Ascendance of a Bookworm — Capítulo 137: CAPÍTULO 137 - 136

Ascendance of a Bookworm
Cap. 137
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 137 - 136

Capítulo 137

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 136

Açougue e Ausência

No dia seguinte às compras, as crianças do Ateliê da Myne nos ajudaram a levar os produtos, que Benno encomendou, para o templo. As crianças, vestindo suas novas roupas grossas, empilharam as mercadorias em carrinhos recém-adquiridos e carregaram tudo entre o orfanato e a Companhia Gilberta. Metade foi para os meus aposentos, mas muito foi para o orfanato, também. Eles também estavam trazendo ferramentas, que seriam usadas para o abate de porcos.

— Peguem a mercadoria aqui e deem qualquer coisa que vá para os aposentos da diretora, para Gil. Em seguida, leve lenha e comida para o porão do prédio das meninas e leve lenha e ferramentas para o porão do prédio dos meninos.

Fran verificou o conteúdo de cada carrinho, quando chegou, e direcionou para onde eles deveriam ser levados. Eles não estavam espalhados igualmente, já que o prédio das meninas tinha a cozinha, enquanto o porão dos meninos havia sido transformado no Ateliê da Myne. Wilma estava administrando a comida preservada e gerenciava a chave que mantinha a porta trancada. Todos sofreriam se o orfanato ficasse sem comida, no meio do inverno.

Os sacerdotes e donzelas cinzentos do santuário estavam levando as mercadorias para seus respectivos porões, e as crianças estavam ajudando, enquanto conversavam animadamente. Lutz começou a falar enquanto os observava.

— Minha família disse que também ajudaria com o abate de porcos do orfanato. Papai não saiu e disse isso, mas acho que ele meio que sente que deve ao Sumo Sacerdote.

Apesar do fato de Deid ser teimoso e calado, parecia que ele estava grato ao Sumo Sacerdote, por lhe fornecer uma oportunidade de conversar.

— Mas, tipo, o Sumo Sacerdote é um nobre, certo? Não há muito que possamos dar a ele, como agradecimento. Então papai vai ajudar o orfanato. Uma coisa levou a outra, e agora toda a minha família está ajudando.

— Sua família inteira. Deid não está indo um pouco longe demais?

A família imediata de Lutz consistia quase inteiramente de homens, o que seria uma grande ajuda, aqui, mas eu estava um pouco preocupada se todos estariam entusiasmados em ajudar o orfanato.

— Não se preocupe. Meus irmãos não pareciam preocupados, e mamãe também queria ajudar.

— Acho que as coisas podem dar certo, com a ajuda da sua família, Lutz. Agora estou ansiosa para o abate de porcos! — Dei uma risada feliz, mas Lutz apenas olhou para mim com uma careta.

— Por que você acha que vai também? Você sempre fica doente nessa época do ano, e, da última vez, você teve febre no carrinho e teve que ser levada de volta para o portão. De jeito nenhum vamos te levar a um abate, cheio de novatos.

— Isso faz sentido, mas minha mãe está grávida, e vou ser uma irmã mais velha no próximo ano, então eu queria participar dessa vez, com certeza, para que eu pudesse aprender como funciona.

Senti como se pudesse finalmente desenterrar as entranhas de um animal, sem chorar ao ver o cadáver ensanguentado, e ainda assim, eles estavam dizendo que eu não poderia ir. Foi muito cruel. Eu tinha até planejado ir, para que eu pudesse aprender a ajudar o açougueiro do bairro a abater um porco, quando chegasse a hora.

— Isso não vai acontecer. Você não seria capaz de trabalhar lá, com as pessoas do orfanato ao redor, de qualquer maneira. E você ficaria com febre, se nos visse trabalhando lá fora o dia todo. Como você vai fazer para, uh, esconder material de cola, se você está doente? — Lutz listou razão após razão pelas quais eu não poderia ir. O triste é que eu não podia discutir.

— Você vai ficar em casa, Myne. Use esse tempo para descobrir como resolver seus problemas quanto a falta de dinheiro. Isso é como, uuuh, o que foi que você disse? A pessoa certa para o trabalho certo?

— Cavei meu próprio túmulo.

