Ascendance of a Bookworm — Capítulo 160: CAPÍTULO 160 - 159

Ascendance of a Bookworm
Cap. 160
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 160 - 159

Capítulo 160

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 159

Preparação para a Oração da Primavera

Aos poucos, estava ficando mais quente, e cerca de metade da neve que cobriu a cidade havia derretido. A hibernação de inverno havia acabado, e era hora de todos começarem a limpar a neve restante, em preparação para a primavera. Tuuli tinha que voltar ao trabalho, o que significava que ela só poderia me visitar no templo a cada dois dias.

O orfanato terminou todo o seu trabalho de inverno, que vendemos ao Benno através do Lutz. Isso me deu muito mais margem de manobra ao orçar para o orfanato. A floresta ainda estava muito nevada para coletarmos qualquer coisa lá, mas essa neve derreteria em pouco tempo. Então poderíamos voltar a coletar enquanto fazemos papel.

O tempo, até então, era dedicado à educação, com sacerdotes cinzentos, que costumavam ser assistentes, ensinando as crianças boas maneiras. Parecia que os sacerdotes estavam preocupados que eu vagando tanto pelo orfanato estivesse infundindo maus hábitos nas crianças. Eles temiam que, ao permitir que continuassem falando comigo tão casualmente, eles pudessem agir da mesma maneira em torno de outros sacerdotes azuis também. Todos os ensinamentos aconteceram no refeitório, que deixou o ateliê vazio. Éramos só eu, Lutz e Damuel lá.

— Quero ter a impressora pronta para a próxima remessa de livros, mesmo que possamos usá-la apenas para o texto — eu disse.

— Parece bom para mim, — respondeu Lutz — Mas como vamos fazer uma impressora?

— Hum. Eu estava planejando apenas modificar uma das prensas que já temos.

Peguei minhas plantas e mostrei ao Lutz. Se bem me lembro, a primeira prensa de impressão de Gutenberg tinha sido feita de uma prensa de uva, usada para fazer vinho. Eu tinha certeza de que poderia fazer uma prensa de impressão rudimentar assim, mas era surpreendentemente difícil recriar os passos apenas de memória.

—Você organiza os tipos de letras aqui, cobre eles com tinta, coloca o papel, e depois apenas aperta. — Fiz os movimentos de usar a prensa normal (que era muito alta para eu alcançar e usar por conta própria) enquanto tentava explicar como era uma prensa de impressão. Como eu não podia sair do templo, cabia a Lutz pedir o que precisávamos e dar instruções às oficinas.

— Acho que teremos que decidir o quão grande é a coisa em que você coloca os tipos, o, uh, a forma? Sim, quão grande será isso aí — disse Lutz.

— Podemos resolver isso medindo os livros ilustrados que já fizemos.

Comecei a usar uma régua para medir todos os tipos de coisas, adicionando as medidas aos meus projetos, enquanto falava com Lutz sobre a impressora. Anotei todas as instruções de que me lembrava, desde “Faça o suporte para o papel levemente inclinado” até “Coloque uma caixa para tinta aqui”.

Lutz olhou para tudo isso e balançou a cabeça.

— Ei, Myne. Não podemos adicionar todas essas coisas extras depois?

— Extra? Mas tudo o que mencionei é essencial.

Embora conhecendo minha memória, eu provavelmente estava esquecendo mais do que estava me lembrando, para não mencionar todas as coisas que potencialmente me esqueci e ainda não tinha notado. Mas os meus protestos mereceram outra rejeição de Lutz.

— Não é disso que estou falando. — disse ele, apontando para minhas plantas. — Entendo que precisamos de um lugar para colocar a tinta, mas me parece que o problema que você está tendo aqui é descobrir como anexá-la à impressora. Não podemos apenas colocar uma caixa para a tinta na mesa por enquanto?

Lutz estava certo. Desde que pudéssemos fixar uma forma para os tipos de letra abaixo da impressora, poderíamos fazer o mínimo de impressão, mesmo que houvesse etapas desnecessárias que atrasassem o processo.

— Você está pensando muito sobre isso porque já está imaginando o produto acabado em sua cabeça. Lembra como usamos um monte de ferramentas improvisadas quando estávamos fazendo papel? Podemos fazer o mesmo. Concentre-se apenas no que precisamos agora, então podemos construir, com base nisso, ao longo do tempo.

