Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 108 - 107
Capítulo 108Ascendance of a Bookworm – Capítulo 107
O Festival das Estrelas
Era o dia do Festival das Estrelas. O sol estava no céu, mas ainda era cedo o suficiente para que o calor do verão não se apresentasse completamente. Uma agitação, que apenas os festivais podiam trazer, já estava correndo pela cidade e multidões estavam indo para os portões sul e leste, apesar do fato de que era tão cedo que os portões ainda não haviam aberto.
— Tchau, mãe!
— Não fique muito animada lá fora, querida. Como sempre, Lutz, por favor, cuide bem de Myne para mim.
Saí de casa com Lutz, que veio me buscar. Tuuli veio conosco no início, mas saiu para curtir o festival com seus próprios amigos. Ela estava correndo em direção ao portão com Ralph e Fey.
— Tchau, Myne. Vamos nos divertir hoje!
— Uhum. Tchau, Tuuli.
Após acenar para Tuuli, Ralf e Fey, Lutz e eu nos viramos e caminhamos no sentido oposto ao fluxo de pessoas, indo em direção ao templo. Estávamos vestindo nossas roupas normais, para que pudéssemos nos molhar com segurança. As pessoas que saíam de becos laterais estavam caminhando para o portão com a excitação brilhando em seus olhos. Nenhuma pessoa estava usando suas melhores roupas.
Lutando contra as ondas das pessoas, passamos pela praça central e nos dirigimos mais ao norte. Foi por lá que as multidões diminuíram. Alguém poderia adivinhar que aqueles que viviam no norte, haviam saído há muito tempo para chegar aos portões quando eles se abrissem.
— Você vai ficar no orfanato, Myne.
— O quê? Por quê?!— Eu, que tinha a intenção de ir com todos para a floresta e pegar taus, olhei para Lutz, com os olhos arregalados. Ele fez uma careta desconfortável antes de continuar.
— Se fôssemos só você e eu indo ao festival, eu ia pegar dois ou três taus antes de voltar. Mas todos nós vamos jogá-los uns nos outros, no orfanato em vez de em recém-casados, certo? Isso significa que precisaremos de mais. Não conseguiremos voltar ao templo até o quarto sino com você conosco.
O argumento de Lutz era sólido e me forçou a baixar a cabeça, tristemente. Como sempre, eu odiava meu corpo por me fazer um peso morto para todos. Lutz deu um tapinha na minha cabeça para me consolar, enquanto abaixava um pouco a voz.
— Sem mencionar que alguém pode passar pelo orfanato para verificar as coisas. Você vai querer estar lá se isso acontecer, certo? Como diretora?
— Ah. Você não está errado.— Era muito provável que o Sumo Sacerdote ou Arcebispo enviasse um assistente para verificar o orfanato e dar avisos. Se o Arcebispo descobrisse que o orfanato estava vazio, ele provavelmente teria palavras duras, ou pior, para mim e para o Sumo Sacerdote.
— Você não é a única que fica para trás para trabalhar, certo? Você fica com eles enquanto pegamos os taus. Não posso ajudar se você não fizer isso.
— Ok. Ficarei para trás.
O segundo sino tocou pela cidade assim que chegamos ao templo. Era hora dos portões se abrirem. Fran e eu observamos Lutz sair do orfanato pela porta dos fundos, com um dedo sobre os lábios para sinalizar que eles deveriam ficar quietos. O guarda no portão mal conseguia conter o riso, e o mesmo aconteceu comigo. Assim que passaram pelo portão, fugiram do templo, tagarelando animados. Fui para meus aposentos, sentindo inveja, e vesti minhas vestes azuis, para que eu pudesse ir para o orfanato.
— Você não queria ir para a floresta, Delia?
— Ir para a floresta não me ajudará a ser uma boa concubina. Quero aprender o alfabeto o mais rápido possível.
Gil e Delia estavam competindo para aprender o alfabeto primeiro, mas Gil estava aprendendo mais rápido. Provavelmente, porque ele estava trazendo seu karuta para o orfanato e brincando com todos.
— Compreensível. Afinal, você está perdendo para o Gil.
— Puxa! Veja bem, só de raspão. Vou vencê-lo em pouco tempo!
