir de hoje, você e eu somos família. E quero fazer muitas comidas gostosas para você. Ah — e pode me chamar de Victoria a partir de agora. Ou Vicky, se preferir.

— Vicky.

— Isso mesmo, Nonna! Vamos procurar um lugar para alugar hoje. E esta noite, vamos jantar com o capitão.

— Certo. — Nonna estava impassível, como sempre.

Embora eu pudesse ser muito expressiva quando necessário no trabalho, na minha vida cotidiana também achava difícil expressar minhas emoções. Fui criada para fazer o oposto.

— Nonna, vamos sorrir e rir muito juntas.

— Rir?

— Sim! Assim!

Estendi a mão e fiz cócegas no lado de Nonna. No início, ela se surpreendeu, mas antes que eu percebesse, ela estava dobrada de rir. Pela primeira vez, Nonna parecia verdadeiramente uma garotinha comum de seis anos. Era adorável.

— Você é tão fofa, Nonna. Você tem que ter cuidado para que pessoas más não te levem. Vou ter que te ensinar a se proteger.

— Me proteger?

— Isso mesmo. Há coisas que você pode fazer para se manter em segurança chamadas autodefesa. Se algo assustador acontecer, às vezes não basta gritar ou chorar. Será bom saber como se proteger.

— Certo.

— Vou te ensinar aos poucos. Mas primeiro, precisamos encontrar um lugar para morar.

— Sim!

Quanto mais cartas você tiver no seu arsenal, melhor — até para crianças.

Eu e Nonna fomos a várias imobiliárias e reduzimos a duas opções potenciais, depois voltamos para o hotel. Embora eu tenha dito a todos: "Ela é muito quieta", muitas pessoas me recusaram com base no fato de que eu tinha uma criança, apesar destes senhorios terem sido crianças eles mesmos em algum momento!

Amaldiçoei silenciosamente aqueles senhorios, desejando que pisassem em cocô de cachorro toda vez que saíssem de casa.

— Nonna, vou olhar os dois lugares que escolhemos mais tarde esta noite, então se você acordar e eu não estiver aqui, não se preocupe e apenas espere eu voltar, certo?

— Vou com você.

— Vai ser muito tarde da noite, então não poderei levar uma garotinha comigo.

Nonna provavelmente não queria ficar sozinha à noite, mas andar com uma criança de seis anos tão tarde seria pedir por problemas.

— Tem certeza que não posso ir? — perguntou Nonna.

— Há pessoas más na rua tarde da noite. Eu posso cuidar delas sozinha sem problemas, mas seria difícil me defender se você estivesse comigo.

— Mas não quero ficar em casa sozinha.

Hmm. Suponho que não seja surpreendente; claramente, ela tinha ficado sozinha em casa com muita frequência. Provavelmente estava morrendo de medo de que eu também a abandonasse.

— Tudo bem, então. Mas você deve prometer que, se eu mandar você ficar quieta, você não fará nenhum barulho, não importa o que aconteça.

— Certo.

— E se eu mandar você correr, não se preocupe comigo. Apenas corra o mais rápido que puder e se esconda.

— Posso fazer isso.

— E se eu mandar você gritar, grite o mais alto que puder.

— Também posso fazer isso.

— E se eu mandar você ficar parada, não se mova.

— Certo.

Não tive coragem de dizer a Nonna para ficar aqui sozinha depois de ver o olhar desesperado em seu rosto. Além disso, fiquei preocupada que ela ficasse tão ansiosa que saísse do quarto. Refletindo, pensei que poderia lidar com praticamente qualquer coisa que acontecesse, mesmo que ela estivesse comigo. Afinal, já tinha fugido e lutado enquanto protegia pessoas que estavam com muito medo para se mover. No pior dos casos, poderia colocar Nonna no ombro e fugir.

Agora, eu estava bem ciente de que pessoas comuns não encontravam frequentemente pessoas que queriam prejudicá-las. Na verdade, agora eu me considerava uma dessas pessoas comuns.

— Tudo bem. Vamos tirar uma longa soneca antes de sairmos para jantar com o capitão.

— Certo!