— Certo. Agora que você mencionou, o maior problema aqui será fazer com que o artesão crie uma impressora que possa realmente ser operada por crianças.

Terminei as plantas simples enquanto conversávamos. Decidimos começar com um projeto básico que iríamos encomendar na oficina de carpintaria do Ingo, através do Benno.

— Agora só precisamos falar sobre as coisas menores. — Como a própria impressora estava agora resolvida, tentei mover a discussão para a forma e para a vara de composição, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Gil correu para o ateliê.

— Irmã Myne!

— O que há de errado, Gil? Já está na hora de eu ir para o quarto do Sumo Sacerdote?

Todos os meus assistentes estavam ocupados se preparando para a Oração da Primavera, hoje, daí, eu não tinha prática de fespiel.

— Er, nah. Rosina acabou de me pedir para vir te buscar. O problema é que ela está muito brava por você estar gastando todo o seu tempo trabalhando na impressora, quando ainda não estamos prontos para a Oração da Primavera. Ela não está realmente mostrando isso, mas ela está, hum, meio furiosa.

Tive a sensação de que ela estava apenas querendo desabafar sua raiva em mim, já que ela estava tendo menos tempo para tocar o fespiel enquanto eu podia sair e fazer o que eu quisesse.

— Entendo. Nesse caso, você poderia deixá-la gritar com você, em meu lugar?

— Claro! Espere. Espere um pouco. De forma alguma! Eu não quero! — Gil, tendo acabado de perceber o que eu disse, balançou a cabeça com força. Ele parecia tão engraçado que Lutz e eu não podíamos deixar de rir. Assim, ganhamos dele um olhar e um murmúrio de que ele me levaria de volta ao meu quarto, não importa o que acontecesse. Parecia que eu não tinha escolha a não ser desistir e enfrentar a ira de Rosina.

— Ah, bem, não adianta atrasar o inevitável. Lutz, deixarei o resto com você.

— Entendi. Você tem um trabalho importante amanhã, certo? Boa sorte. Eu sei que você pode fazer isso. — Lutz bagunçou meu cabelo, e balancei a cabeça, sem muito entusiasmo, antes de voltar para meus aposentos, liderada por um Gil carrancudo.

Ofeguei, quando vi a zona de desastre que eram meus aposentos. Além de todos os tipos de roupas, sapatos e vários utensílios de higiene sendo trazidos para fora e organizados em caixas, havia toalhas, produtos de linho, pratos, utensílios de escrita, papel e dípticos, sendo jogados na mistura, por meus assistentes. Era como se eu estivesse me mudando completamente. Havia várias caixas de madeira, dentro do salão, já cheias de comida, e havia várias ainda vazias que seriam organizadas, com utensílios de cozinha, uma vez que minha refeição para o dia tivesse sido preparada.

Subi ao segundo andar e vi que meu próprio quarto estava ainda mais bagunçado. Haviam três caixas alinhadas, uma para toalhas, uma para roupas e uma para sapatos, e a parte superior da minha mesa tinha sido dominada por várias necessidades diárias. Entre todo o caos estavam Delia, Rosina e Wilma.

— Irmã Myne, você não deve ir ao ateliê enquanto ainda estamos nos preparando para a Oração da Primavera. — Foi o que Rosina disse, mas eu sabia que seria repreendida se tentasse ajudá-las. Me disseram com bastante firmeza que se preparar era trabalho para os assistentes, portanto, algo em que não devo me envolver. Parecia que meu trabalho era passar o dia todo assistindo todos os outros trabalharem.

— Poxa! Você não está nem um pouco motivada! Este é um trabalho importante para você, Irmã Myne!

— Quero dizer, acredito que todas vocês são habilidosas o suficiente para lidar com isso, sem que eu cuide de todos os seus movimentos.

— Esse não é o problema aqui.

Aqueles que me acompanhariampara a Oração da Primavera seriam Fran, já que ele havia acompanhado o Sumo Sacerdote em uma, antes, Rosina, já que precisava haver uma menina para cuidar de mim, e Hugo e Ella, que cozinhariam para mim.

