Ascendance of a Bookworm — Capítulo 135: CAPÍTULO 135 - 134

Ascendance of a Bookworm
Cap. 135
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 135 - 134

Capítulo 135

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 134

Uma discussão sobre os preparativos de inverno

— Sumo Sacerdote, há mais uma coisa que quero discutir.

Me virei para olhar para o Sumo Sacerdote enquanto organizava as páginas reescritas da Cinderela no meu colo. Ele notou meu olhar e colocou os documentos que estava olhando em sua mesa.

— É sobre as preparações de inverno do orfanato.

— Preparações de inverno? Ah, sim. Prevejo que a quantidade de presentes divinos e lenha será, em grande parte, inalterada desde o ano passado, mas vou pedir para Fran dar-lhe um relatório mais detalhado, mais tarde. Não terei uma resposta clara até que os padres azuis voltem do Festival da Colheita, mas o clima tem sido favorável e não houve doenças generalizadas nas plantações. Não deve haver menos comida do que no ano passado.

— Oh? Você pode prever isso?

Presumi que ele não teria ideia até os padres azuis voltassem. Como ele poderia fazer uma previsão quando quase nunca sai do templo? Eu pensei, piscando, surpresa. Recebi minhas informações da minha família indo ao mercado e todos os rumores que fluíam pela Companhia Gilberta, ao lado de sua mercadoria, mas não conseguia me lembrar do Sumo Sacerdote deixando o templo desde que cheguei aqui.

— O clima é uma coisa, mas como você sabe sobre o estado das culturas nas cidades agrícolas? Você não deixou a cidade antes, não é?

— Eu tenho meus contatos. Posso não entrar na cidade baixa, mas vou ao Bairro dos Nobres.

Minha visão da cidade foi fundada na cidade baixa, mas a visão do Sumo Sacerdote foi fundada no Bairro dos Nobres. Isso explicava de onde ele tirava as informações. Este era um viés completo da minha parte, mas eu não tinha dúvida de que havia uma guerra desonesta de informações, que acontecia entre os nobres em todos os momentos.

— Myne, seria correto para mim, assumir que você começou a preparar o orfanato para o inverno por conta própria?

— Sim. Vou pegar ferramentas e suprimentos através do Benno. E já que estamos fazendo isso por nós mesmos, tanto os sacerdotes cinzentos quanto as crianças estarão ajudando.

— Por crianças, você quer dizer as crianças pré-batismo?— O Sumo Sacerdote arregalou os olhos de surpresa. Como um nobre, ele não tinha o conceito de alguém trabalhando para conseguir sua própria comida. E até agora, ele tinha sido forçado a manter as crianças do pré-batismo mais ou menos trancadas no orfanato, então a ideia de tê-las trabalhando nunca lhe ocorreu.

No entanto, esse tipo de pensamento não funcionaria conosco, pessoas pobres. O princípio de trabalhar por sua própria comida permeava o orfanato e todos os meninos, famintos, lutavam para fazer mais trabalho e obter o maior volume de alimentos. As crianças não eram exceções, já que os dons divinos iam para eles por último.

— Isso é normal na cidade baixa. Até crianças pequenas podem ajudar. Embora eu nunca tenha ajudado muito já que sempre acabo acamada.

— Eu posso imaginar.

— De qualquer forma, o abate de porcos em si, será feito em uma cidade agrícola, mas vou querer fazer cola de couro e velas de gordura de vaca, depois. Imagino que vai cheirar muito mal, o que pode causar problemas.— Eu olhei para o Sumo Sacerdote timidamente e ele fez uma careta.

— Os sacerdotes azuis certamente se queixariam se o orfanato começasse a fazer o templo feder.

— Imaginei.

Tanto a cola quanto as velas cheirariam extremamente mal, então meu plano era fazê-las fora do ateliê. A seção nobre do templo estava a uma distância razoável do orfanato, mas de jeito nenhum o cheiro passaria despercebido. Meu plano B era fazê-lo no Ateliê da Myne original, o antigo prédio de armazenamento, mas não havia espaço suficiente para todos e mover as ferramentas para lá, e trazê-las de volta, seria um pesadelo. Eu queria continuar trabalhando no orfanato, se possível.