Naquela noite, as duas nos deitamos na cama uma de frente para a outra enquanto eu dava tapinhas na bunda de Nonna. Ela adormeceu surpreendentemente rápido. Saí da cama e comecei silenciosamente meu treino. Eu estava fora de forma por restringir minha alimentação e me exercitar menos em preparação para deixar a organização.

Depois de fazer alguns exercícios musculares, tomei um banho rápido para lavar o suor. Passei maquiagem, coloquei um vestido que comprei durante minhas viagens por Randall e então acordei Nonna. Ela se levantou sem resmungar ou reclamar, o que parecia muito diferente de uma criança. Mas, pensando bem, ela provavelmente foi criada em um ambiente onde não podia agir como criança.

Levaram alguns minutos até que ela acordasse completamente.

— Você está bonita, Vicky.

— Obrigada. Vamos te arrumar também.

Ajudei-a a vestir o vestido que compramos no caminho de volta do posto de guarda e penteei seu cabelo. Sim, ela era adorável. Nonna pegou a fita azul. Ela a havia dobrado com muito cuidado no dia anterior e colocado sobre a cômoda.

— Você gostaria de usar isso?

— Sim. Nunca tive uma fita antes.

A felicidade em sua voz tornava essa afirmação ainda mais comovente. Enrolei a fita azul em torno de seus cabelos loiros e macios, depois a amarrei em um laço no topo de sua cabeça. Ela parecia uma bonequinha.

— O capitão é um homem muito sortudo por jantar com uma beleza tão grande! Qual é a sua comida favorita, Nonna?

— Pãezinhos.

— ...Certo. Vamos tentar encontrar ainda mais comidas de que você goste. Podemos comer todos os tipos de coisas deliciosas juntas todos os dias. Eu vou cozinhar para você.

— Quero cozinhar também.

— Claro! Eu vou te ensinar. Eu vou te ensinar tudo o que sei, Nonna.

— Obrigada.

— De nada. Vamos nos divertir muito morando juntas.

Isso não era ruim; ter uma criança era muito mais divertido do que eu imaginava.

Nesse momento, houve uma batida na porta.

— Sim, quem é?

— Sou eu, Jeffrey Asher.

— Já vou! — Sussurrei para Nonna: — Sempre lembre de evitar abrir a porta imediatamente quando alguém bater, mesmo se você estiver esperando alguém. Se houver um olho mágico, use-o. Se não houver, pergunte quem é para ter certeza de que reconhece a voz. Não se esqueça disso, certo?

— Certo.

Abri a porta e vi o Sr. Asher parado ali, vestindo um terno em um tom de azul-marinho tão escuro que era quase preto. Ele era uma cabeça mais alto que eu. Sim, ele definitivamente é popular entre as mulheres, pensei novamente. Não sabia se ele já era casado ou solteiro, no entanto. Mas eu tinha Nonna para cuidar agora, então suponho que isso não fosse mais da minha conta.

— Boa noite, Capitão.

— Bem, vocês duas estão lindas! Acho que vamos ter um jantar maravilhoso juntos.

Peguei Nonna pela mão, e nós três fomos a um restaurante. O Sr. Asher se certificou de andar um pouco mais devagar para que pudéssemos acompanhá-lo. Ele era um homem muito atencioso.

Nonna estava com um passo saltitante. Eu também estava ansiosa pelo jantar.

O Sr. Asher nos levou a um restaurante chamado Ivy e, como o nome sugeria, as paredes externas estavam cobertas de hera trepadeira.

Todos aqui também o conheciam; claramente, o capitão dos cavaleiros era respeitado e adorado pelo povo da capital. Havia uma coisa que me incomodava, no entanto. Tanto o homem que nos acompanhou para dentro quanto uma mulher que parecia ser a supervisora da sala de jantar deram olhares de surpresa momentânea quando viram que ele estava com a Nonna e eu.

— Todos conhecem você neste restaurante, não é? Tem certeza que não há problema em nos trazer aqui? — perguntei ao Sr. Asher.

— Hmm? Não há problema algum. Sou um solteiro tranquilo. Não me importo que nos vejam juntos.

— Ah, entendo. Que alívio. Se houver alguém apaixonado por você, certamente não quero ser alvo de sua ira.

— Não, não há ninguém assim.

Ah, definitivamente há. Muitos, tenho certeza.