Delia, Wilma e Gil ficariam para trás para gerenciar meus aposentos, o orfanato e o Ateliê da Myne, respectivamente, enquanto Todd, o outro chef, fazia comida na minha ausência, junto de Nicola e Monika, sendo elas que ajudaram Ella durante o inverno.

— Ainda assim, isso é muita coisa — murmurei subconscientemente, após olhar ao redor do meu quarto e ver quantas coisas eu tinha comprado, para passar o inverno aqui. Rosina ergueu uma sobrancelha, confusa.

— Você está do lado mais leve quando se trata de bagagem, Irmã Myne. Irmã Christine teria mais duas caixas de roupas, para não mencionar várias outras para ferramentas de pintura e vários instrumentos musicais.

— Tivemos que começar a arrumar a bagagem da Irmã Christine muito antes disso. — Wilma riu em concordância. — Sempre era uma luta quando ela partia para visitar o Bairro dos Nobres.

Enquanto eu digeria o quão incrível a Irmã Christine tinha sido, os olhos de Rosina se arregalaram brevemente em realização.

— Hum, Irmã Myne. Posso trazer um fespiel também? — ela perguntou hesitante.

Balancei a cabeça, olhando para os fespiels encostados na parede no canto do meu quarto.

— Acho que seria mais seguro deixá-los aqui, especialmente porque eles não me pertencem. — Eu os estava pegando emprestados do Sumo Sacerdote, então não seria sábio levá-los para outro lugar, sem permissão. Não seria fácil pagá-los se fossem quebrados, perdidos ou roubados.

Mas Rosina não desistiria tão facilmente. Seus olhos se fixaram nos fespiels, ela continuou.

— Você poderia gentilmente perguntar ao Sumo Sacerdote em meu nome?

— Posso fazer isso, com certeza.

— Te agradeço muito.

No final, eu realmente não ajudei em nada, apenas fiquei sentada em meus aposentos, então, eventualmente, afirmei que era hora de ajudar o Sumo Sacerdote e saí com Fran e Damuel a reboque.

— Preparar-se para a Oração da Primavera é uma tarefa e tanto. Um pedido de ajuda da Ordem dos Cavaleiros requer urgência, mas como a assistência é um trabalho fácil, uma vez que não há muitos preparativos a serem feitos. — Fran explicou que a preparação necessária para a Oração da Primavera era muito pior, já que estaríamos viajando para cidades agrícolas em carruagens em vez de bestas, como tínhamos feito antes.

Pessoalmente, eu estava mais deprimida com a jornada em si do que com a preparação para ela, todo o meu entusiasmo morreu no momento em que descobri que estaríamos andando em uma carruagem. Tive a sensação de que, quando chegássemos à primeira cidade agrícola, eu estaria exausta demais para fazer literalmente qualquer coisa.

— Existe, talvez, uma maneira de eu não ir à Oração da Primavera? — Suspirei.

— Do que você está falando, aprendiz? A Oração da Primavera é um ritual importante — disse Damuel, olhando para mim com desaprovação.

Na realidade, eu já sabia o quão importante era. Eu gostaria que ele me deixasse reclamar, só para relaxar um pouco.

— Entendo sua importância, Sir Damuel. É que eu mal posso imaginar quantos dias vou passar acamada após suportar a jornada de carruagem.

—Hum. Considerando como a vida cotidiana já é extenuante para você, posso imaginar que a jornada será especialmente difícil. Mas não acho que o Senhor Ferdinando vai deixar você pular o ritual por causa disso.

Eu já sabia muito bem que ele não me deixaria escapar dessa. Mas ainda assim, como minha luta desesperada final, esperei até que o tempo de ajuda acabasse e depois lancei minha reclamação no Sumo Sacerdote.

— Sumo Sacerdote, devo realmente ir até as cidades agrícolas? Tenho certeza de que vou ficar desesperadamente doente por andar de carruagem.

— Naturalmente! Vou precisar levar um monte de poções para você, — o Sumo Sacerdote respondeu casualmente.

Meu rosto se encolheu quando pensei na poção que ele me forçou a beber quando desmaiei e ele precisava que eu me levantasse.

