Asas do AmorVolume 1 – Capítulo 6 – Um Coração Voltando a Viver
Capítulo 6Era segunda-feira.
Henrique acordou cedo, preparou um café simples e, antes mesmo de terminar de comer, seu celular tocou.
Na tela apareceu o nome de Klaus.
Ele atendeu imediatamente.
— Bom dia, Klaus.
— Bom dia, Henrique! Recebi o Volume 6. Vamos publicá-lo no fim da tarde. Logo teremos os primeiros resultados.
Henrique sorriu.
— Obrigado.
Klaus continuou animado.
— E não esqueça: daqui a trinta e cinco dias teremos a bancada de escritores em São Paulo. Queremos você lá.
Henrique ainda tinha dificuldade para acreditar.
— É sério?
— Muito sério. Sei que você ainda não é um escritor famoso, mas acreditamos que pode chegar muito longe.
Henrique ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu emocionado:
— Muito obrigado pela confiança.
— Ah, mais uma coisa.
— Pode falar.
— Já pode começar os volumes sete e oito. Queremos lançá-los juntos.
Henrique sorriu.
— Pode deixar comigo.
Assim que desligou, ficou olhando para o celular.
Seu sonho deixava de ser apenas um sonho.
Era sua profissão.
Olhou para a gata, que dormia sobre o sofá.
Acariciou sua cabeça.
— Vamos comemorar com um bolinho hoje.
A gata apenas ronronou.
Henrique pegou a moto e desceu.
Quando chegou à garagem viu Yara sentada na calçada em frente à conveniência, mexendo no celular.
— Bom dia.
Ela levantou a cabeça.
— Bom dia.
— Vai sair?
— Vou comprar alguns bolos para vender na conveniência.
Henrique sorriu.
— Que coincidência.
Também estou indo comprar um bolo.
Ela olhou curiosa.
— Vai comemorar alguma coisa?
Henrique contou sobre a ligação da editora.
Yara abriu um enorme sorriso.
— Eu sabia!
Parabéns!
Ele colocou o capacete.
— Quer uma carona?
Ela aceitou.
Usou o capacete reserva e os dois seguiram até a padaria.
Assim que estacionaram, Larissa viu Henrique chegando.
Saiu rapidamente da cafeteria.
— Henrique!
Ao mesmo tempo, Yara desceu da moto.
As duas se olharam.
Larissa sorriu educadamente.
— Oi.
— Oi.
Henrique apresentou novamente as duas, embora já tivessem se visto de longe.
Entraram juntos.
Sentaram-se em uma mesa.
Larissa puxou uma cadeira.
— Posso ficar aqui um pouco?
Henrique sorriu.
— Claro.
Yara respondeu antes que ele pudesse continuar.
— Interessante...
Achei que você estivesse trabalhando.
Larissa olhou ao redor.
— Está vazio.
E eu gosto de conversar com o Henrique.
Yara respondeu com um sorriso discreto.
— Eu também gosto.
Henrique percebeu um clima estranho.
Resolveu mudar de assunto.
— O bolo daqui é muito bom.
As duas concordaram imediatamente.
Poucos minutos depois, outra voz conhecida apareceu.
— Henrique!
Era Juliana.
Ela aproximou-se da mesa.
— Posso cumprimentar vocês?
Henrique levantou-se.
— Claro.
Nesse momento Larissa sorriu.
— Juliana?
A moça respondeu surpresa.
— Larissa?
Henrique arregalou os olhos.
— Vocês se conhecem?
As duas começaram a rir.
— Somos irmãs.
Henrique ficou completamente surpreso.
— Como eu não percebi?
— Porque uma puxou a mãe e outra o pai.
Todos riram.
Enquanto conversavam, Henrique comentou sem perceber:
— Daqui a pouco preciso organizar umas coisas para um evento de escritores.
Meus pais não poderão ir.
Quase ao mesmo tempo, Larissa e Juliana disseram:
— Nós vamos!
As duas se olharam e riram da coincidência.
Henrique apenas balançou a cabeça.
— Acho que vou precisar de uma torcida organizada.
Ao voltar para casa, Henrique agradeceu a companhia de Yara.
Ela entrou na conveniência.
Dona Maria observava tudo de longe.
Quando Henrique subiu para o apartamento, ela olhou para a neta.
— Yara...
Aquele rapaz é um homem de ouro.