O tom de voz do Sr. Asher era casual, mas me perguntei se ele estava dizendo a verdade. Não pude deixar de notar o charme maduro que ele exalava, com sua camisa social preta ligeiramente desalinhada.

Um homem que parecia ser o maître veio fazer o pedido. Deixei o Sr. Asher decidir por Nonna e por mim. Depois de um tempo, nossas entradas chegaram com um pouco de vinho branco e um copo de água de frutas para Nonna, e nós três brindamos. Nonna era tão adorável enquanto bebia sua bebida em um gole só.

As entradas incluíam lagostins grelhados em espetos de metal pincelados com azeite, e pequenos canapés feitos com pão finamente fatiado e espalhados com manteiga de ervas, cobertos com presunto premium e ervas picadas.

O lagostim era doce e delicioso. Nonna deve ter gostado também, porque o devorou. Enquanto a observava, percebi que o Sr. Asher estava me encarando.

— Algum problema? — perguntei.

— Não, estava pensando que você parece realmente adorar crianças.

— Não tenho certeza sobre isso. Eu só adoro ela.

Tudo o que o Sr. Asher fazia era polido, desde sua postura até a maneira como comia. Ele devia ter tido uma boa criação.

— Tive que esperar para levá-la ao jantar até depois do trabalho. Espero que Nonna não esteja com muito sono.

— Tirei uma soneca — disse Nonna para ele. — Depois disso, vamos procurar um lugar para morar.

Ops, esqueci de avisá-la para não contar! Como eu esperava, o Sr. Asher ergueu uma sobrancelha.

— Quer dizer, vocês estão procurando um lugar para alugar? Depois do jantar? Não é seguro levar uma criança para fora à noite.

— Eu sei, mas se eu assinar o contrato sem verificar o local à noite, posso me arrepender.

— Então deixe-me ir com você. É muito perigoso para uma mulher e uma criança andarem tão tarde.

Imaginei que ele diria isso. Ele era o capitão da Segunda Ordem dos cavaleiros, afinal. No entanto, se ele viesse junto, eu não conseguiria colocar meu ouvido nas paredes e portas do meu possível novo local para ouvir o que acontecia do outro lado.

— Sei que pode ser um incômodo, mas por favor, deixe-me acompanhá-la. Como seu fiador, é minha responsabilidade garantir sua segurança.

— Não é um incômodo. É reconfortante — respondi com um sorriso amigável.

O jantar correu bem. Nonna não sabia como comer carne com osso, então cortei-a em pedaços para ela e limpei a sopa de sua boca. Foi bastante comovente, na verdade.

— Que tipo de carne é essa? — perguntou ela.

— Costeleta de cordeiro grelhada com ervas.

— Hmm.

Ela parecia gostar do cordeiro. Teria que fazer um pouco para ela quando nos mudássemos para o novo lugar.

Depois, de barrigas cheias, saímos do restaurante e andamos um pouco. O relógio marcava nove quando fomos para a primeira opção de aluguel. Quando chegamos ao prédio, o Sr. Asher olhou ao redor para verificar os arredores.

— Qual é? — perguntou ele.

— O apartamento da esquina no segundo andar. — Apontei para a janela, que estava escura.

Eu hesitava em compartilhar onde moraria com um estranho tão facilmente, mas honestamente, não sabia o quão cautelosa uma mulher comum era. Independentemente disso, determinei que era muito improvável que o Sr. Asher forçasse a entrada em nosso quarto e nos matasse — não que ele pudesse, já que eu era uma ex-espiã.

Seria tolice examinar cada comportamento do Sr. Asher. Ele não era um agente ou assassino, e considerando quantas dessas pessoas havia em comparação com a população total, era um milagre que eu tivesse encontrado algum deles.

Aliás, o psicólogo da organização certa vez me disse com uma risada: "Chloe, acho que você só conseguiu passar dezenove anos sem se autodestruir graças a essa sua ousadia."

Inspecionei os dois locais.

No primeiro lugar, fiquei em frente à porta e ouvi graciosamente para verificar o estado da vizinhança. Uma mulher no andar de baixo estava gritando histericamente com alguém, o que assustou Nonna. Risquei esse da lista.

O segundo apartamento tinha lixo espalhado pelas escadas e estava claramente deteriorado, então também tive que riscá-lo da lista.