— Você está se referindo à poção que é incrivelmente eficaz, mas tem um gosto tão ruim que é preferível morrer do que bebê-la?

— Sim.

— Arg. Agora eu quero ir ainda menos.

Eu já podia imaginar: eu entraria em colapso a caminho de uma cidade agrícola, teria uma das poções desagradáveis do Sumo Sacerdote derramada na minha garganta, seria forçada a realizar o ritual durante o impulso de energia, depois entraria em colapso novamente, enquanto nos dirigíamos para a próxima cidade agrícola. Este interminável ciclo de dor e miséria continuaria até que tivéssemos visitado cada cidade agrícola. Esse pensamento, por si só, foi suficiente para fazer com que me sentisse mal.

— Sumo Sacerdote, você tem que fazer algo sobre o quão ruim aquelas poções são. Isso ou preparar uma poção do sono para que eu possa dormir no caminho para lá, ou talvez me deixar viajar em uma daquelas estátuas mágicas que os cavaleiros têm. Pode ao menos fazer alguma coisa? Por favor? — Listei, chorosa, todas as opções que me vieram à mente enquanto implorava ao Sumo Sacerdote.

Ele assentiu, parecendo um pouco entediado.

— Você parece bem angustiada. Vou considerar essas opções.

— Ficaria muito grata. Além disso, uma das minhas assistentes gostaria de trazer um fespiel com ela, mas imagino que isso não será aceitável.

Eu tinha tanto medo de viajar com um instrumento tão caro, que preferiria que ele recusasse, mas o Sumo Sacerdote concedeu sua permissão sem pensar duas vezes.

— Em vez disso, eu encorajo. Rosina pode tocar para nós durante a viagem. Sua música certamente será uma grande fonte de conforto durante as longas noites.

— Espere, sério? — Pisquei de surpresa. — Ouvi dizer que era realmente perigoso fora da cidade, com bandidos e feras por todo o lugar. É seguro levar um instrumento tão caro para lá?

O Sumo Sacerdote olhou para mim em confusão.

— Não há bandidos tolos o suficiente para atacar as carruagens de sacerdotes e nobres que vão para a Oração da Primavera.

— Sério? Nenhum? — Eu teria pensado que os bandidos seriam mais propensos a atacar nobres ricos por todas as suas riquezas, mas parecia que eu estava perdendo algo.

— Myne, a maioria dos bandidos são agricultores locais.

— O quê? Bandidos não são, tipo, bandidos que sobrevivem roubando de outras pessoas?

— Idiota. Se tal grupo aparecesse, os comerciantes começariam a evitar estradas naquela área. Aqueles que enfrentariam o perigo, teriam guardas, tornando-os um alvo arriscado, e após incidentes suficientes, os bandidos seriam alvos da Ordem dos Cavaleiros. Seria ridículo pensar que uma organização inteira poderia sobreviver apenas roubando dos outros.

Eu pensei que os comerciantes estariam viajando muito, mas parecia que não era preciso. Naturalmente, eu sabia tão pouco sobre o mundo que o Sumo Sacerdote ficou exasperado comigo.

— É comum que os agricultores se tornem criminosos, temporariamente, para roubar comerciantes que passam com dinheiro e bens, mas se atacassem nobres, então nenhum graal seria trazido para suas terras. Por essa razão, não há agricultores tolos o suficiente para colocar a mão em nobres ou sacerdotes que vão para a Oração da Primavera. Sem mencionar que, mesmo que atacassem nobres, seriam facilmente derrotados.

Os bandidos evitavam atingir nobres não apenas porque suas ações apoiavam diretamente os agricultores, mas também porque todos eles tinham quantidades perigosas de mana.

— Então, devemos estar completamente seguros na estrada?

— Sim, deveríamos estar.

Eu estava curiosa para saber por que o Sumo Sacerdote hesitou em sua resposta, mas, de qualquer forma, parecia que nossa jornada seria muito mais segura do que eu pensava. Isso foi um alívio, e talvez a única coisa tranquilizadora sobre essa jornada.