Delia ficou para trás, por escolha, e então eu a deixei para cuidar dos chefs enquanto Fran e eu fomos para o orfanato. Após descer as escadas, vi que a porta da cozinha estava aberta e pude ver Hugo e Ella cozinhando furiosamente, tentando terminar tudo antes do quarto sino para que eles pudessem se juntar aos outros para coletar taus.
— O Sumo Sacerdote pediu que eu passasse esta manhã instruindo você sobre os rituais e cerimônias do templo. Você não poderá participar do arremesso dos taus até que tenha memorizado todos eles.
— Aff.
O Sumo Sacerdote, aparentemente, não tinha piedade quando se tratava de educação e imediatamente desenvolveu um currículo para mim. Eu tinha que aprender uma quantidade surpreendente hoje.
Enquanto eu caía em desespero com tudo o que estava escrito no quadro, Fran me informou que o Sumo Sacerdote havia estimado, a partir de minhas habilidades matemáticas e grau de alfabetização, que meu nível acadêmico era alto o suficiente para justificar esse ritmo rápido. Mas o Sumo Sacerdote entendeu mal. Minhas habilidades matemáticas foram transferidas da minha vida passada, e trabalhei duro para me tornar alfabetizada, exclusivamente, porque era necessário para ler livros. Ele não deveria esperar que esses talentos levassem a eu memorizar um monte de coisas de cerimônia do templo. Eu não era uma boa aluna.
Virei no corredor, a caminho do orfanato, e lá, por acaso, fiquei cara a cara com um padre azul, pela primeira vez. Ele devia estar indo se preparar para a cerimônia.
— Bem, bem, se não é a pequena plebeia arrogante, vestindo suas vestes azuis sem um pingo de vergonha. A cerimônia de hoje não é lugar para crianças, você sabe.
— Em vez de participar da cerimônia, o Sumo Sacerdote me deu o dever de cuidar das crianças no orfanato.
— Ah, entendi. Cuidar de órfãos é uma boa opção para uma plebeia como você. Talvez você conheça seu lugar, afinal.
— Agradeço muito por seu elogio.
O padre azul deu um “hum” entediado e saiu. Voltei a caminhar até o orfanato. Fran franziu as sobrancelhas com preocupação e falou comigo, parecendo preocupado.
— Er, Irmã Myne. Isso foi…
— Não se preocupe com isso, Fran. Palavras nunca me machucarão. Elas entram por um ouvido e saem pelo outro, nenhum dano foi feito.
Entrei no orfanato e vi que ainda havia algumas donzelas cinzentas do santuário. Como era de se esperar das donzelas do santuário que haviam sido deixadas no templo, como portadoras potenciais de flores, elas eram bonitas, com rostos bem esculpidos.
— Oh meus Deuses, Irmã Myne. O que a trouxe aqui?
Elas se viraram graciosamente para mim e inclinaram a cabeça. Cada movimento que faziam era completamente refinado, e todas pareciam muito mais com jovens ricas que eu.
— Decidi ficar aqui, já que alguém precisa estar aqui para lidar com qualquer um que possa aparecer. Vocês meninas têm trabalho hoje?
— Não, simplesmente não temos muito interesse na floresta, então estávamos discutindo se gostaríamos de fazer sopa.
Encontrei um rosto familiar entre as donzelas cinzentas do santuário. Ela era uma jovem de cerca de quinze anos com o cabelo loiro, perto de uma cor laranja brilhante, amarrado firmemente atrás da cabeça. Bem, já que ela tinha o cabelo para cima, ela era tecnicamente uma adulta. Mas seu rosto era tão jovem que “garota” era a única palavra que me veio à mente.
— Wilma, obrigado por desenhar as artes para o karuta. Elas ficaram maravilhosas.
Os olhos de Wilma, que eram castanho-claros e sempre tinham um toque de alegria, se contraíram felizes. Se ela parecia brilhante antes, ela estava radiante agora.
— Sinceramente, eu deveria estar agradecendo por me dar a oportunidade de desenhar mais uma vez. Fazia tanto tempo desde que segurei uma caneta, que meu coração saltou de alegria. As crianças pareciam muito interessadas no karuta, como você os chama, mas suponho que não eram para o orfanato.
— Eles foram um presente para meu assistente. Mas, se você desenhar outro conjunto, posso pedir mais tábuas para as crianças.