Na manhã do dia do abate de porcos, minha família e a família de Lutz se reuniram, no poço, para conversar sobre as coisas. As coisas terminaram comigo, papai, e Tuuli indo para o orfanato. Dessa forma, eles poderiam me levar para onde eu estava ficando, enquanto papai e Tuuli organizavam os órfãos, pegavam o que precisavam no orfanato e os levavam para o local do abate.

Lutz foi para a loja de carne, como aprendiz da Companhia Gilberta, e depois foi para a cidade agrícola, com os açougueiros, enquanto sua mãe e minha mãe foram para a cidade primeiro, para preparar o prédio para defumar, tirar água e assim por diante.

— Agora, então, por favor, dividam-se em seus grupos e comecem o trabalho de hoje. — O grupo de açougue empurrou os carrinhos e partiu. O grupo doméstico limparia o templo e o orfanato, depois prepararia a sopa para o jantar.

Fran dividiu os do orfanato em dois grupos. Todos os sacerdotes adultos cinzentos estavam participando do abate, excluindo alguns, para cuidar das crianças.

— Pai, certifique-se de trazer de volta toda a pele de porco para mim. Preciso dela para a cola. Posso sobreviver sem os ossos ou órgãos, mas a pele é absolutamente vital. Faça tudo o que puder para consegui-la.— Eu enfatizei o quão importante era, para mim, a pele, e papai deu um tapinha na minha cabeça enquanto sorria.

— Sim, entendi. Fique bem, no seu quarto, para mim. Certifique-se de não ficar doente também. Lutz disse que você tem um trabalho importante a fazer depois disso, certo?

— Eu sei, eu sei. É por isso que vou ficar aqui, mesmo que eu realmente queira ir com vocês. — Tendo dito tudo o que eu queria, para o papai, fui para os carrinhos onde Tuuli e os órfãos estavam empilhando equipamentos.

— Tuuli, cuide de Delia por mim.

— Uhum. Trabalharemos duro juntas. — Tuuli sorriu para Delia, que ergueu as sobrancelhas e olhou para mim.

— Irmã Myne, por que tenho que ir com eles?!

— Eu quero que você veja o mundo fora do templo.

Rosina e Wilma estavam no templo comigo, enquanto todos os meus assistentes iam ao abate. Delia odiava, mas não tinha opção aqui. Eu não estava fazendo ela ir para o orfanato ou algo assim, e agora era um bom momento para ela se relacionar com as outras crianças. Ela mal interagia com eles, mas se dava bem com Tuuli, enquanto fazia compras, então eu não conseguia imaginá-la ficando sozinha. Especialmente com Gil e Fran por perto.

— Myne — disse Tuuli, — O que você vai fazer enquanto estivermos fora?

— Farei novos livros ilustrados. Rosina e Wilma estarão lá para me ajudar. Ambas têm uma bela caligrafia, e preciso que Wilma desenhe a arte para mim.

Rosina era minha professora de Fespiel, em primeiro lugar, mas todos que viram sua caligrafia a elogiaram, por ser linda, o que a tornou a candidata perfeita para me ajudar com o próximo livro ilustrado. Como todos os meus assistentes estavam indo embora, Wilma viria ao meu quarto para ajudar. Enquanto ela estava nisso, ela traria duas meninas habilidosas em culinária, para treiná-las na cozinha, em preparação para o inverno.

Rosina e eu voltamos para os meus aposentos, após nos despedirmos de todo mundo. Praticamos o Fespiel por um tempo, então Wilma chegou com as duas meninas.

— Agora então, Nicola e Monika. Por favor, estudem bem, para que vocês possam aprender a cozinhar alimentos deliciosos. — Após dar um incentivo a elas, pedi que Rosina as levasse para a cozinha.

— Irmã Myne, — começou Wilma, — como a maioria dos sacerdotes azuis estão ausentes durante o Festival da Colheita, os dons divinos serão bem reduzidos. Muitos padres levam seus chefs com eles, e alguns dos que permanecem vão cozinhar refeições insatisfatórias, porque sabem que seu mestre não vai comê-las. Os dez dias seguintes teriam sido mais do que miseráveis se não pudéssemos fazer sopa para nós mesmos.

As palavras de Wilma causaram um arrepio na minha espinha. Dada a escassez de sacerdotes azuis, eu seria a única de vestes azuis no templo, por toda a duração do Festival da Colheita. Todos os outros foram enviados para uma ou outra cidade agrícola. Se todos levassem seus chefs com eles, não haveria presentes divinos para o orfanato.

