Ascendance of a Bookworm — Capítulo 172: CAPÍTULO 172 - 171

Ascendance of a Bookworm
Cap. 172
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 172 - 171

Capítulo 172

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 171

Prólogo

Era o início da primavera, logo após o fim da Oração da Primavera. As plantas jovens estavam ficando mais verdes a cada dia, sua antiga fragilidade já esquecida há muito tempo. A manhã estava clara, mas começou a chover um pouco depois do meio-dia; sem dúvida foi a chuva vinda das bênçãos. Os agricultores agradeceram a Flutrane, a Deusa da Água, por regar seus campos e, após terminarem o almoço, dedicaram-se ao trabalho manual.

Uma carruagem, elegantemente esculpida, passava por uma estrada entre os campos, que agora estavam livres de fazendeiros. Havia um brasão de família ornamentado gravado em uma placa de metal na porta, sinalizando a alta posição de quem estava nela. Mas, infelizmente, a chuva mal cronometrada havia enlameado as estradas e retardado o avanço da carruagem, e era difícil para um certo alguém esconder sua frustração com o quão lento eles estavam indo, em comparação com o como avançariam nas estradas de pedra da cidade.

— Flutrane está se sentindo mal hoje, eu vejo.

Por que você deve fazer chover no dia em que viajo para fora? Bezewanst perguntou amargamente a Flutrane, o tempo todo amaldiçoando o intenso chacoalhar da carruagem.

Era pouco antes do quinto sino, quando ele chegou à mansão de verão de Giebe Glaz, localizada perto da fronteira com o distrito central de Ehrenfest.

— Bem-vindo à minha humilde morada, Senhor Bezewanst. — Glaz cumprimentou Bezewanst, quando ele desembarcou de sua carruagem, sua barriga gorda balançando quando ele desceu.

Ele foi conduzido ao espaçoso salão, onde já havia dez nobres reunidos e conversando. Porém, não havia outras carruagens à vista. Parecia que ele era o único visitante que tinha chegado com uma. Esses outros convidados eram verdadeiros nobres, que viajaram para cá usando suas próprias bestas, provavelmente porque queriam que seu encontro fosse mantido em segredo de todos, incluindo seus próprios servos.

Bezewanst percebeu, pela expressão desconfortável de Glaz, que Giebe Gerlach havia ordenado que ele fosse o anfitrião da reunião em sua própria mansão. Era bastante comum que nobres superiores e intermediários, forçassem a realização de reuniões secretas para nobres inferiores.

Não sentindo nada em particular sobre isso, Bezewanst caminhou até a cadeira de honra e sentou-se, como se fosse a coisa mais normal do mundo, antes de receber as saudações dos nobres reunidos. Enquanto isso acontecia, ele podia ver Glaz conversando com um nobre que ele não reconhecia.

— Conde Bindewald, sentado ali é Bezewanst, o Arcebispo de Ehrenfest, — disse Glaz.

— Oh, ele é o Arcebispo, hum?

Na verdade, Bezewanst havia sido enviado ao templo, portanto, não era realmente um nobre. Em circunstâncias normais, os nobres reunidos na mansão nunca cederiam a cadeira de honra a um homem do templo, mas tanto a mãe quanto o pai de Bezewanst eram candidatos a se tornarem Arquiduques. Ele tinha sangue puro de Arquiduque fluindo através dele.

A única razão pela qual ele foi enviado ao templo, foi porque o antecessor, Giebe Leisegang, havia ordenado isso. Bezewanst tinha mana um pouco baixa para sua família e sua mãe morreu logo após dar à luz a ele. Como resultado, não havia ninguém para protegê-lo quando Leisegang, que era da família da agora esposa principal de seu pai, exigiu que seu pai o colocasse no templo, uma exigência que o levou a ter de assumir as vestes enquanto ainda era um bebê. Desde o nascimento, ele foi criado não como nobre, mas como padre.

No entanto, sua irmã mais velha, da mesma mãe, ainda o estimava como seu único parente de sangue ainda vivo, e os nobres reunidos não podiam tratá-lo levianamente devido a isso. Eles sabiam muito bem que sua cooperação seria essencial para aconselhar e influenciar sua irmã mais velha.

— Senhor Bezewanst, este é o Conde Bindewald de Ahrensbach. Ele será fundamental para alcançarmos nossos objetivos.

O fato dele ter sido apresentado como conde, disse a Bezewanst que ele era um nobre superior, com sua própria província. Bezewanst estava bem acima do peso, mas mesmo ele não pôde deixar de notar que Bindewald era um indivíduo considerável. Seus olhos estavam turvos e ele tinha a aparência de alguém que cometeria atos hediondos sem pensar duas vezes.