Eu poderia encomendar as tábuas e escrever as cartas eu mesma, mas meu estilo de arte era tão diferente deste lugar, que todos ao meu redor fizeram o possível para me impedir de desenhar. A ajuda de Wilma foi essencial para fazer karuta.
— Oh meus Deuses, certamente! Eu ficaria muito grata se você o fizesse. — Wilma sorriu radiante. Ela estava transbordando de paixão pela arte e amor pelas crianças. Foi Wilma quem correu para limpar as crianças no porão antes de qualquer outra pessoa. Quando prometi fazer um conjunto de karuta apenas para as crianças do orfanato, a garota, ao lado de Wilma, baixou os olhos tristemente.
— Se eu pudesse desenhar como Wilma, eu também poderia ser útil.
— Mas meus Deuses, Rosina, seus talentos não são na música?
Rosina, a garota com o rosto maduro e bonito, que acabara de suspirar com pesar, parecia ser hábil em tocar instrumentos. Falando em elegância. Eu queria ouvir a música de Rosina, mas, aparentemente, sua antiga mestra havia levado seus instrumentos com ela, deixando Rosina sem nada para tocar. Eu queria comprar um para ela, mas os instrumentos eram caros mesmo no Japão, então não era difícil imaginar que um bom instrumento seria astronômico em preço aqui.
— Fran. Os instrumentos são caros?
— Seria melhor pedir ao Mestre Benno sobre, mas, independentemente disso, é necessário que as donzelas azuis do santuário sejam treinadas em música.
— Se você deseja aprender, Irmã Myne, acredito que poderíamos ajudar. Se você nos quiser, seremos suas assistentes com gratidão.
Rosina serviu a mesma donzela azul do santuário que Wilma. A aprendiz era cativada com todas as formas de arte e mantinha seus assistentes completamente separados entre aqueles que trabalhavam e aqueles que apreciavam a cultura, com ela. Rosina e os outros passavam cada dia polindo seu canto, música, dança, poesia, arte e assim por diante.
Passei cerca de três anos praticando piano, mas nunca toquei em outro instrumento, fora da aula de música. Mas, provavelmente, não havia gravadores ou melodias aqui, e eu duvidava que eles me deixassem passar castanholas como meu instrumento de escolha.
Não só tinha que estudar assuntos relacionados ao templo, como também tinha que passar por formação clássica em música e artes. Eu estava começando a pensar que tinha sido um pouco apressada demais ao me tornar uma aprendiz de donzela azul do santuário. Só um pouco.
— De qualquer forma, Irmã Myne. Estaremos fora fazendo a sopa se você precisar de nós.— Wilma e as outras foram fazer a sopa, deixando Fran e eu sozinhos, no refeitório do orfanato.
— Então, Fran. O que você pensaria se eu dissesse que quero levar Wilma como minha assistente? O Sumo Sacerdote daria sua permissão?
— Posso perguntar por quê?
— Wilma é boa em arte, não é? O karuta é uma coisa, mas há um monte de outras ideias que eu tenho que vão precisar de arte para tornar-se uma realidade. Quero segurá-la para mim antes que outro padre azul a leve. Além disso, acho que uma adulta e culta donzela cinza do santuário será importante para mim.
— Acredito que o Sumo Sacerdote, com toda a certeza, concederá sua permissão. Mas, como Wilma cuida das crianças mais que qualquer outra pessoa, não sei o que acontecerá com elas, se ela for levada do orfanato.
— Entendo. Então, vou perguntar a Wilma o que ela pensa, mais tarde, e pensar em algo.
O terceiro sino tocou quando Fran me deu uma aula sobre as cerimônias do templo. Ficou muito barulhento lá fora não muito tempo depois. Os casais vieram ao templo para a Cerimônia do Nó das Estrelas. Eu queria ir ver, mas, naturalmente, eu não podia.
Trabalhei para terminar meu aprendizado com meu coração palpitando, e antes que eu percebesse, o quarto sino tocou. Isso significava o fim da Cerimônia do Nó das Estrelas e a agitação lentamente ficou distante. Uma vez que o barulho acabou, as crianças retornaram, silenciosamente, pela entrada dos fundos. Eu podia vê-los, subindo furtivamente as escadas, enquanto seguravam a boca e pisavam suavemente.