— Muito obrigada por esta noite. O jantar estava delicioso. Agradeço muito por nos levar para comer — disse ao Sr. Asher.

— Não posso recomendar nenhum desses quartos para você.

— Concordo. Vou ter que continuar procurando.

Nonna estava um pouco cansada, então o Sr. Asher a carregou enquanto caminhava. Parecia que ele pretendia nos escoltar todo o caminho de volta ao hotel.

— Capitão, posso carregá-la daqui e levá-la para casa. O senhor nos pagou o jantar e visitou os aluguéis comigo. Não poderia impor mais nada a você. Muito obrigada por tudo o que fez por nós hoje — eu disse firmemente, mas o Sr. Asher olhou para mim com uma expressão que parecia dizer: "Você não pode estar falando sério", e prosseguiu me ignorando.

Hã? Naquele momento, ele falou, ainda com o rosto voltado para a frente.

— Você acabou de chegar de Randall. Não sei como são as coisas lá, mas neste reino, é perigoso para uma mulher com uma criança andar sozinha à noite. Deixe-me levá-la para casa.

Entendo.

— Tudo bem, então, se você insiste. Agradeço.

— Você é tão formal.

— Sou?

— Sim, embora eu tenha que elogiar o quão bem você fala ashburiano.

— Gosto de estudar diferentes idiomas no meu tempo livre.

— Espero que não pareça que estou sendo intrometido, mas que tipo de trabalho você fazia em Randall?

Dei-lhe um sorriso sincero. — Todos os tipos. Talvez se nos encontrarmos novamente, eu possa lhe contar mais.

— Estou ansioso por isso.

— Tudo bem, então.

Chegamos ao hotel, e o Sr. Asher carregou Nonna até meu quarto para mim, como antes. Desta vez, no entanto, eu a tirei de seus braços na porta e me despedi ali.

— Tive uma noite adorável com você, Capitão.

— Eu também. Boa noite.

— Boa noite.

Ele se virou e foi embora, acenando enquanto caminhava. Levei Nonna para dentro, coloquei-a na cama, troquei-a para o pijama e a cobri.

Depois disso, ajoelhei-me no chão e verifiquei as pegadas. Como era meu hábito, havia polvilhado uma camada muito fina de talco de bebê no chão antes de sair.

Não havia pegadas. Não havia sinais de que alguém tivesse aberto nenhuma das gavetas. Isso era normal, é claro.

Desci correndo ao primeiro andar e tomei um banho para me lavar. Decidi que procuraria um emprego no dia seguinte. Quando encontrasse trabalho, poderia procurar com calma algum lugar próximo para alugar.

Subi correndo de volta e vi que Nonna ainda estava dormindo profundamente.

— Acho que teremos uma vida maravilhosa juntas — disse a ela baixinho. Os cantos de sua boca se curvaram ligeiramente enquanto ela dormia. Eu queria que ela tivesse sonhos doces, e queria que ela tivesse uma infância feliz.

Minha irmã mais nova, Emily, era apenas uma criança quando saí de casa. Enquanto cuidava de Nonna, me perguntei se eu teria cuidado da minha irmã assim se tivesse ficado com minha família.

E se eu tivesse ficado em casa em vez de sair aos oito anos, meus pais teriam cuidado de mim assim? Cuidar de Nonna quase me fez sentir como se estivesse recuperando a infância que perdi.

Em apenas dois dias, eu já estava completamente apegada a Nonna.

— Primeiro de tudo — preciso encontrar um emprego.

Eu tinha dinheiro suficiente para me sustentar por um tempo sem trabalhar, mas queria uma renda. Idealmente, eu pegaria algum trabalho de tradução que pudesse fazer em casa. Seria mais fácil para as pessoas confiarem em mim se eu fosse uma cidadã respeitável e diligente no trabalho. Escorreguei para a cama ao lado de Nonna e fechei os olhos.

⟡ ⚜ ⟡

Jeffrey Asher saboreava uma bebida enquanto aproveitava o rescaldo de uma noite maravilhosa. A espaçosa sala de estar estava limpa e mobiliada inteiramente com antiguidades feitas por mestres artesãos.

