Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 132 - 131
Capítulo 132Ascendance of a Bookworm – Capítulo 131
O Sistema Decimal Myne
— Fran, por favor, vá ao ateliê e chame três padres cinzentos, então convoque todos os meus assistentes, exceto Wilma.
— O que você vai fazer, Irmã Myne?
— Vou olhar a lista que o Sumo Sacerdote me deu e pensar em como classificar os livros.
Ao entrar na sala dos livros, Fran abriu caminho para uma mesa. Ele sentou-me, colocou as duas tábuas que o Sumo Sacerdote nos emprestou na minha frente, e, então, rapidamente, saiu para conseguir nossa ajuda.
Após vê-lo fora, comecei a olhar a lista sozinha. A lista foi escrita com letras pequenas e compactas, que deixaram claro que o escritor só se importava que ele pudesse lê-las, e mais ninguém.
— Vamos ver aqui. O Sumo Sacerdote trouxe. woah, o quê?! Há tantos! — O Sumo Sacerdote trouxe um enorme número de livros com ele — metade dos livros acorrentados e mais documentos do que poderia caber em uma prateleira de uma das estantes.
— Quem é o Sumo Sacerdote?— Tudo o que eu sabia, com certeza, era que ele era incrivelmente rico. Ele disse no passado que entrou no templo devido a certas circunstâncias, mas eu poderia imaginar que sua família estava definitivamente no alto escalão, quanto a posição. Se não fosse por isso, ele não poderia ter trazido cinco livros com ele, para o templo, quando cada um valia várias grandes moedas de ouro.
Até onde eu sabia, livros com capas de couro duro, decoração de ouro e pedras preciosas, que se encaixam neles, normalmente, não eram algo que qualquer um tinha. Eram tesouros de família e afins. No entanto, o Sumo Sacerdote trouxe cinco deles para o templo, como seus pertences pessoais, e os abriu para qualquer um, no templo, lê-los. Só isso era o suficiente para fazer a minha opinião sobre o Sumo Sacerdote disparar.
— Ele é uma pessoa tão boa. Eu não acho que muitos outros fariam isso.
Meu plano era, primeiro, categorizar os livros da lista e, depois, organizar as prateleiras com base em quantos documentos de cada categoria existiam, mas bati em uma parede repentina.
— Como devo classificar livros relacionados à magia?
Infelizmente, a versão japonesa do Sistema Decimal Dewey não tinha uma seção para magia. Mas o Sumo Sacerdote tinha mais documentos relacionados com magia do que qualquer outro, talvez por ser um campo no qual apenas nobres estavam envolvidos ou talvez porque precisavam deles para pesquisa.
Tentei escrever as categorias utilizadas no sistema de classificação japonês.
0 — Estudos gerais
1 — Filosofia
2 — Religião
3 — Ciências Sociais
4 — Línguas
5 — Ciências Naturais
6 — Tecnologia
7 — Arte
8 — Literatura
9 — História e Geografia
Considerando que a magia envolvia fazer ferramentas mágicas, provavelmente cairia sob tecnologia. Ou talvez fosse melhor tratá-la como matemática ou ciências naturais. Era difícil introduzir um sistema decimal em um mundo onde a vida era tão diferente.
— De qualquer forma, vou pensar sobre isso, após dar uma olhada mais de perto nos documentos. Tenho certeza que vai ser mais claro, uma vez que veja como eles são. — Não pude deixar de sorrir, enquanto olhava para todos os documentos espalhados no chão. Estamos falando de magia. Como meu coração não bateria rápido ao pensar no que está escrito nesses pergaminhos?
Tudo fora da magia poderia ser classificado normalmente, então, uma vez que todos chegaram aqui, primeiro empilhamos os documentos para limpar o chão. Eu então marcaria as prateleiras com classificações e leria cada documento individualmente, colocando-o em qualquer prateleira que parecesse se encaixar melhor. Idealmente eu terminaria isso até o final de hoje, o que me permitiria passar os dias seguintes registrando-os em um catálogo e criando números de classificação mais precisos. O segundo nível de classificação provavelmente precisaria ser modificado significativamente, para ser utilizável aqui.