— Bem-vindos de volta, todos. Vocês reuniram muitos taus?
— Irmã Myne, shhhh! — Após ser lembrada a não falar, fechei minha boca apressadamente. Somente depois que Lutz entrou, fechou a entrada dos fundos do porão e levantou a mão, todos começaram a falar.
— Temos muitas e muitas!
— Colocamos todas as nossas cestas no porão. O almoço primeiro, certo?
— De fato, é. Todos vocês devem lavar as mãos e esperar que os dons divinos sejam entregues. Voltarei brevemente para o meu quarto.
Desde que Lutz estava aqui, voltei para meus aposentos, não pelo corredor, mas pelo porão. Desci as escadas, onde vi cestos cheios dos taus que todos haviam reunido.
— Lutz, pode me emprestar quatro dos taus que você reuniu? Meus chefs não puderam ir para a floresta e quero dar-lhes alguns.
— Sim, claro. — Voltei para meus aposentos pela entrada dos fundos, com Fran carregando as taus, após o que, vi Hugo e Ella, esperando do lado de fora da cozinha, impacientemente, já tendo terminado de preparar o almoço. Através de Fran, dei dois taus para cada um.
— Agradeço muito a ambos por trabalharem no dia do festival. Não é muito, mas por favor aceite essas frutas.
— O quê?! Sério?! Obrigado!
Senti Hugo se afastar no momento em que virei as costas. O quão ele estava ansioso pelo Festival das Estrelas? E em quem ele pretendia atirar aqueles taus? Ouvi Ella gritar “Hugo, por favor!”, por consideração a mim, mas eu tinha uma consciência social recém-descoberta e sabia subir as escadas sem me virar.
Almocei, a comida entregue por Delia, no segundo andar com Lutz. O prato de hoje foi capellini falso. Eu os fiz cortar macarrão simples o mais fino possível, então para o molho de tomate e mussarela, selecionei molho de pome e um tipo de queijo com um sabor suave. Para imitar o molho de manjericão, preparei óleo vegetal com sal e ervas ou rigares (alho falso), esperando que um dos dois me desse o que eu queria.
Também comemos uma salada com legumes da estação e frango cozido no vapor. Na verdade, eu estava realmente no humor para macarrão frio, mas como sempre, minhas mãos estavam amarradas pela aparente falta de ingredientes japoneses aqui.
— Você trabalhou duro hoje, Lutz. Coma o quanto quiser Todo mundo parece tão feliz e animado graças a você. Eu sou realmente grata.
— Sim, fomos com tudo. Algumas crianças foram tão longe na floresta à procura de mais que pensei que não conseguiríamos voltar a tempo.
— Isso parece tão divertido. Gostaria de poder ver o festival. Fiquei aqui estudando com o Fran a manhã toda.— Ouvir os órfãos falarem animadamente sobre como eles viram as pessoas se escondendo, com frutas tau, no caminho de volta para o templo, me deixou com inveja infinita.
— Ei, Myne. Quer ir ver o festival só por um segundo? Os recém-casados provavelmente já se foram, então não vamos jogar frutas nem nada. Só veremos como a cidade está agora. As crianças precisam comer depois que terminarmos o almoço, então há algum tempo, certo?
Presentes divinos eram dados aos assistentes depois que os sacerdotes azuis terminavam, e havia alguns sacerdotes cinzentos, sem dúvida, ainda preparando carruagens, então ainda tínhamos algum tempo antes que todos estivessem prontos para jogar frutas.
— Sim! Vamos lá!
Tirei minhas vestes azuis para voltar à minha roupa normal, depois saí correndo do portão do templo com Lutz. As ruas encharcadas da cidade brilhavam sob o sol do verão. O chão perto do templo não estava molhado, mas quanto mais ao sul, mais encharcados ficavam nossos pés. Quantas frutas tau as pessoas jogaram, para molhar as ruas o suficiente para que nem mesmo o sol do verão pudesse evaporar a água?
Essa linha de pensamento foi seguida pela visão de crianças correndo pela rua e rindo, encharcadas da cabeça aos pés com água pingando de suas cabeças. Eles estavam indo em direção a uma grande agitação, mais ao sul.
— Vamos segui-los, Lutz!
— Não chegue muito perto, certo?
