As Multiplas Faces de Victoria — Capítulo 3: Volume 1 – Capítulo 2 – Capítulo 2: Condessa Yolana e o Velho Historiador Rabugento

As Multiplas Faces de Victoria
Cap. 3
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As Multiplas Faces de Victoria

Volume 1 – Capítulo 2 – Capítulo 2: Condessa Yolana e o Velho Historiador Rabugento

Capítulo 3

2.704 palavras~12 min de leitura

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A Condessa Yolana era a esposa do falecido Conde Haynes.

Quando seu marido morreu de doença, ela havia renunciado à posição de chefe da casa para seu filho e sua esposa, junto com a mansão da família. Agora vivia uma vida de lazer digna de uma condessa viúva abastada no quarteirão leste da capital.

Um dia, enquanto voltava para casa de uma festa do chá de uma amiga, decidiu parar em uma loja no quarteirão sul para comprar alguns suprimentos de bordado.

Deu as coisas que comprou à sua criada, segurando apenas a bolsa. Mas, depois de dar apenas alguns passos, um jovem correu até ela e arrancou a bolsa de suas mãos, abrindo muita distância entre eles enquanto fugia.

— Ladrão! — ela gritou, e um homem musculoso nas proximidades imediatamente começou a persegui-lo. Sendo bastante obstinada, a Condessa Yolana se juntou à perseguição do homem de cabelos prateados, ignorando os gritos de sua criada para que parasse.

Mais adiante, um homem alcançou o batedor de carteiras e o imobilizou. Ela conseguiu recuperar sua bolsa em segurança, mas no caminho para casa percebeu que havia se esquecido de agradecê-lo adequadamente. Ficara tão transtornada que apenas disse um breve obrigada antes de ir embora. Sentindo-se terrível por isso, foi ao posto de guarda no dia seguinte.

— Gostaria de agradecê-lo adequadamente.

— O capitão não aceita dinheiro, mas vou transmitir a mensagem a ele.

— Bem, o senhor poderia pelo menos me dizer onde encontro a mulher que fez o batedor de carteiras tropeçar?

O guarda disse à Condessa Yolana o nome de um hotel, então ela foi até lá e perguntou ao homem da recepção se ele poderia chamar a mulher para descer. Poucos momentos depois, uma mulher sorrindo suavemente e uma garotinha a tiracolo apareceram na escada. A Condessa Yolana disse à mulher que queria expressar sua gratidão, ao que ela respondeu: "Apenas o seu obrigada já é suficiente", com um sorriso.

— A senhora poderia pelo menos vir à minha casa para um chá e um lanche? — a Condessa perguntou com certa teimosia, refletindo sobre sua própria vulnerabilidade depois de ser roubada na velhice. Felizmente, a mulher aceitou sua oferta com um sorriso.

Alguns dias depois, a mulher, cujo nome era Victoria Sellars, apareceu em sua casa junto com a garotinha. Ela se apresentou como uma plebeia originalmente de Randall. Apesar de sua posição, não parecia intimidada por estar na mansão de uma nobre, e a Condessa Yolana notou que seus modos e etiqueta durante o chá eram bastante refinados. Talvez Victoria viesse de uma família abastada.

— E o que a senhora vai fazer agora? Certamente, não pode ficar no hotel para sempre — disse Yolana a ela.

— Estou planejando alugar um lugar para nós em breve.

— Bem, nesse caso, por que a senhora não mora aqui? Tenho uma casa de hóspedes onde poderia morar. Tem cozinha e banheiro. — No minuto seguinte, a Condessa Yolana já estava convidando a garota para morar com ela.

Victoria não apenas cooperara na captura do batedor de carteiras, mas também acolhera uma criança abandonada. Como cidadã de Ashbury, a Condessa Yolana queria expressar sua sincera gratidão a ela.

Victoria ponderou sua oferta por alguns momentos e disse: — Contanto que tenhamos um contrato de aluguel adequado. — Ela disse que redigiria o contrato ela mesma, o que convenceu a Condessa de que ela recebera uma educação adequada.

O acordo que Victoria trouxe no dia seguinte era bastante razoável, e o aluguel que ela sugeriu era o valor justo de mercado. Apesar do alto aluguel no quarteirão leste, onde os aristocratas residiam, Victoria não parecia querer negociar um valor mais baixo.

— Nossa! Isso é meticulosamente feito. Um contrato perfeito, de fato — disse a Condessa Yolana, antes de reduzir o aluguel mensal sugerido por Victoria pela metade e finalizar o arrendamento. Foi uma rara ocasião em que a senhoria ofereceu um desconto de cinquenta por cento.