— Costumava haver muito mais padres azuis,— continuou Wilma, — de modo que metade iria embora e os dons divinos só seriam diminuídos pela metade, e os chefs restantes não seriam preguiçosos, de modo a não envergonhar seu mestre, na frente dos outros sacerdotes azuis. Mas agora…

Ela suspirou e baixou o olhar. Ela então, gentilmente, abriu os olhos castanhos e olhou para mim, com seu sorriso pacífico, habitual.

— Somos capazes de nos sustentar graças a você, Irmã Myne. Não temos mais que sentar e não fazer nada quando crianças morrem de fome sob nossos olhos. Você tem minha eterna gratidão por preparar o orfanato para o inverno. Se houver algo que eu possa fazer por você, por favor, não hesite em pedir.

Com isso dito, Wilma subiu ao segundo andar e imediatamente começou a espalhar seus utensílios de arte na mesa. — Esta é a sua próxima história?

— Sim, se chama Cinderela. — Preparei meu Fespiel e comecei a praticar enquanto Wilma lia a história. Eu tinha minha terceira música para praticar e dominar, bem como outra música de minha própria autoria. Minha música pessoal, desta vez, foi a clássica música alemã “A raposa que roubou o ganso”, conhecida no Japão como “Kogitsune”, que significa filhote de raposa. Eu tinha tecnicamente substituído a raposa por um coelho para combinar com a vida selvagem local, mas não me preocupei com isso.

— Faz muito tempo desde que ouvi música, — disse Wilma.

— Você pode tocar um Fespiel também, Wilma?

— Em um nível amador. Você está tão familiarizada com a música de Rosina que seria uma ofensa para seus ouvidos me ouvir tocar — disse Wilma com um sorriso, mas ela era sem dúvida melhor do que eu. Eu ainda era uma completa novata.

— Rosina é tão boa que tenho que questionar o que é exatamente um nível amador. Eu gostaria de ouvi-la tocar, para que eu possa ter uma ideia melhor.

— Não é realmente nada de especial, eu lhe asseguro.— Então, ela disse, mas ela estava claramente feliz por ter a oportunidade de tocar música novamente. Ela pegou o grande Fespiel que Rosina tocou, com uma expressão feliz no rosto.

A música, que fluía das cordas dedilhadas, refletia bem a personalidade de Wilma, carregando consigo um tom suave e agradável. Quando misturada com a voz gentil de Wilma, cantando uma canção de ninar, literalmente chegou perto de me colocar para dormir.

— Sua música está suave como sempre, Wilma, — observou Rosina.

— Talvez seja porque eu não tenho seus talentos e escolho as músicas mais lentas disponíveis?

Enquanto ouvia o bate-papo amigável delas, fiquei chocada com o quanto de talento era esperado de mim. Se Wilma era uma amadora, então as crianças nobres devem ser musicistas profissionais.

— Seria justo presumir — arrisquei, — que isso significa que você também é boa em arte, Rosina?

— Aprendi tanto quanto me ensinaram, digamos. — Considerando o quão boa era a música “amadora” de Wilma, eu poderia adivinhar que Rosina também era uma artista habilidosa. O grau em que as assistentes de Christine foram treinadas mostrou o quão anormal, para uma donzela de santuário, ela realmente era.

O treino de Fespiel terminou no terceiro sino e seguimos para Cinderela. Agora que Wilma tinha terminado de ler, poderíamos discutir quais ilustrações colocar nele.

— Será difícil representar adequadamente a beleza da Cinderela, acredito. Ter apenas uma cor para usar na pele é uma pena,— observou Wilma.

— A pele é tão importante? Poderíamos não fazer a madrasta e as meias-irmãs feias em forma e tamanho?— Perguntei.

— Isso não faria sentido. Qualquer mulher apta para ser a segunda esposa de um nobre intermediário deve ser linda.

A madrasta e as meio-irmãs foram feitas para contrastar com a beleza da Cinderela. Eu preferiria que a realidade não fosse trazida para ela. Enquanto eu pensava, Rosina olhou para a história e fez uma sugestão.

— Irmã Myne, não seria melhor simplesmente refazer o modelo para a Bíblia das crianças, em vez de se preocupar com essa nova história? Acredito que ainda é muito cedo para você escrever histórias sobre a nobreza. No mínimo, seria melhor para você se acostumar mais com os caminhos do templo, primeiro.