Seguindo o conselho de Lutz, eu os observei, furtivamente, e vi que havia uma enorme batalha caótica, em andamento, em um beco um tanto estreito. Não havia inimigos ou aliados; havia meros heróis fortes, lançando taus enquanto gritavam gritos de batalha sem sentido. Seus gritos altos, eram amplificados e ecoavam nas paredes do beco.
Todos estavam encharcados até os ossos. Naturalmente, mulheres jovens, vestindo roupas leves de verão, tinham suas roupas agarradas firmemente a seus corpos, tornando-se transparentes, nos piores casos. Muitos dos homens estavam correndo sem camisa, como se suas camisas agarradas a eles tivessem ficado mais irritantes do que valiam.
Wow, este é o tipo de celebração que as pessoas se jogam quando seu time favorito de futebol ou beisebol ganha um campeonato.
— Ah?!— Lutz de repente gritou, quando a água explodiu em sua cabeça. As gotas de água fria espirraram em mim também. Quando me virei, vi um monte de crianças atrás de Lutz, com taus prontos.
— Ei, encontramos algumas crianças que não estão molhadas!
As crianças gritaram e, imediatamente, a enorme multidão parou sua guerra caótica para olhar para nós. Seus olhos brilhavam como os de um caçador que acabara de encontrar sua presa, o que causou um arrepio na minha espinha. Um grito fraco escorreu da minha boca e me senti encolher.
— Corra, Myne! Evite o máximo que puder!
— Mas eu não posso evitar nenhum!— Ele deveria saber que é melhor esperar sentado do que esperar que eu faça qualquer coisa que exija agilidade. Tudo o que eu podia fazer era levantar meus braços e tentar bloquear qualquer golpe direto no meu rosto. Lutz pegou minha mão e correu, rebatendo uma tau jogada em nosso caminho. A tau, que realmente estava inchada como um balão de água, explodiu após bater no chão. Foi um bom salvamento, que me fez suspirar de alívio, mas Lutz bloqueá-la, apenas fez nossos caçadores mais ansiosos pela vitória.
— Eles se esquivaram! Pirralhos atrevidos!
— Vamos, todo mundo!
E então, Tau após Tau caiu sobre nós. Elas até se pareciam com balões de água, então não doíam mesmo quando jogadas com força total, mas a água fria escorrendo pela minha espinha e a sensação da fruta explodindo contra minhas costas causavam arrepios por todo o meu corpo.
— Ah! Muito frio! Eles estão tão frios!
— Myne, apenas mova suas pernas!
Lutz só conseguiu bloquear a primeira tau lançada. Não havia como evitá-las quando os adultos se juntaram à briga. Fomos cercados em pouco tempo, impotentes contra seus números superiores. Não havia esperança de escapar e nenhuma maneira de se esquivar de todos eles. Estávamos condenados no momento em que chamamos a atenção dos festeiros animados, e estávamos encharcados em segundos.
— Ahaha! Não é um trabalho ruim, para um idiota, você quase a salvou!
— Mal posso esperar para ver quando ele se tornar um herói, hein?
Tagarelando, os adultos elogiaram Lutz, por seus esforços em me proteger, antes de sair correndo como uma tempestade em busca de suas próximas vítimas.
— Lutz, eu definitivamente vou ficar doente, agora.— Agarrei minha saia molhada e balancei a cabeça, fazendo a água voar para todo lado enquanto Lutz assentia.
— Effa pode ficar super brava e dizer que você não pode ir ao festival do próximo ano.
— Bem, eu sei como é agora. Sei muito bem. Eu não acho que realmente quero ir a um festival que garanta que eu fique doente,— eu disse enquanto torcia o cabelo para espremer a água.
Lutz e eu fizemos o nosso melhor para nos secar enquanto retornávamos ao templo. O norte da cidade parecia mais investido na próxima festa que nos taus, e os preparativos já estavam começando em várias praças com poços. As tábuas eram colocadas em caixas para formar mesas improvisadas, enquanto outros traziam comida de algum lugar.
— Cara, eu gostaria de estar com fome o suficiente para um pouco disso.
— Uhum, acabamos de comer, não?
As pessoas jogando taus e correndo por toda a cidade, sem dúvida, perceberam como seus estômagos estavam vazios, quando começaram a ver comida.
