Asas do Amor — Capítulo 1: Volume 1 – Capítulo 1 – O Dia em que Tudo Mudou

Asas do Amor
Cap. 1
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Asas do Amor

Volume 1 – Capítulo 1 – O Dia em que Tudo Mudou

Capítulo 1

1.255 palavras~5 min de leitura

— Que dia frio...

Henrique espreguiçou-se enquanto olhava pela janela do pequeno sobrado onde morava. O inverno fazia a cidade parecer silenciosa. Ainda deitado, ouviu a voz da esposa.

— Bom dia, amor.

— Bom dia.

Giovana se aproximou e lhe deu um beijo.

— Vai me levar para o serviço hoje?

Henrique sorriu.

— Claro, amor. Hoje vou chegar um pouco atrasado no trabalho, mas te levo sim.

Henrique tinha apenas 21 anos. Recém-formado em Gestão Empresarial, trabalhava como assistente administrativo durante o dia e dava aulas de informática à noite. Desde os 17 anos era casado com Giovana, que agora tinha 20.

Enquanto caminhavam até o ponto de ônibus, Giovana perguntou:

— Amor... quando a gente vai comprar um carro?

Henrique riu.

— Não sei. Estou correndo atrás. Primeiro quero tirar minha carteira de motorista. Depois a gente pensa nisso.

Ela apenas sorriu.

Após deixá-la no trabalho, Henrique pegou um ônibus e depois um trem lotado.

Como todos os dias, um vendedor passava pelos vagões.

— Bala! Bala! Um real!

Henrique levantou a cabeça.

— Você tem pastilhas?

— Tenho sim, patrão.

Comprou algumas e seguiu viagem.

O dia foi corrido. Trabalhou no escritório, saiu no fim da tarde, passou em uma loja, comprou alguns chocolates para Giovana e seguiu para a escola onde dava aulas de informática.

Já era noite quando resolveu ligar para a esposa.

Chamou...

Chamou...

Nada.

Estranhou.

Ligou novamente.

Depois de alguns segundos, ela atendeu.

— Oi, amor.

— Oi. Demorou para atender. O que estava fazendo?

— Ah... estava jogando no seu computador.

Henrique sorriu.

— Tudo bem. Que tal pedir uma pizza hoje?

— Claro!

— Calabresa ou frango?

Ela riu.

— Frango... com bastante mussarela.

— Fechado.

Antes de desligar ela comentou:

— Ah... o Jesse está aqui.

Henrique estranhou.

— Seu irmão? O que ele quer?

— Brigou com a minha mãe. Pediu para dormir aqui de novo.

Henrique respirou fundo.

— Tudo bem...

Às dez da noite ele finalmente chegou em casa.

Estava exausto.

Abriu o portão e entrou.

Giovana continuava sentada diante do computador, completamente concentrada no jogo.

A sala estava bagunçada.

Pratos espalhados.

Latas de refrigerante sobre a mesa.

A tigela da gata estava completamente vazia.

Henrique caminhou até a cozinha e perguntou calmamente:

— Amor... você não colocou ração para a gata?

Ela virou a cadeira.

— Desculpa... saí do serviço às três da tarde e acabei me empolgando no jogo.

Henrique olhou para o relógio.

— Você está desde as três jogando?

Ela deu uma risada.

— Sim. E daí?

Ele respirou fundo.

— Eu trabalhei o dia inteiro... ainda dei aula... cheguei cansado e a gata ficou sem comida.

Giovana cruzou os braços.

— Vai jogar isso na minha cara agora?

Henrique fechou os olhos.

— Deixa pra lá.

Nesse momento Jesse apareceu.

— Ei, cunhado. Não briga com ela não. Ela estava cansada.

Henrique respondeu sem levantar a voz.

— Jesse... eu estou conversando com a minha esposa.

— Amor!

Giovana chamou o irmão, incomodada.

Henrique apenas pegou uma sacola.

— Comprei chocolates para você.

Ela sorriu imediatamente.

— Obrigada, amor.

Ele caminhou até a cozinha.

Abriu a caixa onde deveria estar a pizza.

Vazia.

Olhou para Giovana.

— Cadê a pizza?

Ela respondeu naturalmente:

— O Jesse comeu.

Henrique ficou parado.

— Como assim?

— Ele estava com fome.

Henrique respirou fundo mais uma vez.

— Eu também estava.

Silêncio.

Depois de alguns segundos, falou:

— Esquece. Vou fazer um miojo.

Giovana aproximou-se.

— Amor... seja paciente. Ele vai embora em dois dias. Eu prometo.

Henrique apenas assentiu.

Naquela noite, Giovana tentou agradá-lo, e o casal teve um momento de intimidade. Depois que ela adormeceu, Henrique levantou em silêncio.

Sentou-se diante do computador.

Abriu um documento em branco.

Seu maior sonho era se tornar escritor.

Naquela semana havia conseguido um espaço para publicar seu primeiro livro por uma editora independente.

Talvez aquela fosse sua grande oportunidade.