— Puxa! Apenas, o que aconteceu aqui?!
Ouvi um grito familiar e me virei para ver Delia na porta, com os olhos abertos de raiva. Era o trabalho dela manter meu quarto limpo, então, naturalmente, uma bagunça como essa a deixaria louca. Atrás dela estavam meus outros assistentes e três sacerdotes cinzentos, todos os quais pareciam atordoados com o estado da sala dos livros.
— Puta merda,— murmurou Gil. — Eu não sei quem fez isso, mas acho que eles querem que a Irmã Myne os mate.
Gil sabia o quanto eu amava livros, e sua observação fez Fran pressionar uma mão contra seu estômago.
— O que há de errado, Fran? Seu estômago dói?
— Bem, quando penso no futuro do culpado.— Não esperava que Fran se preocupasse tanto com o culpado que ele se sentiria mal. Coloquei uma mão na bochecha e inclinei minha cabeça.
— Talvez eu devesse cancelar o festival de sangue, então. Pensei que seria uma oportunidade perfeita para mostrar minha espinha dorsal como uma mestra e levantar a moral dos meus aliados, mas se você insistir.
— O-O que, Irmã Myne! Um festival de sangue não vai animar ninguém! Você só vai assustar todo mundo! — Meus assistentes e os sacerdotes cinzentos atrás deles, todos empalideceram e coletivamente deram um passo para trás. Então Fran caminhou até mim, ajoelhou-se, e tomou minhas duas mãos para começar seu apelo.
— Eu imploro, desista disso, por favor. Você já mostrou a firmeza de sua espinha dorsal, Irmã Myne.
— Você acha isso? Nesse caso, vou cancelar o festival de sangue. Podemos nos concentrar na organização hoje. — Fran me implorou para parar com um olhar tão sério que decidi cancelá-lo, afinal, organizar a sala dos livros seria muito mais divertido do que realizar um festival de sangue.
— Em primeiro lugar, tome cuidado para não pisar em nenhum documento. Separe os pergaminhos de documentos das tábuas de relatório e os empilhe nesta mesa. Comece os pegando de uma forma que forme um caminho para as estantes.
Todos eles responderam “Entendido”, ao qual acenei com a cabeça e continuei minha explicação.
— Fran e eu organizaremos os documentos recolhidos. Por favor, os alinhe na prateleira de acordo com a classificação dada. A prateleira superior da estante da esquerda será 0, a segunda prateleira 1 e a parte inferior será mantida aberta. As duas prateleiras superiores da estante direita serão 2 e a inferior será 3. Os documentos fora dessas classificações serão organizados por último. Vocês podem alinhar os documentos como quiserem, só não misturem a classificação numérica.
Fran sentou-se próximo a mim, enquanto os outros começaram a pegar os documentos no chão. Ele piscou confuso, tendo recebido um trabalho diferente de todos os outros.
— Irmã Myne, o que exatamente é esse sistema de classificação?
— Bem, veja! Esta é a tabela do Sistema Decimal Myne. Dê uma olhada nisso e decida qual documento corresponde a qual número. Você pode me perguntar, se você não tiver certeza, eu vou ajudar.
Entreguei meu díptico à Fran enquanto explicava como funcionava. Enquanto isso, pergaminho e tábuas estavam empilhados na mesa. Fran e eu olhamos para eles e os organizamos de acordo com o nível mais básico de classificação em que se encaixavam.
— Rosina, uma vez que um caminho for limpo, para a estante da esquerda, por favor, coloque esses documentos na Prateleira 1.
— Entendi, Irmã Myne.
Eu esperava isso, mas muitos dos documentos do templo eram sobre filosofia. Havia também muito sobre história e ciências sociais. Meus olhos foram particularmente atraídos pelos documentos que listavam as colheitas totais de cidades agrícolas, com a quantidade de colheita tomada pelo templo. Mas eram todos velhos e eu não conseguia encontrar nada mais recente. Além disso, não encontrei documentos sobre linguagem ou literatura. Nem um único.
— Delia, — gritou Rosina — há uma carta dentro desse pergaminho! Tome cuidado.