A crítica do Sumo Sacerdote era dura o suficiente, mas agora, até Rosina estava apontando que eu era dolorosamente ignorante da sociedade nobre.

— Quero dizer, pessoalmente, eu gostaria de fazer a Cinderela para que eu possa ver se as pessoas vão aceitar uma história normal.

— Irmã Myne, isso é algo que você não pode dizer, até que saiba como escrever uma história normal em primeiro lugar.— Rosina balançou a cabeça quando Wilma a repreendeu por ser muito dura. O que significava, em outras palavras, que Wilma também não achava que Cinderela fosse uma história normal.

— Cinderela não é uma história normal?

— Uma história normal é sobre a fundação de um reino, sobre cavaleiros ou sobre os deuses. Eu nunca ouvi falar de uma história como essa Cinderela, antes,— disse Rosina. Parecia que todas as histórias que ela ouvira sob a tutela de Christine haviam sido expressas através da arte. Arte, música e até poesia baseadas nas histórias, em outras palavras. Eu precisaria aprender mais sobre isso, antes de poder escrever um livro ilustrado que seria aceito pela nobreza.

— Entre a Bíblia para crianças e Cinderela, qual você acha que a nobreza seria mais propensa a aceitar?

— A Bíblia das crianças. É um aprendizado essencial para qualquer criança conhecer, pois, é composto de uma maneira muito fácil de entender.

A firmeza da resposta de Rosina me convenceu a abandonar Cinderela. Fazer um livro que pode não ser aceito não seria sábio, quando eu poderia fazer um garantido, para vender bem, em vez disso.

— Nesse caso, vou desistir da Cinderela. Podemos fazer outra Bíblia infantil. Rosina, poderia me contar essas suas histórias normais mais tarde? Eu gostaria de transformá-las em livros ilustrados.

— Elas são necessárias para a sua educação, independentemente. As contarei com prazer sempre que desejar.

Separamos uma Bíblia infantil e dividimos as páginas ao meio, para separar o texto da arte. Em seguida, colocamos a arte em cima do papel grosso que iríamos usar para o modelo da Cinderela e cortamos as partes pretas. Isso deveria resultar em arte idêntica ao que tínhamos antes. Rosina e Wilma começaram a trabalhar cortando a arte assim que pegaram a faca de precisão do Lutz no ateliê.

— Irmã Myne, por favor, corte as letras como você fez da última vez. — Rosina me ofereceu um afazer com um sorriso, e eu balancei a cabeça. Ela rapidamente soube que eu não tinha a precisão necessária para cortar a arte detalhada.

Rosina pode ser muito melhor em cortar linhas bonitas, mas isso é só por minhas mãos serem pequenas. Serei super destra quando crescer! Eu fingi não lembrar que nos meus dias de Urano eu tinha sido desajeitada, mesmo depois da idade adulta.

O jantar do orfanato terminou antes do sexto sino. Nicola e Monika saíram da cozinha parecendo exaustas, tendo cozinhado em uma cozinha em grande escala, pela primeira vez. Rosina enviou os chefs para casa após informá-los de que a comida seria levada para o orfanato assim que Fran voltasse.

— Eles parecem estar atrasados — disse Rosina.

— O abate de porcos leva muito tempo. Eles provavelmente chegarão de volta assim que o sexto sino tocar e os portões começarem a se fechar. — Eu respondi, enquanto olhava pela janela. O céu estava gradualmente escurecendo, à medida que o sol caía. Nos últimos anos, onde minha família esperou até que estivesse mais frio para matar porcos, com o bairro, eles não haviam chegado em casa até o sol se pôr completamente. Ainda faltava um pouco até eles voltarem.

Esse era o pensamento em minha mente quando Delia voltou aos meus aposentos, sem fôlego. Talvez devido a correr de volta ou talvez devido ao frio, suas bochechas estavam vermelhas como maçãs.

— Bem-vinda de volta, Delia. Você conseguiu muita carne?

— Claro! O inverno não será um problema, com tanta carne.

Eu estava preocupada com Delia, então soltei um suspiro de alívio, quando ela voltou de bom humor. Ela voltou primeiro, para me trocar, enquanto todos carregavam a carne de porco, despedaçada, para o porão. Delia delirou sobre como a salsicha era feita e os diferentes tipos de técnicas de corte dos açougueiros, enquanto ela me trocava.