— Esta normalmente seria uma situação difícil, mas… Bem, a maioria dos sacerdotes azuis estará ausente pelos próximos dez dias devido ao Festival da Colheita. O fedor pode ser dispersado durante esse tempo. Mas, uma vez que eles retornem, não espere ter oportunidade de causar tal cheiro no templo novamente.

Eu não tinha certeza se a matança de porcos poderia ser terminada durante o Festival da Colheita. Eu não tinha os porcos ou as ferramentas prontas. Mas talvez eu pudesse fazer algo funcionar se falasse com Benno.

— Entendido. Vou falar com Benno. — Apertei meu punho em determinação, tendo finalmente visto um vislumbre de esperança, e o Sumo Sacerdote deixou de lado sua franja.

— Myne. Você vai ser capaz de pagar os preparativos de inverno para esse número de pessoas?

— Estou usando o dinheiro que eles ganharam por si mesmos no Ateliê da Myne, então vai ficar tudo bem.

— Bom, eu não teria gostado que você suportasse esse fardo imenso por conta própria. Mas pensar que você realmente lhes permitiu ganhar o suficiente para se sustentarem.

— Ainda é principalmente graças aos dons divinos, no entanto.— Eu dei de ombros para o tom impressionado do Sumo Sacerdote. Se não fossem os dons divinos, o Ateliê da Myne não estaria ganhando o suficiente para sustentar todo o orfanato. Éramos honestamente um lugar obscuro que funcionava com trabalho infantil barato.

— Ainda é uma boa notícia para mim. Eu estava antecipando que este inverno seria verdadeiramente brutal para eles. — O Sumo Sacerdote me fez raros elogios, com a expressão um pouco calorosa. Sorri, feliz em saber que meus esforços para ajudar o orfanato não foram infrutíferos.

— Não haverá problema com os preparativos de inverno do orfanato, se você puder terminá-los em dez dias. Eu mesmo estou mais preocupado com seus preparativos de inverno,— explicou o Sumo Sacerdote, o que me confundiu. Eu estaria fazendo minha preparação de inverno em casa. Ou mais precisamente, minha família faria, já que eu iria ficar no caminho. Eu tentaria fazer um pouco mais este ano, já que eu tinha crescido um pouco e mamãe estava grávida, mas duvidei que o Sumo Sacerdote estaria preocupado com isso.

— Eu não entendi. Minhas preparações de inverno serão feitas na minha casa.

— Isso não vai funcionar. Há o Ritual de Dedicação no inverno. Você sabe desse, não é? — O Sumo Sacerdote inclinou-se para a frente, focando seus olhos dourados em mim.

O Ritual de Dedicação era um ritual que o Sumo Sacerdote me contou, com uma nota firme, de que eu precisaria comparecer não importava as circunstâncias. Era um ritual onde nós, do templo, rezaríamos para que a vida florescesse mais uma vez na primavera, rezasse por um crescimento seguro, e preenchesse completamente todos os instrumentos divinos, no templo, com mana. Se não os enchêssemos de mana até a borda, não haveria mana suficiente para oferecer às cidades agrícolas durante a Oração da Primavera, o que prejudicaria a próxima colheita.

— Como o Ritual de Dedicação requer uma grande quantidade de mana, você absolutamente deve participar. Você não pode perdê-lo devido às nevascas. Portanto, você vai ficar no templo durante o inverno.

— Entendo que as nevascas poderiam ficar no caminho de eu oferecer mana aos instrumentos divinos. Mas ficar aqui preocuparia minha família até a morte. Eu realmente fico doente muitas vezes no inverno, então…

Não seria exagero dizer que me permitiram ser uma donzela azul do santuário inteiramente devido à importância do Ritual de Dedicação, para que eu pudesse entender de onde o Sumo Sacerdote estava vindo. Mas eu ficar no templo o inverno todo era uma questão diferente. O que eu diria à minha família?

