Ascendance of a Bookworm — Capítulo 177: CAPÍTULO 177 - 176

Ascendance of a Bookworm
Cap. 177
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 177 - 176

Capítulo 177

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 176

Pesquisando a criação de cores

Linhas de garrafas, contendo tinta colorida, foram dispostas em um pequeno arco-íris de vidro, e, anexadas a cada garrafa, havia uma pequena placa de madeira descrevendo a combinação de óleo e materiais que formaram a cor. Josef estava no processo de realocá-los para uma caixa de madeira rasa.

Paramos de experimentar, pelo dia, já que os braços de Josef e Heidi estavam cansados de horas de mistura, a hora do almoço estava se aproximando, e os dois únicos dípticos que tínhamos à mão estavam completamente cheios. Nem mesmo pegando emprestado o díptico de Lutz, depois que o meu ficou sem espaço, tinha sido o suficiente para conter todos os nossos dados. Olhei para os dois, enquanto pensava nos resultados.

— Não é muito bom que a cor seja quase impossível de prever.

— Mas descobrimos algumas tendências gerais, hein? E é tão bom que tenhamos todos os resultados rotulados assim tão claramente. Estou feliz que você estava por perto e sabe como escrever, Senhora Myne! Você é a melhor! — Heidi exclamou, sorrindo, enquanto olhava para o meu díptico. Ela conseguia entender algumas palavras e letras que eram relevantes para seu trabalho, mas ainda era basicamente analfabeta. No passado, ela não tinha como registrar os resultados de suas experiências, tendo que confiar inteiramente em sua memória.

— Eu acho que você ser capaz de memorizar tais resultados de testes complicados é muito mais impressionante, pessoalmente.

— Infelizmente, Heidi só parece ter uma boa memória quando se trata de seus experimentos. Está longe de ser perfeita — disse Josef, com os ombros caídos.

Lutz olhou para mim e deu um sorriso provocador.

— Isso vale para Myne também. Ela só se esforça e se dedica muito, quando os livros estão envolvidos.

Lutz e Josef pareciam ter se unido por causa disso, e estavam dando tapinhas nas costas um do outro, em uma demonstração de apoio mutuo.

É bom encontrar pessoas com quem possa se relacionar. Cada dia fica um pouco mais divertido.

— Ok, vou ter esses resultados dos testes compilados até depois de amanhã.

— Obrigada, obrigada. Eu não sei como escrever, então tudo depende de você.

Heidi e eu apertamos as mãos e trocamos um sorriso, antes de seguirmos caminhos separados. Eu queria ir direto para casa, para começar a compilar nossos resultados, mas Gil puxou minha manga, enquanto agia, meio hesitante.

— O que há de errado, Gil?

— Irmã Myne, eu também quero um díptico — Gil murmurou, os olhos abaixados. Isso me lembrou, eu disse que faria um para ele, assim que a primavera chegasse, já que ele havia aprendido a ler.

— Ok, vamos parar na ferraria de Johann para pedir uma caneta para você. Então, eu posso ir para casa e compilar os resultados.

A oficina de tinta não estava muito longe do ferreiro, já que ambos estavam no Beco dos Artesãos. Johann poderia não ficar feliz em nos ver, já que estaríamos o visitando antes do intervalo do almoço, mas mesmo assim, fomos para o ferreiro.

— Bom dia. Johann está aqui?

O capataz desviou o olhar do cliente com quem estava lidando para olhar para nós. No segundo em que me viu, ele sufocou uma gargalhada e forçou um “Heya” a sair antes de gesticular, em direção a um assento vazio.

— Vou chamar Johann para você. — disse ele. — Heeey, Gutenberg! Sua patrona está aqui!

— Haha! — Lutz e Gil cobriram apressadamente a boca, para evitarem rir. Parecia que “Gutenberg” tinha pego, como um apelido para Johann, na ferraria.

— Capataz, eu te disse para parar de me chamar assim!

Eu pensava que “Gutenberg” era um nome bastante respeitável, mas Johann claramente não gostava muito. Ele saiu dos fundos, encontrando o capataz com os olhos estreitos e uma grande carranca.