Escreveu até o amanhecer.

Era sábado.

Seu único dia de folga.

Já perto do almoço, a campainha tocou.

Era Jean.

Seu melhor amigo desde a adolescência.

— E aí, mano!

Henrique abriu um sorriso.

— Entra aí.

Os dois se sentaram na sala.

— Como você está?

Jean deu de ombros.

— Terminei meu namoro.

— Poxa... sinto muito.

— Estou meio mal.

Henrique colocou a mão em seu ombro.

— Vai passar.

Os dois passaram boa parte do dia jogando videogame.

Algum tempo depois Giovana acordou.

— Oi, amor.

Depois olhou para Jean.

— Oi, Jean.

— Oi, Giovana.

— Como você está?

Jean sorriu sem graça.

— Levando... terminei o namoro.

— Que pena.

A amizade entre Henrique e Jean era antiga.

Nos finais de semana era comum Jean aparecer para jogar, conversar e passar horas naquela casa.

Henrique jamais imaginou que aquela confiança um dia destruiria sua vida.

Algumas semanas depois...

Era uma sexta-feira.

Henrique saiu mais cedo do trabalho.

Naquele dia não teria aula.

Chegou em casa antes do horário habitual.

Giovana ainda não havia voltado.

Resolveu ligar o computador.

O jogo dela continuava aberto.

Enquanto fechava as janelas, uma conversa chamou sua atenção.

Mensagens românticas.

Corações.

Declarações.

Henrique sentiu o coração acelerar.

Poucos minutos depois Giovana entrou em casa.

— Oi, amor. Acabei de deixar o Jesse no ponto.

Henrique virou a tela do computador.

— O que são essas mensagens?

Ela olhou rapidamente.

— Ah... isso?

— Sim.

— É só no jogo.

— Só no jogo?

Os dois discutiram durante horas.

Henrique pensou em ir embora.

Mas para onde iria?

Casado desde os dezessete anos, acreditava que um divórcio significaria fracasso.

Depois de muito conversar, decidiu acreditar nela.

Giovana prometeu.

— Nunca mais vai acontecer.

Henrique resolveu perdoar.

Na quarta-feira seguinte, Henrique trabalhava nos dois empregos e normalmente chegava muito tarde em casa.

Mas naquela manhã acordou passando mal.

Sentia náuseas.

Decidiu voltar para casa para descansar.

Quando abriu o portão, estranhou.

A luz do quarto estava acesa.

Naquele horário Giovana deveria estar no trabalho.

Seu coração acelerou.

Caminhou lentamente até a porta.

Girou a maçaneta.

Abriu.

O mundo parou.

Sobre a cama estavam Giovana...

...e Jean.

Seu melhor amigo.

Por alguns segundos Henrique simplesmente não conseguiu respirar.

Depois explodiu.

— Jean!

O rapaz levantou assustado.

Henrique o empurrou com toda força.

— Seu desgraçado!

Giovana tentou falar.

— Henrique, espera...

— Cala a boca!

Os olhos dele estavam cheios de lágrimas.

— Sai da minha casa!

Ela respondeu irritada.

— Como assim eu saio? Eu também paguei por essa casa!

Henrique gritou:

— Eu paguei dois anos de aluguel! Você pagou uma entrada!

Ela começou a juntar algumas roupas.

Pegou dinheiro que estava guardado.

Depois tentou levar o computador.

Henrique segurou o gabinete.

— Esse computador fica.

— Não! Eu não vou ter nada para fazer!

Henrique olhou para ela.

— Você sabe para que eu uso esse computador.

Era ali que escrevia seus livros.

Era seu sonho.

Ela soltou o computador.

— Então leva a gata também.

Henrique respondeu imediatamente.

— Eu levo.

Pegou a caixa de transporte da gata.

Chamou um Uber.

Entrou no carro sem olhar para trás.

Durante todo o caminho até a casa da mãe, não conseguiu conter as lágrimas.

Quando chegou, bateu à porta.

Sua mãe abriu.

Assustada, perguntou:

— Filho? O que aconteceu?

Henrique mal conseguia falar.

— Eu... me separei.

Ela o abraçou.

Depois de alguns minutos disse calmamente:

— Eu tentei te avisar...

Henrique apenas abaixou a cabeça.

Entrou na casa.

Já era madrugada.

Enquanto preparava o quarto de hóspedes, sua mãe comentou:

— Agora que voltou, vai ter que ajudar nas contas da casa.

Henrique olhou para ela sem acreditar.

Ela percebeu o peso daquelas palavras.

— Desculpa, filho... conversamos amanhã.

Ele apenas entrou no quarto.

Fechou a porta.

Sentou na cama.

Em poucas horas, havia perdido a esposa, o melhor amigo, sua casa e a vida que imaginava ter construído.

Naquela noite, Henrique entendeu que algumas dores não destroem apenas o coração.

Elas mudam completamente o destino de uma pessoa.

Fim da leitura

Capítulo 1 concluído

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