A manhã antes de partirmos para a Oração da Primavera foi a mais movimentada até agora. Eu estava limpa, vestida com minhas vestes cerimoniais, e tinha escolhido o enfeite de cabelo cerimonial que ia usar. Já que estávamos indo para as cidades agrícolas, eu usava as botas de pele de porco que foram feitas recentemente para mim. Fran estava falando sobre como era lamacento nas cidades agrícolas, mas achei difícil acreditar que algo pudesse ser pior do que os becos na cidade baixa. Embora talvez tenha sido errado da minha parte pensar isso.

Tudo o que eu costumava preparar pela manhã era armazenado em caixas, que eram então firmemente amarradas por cordas. Essa foi a última da minha bagagem. Agora que tudo estava preparado, Fran e Gil começaram a carregar as caixas para a carruagem, uma a uma, enquanto Rosina levava a caixa contendo o fespiel para a própria carruagem, cuidando dela o tempo todo. Sem muito mais para fazer no meu quarto, agora vazio, decidi me despedir de cada um dos meus assistentes que estavam ficando para trás.

— Wilma, estou deixando o orfanato sob seus cuidados.

— Sim, Irmã Myne. Garanto que as crianças serão anjinhos bem educados quando você voltar. Espero que você os elogie por seus esforços.

Enquanto acenava com a cabeça em resposta, Gil se ajoelhou no local com “Vamos lá, me elogie” escrito em todo o seu rosto, então estendi a mão.

— Confio o ateliê a você, Gil. Imagino que você será capaz de lidar com tudo?

— Sim, você pode contar comigo!

— Delia, por favor, cuide dos meus aposentos enquanto eu estiver fora.

— Como quiser. Nossa! Por que você parece tão nervosa? Irmã Myne, estou mais preocupada com você fazendo seu trabalho corretamente.

Delia olhou para mim, seu cabelo carmesim um pouco bagunçado.

Ela estar no comando dos meus aposentos não era o que me preocupava, eu ir para cidades agrícolas em uma carruagem era.

— Aaaah. Não tenho tanta certeza sobre a carruagem.

— Caramba! Não me preocupe ainda mais!

— E-eu vou fazer o meu melhor — eu disse com uma gagueira, provavelmente fazendo Delia perder o último pedacinho de fé em mim, que ela nem percebeu que ainda tinha.

Assim que ele viu que eu havia terminado de me despedir, Fran se aproximou.

— Irmã Myne, é hora de irmos para a carruagem.

— Certamente. Vamos embora.

— Adeus. Aguardamos seu retorno em segurança.

Quando meus outros assistentes nos viram partir, segui Fran para fora da sala, Rosina e Damuel logo atrás. Seguimos para a seção nobre do templo, já que a entrada principal era onde estavam as carruagens.

— Rosina e eu devemos fazer uma verificação final da bagagem, bem como discutir a próxima viagem com Arno, então, por favor, vá para a sala de espera com Sir Damuel. O Sumo Sacerdote já deve estar lá.

E então, fui para a sala de espera com Damuel. Ao longo docorredor, vi o Sumo Sacerdote caminhando energicamente em minha direção, seus assistentes a reboque.

— Bom dia, Sumo Sacerdote.

— Bom dia. Myne, vá para a minha sala, tenho um assunto urgente para discutir com você. Estarei lá quando terminar de instruir Arno e os outros. Você também entendeu, Damuel?

— Sim, senhor!

O Sumo Sacerdote terminou a conversa lá e continuou sua caminhada rápida até as carruagens. Ele estava se movendo incrivelmente rápido, mas ainda conseguiu parecer gracioso, enquanto o fazia. Damuel e eu nos entreolhamos, então começamos a ir para a sala do Sumo Sacerdote.

Não tivemos problemas para entrar, já que o Sumo Sacerdote também havia deixado alguns assistentes para trás. Eles nos ofereceram lugares, e em pouco tempo o Sumo Sacerdote voltou.

— Obrigado a ambos por esperarem.

— Sumo Sacerdote, qual é o assunto urgente de que você falou? — Inclinei a cabeça, em confusão, quando o Sumo Sacerdote fechou armário após armário cheio de papelada, travando cada um, por sua vez.

— Estaremos montando bestas de feystone. Acabei de enviar as carruagens para a cidade agrícola em que ficaremos esta noite.

— Aconteceu alguma coisa?