— Então pegamos um monte de carne em conserva que tínhamos no orfanato e a penduramos de cabeça para baixo para serem fumaçadas. É tão estranho que a fumaça faça durar mais. E então.

Parecia que, para Delia, saindo e participando do abate, com todos, tinha sido bom para ela. Se isso marcou o início de seu tempo com as outras crianças, eu não poderia estar mais feliz.

— Irmã Myne, — chamou Fran do primeiro andar. — Lutz disse que gostaria de falar com você sobre a pele de porco. Você seria capaz de visitar o ateliê, quando se trocar? — Como eu já havia trocado de roupa, desci as escadas imediatamente.

— Gil, por favor, guie a Irmã Myne até lá.

— Claro.

No caminho para a oficina, pude ver todos carregando carne dos carrinhos, ao lado dos portões do templo, até o porão do prédio das meninas. Papai e Tuuli estavam misturados na multidão também. Segurando o desejo de correr e me juntar a eles, entrei na oficina.

— Myne, o que devemos fazer com toda a pele? — disse Lutz, no momento em que me viu, apontando para os feixes de pele que eles tinham. Olhei ao redor do orfanato e apontei para um balde.

— Você pode ir em frente e colocá-la lá.

— Não precisamos fazer nada primeiro?

— Vamos precisar colocá-lo em água com cal para tirar os pelos, mas não sei quanto tempo precisa para isso. Alguém precisará observar, e é um pouco tarde para isso agora.

— Eu nem quero pensar em desperdiçar essa pele, — disse Lutz, enquanto tirava seu díptico. Ele então olhou para mim com a caneta na mão. Esse foi o meu sinal para começar a explicar.

— Primeiro, mergulhe a pele em água com cal, para se livrar do pelo e, em seguida, separe a pele interna da pele externa, que usaremos para curtir mais tarde. Você já fez isso antes, certo, Lutz?

— Eu não sou muito bom nisso, no entanto. — Lutz encolheu os ombros e me acenou com a cabeça.

— Apenas a camada interna é necessária para a cola de couro, então eu estava pensando que poderíamos curtir a camada externa e usá-la como capas de livros.

— E quem vai curtir o couro? — Lutz olhou para mim, como Benno faria.

— Hummm, poderíamos pedir uma oficina de couro?

— Espero que você tenha dinheiro para isso. — Ele estava me batendo onde doía, então fingi não ouvi-lo e continuei.

— Você então embebe a camada interna em ainda mais água de cal, a deixa lá até que esteja macia e inchada, o que irá obter as (proteínas), gorduras e assim por diante. Isso acontece por conta própria, então você pode esperar. Então, para limpar a água de cal, lave a pele e ferva a pele em fogo baixo por cerca de dois sinos.

— Dois sinos? Isso é muito tempo — respondeu Lutz, enquanto passava a caneta por cima do díptico.

— É aqui que as coisas ficam difíceis. Se você deixar a água permanecer em um calor que é apenas quente o suficiente para beber, como chá, as impurezas vão se separar e descer, deixando o centro claro. Queremos usar esse centro claro. — Fiz uma pausa e Lutz ergueu os olhos do díptico, confuso.

— Como vamos usar apenas a parte central?

— Não tenho certeza. Vamos ver aonde a tentativa e o erro nos levam.

— Sério? Acho melhor usarmos uma panela menor, então.

Eu sabia que seria possível apenas remover as impurezas do topo, mas no momento, eu não conseguia responder como fazer isso ou até onde ir.

— De qualquer forma, despeje o líquido de cola de couro em uma caixa de madeira, coloque-o em algum lugar que o vento frio do inverno o atinja e pronto. Uma vez que está sólido, temos nossa cola de couro.

— Humm. Há tanto tempo fervendo e encharcando que provavelmente seremos capazes de fazer as velas junto disso. — concluiu Lutz enquanto olhava para o díptico. — Tudo bem. Faremos a cola e as velas amanhã. Podemos terminar todo o trabalho fedorento de uma só vez.

— Parece bom! Vamos acabar logo com isso.— Levantei minha mão no ar, animada para fazer cola de couro pela primeira vez.

Fim da leitura

Capítulo 137 concluído

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