Ele estava na residência da capital de sua família, que era supervisionada por seu irmão, o Conde Asher, o chefe da família.

Embora sua morada habitual fosse o dormitório reservado para o capitão dos cavaleiros, ele visitava sua família uma vez por semana por preocupação com a saúde debilitada de sua mãe.

— Oh, você voltou? — disse Edward, irmão mais velho de Jeffrey.

— Sim. Ainda está trabalhando?

Edward tinha cabelos prateados, assim como ele — ambos os irmãos haviam herdado do falecido pai. Edward tinha quarenta anos, oito anos mais velho que Jeffrey, e era propenso a se preocupar excessivamente com o irmão mais novo, o que irritava Jeffrey profundamente. Não importava quantas vezes Jeffrey dissesse a Edward que ele tinha trinta e dois anos e não precisava ser cuidado, Edward simplesmente não ouvia.

— Ouvi dizer que você saiu pela cidade todo arrumado — comentou Edward. — Isso é bem incomum. Você estava com uma garota, não estava?

— Você veio até aqui só para me perguntar isso?

— Ora, não fique emburrado. Estou feliz por você. Quanto tempo faz desde que você saiu em um encontro?

Jeffrey suspirou, imaginando quantas vezes teria que se repetir. — Irmão, você poderia parar de me tratar como se eu fosse algum tipo de vítima trágica?

— Tudo bem, tudo bem. Vou deixar isso de lado. — Edward ergueu as duas mãos em sinal de rendição. — Então? Foi divertido?

— Foi. Tive um jantar maravilhoso com uma estrangeira que acabou de chegar ao reino e a garotinha de seis anos que ela acolheu.

— ……

— Você tem um herdeiro, sabia? Deveria se preocupar com ele. Não se preocupe comigo. De qualquer forma, vou dormir, pois preciso acordar cedo amanhã — disse Jeffrey, e então subiu para seu quarto.

Victoria Sellars era uma plebeia, mas sua maneira de falar era inteligente e seus modos elegantes. Além disso, era uma mulher de coragem considerável.

Toda mulher na capital, quer soubesse ou não que ele era o capitão dos cavaleiros, olhava para ele de forma provocante assim que o avistava. Era assim desde que ele era jovem, então ele se tornara habilidoso em rejeitá-las com um mero sorriso.

Era por isso que tudo em Victoria parecia tão revigorante; ela não insistia em depender dele, não olhava para ele como se fosse um pedaço de carne, e havia acolhido uma garota abandonada por conta própria logo depois de se mudar para um novo país.

Ela só havia pedido que ele fosse seu fiador porque estava em uma situação difícil, mas mesmo assim, ela deve ter relutado bastante em fazê-lo.

Ele também não conseguia acreditar que ela havia feito o batedor de carteiras tropeçar.

E se aquele jovem tivesse se levantado e a atacado? Ela era pequena demais para enfrentar um homem adulto, ainda mais carregando uma criança dormindo.

Isso lhe parecera incrivelmente imprudente.

Mas quando a viu enfrentar com confiança o batedor de carteiras que corria em sua direção com Nonna nas costas, percebeu que a havia julgado mal e pensou: Ah, ela é uma lutadora.

E embora ela fosse muito magra, tinha um apetite saudável, o que ele achava muito mais atraente do que as jovens que se faziam de difíceis e tentavam impressioná-lo com seus hábitos alimentares delicados.

O fato de ela ter planejado olhar apartamentos tão tarde da noite também o surpreendeu. Quando Nonna deixou isso escapar, Victoria pareceu perturbada. Embora não demonstrasse no rosto, anos de experiência trabalhando entre os cidadãos lhe davam a capacidade de perceber, pelos sutis movimentos de seus olhos, que ela havia ficado confusa.

Ele estava fascinado por ela.

Embora fosse revigorante ver uma mulher tão independente, ela também o preocupava. Ele queria ajudá-la, pelo menos até que ela se estabelecesse.

Mas certamente, isso seria um incômodo para ela.

Um sorriso amargo cruzou seu rosto enquanto pensava que deveria abandonar a ideia de ajudá-la. Estava claro que ela não queria isso. E a julgar pelo hotel onde estava hospedada, ela não estava passando por dificuldades financeiras. Ele resolveu ajudá-la apenas se ela pedisse, como seu fiador. Esta seria a última vez que ofereceria sua ajuda; a situação já estava trazendo de volta à tona dolorosas memórias do passado.