E, como se descobriu, Victoria era uma inquilina excelente. Ela nunca recebia convidados barulhentos, e a garotinha, cujo nome era Nonna, era quieta e bem-comportada, improvável de fazer bagunça na casa de hóspedes. Victoria até pagou dois meses de aluguel adiantado.

Victoria era uma companhia agradável quando a Condessa a convidava para o chá, e ela frequentemente oferecia pratos caseiros, dizendo humildemente: "Perdoe-me pela intromissão; tenho certeza de que a senhora tem uma cozinheira maravilhosa." Eles não eram apenas visualmente atraentes, mas também absolutamente deliciosos. Um desses pratos que ela compartilhou foi chamado de "rolê de frango com legumes".

Era feito espalhando uma camada de legumes e ervas sobre peitos de frango batidos, depois enrolando tudo, selando e cozinhando em um molho de vinho branco. As fatias eram lindamente dispostas no prato. Embora o frango frequentemente fosse seco, o de Victoria era macio e fácil de mastigar até para uma pessoa da idade da Condessa. A camada externa era brilhada com mel, que ficava deliciosamente crocante quando selada.

— Que bom que nos conhecemos. A propósito, seu local de trabalho é perto daqui? — a Condessa perguntou tardiamente, e Victoria a informou que estava trabalhando como assistente e empregada doméstica para um famoso historiador. — É verdadeiramente um mistério para mim como a senhora consegue fazer tanto, e tão bem!

Ela estava impressionada por boas razões; em um dia ventoso, a Condessa Yolana estava olhando o jardim de sua varanda no segundo andar quando uma rajada de vento levou seu chapéu. O chapéu flutuou na brisa e ficou preso nos galhos de uma árvore ginkgo.

— Meu falecido marido comprou esse chapéu para mim antes de partir, então é muito especial para mim, mas não há nada a ser feito. Só rezo para que caia da árvore antes que chova.

Victoria tinha acabado de chegar do trabalho quando ouviu a Condessa dizer isso. Ela entrou na casa de hóspedes e trocou de roupa para calças, depois subiu na árvore com agilidade, soltou o chapéu do galho e o jogou para a senhoria. A árvore era ainda mais alta que o telhado da propriedade de dois andares da Condessa.

Yolana ficou tão surpresa que ficou sem palavras. Victoria escorregou de volta pela árvore e disse: — Eu era uma moleca quando cresci! — com uma risada.

Não só aquela jovem se comportava como uma aristocrata, mas também era assistente de um historiador, uma cozinheira fantástica, e até uma escaladora de árvores habilidosa!

Basta dizer que a Condessa Yolana havia se afeiçoado imensamente a Victoria.

A criada da Condessa, Susan, era outra admiradora de Victoria e Nonna.

— Como uma mãe poderia abandonar uma garota tão adorável? — perguntou ela entre lágrimas de raiva. — Minha Senhora, quando Nonna se acostumar comigo, a senhora acha que ela poderia ficar no meu quarto? Assim a Srta. Sellars poderia sair à noite sem preocupações. Ela ainda é tão jovem, mas não parece ter tempo para namorar! — notou com preocupação.

Nonna não demonstrava muita emoção, mas quando Susan falava com ela ou lhe dava pequenos lanches, sua expressão suavizava um pouco.

— Ora, você parece estar tentando domar um gatinho selvagem! — exclamou Yolana.

— Um gatinho! Eu simplesmente acho a garota tão adorável que quero mostrar a ela o amor de uma mãe.

— Infelizmente, nós duas não poderíamos ser nada além de avós!

— Que grosseira, Minha Senhora!

A Condessa Yolana ficou exasperada com a reação de Susan.

Falando em Victoria, ela havia pegado uma panela grande emprestada da cozinha para fazer algo para o aniversário de seu empregador. Um aroma delicioso pairava no ar desde aquela manhã, quando ela começou a cozinhar.

— A senhora pode usar minha carruagem para transportar a comida — ofereceu a Condessa, para grande alegria de Victoria.

— Muito obrigada! Eu estava me perguntando como levaria a comida e pensei em chamar uma carruagem.

A Condessa Yolana achava a natureza ocasionalmente distraída de Victoria incrivelmente cativante.