— Espero que nada aconteça — disse ele, entrando em seu quarto escondido com um pacote de chaves. Ele voltou imediatamente, agora segurando um anel com uma pedra amarela clara embutida e uma pulseira ostentando pedras de sete cores diferentes.

— Myne, coloque isso.

— Senhor Ferdinando, esses são…

— É apenas por segurança, Damuel.

Eu podia ver uma pulseira semelhante no pulso do Sumo Sacerdote. Ele também estava usando um anel de aparência semelhante, em seu dedo médio, o que me lembrou que ele também me emprestou um anel na missão da Ordem dos Cavaleiros. Tinha sido útil, logo, imaginei que provavelmente seria útil desta vez também. Aceitei ambos com gratidão e os coloquei, usando o anel no dedo médio da minha mão esquerda, assim como o Sumo Sacerdote.

— Além disso, me dói muito dizer isso.

— Sim?

— Seremos acompanhados por outro sacerdote azul — disse o Sumo Sacerdote com uma careta.

Abri os olhos de surpresa, quando a porta se abriu e Karstedt entrou na sala com um padre azul.

— Esse sou eu. Meu nome é Sylvester. Então você é a plebeia que se tornou aprendiz de donzela do santuário, hein?

Ele olhou para mim com sobrancelhas fortes e olhos verdes profundos, seus cabelos roxos amarrados atrás das costas. Meus olhos foram atraídos para o fio de prata que amarrava seu cabelo. Ele era um pouco mais baixo do que o Sumo Sacerdote, mas tinha um corpo mais musculoso, fazendo-o parecer muito mais com um ex-cavaleiro do que o Sumo Sacerdote. Em relação à idade, ele parecia tão velho quanto Benno e o Sumo Sacerdote, embora essa observação não significasse muito, já que Benno e o Sumo Sacerdote definitivamente não tinham a mesma idade, apesar de parecerem assim para mim.

—Você é minúscula. Tem certeza que foi batizada? Meu palpite é que você está mentindo sobre sua idade. — Sylvester bufou, me dando um olhar de incredulidade, com seus profundos olhos verdes. Eu quase gritei que não estava, mas engoli, em vez disso. Afinal, Sylvester era um padre azul. Ele não era alguém com quem eu pudesse discutir tão descuidadamente.

—Ei. Tente fazer “puhi”.

Após olhar para mim por um tempo, desconfortavelmente longo, Sylvester, de repente, estendeu um dedo indicador. Ele enfiou direto na minha bochecha, indo muito além de todas as minhas considerações. Soltei um “Aííí!” reflexivo, que o fez olhar para baixo e balançar a cabeça.

— Quase, mas não é assim. Faça “puhi”.

Não foi tão forte quanto da última vez, mas ele cutucou minha bochecha, novamente, enquanto balançava o dedo como uma broca. Olhei para o Sumo Sacerdote por ajuda. Ele baixou os olhos, depois soltou um suspiro de derrota e desviou o olhar.

— Myne, este homem tem uma personalidade terrível. Mas ele tem um bom coração por baixo de todo o resto. O melhor que se pode fazer é desistir e brincar com ele. Além disso, Sylvester, Myne é chocantemente fraca. Provoque-a demais e há um risco muito real de que ela possa morrer. Mas, mais importante, Karstedt, dê uma olhada nisso. — Enquanto ele falava, o Sumo Sacerdote começou a espalhar um mapa.

— Senhor! — Karstedt se dirigiu a ele, me deixando sozinha com Sylvester e um Damuel de aparência sofrida. Não sobrou ninguém que pudesse me ajudar.

—Vamos lá. Faça. — Os olhos verdes de Sylvester estavam endurecendo enquanto ele continuava cutucando minha bochecha. Não seria inteligente para mim irritar um nobre antes de uma longa viagem.

— “Puhi”.

Eu desisti e chilreei como ele queria. Sylvester deu um aceno satisfeito e me cutucou novamente.

— Perfeito. Chilreie mais um pouco.

— Puhi, puhi, puhiii.

O fato de eu estar passando a Oração da Primavera viajando com um padre azul, como este, me fez ainda mais aterrorizada com o que a viagem tinha reservado para mim.

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Fim da leitura

Capítulo 160 concluído

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