Na manhã seguinte, quando chegou ao quartel dos cavaleiros, localizado nos terrenos da mansão Asher, Jeffrey notou que todos o olhavam com um brilho nos olhos. O que está acontecendo? ele se perguntou enquanto voltava para seu quarto. Foi recebido por sua secretária, uma mulher na casa dos quarenta que o encarava da mesma forma que seu irmão na noite anterior.

— O quê?

— Não é nada — ela disse com um olhar caloroso. Foi só quando ele desceu para a cafeteria no almoço que descobriu o que aquele olhar significava.

— Capitão! Nós vimos você! Você se divertiu muito ontem à noite, não foi? — disse Bob, um dos cavaleiros mais jovens. Jeffrey se perguntou se ele era a fonte de toda aquela comoção enquanto chamava Bob.

— Você deve ter muito tempo livre para ficar fofocando. Venha ao campo de treinamento à uma hora. Faz um tempo que não te dou um treino completo.

— O quêêê?

A resposta de Bob foi tão lamentável que Jeffrey quase riu, mal mantendo a expressão severa no rosto.

Três semanas se passaram desde o jantar de Jeffrey com Victoria e Nonna. Ele havia mantido sua decisão e não ofereceu ajuda, mas hoje, ele havia ido ao hotel dela como seu fiador.

— A Srta. Victoria Sellars ainda está hospedada aqui? — perguntou ele. A mulher na recepção lhe entregou uma carta.

Seu nome estava escrito no envelope em uma caligrafia feminina e bonita. Ele a abriu rapidamente.

Capitão Jeffrey Asher da Segunda Ordem dos Cavaleiros

Já faz um tempo.

Muito obrigada por concordar em ser meu fiador para que eu pudesse ficar com Nonna.

O restaurante onde o senhor nos levou para jantar era adorável.

Senti-me bastante solitária quando me mudei para cá, mas o senhor me deu muito encorajamento. Sou grata por tudo o que fez por mim.

Nonna e eu estamos bem. Consegui encontrar um emprego e um lugar para alugar.

Perdoe minha falta de educação por não ter avisado antes de me mudar.

Ouvi dizer que neste reino é obrigatório se reportar ao seu fiador todo mês depois de acolher um órfão. Continuarei enviando cartas todos os meses para o quartel dos cavaleiros.

Até logo,

Victoria Sellars

A carta foi escrita em um tom tão profissional que ele teve que rir. Mas ficou feliz por ela estar bem. Victoria nunca lhe parecera solitária, mas talvez ela estivesse apenas sendo educada. Ele tinha certeza de que a encontraria em algum lugar e, se não, receberia outra carta dela em um mês.

Ela também havia escrito seu novo endereço na carta; ficava no quarteirão leste da capital, onde a nobreza morava. Na verdade, não ficava longe da mansão de sua família. Ele se perguntou se ela havia encontrado trabalho como empregada doméstica para algum aristocrata.

— Eu deveria ir visitá-los algum dia — ele disse, mas estava tão ocupado com outras coisas que simplesmente não conseguia encontrar tempo.

Qualquer pessoa que acolhesse uma criança deveria se reportar mensalmente ao seu fiador, e seu fiador deveria então verificar a nova residência da criança para confirmar se os relatórios eram verdadeiros.

O prazo para isso estava se aproximando.

Sol: Cara que capítulo bom, adoro ver as medidas protetivas da ex-espiã é muito genial, fiquei bem feliz com ela adotando a Nonna e realmente o Jeff bem cavalheiro… Ah falando nisso escolhi esse símbolo para ser a troca de narração para ele “⚜” que é um símbolo de cavalheiro mesmo kkkk, pouco criativo eu sei porém é o que temos pra hoje e as estrelas deixo pra sua revisora explicar já que ela escolheu.

Moon: ⟡ é simplesmente elegante, foi por isso… O Jeffrey é elegante e nobre, além de cavaleiro… além de que na composição é melhor três do que só um, logo, ⟡.

Eu sou muito criativa, eu sei!!

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

Volume 1 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Quando Conheci a Garota