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Bernard Fitcher era um historiador idoso e um homem muito rabugento. Embora não o fizesse ele mesmo, ele insistia em tomar seu chá em um horário específico, preparado de uma maneira específica. Se qualquer um de seus itens estivesse o mínimo fora do lugar em sua casa — mesmo em áreas fora do escritório e da sala de estar — ele ficava irritado.

Além disso, quando ficava enclausurado em seu escritório por muito tempo, até as menores coisas o irritavam. Não havia muitas pessoas que durassem muito como suas assistentes, então ele sempre tinha problemas para manter a posição preenchida.

Um dia, Victoria Sellars viu seu anúncio de emprego na agência de empregos e veio fazer uma entrevista com ele. Ela disse que falava quatro idiomas e era boa em cozinhar e limpar. Isso lhe pareceu bom demais para ser verdade, mas acabou se confirmando.

— Sr. Fitcher, tenho a tradução dos textos que o senhor solicitou ontem.

— A senhora fez isso em apenas uma noite?

— Sim. Por favor, verifique se há erros enquanto eu termino a limpeza.

Victoria entregou os papéis a Bernard e então começou a arrumar sua escrivaninha. Ela realmente tinha um talento para limpar. Ela nunca colocava as pilhas bagunçadas de documentos fora de ordem quando os organizava; em vez disso, separava a pilha de textos e os dividia em três pilhas dependendo do conteúdo, grampeando-os com cuidado e adicionando uma nota na frente para facilitar a localização.

Como Bernard tinha pulmões fracos e vivia naquela casa empoeirada, sua sobrinha frequentemente dizia que ele estava cometendo um "suicídio lento", mas quando Victoria começou a trabalhar para ele, ela arrumou toda a sua casa. Agora não havia um único grão de poeira à vista.

Ela é a melhor empregada e assistente que já tive; não vou deixar essa escapar! Bernard pensou vários dias atrás.

No início, quando Victoria mencionou que teria que trazer uma garotinha que nem era parente dela, ele pensou que isso era absolutamente fora de questão, mas Nonna acabou sendo uma criança muito inteligente que passava seu tempo lendo silenciosamente no canto da cozinha. Victoria estava lhe ensinando a ler e escrever.

Bernard sempre havia desgostado de crianças, mas agora pensou que talvez elas não fossem tão ruins assim quando bem-comportadas.

Quando Nonna estava ajudando Victoria a limpar um dia, ele criou coragem para perguntar: — Qual é a sua comida favorita? — Essa foi a única pergunta que ele conseguiu pensar, pois considerar falar com uma criança já era aventura suficiente.

A garota ponderou sua pergunta por um momento, então respondeu: — O cordeiro assado da Vicky.

Coincidentemente, Bernard também adorava cordeiro assado. No minuto seguinte, ele disse a Victoria: — Se a senhora não tiver planos para esta noite, faria um cordeiro assado para a janta? Vocês duas podem se juntar a mim, é claro.

— Ah, eu adoraria! Obrigada por perguntar — disse Victoria com um sorriso, e então foi rapidamente fazer compras dos ingredientes.

Bernard se ofereceu para cobrir a comida e pagar horas extras, mas ela recusou, dizendo: — É uma boa experiência para Nonna jantar com alguém além de mim, então não poderia aceitar seu dinheiro. — Ele insistiu várias vezes, mas ela não cedeu.

— A senhora é teimosa, hein? — disse ele.

— Já me disseram isso várias vezes.

Fazia muito tempo que ele não tinha uma conversa tão agradável com alguém, e ele gostou muito.

Victoria preparou habilmente o cordeiro assado com cenouras e purê de ervilhas, junto com purê de batatas cremoso. Enquanto ela cozinhava, Nonna pediu torradas crocantes com manteiga, então ela acrescentou isso também.

Esta foi a primeira vez que ele comia um banquete tão elaborado em casa desde que sua esposa faleceu oito anos atrás. E seu chef anterior nunca fizera algo tão elaborado. Desde que o chef pediu demissão, Bernard vinha almoçando e jantando em restaurantes próximos, escolhendo as mesmas coisas do cardápio todas as vezes e achando tudo bastante sem graça.

Tanto Victoria quanto Nonna comeram a refeição com apetite e tiveram uma conversa agradável com ele. Victoria disse que vinha de Randall, mas também tinha um vasto conhecimento sobre este reino. Quando Bernard falava sobre história, ela sempre o ouvia com atenção e grande interesse.

Depois que Victoria e Nonna limparam e foram para casa, a casa pareceu muito silenciosa para Bernard. Ele sempre considerara a presença de outros como um incômodo, então achou essa mudança bastante desconcertante.