— Puxa! Não fique no caminho onde estou passando, pergaminho estúpido! — Delia gritou com o pergaminho enquanto desenrolava a carta, parcialmente por constrangimento. Rosina riu e pegou os pedaços de pergaminho que acabaram espalhados pelo chão. Todos os pergaminhos foram colocados no mesmo local, então, não os estávamos classificando, apesar de olhar para o conteúdo deles. Finalmente pudemos ver o chão, novamente, quando os pergaminhos foram recolhidos.
— Gil, por favor, dê esses documentos ao padre perto da prateleira 2.
Os documentos que estavam espalhados no chão não eram livros e não tinham tamanho uniforme. Vi um padre cinza lutando com um pedaço de pergaminho que continuava caindo e concluí que seria bom ter um armário de arquivos ou algo assim para todos. Nem sequer tínhamos suportes de livros.
— Talvez eu devesse pedir a Johann para fazer alguns.
— Irmã Myne?
— Oh, não é nada. Rosina, por favor, dê essas tábuas para aquele padre cinza. Diga-lhe que ele pode empurrar o pergaminho de volta com elas.
A sala dos livros ainda parecia uma bagunça, mas os valiosos livros dentro da prateleira trancada, que só podiam ser abertos com uma chave do Arcebispo ou do Sumo Sacerdote, tinham ficado intocados, e os livros acorrentados não haviam sido danificados ou mesmo arranhados. O padre azul que fez isso realmente tinha acabado de bagunçar os documentos por despeito mesquinho. As duas estantes vazias e o piso coberto fizeram parecer que um grande número de documentos tinha sido espalhado, mas, uma vez que os pergaminhos foram enrolados e os documentos empilhados, não havia realmente muitos deles. Fran e eu não tínhamos muitas tábuas e pedaços de pergaminho para categorizar.
— Acho que é isso?
Terminamos de organizar todo o pergaminho e pranchas tão rápido que não pude deixar de inclinar minha cabeça de surpresa.
— Sim,— confirmou Fran. — Isso não demorou tanto quanto eu esperava. Seu sistema de classificação foi muito eficiente.
— Nós apenas organizamos eles com base no primeiro nível de classificação. Pretendo fazer subdivisões mais precisas para tornar documentos específicos mais fáceis de encontrar. Certamente será difícil elaborar números de classificação de precisão para esses documentos, mas valerá a pena fazer.
Fran levantou-se, sorrindo de alívio, então me levantei também e olhei em volta. Todos os documentos que estavam no chão estavam agora armazenados em prateleiras. Mas as prateleiras que reservei para os documentos do Sumo Sacerdote estavam vazias. Eu não tinha encontrado um único de seus documentos relativos à magia, apesar de tudo ter sido pego.
— Irmã Myne, há algo errado?— A voz de Fran me trouxe de volta à realidade e vi os sacerdotes cinzentos, alinhados pelos meus assistentes, esperando novas ordens. Parecia que eles não podiam sair, até que eu lhes dissesse, mesmo que seu trabalho aqui estivesse feito.
— A sala dos livros foi limpa graças aos seus esforços. Muito obrigado, gente! Aprecio muito a sua ajuda.
Fran tinha que devolver a chave da sala dos livros para o Sumo Sacerdote, então eu o segui. Queria perguntar a ele sobre os documentos a respeito de magia.
— Preciso devolver a lista que ele me deu, e tenho algo a perguntar a ele.
— Que pergunta seria essa?
— Não encontrei nenhum dos documentos registrados na lista. Talvez eles estejam guardados em outro lugar, mas, se não, isso pode ser um grande problema.
Fran empalideceu. Se todos os documentos, relacionados à magia, foram roubados por alguém, eu seria tratada como a maior suspeita, já que fui eu quem organizou a sala dos livros. O fato de nenhum dos livros valiosos ter sido roubado me fez pensar que os documentos provavelmente estavam bem, mas melhor prevenir do que remediar.
— Prefiro não ver seu rosto mais de uma vez por dia, você sabe.— O Sumo Sacerdote fez uma expressão de desgosto assim que entrei em seu quarto. “Não é como se eu estivesse vindo aqui para vê-lo também”, protestei, por dentro, enquanto agradecia a ele pela lista com um sorriso.