Bezewanst, fingindo não notar que Bindewald estava olhando descaradamente para ele, apesar de ser o Arcebispo, reuniu energia para dar um aceno composto. Enquanto ele se sentava no assento de honra, eram os convidados que o cumprimentavam.

— Pergunto se posso oferecer uma bênção em agradecimento a este encontro fortuito, ordenado pelos rios puros que fluem de Flutrane, a Deusa da Água.

— Você pode.

Um leve brilho verde foi emitido do anel, aninhado no dedo médio esquerdo, de Bindewald. Era o tipo de anel que todos os nobres tinham, aquele que os pais davam aos filhos após a cerimônia de batismo.

Uma frustração indescritível pesava no coração de Bezewanst, enquanto ele olhava para o anel. Se não fosse pelos Leisegangs, ele nunca teria sido enviado ao templo, ele mesmo teria recebido tal anel. O que ele usava agora, havia sido dado a ele por sua irmã mais velha, quando ele atingiu a maioridade, mas aquele anel não mudava que ele não foi batizado no Bairro dos Nobres, nem frequentou a Academia Real.

Bezewanst sabia haver uma clara diferença entre ele e Bindewald e, embora isso o frustrasse, também lhe dava um prazer sombrio ver esses nobres ajoelhados diante dele, mesmo que estivessem apenas tentando explorar a autoridade de sua irmã mais velha.

O Conde Bindewald também era quem estava entregando as cartas da Senhora Georgine.

De acordo com os nobres presentes, Bindewald era uma ponte de comunicação entre Bezewanst e sua sobrinha, que havia se casado no ducado de Ahrensbach, ao sul de Ehrenfest. Apesar de ter sido solicitado por sua sobrinha a encher vários cálices com mana, Bezewanst só havia se encontrado com os Giebes de Ehrenfest, que serviam como intermediários. Ele nunca havia conhecido nenhum nobre de Ahrensbach pessoalmente antes.

— Rezo para que Dregarnuhr, a Deusa do Tempo, tenha entrelaçado nossos fios do destino.

Embora nenhum deles realmente pretendesse oferecer orações aos deuses, o almoço começou com uma série de bênçãos, com uísque finamente fluindo. À medida que o líquido cor de âmbar era despejado no copo de cada pessoa, seu aroma doce se espalhava pela sala.

Glaz tomou o primeiro gole para demonstrar que o uísque não havia sido envenenado. Bezewanst, vendo isso, levou sua pesada taça de prata à boca. O líquido espesso rolou sobre sua língua, fazendo-a arder um pouco. Ele moveu sua língua, ao redor, para desfrutar da sensação, então finalmente engoliu. Ele sentiu a queimação do álcool na garganta e soltou um suspiro de satisfação. O uísque era de altíssima qualidade. Glaz, sem dúvida, esvaziou seus cofres para satisfazer o paladar de seus convidados.

— A propósito, Senhor Bezewanst. Onde poderia estar a donzela do santuário plebeia que eu pedi? — perguntou Gerlach, quebrando o gelo, após esperar que todos tomassem um gole de suas bebidas.

Bezewanst tomou outro gole de uísque, sentindo que todos os olhos se concentravam nele. Eles pediram para ele trazer a plebeia cheia de mana, para que eles pudessem comprá-la, mas ela não estava em lugar algum.

— Eu não a trouxe.

— E-E por que isso aconteceu?

Bezewanst bufou para os nobres olhando para ele, com olhos arregalados e surpresos.

— Por que devo tolerar um passeio de carruagem com uma plebeia como ela? Não gostaria de respirar o mesmo ar que ela, e não vou preparar uma carruagem separada só para ela.

— Eu mesmo poderia ter preparado uma carruagem, se você tivesse pedido.

Os nobres lamentaram a oportunidade perdida, mas era difícil para Bezewanst levar Myne embora sem que o Sumo Sacerdote percebesse. Ele havia considerado usar Delia para atraí-la, mas o assistente de olhos aguçados, que uma vez serviu o Sumo Sacerdote, nunca permitiu que as duas ficassem sozinhas. O plano provavelmente terminaria em fracasso, sem nenhum propósito além de colocar o Sumo Sacerdote mais em guarda.

Por que eu, que tenho o sangue do Arquiduque, devo me expor ao perigo por causa deles?Bezewanst pensou, enquanto se preparava para jogar a culpa em Giebe Gerlach, já tendo planejado suas desculpas.