— Eu posso simpatizar com como sua família se sentiria. Assim, permitirei que entrem em seus aposentos, para verificar você, durante o inverno. Esse é o maior compromisso que posso fazer. Não relaxe em preparar seus aposentos para o inverno.

O Sumo Sacerdote me disse para não relaxar, mas preparar-me para o inverno era um negócio tão grande que a preguiça dificilmente entrava na equação. Preparar meus próprios aposentos para o inverno, após preparar o orfanato, era uma despesa enorme e inesperada. Saí do quarto do Sumo Sacerdote me sentindo mal.

Nãããão! Minha preparação de inverno vai ser mais difícil que a do orfanato!

— Irmã Myne, você parece muito pálida.— observou Rosina.

— Estou bem, Rosina. Acontece que estou um pouco perturbada. Fran, eu ouvi do Sumo Sacerdote que devo passar o inverno inteiro no templo. — Respondi à Rosina com um sorriso, depois falei com Fran sobre os preparativos do inverno. Ele deu um aceno lento de compreensão.

— Dado o Ritual de Dedicação, seria difícil permitir que você viesse de casa.

— Eu não esperava ter que fazer meus próprios preparativos de inverno. O que eu vou precisar?

— Já estamos planejando comprar lenha e comida para o orfanato, então precisamos apenas comprar mais. Deve haver pouco problema em comprar apenas um pouco mais de tudo. — Fran dizendo que não seria grande coisa, foi o suficiente para eu soltar um suspiro de alívio. Ainda assim, eu não saberia quanto extra custaria até que cruzássemos os números.

— Rosina, perdoe-me, mas você poderia ir chamar Lutz, da oficina?

— Como quiser.

Ao chegar em meus aposentos, continuamos nossa discussão sobre os preparativos de inverno enquanto Delia preparava o chá. Escrevi no meu díptico as coisas que eu precisaria para o meu dia-a-dia, o que eu precisaria para o trabalho de inverno, o que eu precisaria para reunir parues, e então pensei em qualquer outra coisa que eu pudesse precisar. Fran foi falar com os chefs para descobrir seus planos e ver se eles poderiam viver em meus aposentos durante o inverno.

Em pouco tempo, Lutz voltou do ateliê, trazido por Rosina.

— E aí, Myne?

— Pergunta rápida. Eu não sei nada disso, já que eu nunca estive realmente envolvida com isso, mas você acha que podemos terminar de carnear os porcos dentro de dez dias?— Contei ao Lutz sobre o que o Sumo Sacerdote tinha a dizer sobre nossos planos, o que o fez fazer careta.

— Você não acha que está se apressando muito? Eu nem sei se vamos ser capazes de alugar um quarto de defumação.

— Sei que será corrido, mas agora, enquanto os sacerdotes azuis se foram, é nossa única chance. Se não for possível, podemos fazer a cola de couro em nosso antigo prédio de armazenamento, mas é pequeno e trazer ferramentas seria um pesadelo, não é?

O depósito tinha apenas cerca de dez metros quadrados, de tamanho, não o suficiente para o trabalho que estaríamos fazendo. Lutz enrugou o nariz pensando nisso.

— Vou até à loja e ver o que mestre Benno pensa. Se isso vai chegar até nós trabalhando no depósito, tenho certeza que ele vai pelo menos verificar com as cidades agrícolas sobre fazer isso rápido. Diga ao Fran para levá-la até a loja no caminho de casa.

— Tudo bem. Muito obrigado, Lutz.— Após ver Lutz correr para a Companhia Gilberta, olhei para o meu díptico e voltei a escrever. Minha presença aqui realmente tinha um impacto significativo em quanta coisa precisávamos pedir. Mesmo uma garotinha, é necessária muita comida para sobreviver vários meses.

Isto é ruim. Talvez eu não tenha dinheiro suficiente para isso. Preciso me apressar e terminar a história da Cinderela.

— Você vai precisar de roupas novas também, Irmã Myne— sussurrou Delia.