— Sumo Sacerdote, obrigado por me emprestar a lista.
— Você terminou de organizar a sala dos livros? Isso foi mais rápido do que eu esperava.— murmurou o Sumo Sacerdote. Porém, o que ele esperava? De jeito nenhum eu deixaria documentos preciosos apodrecerem no chão.
— Terminei a primeira fase de classificação. Começarei a trabalhar no segundo e terceiro níveis nos próximos dias. A propósito, não achei os documentos da sua lista. Se você os está armazenando, em algum lugar você mesmo, tudo bem, mas pensei que eu deveria relatar isso, apenas no caso de eles terem sido perdidos ou roubados.
— Isso é de se esperar, já que esses documentos estão no meu quarto. Mas o mais importante, Myne, como sabia que apenas os documentos listados aqui estavam faltando, daquela montanha de documentos?
— Preparei um número de classificação para eles, mas a prateleira para eles acabou ficando vazia.— Estávamos falando de documentos reais sobre magia, diferente de tudo que eu tinha visto antes, nos meus dias de Urano. Qualquer um, animado com magia, notaria que eles não estavam lá. Sem mencionar que o Sumo Sacerdote disse haver uma “montanha de documentos” na sala dos livros, mas eu estava tão acostumada com bibliotecas da Terra, que a sala dos livros parecia incrivelmente limitada, para mim.
— O que você quer dizer com número de classificação?
— Isso é apenas parte do Sistema Decimal da Myne. Eles são usados para organizar livros e documentos.— Tirei meu díptico, que ainda tinha o gráfico que desenhei para mostrar a Fran. — Eu não tinha certeza se deveria classificar os documentos mágicos sob tecnologia ou sob ciência natural, e finalmente decidi esperar até que eu os tivesse lido.
— Oh? Este é um sistema muito interessante. Você mesma pensou nisso? — O Sumo Sacerdote estreitou os olhos, olhando para mim com desconfiança. Honestamente, sua suspeita era justificada. De jeito nenhum eu poderia pensar em algo tão maravilhoso como isso.
— Não, baseei isso no Sistema Decimal (japonês), que por sua vez foi baseado no Sistema Decimal Dewey criado por Melvil Dewey. Eu o chamo de Sistema Decimal da Myne.
— Melvil Dewey? Quem é esse, e de onde ele é? Eu nunca ouvi falar dele.
— Ele morreu há muito tempo, e eu nunca o conheci. Mas, o mais importante, onde você acha que magia deve ser classificada?
Apontei para o díptico e perguntei ao Sumo Sacerdote sobre em que número classificar magia. Ele realmente levou a questão muito a sério, e começou a pensar muito enquanto murmurava coisas como “O aspecto fundamental da magia é” e “Não, mas quando se trata de ferramentas mágicas, não se pode esquecer disso”.
Esperei ansiosamente por sua resposta, e, depois de um pouco de espera, o Sumo Sacerdote de repente voltou à realidade. Ele tossiu e balançou a cabeça.
— Só posso dizer que depende do documento, e em qualquer caso, não é algo para você se preocupar.
— Por que não? Eu não posso organizá-los sem lhes dar um número de classificação. — O Sumo Sacerdote lentamente olhou ao redor da sala, em seguida, colocou a ferramenta mágica de bloqueio de som na minha frente. Eu a agarrei e esperei que ele continuasse.
— Apenas nobres usam magia. Como os sacerdotes azuis aqui não se formaram na Academia Real, os documentos não são para seus olhos. Eu não tenho nenhuma intenção de armazená-los na sala dos livros.
Em suma, os documentos empilhados em seu quarto escondido eram, sem dúvida, focados em magia. Isso fazia sentido, mas também parecia estranho. O Sumo Sacerdote fez parecer que os sacerdotes azuis não eram nobres.
— Só nobres usam magia? Mas os padres azuis não são nobres?
— Não, não exatamente. Padres azuis têm o sangue da nobreza e possuem mana. Mas apenas aqueles que se formam na Academia Real são aceitos como nobres, dentro da sociedade nobre.