— Eles estão muito mais atentos agora, devido à tentativa fracassada durante a Oração da Primavera. Você deveria estar agradecido pelo desastre que evitei naquela vez.

— Ah, isso foi uma pena. O plano era usar soldados com Consumação, emprestados do Conde Bindewald, para atacar sua carruagem, mas infelizmente…

O plano de sequestrar Myne, durante a Oração da Primavera, provou ser infrutífero. Sequestrar uma sacerdotisa aprendiz de origem plebeia, deveria ter sido trivial para nobres empunhando magia. O fato de terem falhado, era, sem dúvida, devido ao Sumo Sacerdote, Ferdinando, que a acompanhava. Ele também era um nobre que podia usar magia.

— Podemos culpar aquele Sumo Sacerdote intrometido por isso.

— É realmente uma pena. Eu esperava fazer aquela garota plebeia sofrer, infligindo o máximo de dor possível a ela e ao Senhor Ferdinando — cuspiu a Viscondessa Dahldolf, transbordando de raiva tanto para Myne, quanto para Ferdinando. Seu amado filho havia sido punido, após ser designado para guardar Myne, durante uma missão de extermínio de Trombe no outono.

Bezewanst, a seu pedido, reclamou com Ferdinando e pediu à irmã mais velha para diminuir a punição de Schikicoza, mas com toda a honestidade, ele realmente não se importava com o que aconteceu com ele. Bezewanst ficou frustrado com a boa sorte de Schikicoza em poder deixar o templo, quando os expurgos da Monarquia causaram uma mudança política.

— Senhor Ferdinando é um inimigo mais formidável do que prevíamos, ao que parece. Poderíamos ter colocado a culpa nos Leisegangs, se tivéssemos conseguido sequestrá-la, enquanto ela estava lá — murmurou Gerlach, olhando com pesar para Bezewanst.

Tolo inútil, Bezewanst cuspiu por dentro. Se eles tivessem sequestrado Myne com sucesso durante a Oração da Primavera, ele teria se libertado daquela garota plebeia irritante, sem sujar as próprias mãos, tudo isso enquanto culpava o Sumo Sacerdote. Bezewanst estava esperando, ansiosamente, notícias de problemas ocorrendo longe do templo, mas, no final, eles retornaram em segurança, de carruagem. Era realmente irritante.

— Até incitamos os cidadãos perto da fronteira de nossas províncias a atacar, mas nenhum retornou. Eles foram todos vaporizados no ataque, apesar do fato de que metade deles eram cidadãos de Ehrenfest, — disse Bindewald, o que fez o Visconde Seitzen, o Giebe da província que faz fronteira com Garduhn, franzir a testa, ansiosamente.

— Dito isso, o visconde Garduhn não disse nada sobre os cidadãos, que desapareceram em massa. Talvez ele não tenha notado o ataque, devido à sua proximidade com a fronteira?

Isso é realmente muito estranho.

Talvez seu ataque tenha prejudicado apenas os de ducados estrangeiros. Isso era mesmo possível? Eles queriam saber os detalhes, mas o visconde Garduhn era amigo dos Leisegang. Ele não estava presente no momento e não foi informado da emboscada na Oração da Primavera. E como nenhum sobrevivente havia retornado, era impossível saber o que havia acontecido ali.

— Os cidadãos não foram os únicos que morreram. Perdi metade dos meus soldados com Consumação. Alguns deles eram bons homens, capazes de usar ferramentas mágicas e com a mana no nível de um nobre inferior. Eles eram usados para fazer negócios sujos, enquanto eu mantinha minhas mãos limpas. O fracasso deles é realmente uma vergonha. Eu esperava comprar a aprendiz de sacerdotisa para reabastecer seus números, — disse Bindewald, antes de dar uma risada gutural. Parecia horrível, como um sapo arrotando. Bezewanst fez uma leve careta, um sinal de que preferia não vender Myne para ele.

Os nobres reunidos em torno de Bindewald se entreolharam, depois todos tentaram convencê-lo, com sorrisos falsos.

— Senhor Bezewanst, eu gostaria muito de sua ajuda, como Arcebispo, para adquirir um contrato de submissão com a sacerdotisa plebeia. Sua informação e posição seriam inestimáveis, — disse um nobre.

— Podemos imaginar que a novata plebeia é insuportável de se ter por perto, para você. Este é um acordo em que todos nós nos beneficiamos. Estou errado? — disse outro.

Era verdade que Myne era insuportável e perigosa. Bezewanst ficaria aliviado ao vê-la partir e adoraria ver a cara que Ferdinando, seu “guardião”, faria, quando ela fosse levada. Mas Bezewanst não era de se colocar em risco. Seria preciso muita sorte e inteligência estratégica para se esquivar das inevitáveis tentativas de Ferdinando de se vingar dele, por causa da assinatura do contrato de submissão da donzela do santuário.