Se quiser ter uma chance...
Tenha coragem.
Yara ficou completamente vermelha.
— Vó...
Do que a senhora está falando?
Maria apenas sorriu.
Mais tarde, Yara foi até a loja de Thomas.
Estela estava ajudando alguns clientes.
Quando viu Yara entrar, chamou o marido.
— Amor, assume aqui um minutinho.
Thomas sorriu.
— Pode deixar.
Estela puxou uma cadeira.
— Agora me conta.
O que aconteceu?
Yara respirou fundo.
— Nada...
— Yara.
Eu te conheço.
Ela suspirou.
— Hoje fui com o Henrique comprar um bolo.
Estava tudo tranquilo.
Aí apareceu a Larissa.
Depois a Juliana.
As duas ficaram conversando com ele.
Estela cruzou os braços.
— Isso te incomodou?
— Claro que não.
Ela respondeu rápido demais.
Estela apenas sorriu.
— Tem certeza?
Yara abaixou a cabeça.
— Não sei...
Ele acabou de sair de um casamento.
Nem pensa em namoro.
Estela segurou sua mão.
— Yara...
Se você gosta dele...
Vai precisar lutar.
Larissa e Juliana também parecem gostar dele.
Ninguém vai simplesmente desistir.
Yara respirou fundo.
— O que eu faço?
Estela sorriu.
— Começa convidando ele para sair.
Naquela mesma noite, Yara subiu até o segundo andar.
Parou em frente ao apartamento de Henrique.
Respirou fundo.
Bateu na porta.
Henrique abriu sorrindo.
— Oi.
— Oi...
Tudo bem?
— Tudo.
E você?
Ela respirou fundo mais uma vez.
— Queria saber...
Se você aceita assistir um filme comigo.
Henrique sorriu.
— Como amigos?
Ela ficou completamente vermelha.
— Na verdade...
Quero que seja um encontro.
Henrique ficou sem palavras por alguns segundos.
Depois sorriu.
— Eu aceito.
Ela abriu um enorme sorriso.
Antes que dissesse qualquer coisa, Henrique continuou.
— Mas...
Preciso ser sincero.
Ainda não estou pronto para um relacionamento.
Ela abaixou a cabeça.
— Eu imaginei.
Henrique sorriu.
— Que tal simplesmente sairmos?
Sem pressão.
Vamos ver o que acontece.
Yara voltou a sorrir.
— Combinado.
Naquela noite foram ao cinema.
Assistiram a uma comédia.
Riram durante quase todo o filme.
Depois passaram em uma pequena lanchonete.
Conversaram sobre livros.
Sobre infância.
Sobre sonhos.
Sobre viagens.
Nenhum dos dois tentou impressionar o outro.
A conversa simplesmente acontecia.
Quando voltavam caminhando para casa, a rua estava praticamente vazia.
Na porta do prédio, Yara parou.
Olhou para Henrique.
— Obrigada pela noite.
Eu sei que você ainda não está pronto.
Ela deu um beijo em sua bochecha.
Virou-se para entrar rapidamente.
Mas Henrique segurou delicadamente sua mão.
Ela olhou para trás.
Ele sorriu.
— Eu gostei muito dessa noite.
Aproximou-se devagar.
Beijou-a.
Foi um beijo curto.
Calmo.
Sem pressa.
Quando se afastou, falou olhando em seus olhos:
— Ainda não sei se estou pronto para namorar.
Mas quero fazer as coisas do jeito certo.
Quero respeitar você.
Yara sorriu emocionada.
Depois perguntou baixinho:
— E a Larissa?
E a Juliana?
Henrique pensou alguns segundos antes de responder.
— Elas são pessoas incríveis.
São minhas amigas.
Mas...
Quando estou com você...
É diferente.
Eu gosto de você.
Só preciso de um pouco mais de tempo para curar as feridas que ainda carrego.
Yara aproximou-se novamente.
Deu outro beijo em sua bochecha.
— Eu espero.
Henrique sorriu, sem conseguir esconder a emoção.
Naquela noite, enquanto entrava em seu apartamento, percebeu algo que não sentia havia muito tempo.
Depois de dois meses, três semanas e meia desde que sua vida havia desmoronado...
Seu coração ainda carregava cicatrizes.
Mas, pela primeira vez...
Ele se sentia verdadeiramente vivo outra vez.
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