— Não se preocupe, eu estava realmente planejando ir comprar roupas o mais rápido possível. Me ocorreu que as crianças do orfanato e meus assistentes também precisarão delas. Mas se vou comprar roupas para tantas crianças, talvez eu devesse levar meus assistentes comigo?— Pensei em voz alta e ouvi Delia soltar um grito alto de excitação. Parecia que ela estava muito interessada em comprar roupas de inverno.

Em contraste, Rosina parecia pouco entusiasmada. Ela, sem dúvida, preferia ficar em casa tocando seu Fespiel.

— Os órfãos têm seus dons divinos,— observou. — Eu não acredito que eles vão precisar de roupas de inverno, quando eles não precisam sair.

Era verdade que eles tinham sobrevivido até agora com dons divinos, e se eles ficassem dentro do templo eles, provavelmente, ficariam bem. Mas eu queria que eles reunissem parues em dias ensolarados de inverno.

— Há alguns dias de inverno onde eles precisarão ir para a floresta, o que significa que eles vão precisar de chapéus e luvas.

Eu tinha à minha disposição um grande grupo de pessoas que estavam acostumadas a coletar na floresta. Como eu poderia não tirar vantagem disso? Especialmente considerando que minha mãe não poderia ir para a floresta este ano, por estar grávida. Eu pretendia que Tuuli liderasse as crianças em um levante heroico para garantir nossa parte, justa, de parues.

Estou abusando do meu poder? Diga o que quiser, comida doce é rara no inverno e eu não vou perder parues.

Eles precisariam de roupas quentes para isso, e trenós para carregar seu saque doce. Chapas de metal e espátulas para cozinhar os bolos de parue seria bom também. Escrevi tudo o que me veio à mente no meu díptico. Após somar os preços, confirmei que não tinha dinheiro suficiente para tudo isso.

— Irmã Myne, parece que Ella estará disposta a ficar durante o inverno, se você tiver um quarto para ela.— Fran tinha negociado com sucesso para que Ella assumisse a posição de chef, enquanto estava nevando, com crianças do orfanato que estavam interessadas em cozinhar ajudando.

— Rosina, por favor, pergunte a Wilma quem seria uma boa ajuda para Ella. Ela é sempre a única que faz a sopa. Fran, Lutz foi à loja antes de nós. Por favor, me leve lá.

— Como quiser.— Rosina e Fran responderam ao mesmo tempo.

Notei Delia meio que se mexendo atrás deles, e aparentemente, ela estava esperando terminarmos de falar. Ela soltou pergunta após pergunta, enquanto desfazia minha faixa e tirava minhas vestes.

— Então, Irmã Myne. Onde você vai fazer compras? Você vai comprar roupas de inverno para mim também? Você vai escolher suas próprias roupas? Quanto você vai comprar?

— Você está ficando muito animada, Delia. Nesse ritmo, você não será capaz de dormir esta noite.— Não pude deixar de sorrir para o entusiasmo arrogante da Delia.

— Puxa! Claro que vou ficar excitada! É de compras que estamos falando!— declarou Delia, seus olhos azuis-claros brilhando.

— Delia, você precisa se apressar e terminar de trocar a Irmã Myne. Fran está esperando lá embaixo,— repreendeu Rosina. Delia voltou às pressas a trocar minha roupa e terminou o mais rápido possível.

— Agora, então, eu acredito que vamos comprar roupas de inverno amanhã. Gostaria que todos viessem à Companhia Gilberta no terceiro sino. Wilma pode vir tão bem se ela desejar, mas eu não acredito que ela vai. — Expliquei a Delia meus planos enquanto subia as escadas, e após abrir a porta para mim, ela girou com um sorriso largo.

— Terceiro sino amanhã? Como queira. Tenha uma boa noite, Irmã Myne!

Fran e eu sorrimos para o quão animada Delia estava, então fomos embora. Senti o ar frio da noite na minha pele, enquanto falava com Fran sobre o que eu tinha escrito no meu díptico.

— Fran, você poderia dizer para Gil para trazer cinco bíblias para crianças da oficina para a Companhia Gilberta amanhã?