— Estamos lidando aqui com um plebeu. Ela não é muito diferente das vestes cinza órfãs. Você discorda? — perguntou um nobre.

Não, mas ela não é como uma aprendiz cinza. Ela tem a mana condizente com alguém vestindo vestes azuis. Uma plebeia normal não exerceria o poder de Intimidação.

Como alguém que havia sido atingido pela Intimidação de Myne, Bezewanst sabia que sua mana era razoavelmente forte. Ele admitiu ter baixado a guarda, mas ela não tinha a quantidade escassa de mana que se esperaria de uma criança plebeia, de sua idade, com Consumação. Isso foi comprovado quando ela realizou o Ritual de Dedicação com Ferdinando, um ritual que não poderia ser realizado a menos que as duas pessoas envolvidas tivessem níveis razoavelmente semelhantes de mana.

— Ela é extremamente rebelde, e eu não gostaria de enfrentar sua Intimidação novamente. Todos vocês têm ferramentas mágicas para se protegerem, mas eu não tenho meios de resistir à Intimidação de outra pessoa. Por que eu me exporia a tal perigo, apenas para vender uma aprendiz de sacerdotisa?

Bindewald, que estava acariciando o queixo rechonchudo, enquanto ouvia, tirou uma coisa redonda, embrulhada em pano, da bolsa em seu quadril, depois desembrulhou, lentamente, com os dedos gorduchos.

— Isso é?

— Uma feystone das Trevas, para absorver mana. A Intimidação de uma mera aprendiz plebeia não significará nada, se você tiver isso. Devo oferecer isso como um presente para celebrar nosso encontro?

Os lábios de Bezewanst se curvaram em um sorriso, enquanto ele olhava para a feystone preta como breu. Não teria de temer nenhuma criança plebeia tendo isso em sua posse. Ele poderia fazê-la se arrepender de estar contra alguém que tinha o sangue do Arquiduque.

Bindewald, vendo o quão perto Bezewanst estava, olhando para a pedra, deu seu próprio sorriso, enquanto a segurava. — Devemos considerar o negócio feito? — ele perguntou, seus olhos brilhando sob a névoa escura. Ficou claro que ele estava confiante de que Bezewanst concordaria em vender Myne para ele.

Bezewanst achava irritante dançar nas palmas dos outros, mas, todos os dias, ele se pegava desejando poder vender aquela pirralha, Myne, para outro ducado e enviar os pais dela, aqueles idiotas miseráveis, que ignoraram suas ordens e reagiram, mergulhando nas profundezas do desespero. Não havia nada que ele quisesse mais do que a feystone preta na mão de Bindewald.

Bezewanst mudou seu estado de espírito. Não seria ele dançando na palma da mão de Bindewald, seria ele trabalhando para o bem da irmã mais velha. Ferdinando havia anunciado que Myne estaria sob sua custódia na frente da maior parte da Ordem dos Cavaleiros. Saber que ela foi roubada, sem dúvida, enviaria punhais através do coração do Sumo Sacerdote, e nada agradaria mais à irmã de Bezewanst, do que testemunhar o sofrimento de Ferdinando. Também ajudaria a acalmar o coração aflito da Viscondessa Dahldolf.

Na verdade, aliar-se ao Conde Bindewald agradará a todos os nobres com quem tenho uma conexão profunda.

Tendo estabelecido uma razão adequada para pegar a pedra oferecida a ele, não havia razão para ele não fazê-lo. Bezewanst abriu seu próprio sorriso desagradável, enquanto olhava nos olhos turvos de Bindewald.

— Eu os convido, ansiosamente, para ir ao templo sempre que puder. Minha irmã mais velha cuidará de nós, não importa o que aconteça.

Bezewanst, concordando em ajudar, causou uma agitação de alegria entre os nobres reunidos. Alguns falavam de como esse desenvolvimento era excelente e, embora seu entusiasmo, sem dúvida, se dirigisse apenas ao poder de sua irmã mais velha, ele não se importava mais com isso.

— Ah, o que o futuro reserva. Mal posso esperar para ver — disse Bezewanst, enquanto levantava seu copo. Seus olhospercorreramo horizonte e viram a chuva se intensificando sobre a cidade de Ehrenfest. Mas agora, mesmo o mau tempo era música para seus ouvidos.

Fim da leitura

Capítulo 172 concluído

CAPÍTULO 172 - 171