— O quê? Mas você disse que um bando de padres azuis e donzelas do santuário voltaram para a sociedade nobre. Talvez tenham sido enviados para a Academia Real, após serem levados de volta. Embora, de acordo com o que eu tinha ouvido sobre os sacerdotes cinzentos no orfanato, alguns de seus antigos mestres tinham sido padres adultos e donzelas do santuário.
— A Academia Real permitiu temporariamente que eles fossem admitidos, devido à necessidade de substituir o enorme número de nobres mortos durante o expurgo. Isso permitiu que a situação atual fosse mantida. Dada a influência de suas famílias, os sacerdotes azuis podem parecer idênticos aos nobres, apesar de não terem frequentado a Academia Real, mas isso não está certo.
Pensei que qualquer um com sangue nobre seria um nobre, baseado tanto no meu conhecimento histórico da nobreza quanto em como os sacerdotes azuis se comportavam. Mas como alguém tinha que se formar na Academia Real para ser um nobre, nem todos os sacerdotes azuis eram nobres de verdade.
— Você não pode ser nobre se não se formar? Isso parece muito duro.
— Eu discordaria. Nobres exercem o enorme poder da mana. Alguém tão ignorante que não pode controlar sua mana, usá-la corretamente, ou fazer ferramentas mágicas dificilmente pode ser considerado um nobre. É simples assim. E é por essa razão que não importa o quanto você implore, não posso mostrar-lhe os documentos. Nem eu iria querer. Esse é o fim disso. — Ele terminou sua explicação, que deixou claro que ele não iria ceder sobre o assunto. Parecia que o Sumo Sacerdote sabia o tempo todo que eu esperava que ele me mostrasse.
— Summooo Saceerdoooteee.
— Minha resposta não vai mudar. Volte para seus aposentos imediatamente. — ele ordenou com um brilho gelado. Baixei os meus ombros e saí da sala.
Tsc. Eu queria ver aqueles documentos sobre magia. O Sumo Sacerdote é apenas um grande malvado.
Quando voltei para meus aposentos, Tuuli e Lutz estavam lá, provavelmente, tendo terminado seu trabalho. Eles estavam esperando por mim, no corredor do primeiro andar.
— Tuuli, Lutz. Agradeço por esperar.— Sentei-me em uma das cadeiras, com eles, e após ver Delia ir para a cozinha para fazer chá, continuei. — Vocês terminaram os livros?
— Apenas cerca de metade deles. Essas crianças do orfanato nem sequer seguraram uma agulha antes — disse Lutz, ao que Tuuli acenou com a cabeça.
— Ele não está brincando. Eu não podia acreditar que nenhum deles tinha usado uma agulha antes. O que é ruim, porque eles não serão capazes de consertar suas roupas se forem rasgadas. Devo ensiná-los a costurar, também?
Os que trabalhavam na oficina usavam as mesmas roupas de segunda mão que as crianças usavam quando iam para a floresta. Não era estranho que eles rasgassem as mangas e bainhas. Mas como não sabiam costurar, não tinham como consertar as roupas, ao contrário das crianças da cidade baixa. Eu não era boa o suficiente para costurar, por mim mesma, então eu estava pensando em usar suas roupas estragadas como trapos e comprar novos pares.
— Terei os conjuntos de costura prontos, se você estiver disposta a ensinar, Tuuli. Eu não tenho permissão para trabalhar aqui, e eu não sou boa em costura, de qualquer maneira, então.
— Isso é verdade. Eles definitivamente não ficariam melhores com você os ensinando. Acho que mesmo os ensinando a costurar as bordas das mangas, faria diferença, então tudo bem. Esses conjuntos de costura seriam ótimos.— Provavelmente era difícil para Tuuli acreditar que alguém pudesse crescer sem aprender a cozinhar ou costurar, dada a importância dessas habilidades na vida. Ela parecia uma professora de culinária, preocupada com seus alunos.
— As crianças do orfanato podem fazer sua própria sopa, graças a você e Ella as ensinando, e agora você está passando para as aulas de costura. Talvez você devesse ter sido uma professora, Tuuli.
— Você quer que eu os ensine ou não?— Tuuli fez beicinho ao ser chamada de professora, em seguida, baixou os olhos. — Mas, eles sabem ler, um pouco. Eles estavam lendo um pouco, quando fizeram os livros. Eu não esperava que as crianças órfãs soubessem ler.