— Certamente, mas posso perguntar por quê?— Perguntou Fran, piscando de surpresa. Ele sabia como eu tinha sido firme sobre usar os livros como livros para os órfãos. Já que ele era basicamente meu secretário neste momento, decidi ser melhor contar tudo a ele.

— Eu não vou ter dinheiro suficiente a menos que eu os venda.

— Perdoe-me?

— O Sumo Sacerdote não parecia pensar ser grande coisa, mas, eu precisando ficar no templo durante o inverno, ficou totalmente fora do meu orçamento. Preciso pedir tudo do Benno o mais rápido possível, mas não há tempo suficiente para fazer o segundo lote de livros ilustrados, e não posso vender o papel ou a tinta que temos, já que preciso deles para os livros ilustrados. Estou de mãos atadas.

Fran não parecia saber como responder à minha confissão brutalmente honesta. Ele congelou, a boca abrindo e fechando, sem palavras saindo. Ele congela como o Sumo Sacerdote quando está confuso, pensei, enquanto olhava para ele. Fran balançou a cabeça.

— Está tudo bem? Quero dizer, não ter dinheiro. Eu não entendo completamente o que significa não ter dinheiro. Isso significa que nós não podemos ir às compras?

Como alguém que tinha sido criado no orfanato e servido um nobre rico o suficiente para trazer cinco livros com ele para o templo, Fran, aparentemente, nunca tinha ficado sem dinheiro antes. Ele disse que só após começar a me servir, ele soube que nem todos conseguiram o que queriam, que mesmo seu mestre teria que se contentar com menos, se ficasse sem dinheiro, e que pessoas tinham que trabalhar para ganhar seu dinheiro.

— Vai ficar tudo bem, Fran. Venderemos Cinderela em breve, e estou confiante de que ganharemos tudo de volta no trabalho de inverno. É que agora não tenho dinheiro de sobra. E Delia estava tão feliz em ir às compras. Então, não diga aos outros sobre ficarmos sem dinheiro. Basta dizer que Benno realmente insistiu em vendermos alguns, já que os livros ilustrados eram tão bons. Seria uma pena estragar o clima de compras, não seria?

— Como desejar.

A Companhia Gilberta apareceu ao longe, em nossa vista, assim que nossa conversa acabou. Eu podia ver alguém parado na frente da loja. Ele virou-se para este lado e acenou, quando percebi ser Lutz.

— Desculpe por mantê-lo esperando, Lutz.

— Sem problema. Vamos para casa.

— Obrigado por vir comigo, Fran. Por favor, volte ao templo quando o sol começar a se pôr. Até amanhã.

Fran acenou com um sorriso conflitante, então cruzou os braços na frente do peito e fez uma pequena reverência, antes de se virar. Lutz e eu fomos para casa, enquanto falávamos sobre como foi a discussão dele com Benno.

— Mestre Benno disse que vai tentar resolver algo com uma cidade agrícola. Tudo depende de quantas salas de defumação estão reservadas.

— Tudo bem. Espero que possamos terminar a cola de couro antes que os padres azuis voltem.— Eu saí com a incerteza, o que fez Lutz balançar a cabeça, com exasperação.

— Myne, você deveria estar mais preocupada com carnear os porcos do que com a cola de couro. Vão ser um bando de novatos, certo? A preparação de inverno da loja vem mais tarde, então não haverá muitas pessoas, com experiência, para ajudar. Mestre Benno pediu a um açougueiro para enviar alguma ajuda, mas vai ser difícil sem algumas pessoas mais experientes.

Nosso plano inicial era fazer nossa preparação de inverno com a Companhia Gilberta, mas agora que tivemos que acelerar as coisas, estaríamos fazendo tudo separadamente. Só isso significava que haveria muito menos pessoas experientes para ajudar. Teríamos um monte de pessoas que não sabiam o que fazer, quase todas as quais nunca tinham visto um porco ser morto antes. Era difícil pensar que eles seriam tão úteis, especialmente considerando a pouca ajuda que eu tendia a oferecer.