— Puxa! Mas que diabos. Olha só para você! Espere lá fora até o banho estar pronto, você está sujando o quarto!— Delia gritou comigo antes que mamãe tivesse a oportunidade. Lutz murmurou que ela era mais assustadora que Effa e eu concordei com um leve aceno de cabeça.
Enquanto esperávamos do lado de fora da porta para o banho ficar pronto, Fran apareceu vestindo suas roupas usadas da floresta em preparação para a próxima batalha aquática. Ao nos ver encharcados, ele começou a esfregar as têmporas.
— Irmã Myne, os órfãos já terminaram de se preparar. Você pode muito bem ir como você está. Delia, prepare o banho para quando ela voltar.
Delia quis ficar fora de arremessar taus porque não era algo “digno.” Gil já havia ido ao orfanato há algum tempo.
— Os sacerdotes cinzentos que estavam preparando as carruagens para os sacerdotes azuis, enviaram a notícia de que todos os sacerdotes azuis e seus assistentes partiram para o Bairro dos Nobres. O portão agora está fechado.
Seguimos para o orfanato, pela entrada dos fundos, e vimos que todos haviam mudado de suas vestes para suas roupas de segunda mão. Os taus colocados no porão foram levados para fora. Por sugestão de Lutz, nos dividimos em duas equipes, com Fran equilibrando-as por idade e gênero e assim por diante. Selecionamos um local amplo o suficiente para correr e todos prometeram não deixá-lo.
— Limpem tudo depois vocês mesmos. Não façam barulho o suficiente para que aqueles que estão fora do templo notem e fiquem curiosos. E finalmente, divirtam-se, sem se machucar ou machucar os outros. Entendido?
— Entendido!
— Tudo bem, vamos distribuir os taus.— Lutz olhou para o grupo de cestas. Como a pessoa de posição mais alta lá, eu tinha que me mover primeiro. Os taus que eu tinha visto na floresta antes, eram do tamanho de um único polegar, mas os da cesta eram tão grandes quanto o meu punho. Eles estavam realmente inchados com água e pareciam balões de água. Eu não tinha conseguido dar uma boa olhada neles antes, devido a fechar os olhos, então essa foi minha primeira vez realmente olhando para taus.
— Uau, eles realmente são grandes!
No segundo em que peguei um grande tau em cima da pilha, senti mana sendo drenada de mim, assim como durante a oferenda com o instrumento divino. A tau começou a se torcer e se abarrotar na minha mão, mudando de forma.
— Wow?!
— O que há de errado, Myne?!
— Está sugando minha mana!— Eu podia ver o que pareciam sementes duras surgindo e crescendo dentro da tau meio transparente. — Que nojento! O que está acontecendo?
— Como se eu soubesse!
Enquanto eu me debatia com o tau ainda na mão, sua cor, anteriormente vermelho-claro, escureceu devido às sementes começarem a sobrecarregar a água. A pele macia endureceu e ficou opaca. Foi nesse ponto que eu finalmente percebi o que eu estava olhando. Esta fruta vermelha era, sem dúvida, a semente de trombe, que eu havia encontrado no passado.
— Lutz, isso é um trombe! Vá buscar facas!— Gritei, ainda segurando a tau, e Lutz parou de olhar para ela, para ir, imediatamente, correndo para o porão, que agora usávamos como área de armazenamento. Ele voltou com cestas cheias de facas e ganchos, depois começou a dar instruções aos órfãos.
— Qualquer um acostumado a se reunir na floresta agora, prepare sua faca. Um material de fabricação de papel valioso está prestes a aparecer. Reúna tudo o que puder!
Os órfãos gritaram “Certo!” em uníssono, e quando todos tinham suas facas, o tau estava duro como uma pedra e ficando cada vez mais quente. A essa altura, eu poderia esperar que um trombe aparecesse se eu o jogasse no chão como fiz antes.
— Irmã Myne, estamos prontos!— Gil ficou ao meu lado, empunhando sua foice, como um herói combatente do crime de um programa de TV infantil. Lutz, com uma faca em uma mão, apontou para uma área de grama não pavimentada próxima.
— Myne, jogue onde há sujeira!
Com as vozes de Lutz e Gil em meus ouvidos, apontei para a grama e joguei o tau o mais forte que pude.
— Eu escolho você, coisa de árvore crescida!
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