— Pensei que ela não quisesse me agradar, mas fico feliz por não ter sido teimoso e ter tentado conversar com ela. Nunca imaginei que me divertiria tanto no jantar. E a comida estava absolutamente deliciosa. — Na sala silenciosa, Bernard falou com o retrato de sua falecida esposa.

A partir daquele dia, Victoria e Nonna ocasionalmente jantavam com o velho historiador.

A sobrinha de Bernard, Eva, vinha visitá-lo uma vez por semana. Uma mulher atenciosa na casa dos trinta com cabelos avermelhados, Eva era filha da irmã mais nova de Bernard.

No momento em que Eva abriu a porta da frente hoje, seus olhos se arregalaram, e quanto mais ela olhava em volta, mais espantada ficava.

— A casa está impecável! Até aquele calabouço úmido que o senhor chama de escritório foi completamente transformado! Agora finalmente parece digno de um estudioso. Tio, o que aconteceu? O senhor conseguiu uma boa empregada?

— Você é sempre tão barulhenta, Eva. Coloquei um anúncio de emprego na agência de empregos para uma assistente e encontrei alguém muito capaz.

— Uma assistente? Não uma empregada?

— Minha assistente sabe quatro línguas e sabe cozinhar e limpar!

— Quanto o senhor está pagando a ela, Tio? Por favor, não me diga que está pagando apenas um salário de assistente.

Bernard não sabia muito sobre etiqueta social e podia ser um pouco negligente quando se tratava de senso comum; exatamente como Eva disse, ele só estava pagando a Victoria um salário de assistente.

Ele começou a entrar em pânico. Fui insensato? Sua falecida esposa frequentemente o repreendia por ser ignorante dos costumes do mundo e por falta de senso comum.

Bernard alisou nervosamente o cabelo, que era mais branco que castanho, e ficou em silêncio.

— Tio, essa sua assistente capaz está claramente fazendo o trabalho de três pessoas! Se o senhor continuar pagando uma miséria, alguém vai levá-la debaixo do seu nariz.

— Absolutamente não. Não posso permitir isso! Preciso dela.

— Dela? É uma mulher? Apresente-a a mim. Preciso agradecê-la e me desculpar!

Na manhã seguinte, Victoria foi trabalhar com Nonna a tiracolo e foi imediatamente recebida por Eva. Ela inclinou a cabeça e disse: — Por favor, perdoe meu tio ignorante por pagá-la mal — e então se ofereceu para triplicar seu salário.

— Triplicar? Oh, eu não poderia. É demais!

— Não é. Antes de a senhora aparecer, meu tio não só tinha uma assistente, mas também duas outras empregadas domésticas, e sua casa nunca foi tão limpa! E elas só duraram três meses cada. O Tio diz que a senhora ainda ouve suas histórias e conversa com ele. Deveríamos pagar quatro vezes mais! Ele não tem mais nada em que gastar seu dinheiro. Por favor, não seja tímida.

Eva ficava muito animada quando falava, e gesticulava tão intensamente que quase derrubou um vaso na mesa próxima. No entanto, Victoria, que estava sentada em frente a ela, rapidamente estendeu a mão e pegou o vaso sem piscar. Ela manteve os olhos em Eva o tempo todo.

— Ora, eu adoraria contratá-la para mim! Mas tenho certeza de que o Tio não sonharia em se separar de você agora.

Vários dias se passaram desde que Eva conheceu Victoria.

Eva havia dito a ela que Bernard ia fazer uma festa para seu sexagésimo quinto aniversário em sua casa.

— Todos os nossos parentes estarão lá. Embora, na verdade, só haja quatro de nós — eu e meu marido, Michael; e meus dois primos. Pagarei pelas horas extras se a senhora cozinhar. Não precisa ser nada elaborado.

— Claro, adoraria — Victoria concordou com um sorriso.

Eva era esposa de um conde e tinha muitas responsabilidades, então isso foi música para seus ouvidos.

Elas também estavam conectadas de uma forma inesperada; um dos dois primos que Eva havia mencionado que compareceriam era Jeffrey, capitão da Segunda Ordem dos cavaleiros. No entanto, Victoria só descobriria isso no dia da festa.

Sol: Huh… Eh um empurrãozinho da autora não faz mal a ninguém, kkkkkk.

Moon: Mas veja só como o destino é maluco não é mesmo? Kkkkkkkk~

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 3 concluído

Volume 1 – Capítulo 2 – Capítulo 2: Condessa Yolana e o Velho Historiador Rabugento