— Vou tentar conseguir a ajuda do papai, mas é meio difícil perguntar, quando nem sabemos quando vamos matar os porcos. — Mamãe estava fora de questão devido à gravidez, mas seria bom se papai e Tuuli pudessem ajudar. A única coisa era que eu não podia falar com eles até saber quando estaria acontecendo.

— Sim, é verdade. Mas… Você vai ficar bem? Tenho certeza que Gunther vai ficar irritado sobre você ficar no templo durante todo o inverno.

Realmente. Depois do jantar de hoje, seria nossa primeira reunião familiar em muito tempo. Eles não teriam escolha a não ser aceitá-lo, mas eu já podia imaginar o quão preocupados e zangados eles ficariam. Isso fez meu estômago doer.

— Não se preocupe, no entanto. Seu trabalho é oferecer mana. Acho que você vai ficar melhor no templo, também. Seus aposentos são muito mais quentes do que a casa da sua família, o que vai ajudá-la a evitar que você fique resfriada, e Fran já teve uma boa compreensão de sua saúde.

— Obrigada, Lutz. Vou dizer a eles que você disse isso. Minha família confia MUUITO mais em você do que em mim, por alguma razão.

— Boa sorte — disse Lutz, e nos dividimos no poço. Eu relutantemente subi as escadas.

— Então, Myne. O que aconteceu?

No momento em que eu disse ter algo para falar, a expressão de todos escureceu em um instante. Pensando nisso, nunca trouxe boas notícias para casa. Sempre foi coisa como o limite da minha vida, eu entrando no templo, a carta do templo. Eu mal podia culpá-los por estarem ansiosos.

— Bem, a coisa é… o Sumo Sacerdote tinha más notícias para mim. O templo tem um ritual importante durante o inverno, e eles não podem me dar o luxo de eu perdê-lo devido a nevascas. Ele quer que eu comece a ficar no templo quando a neve começar a cair.

— Qual é a dessa ideia?! Ele disse que você poderia ficar em casa! — Como esperado, papai bateu na mesa e explodiu de raiva. Tuuli e mamãe, ambas, balançaram a cabeça, ao lado dele.

— Ele disse, mas o Ritual de Dedicação é muito importante. Se não enchermos os instrumentos divinos com mana suficiente, a colheita do próximo ano não será boa. Menos colheitas prejudicariam muita gente, não é?

— O quê? O templo faz coisas assim?— Perguntou Tuuli, cheia de surpresa, e eu acenei com a cabeça. Eu não conhecia nenhum dos rituais realizados pelo templo, até me tornar uma aprendiz de donzela do santuário. A maioria das pessoas no templo não ia para a cidade baixa, e a maioria das pessoas só entrava no templo para seus batizados e cerimônias de vida adulta. O templo em si também não divulgava tudo o que fazia, então a maioria das pessoas da cidade não pensava muito bem dele.

— Ainda assim, sua saúde é mais importante. Você pode morrer, se eles apenas te trancarem no templo.

— Lutz disse que Fran ficou muito bom em cuidar da minha saúde agora. E vocês poderão vir me ver, para checar como eu estou. O Sumo Sacerdote disse que deixará vocês entrarem no templo, para me ver, era a maior concessão que ele poderia fazer.

Papai travou os dentes juntos. Era dolorosamente claro que, embora ele entendesse a importância do ritual e que o Sumo Sacerdote estava fazendo tudo o que podia, ele ainda não queria dar sua permissão.

— O que você quer fazer, Myne? — Perguntou mamãe, esfregando o estômago, suavemente, para se acalmar. Eu já dei minha resposta ao Sumo Sacerdote e tinha várias pessoas me ajudando a fazer meus preparativos de inverno. Eu só tinha uma resposta para ela.

— Quero ficar no templo. É meu trabalho estar lá.

— Myne!— Gritou papai, mas eu só balancei a cabeça lentamente.