— Eles têm brincado com o conjunto de karuta que fiz para eles. Você deve jogar com eles algum dia, Tuuli. — A karuta parecia estar eficazmente ensinando as crianças a ler um pouco. Como eu tinha colocado todas as palavras da karuta na Bíblia das crianças, seria mais fácil para elas lerem. Mas não seria tão fácil ler para alguém que não está no templo. Eu queria mostrar um ao Benno e ver o que ele pensava.
— Lutz, você tem um livro pronto para dar ao Benno?
— Sim, eu tenho o suficiente para todos que nos ajudaram.— Lutz ergueu quatro livros com orgulho.
— Wow, obrigada! Vamos levar um ao Benno amanhã.
— Sim.
Poderíamos, basicamente, entrar na loja do Benno quando quiséssemos, e mesmo que ele não estivesse lá, poderíamos dar o livro ao Mark. Mas, para me encontrar com o Sumo Sacerdote, corretamente, eu primeiro tinha que escrever uma carta pedindo uma reunião.
— Parece que tenho que escrever outra carta. Lidar com nobres prova ser uma dor de cabeça, mais uma vez.
— Irmã Myne,— disse Fran, — devo fazer Rosina escrevê-la para você? — Apesar de fazer uma pergunta, a expressão de Fran e a nuance do momento escolhido deixaram claro que ele ainda queria ver se Rosina poderia escrever uma carta adequada. O dever de um assistente envolvia escrever cartas para seu mestre, e não haveria melhor prática do que escrever cartas ao Sumo Sacerdote. Ele, sem dúvida, corrigiria completamente quaisquer erros que ela pudesse cometer e, em seguida, enviaria de volta a correção para ela.
— Isso soa como uma boa ideia. Vou deixá-la para ela.
Rosina se contorceu de medo, mas acenou com um sorriso gracioso. Eu poderia realmente aprender com ela, eu pensei, então notei que Delia estava olhando para Rosina, cheia de inveja, por ela ter um novo emprego. Gil estava recebendo todo tipo de novo trabalho graças ao seu envolvimento com o ateliê, e o trabalho de Fran dependia inteiramente de quão ativa eu era. Rosina não era hábil com papelada, mas ela podia gerenciá-la e, assim, Fran estava dando a ela porções cada vez maiores de seu trabalho. Delia provavelmente pensou estar sendo deixada para trás, presa em uma rotina de limpar meus aposentos e não muito mais.
No entanto, ela está trabalhando duro para aprender a ler e fazer contas. Gil aprendeu mais rápido, já que teve as crianças do orfanato para competir. Enquanto isso, Delia sentiu que não estava melhorando, não importava o quanto ela trabalhasse, o que era honestamente algo que eu podia simpatizar. Muitas vezes senti que não estava melhorando e Lutz estava me deixando para trás, apesar de nós dois termos a mesma idade.
Talvez eu não esteja elogiando ela o suficiente? Era fácil elogiar Gil, já que ele sempre pedia, sempre que fazia algo, mas Delia fazia seu trabalho diário sem qualquer grande alarde, o que dificultava encontrar oportunidades para elogiá-la. Levar os deveres diários a sério era definitivamente importante e impressionante, mas no momento é meio difícil dizer: “Obrigado por continuar fazendo o que você sempre faz”.
— Delia, eu gostaria de entregar este livro ao Sumo Sacerdote depois. Por favor, guarde na gaveta de minha escrivaninha.
— Certamente.— Delia pegou o livro, e então dei-lhe outro.
— Você poderia deixar isso em algum lugar no corredor? Gostaria que lesse primeiro e me dissesse seus pensamentos antes de qualquer um.
— Eu, primeiro? — Delia piscou de surpresa. Concordei com a cabeça.
— Sim. Gil está trabalhando duro no ateliê, mas meus aposentos desmoronariam sem você, Delia. Eu gostaria que você visse o produto completo primeiro.
— Isso mesmo. É tudo graças a mim!— Delia levantou o queixo alto e correu pelas escadas, com os braços enrolados nos livros. Todos a viram ir com um sorriso quente.
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