— Papai, não se esqueça que sou a diretora do orfanato, agora, também. Tenho que cuidar dos órfãos. E eles só me deixam ser uma veste azul porque tenho mana, lembra? Se não fosse por isso, eu seria forçada a fazer trabalho forçado.

Papai apertou o punho firmemente. Ele travou os dentes, engoliu suas palavras, e fechou os olhos apertados.

— O Sumo Sacerdote aceitou todas as nossas condições. Tenho que manter minha palavra e ir ao ritual que precisa da minha mana. Você sabe que eu não tenho desmaiado devido à consumação nos últimos dias, né? Isso é porque tenho doado minha mana. Isso é para o meu bem também.

Eu provavelmente estaria morta ou perto disso, se não fosse pelas ferramentas mágicas do templo. Eu só estava viva graças a oferecer minha mana aos instrumentos divinos, no templo.

— O que você vai fazer se você ficar doente lá?

— Eu tenho uma cama em meus aposentos, e meus assistentes terão certeza de que eu não seja deixada por conta própria. Embora eu vá querer que Tuuli os ensine o que fazer, quando tenho uma febre.

— Essa cama é realmente fofa e agradável — murmurou Tuuli, que já havia estado no meu quarto, no templo, antes.

— Eu posso fazer isso — disse a mamãe. — Vou querer olhar o seu quarto lá, também.

— Você não pode se mover muito agora, pode? Por favor, não se esforce muito, mamãe.

— Eu vou ficar bem. A gravidez não é uma doença, você sabe. Minha doença matinal tem melhorado também.

Mamãe decidiu, por conta própria, olhar meus aposentos e se apresentar aos meus assistentes, uma vez que ela estava se sentindo um pouco melhor. Ela já estava operando na suposição de que eu ficaria lá, agora que ela sabia que eu queria. Era tarde demais para irmos contra as decisões tomadas pelos nobres, no templo.

Papai coçou a cabeça, um olhar de derrota em seu rosto.

— Você disse que podemos ir verificar você, certo?

— Uhum. E por favor, faça, eu vou sentir sua falta.

— Eu ia para o orfanato durante o inverno de qualquer maneira, já que sou a professora de costura, então tudo bem! Eu ainda vou vê-la o tempo todo!

Tuuli falou sobre seus planos no orfanato, com um sorriso brilhante, o que fez papai me dar uma carranca mal-humorada e olhar para mim.

— Por que você está sempre pedindo ajuda de Tuuli, Myne? Você deve pedir ajuda ao seu pai, às vezes. — Ele estava começando a ficar mal-humorado, já que ele queria que eu confiasse mais nele. Procurei apressadamente algo que ele pudesse fazer.

— Hum. Você poderia me ajudar a ensinar no orfanato como fazer trabalhos de inverno, então? Como cortar tábuas de madeira, esculpir ranhuras nelas, e tudo isso. É demais para Lutz fazer tudo, por conta própria.

— Tudo bem, você pode contar comigo. Mais alguma coisa?

Ele não era um profissional, mas ele era bom com as mãos, então eu lhe pedi para ensinar aos órfãos a arte da marcenaria. Ele aceitou com um sorriso. Se ele estava tão ansioso para ajudar, bem, não havia fim para as coisas que eu poderia pedir-lhe para fazer.

— Além disso, ainda não nos acordamos um dia, mas gostaria de sua ajuda, para abater porcos, para o orfanato. Ninguém no orfanato já fez isso antes, e a carne será a nossa comida para o inverno.

— Parece muito sério. Vou ver se consigo tirar o dia de folga do trabalho, uma vez que você confirme seus planos.

— Além disso, você poderia me dizer mais sobre o que precisamos para o inverno? Eu realmente não sei como é a preparação de inverno, já que eu geralmente estou doente, durante isso. Quem sabe o que pode estar faltando nos meus aposentos.

Depois disso, todos começamos a falar sobre o que eu precisaria para o inverno e coisas para verificar. A maior parte do que disseram tinha a ver com minha saúde ruim, e eu escrevi tudo, com um sorriso exasperado.

Fim da leitura

Capítulo 135 concluído

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