— Bom dia, Johann.

— Oh, Senhora Myne. Seja bem-vinda.

— Desculpe por ter vindo antes do almoço. Você tem tempo para anotar um pedido?

— Ainda não terminei sua última ordem — disse Johann, com uma expressão desconfortável. Ele ainda estava trabalhando nos tipos de letras adicionais que eu havia pedido, mas isso não era muito importante, já que o Sumo Sacerdote já havia interrompido a impressão de tipos móveis. Johann poderia tomar seu tempo fazendo uma tonelada deles ao longo dos próximos anos.

— Por favor, priorize este pedido. Gostaria que você fizesse uma caneta para Gil, assim como as que encomendei anteriormente.

— Absolutamente! — Johann disse, seu rosto radiante. Ele até levantou o punho no ar. — Faz tanto tempo que não faço nada além de tipos de letras… Então, até logo — ele murmurou, uma lágrima emocional escorrendo por sua bochecha.

Honestamente, me senti meio mal agora. Desculpe, Johann.

Como eu era sua única patrona, ele, aparentemente, não fazia nada além de tipo de letra após tipo de letra. E, além disso, não apenas o capataz, mas, agora, todos os seus colegas de trabalho zombavam dele por seu título, “Gutenberg”.

Talvez eu devesse aparecer de vez em quando, só para lhe dar coisas diferentes para fazer.

— Tentarei dar ordens para outras coisas que não sejam tipos de letras, em breve. — Eu precisava de um ferro para os estênceis de cera, bem como uma caneta e um arquivo para o mimeógrafo. Havia muitas coisas que eu gostaria que ele ajudasse a fazer, mas todas elas eram ferramentas para impressão.

— Estou muito ansioso para trabalhar em algo diferente de tipos de letras.

O sorriso de Johann, ao receber a encomenda da caneta, me fez sentir um pouco culpada, não importava como eu olhasse para isso, ele não escaparia de seu destino como um Gutenberg.

Tendo encomendado a caneta de Gil, deixamos a ferraria, assim que o quarto sino tocou para marcar o meio-dia.

— Você vai para casa, certo, Myne?

— Uhrrum.

— Estou com fome e quero voltar para a loja o mais rápido possível. Vamos, rápido. — Lutz se agachou para que eu subisse nas costas dele. Aparentemente, ele acabaria recebendo menos comida se não voltasse logo.

Sabendo que eu seria um peso morto e apenas o atrasaria, subi nas costas dele sem protestar. Ele se levantou e saiu correndo para a praça onde nosso poço ficava.

— Você vai ficar dentro de casa e vai começar a compilar os resultados dos testes após o almoço. Eu tenho que ir verificar o Ateliê da Myne e dar ao Mestre Benno um relatório sobre tudo isso. Não saia, está bem? — Lutz me colocou na praça e colocou seu díptico em minhas mãos, antes de correr imediatamente em direção à Companhia Gilberta. Parecia que ele estava realmente preocupado com o almoço.

Após vê-lo partir, me virei para olhar para Damuel e Gil, que estavam ambos piscando de surpresa.

— Sir Damuel, Gil, obrigado por me acompanharem. Vocês dois podem voltar para o templo, já que eu não vou mais sair hoje.

— Certo. Você irá ao templo amanhã? Venho te buscar?

— Sim. Eu realmente gostaria de ir à oficina de tinta, mas Rosina ficaria muito infeliz se eu perdesse muita prática de fespiel.

Coloquei o díptico de Lutz na minha cesta e subi as escadas para casa, sozinha.

— Estou em casa — sussurrei, enquanto abria silenciosamente a porta, embora não houvesse como escapar do ranger das dobradiças enferrujadas.

— Bem-vinda ao lar, Myne. Você voltou cedo. — Mamãe disse, depois que deslizei para dentro. Ela provavelmente estava preparando o almoço, já que estava parada em frente ao fogão.

— Mamãe, como está Kamil? Ele está dormindo? Eu o acordei? — perguntei, olhando para o quarto.

— Não se preocupe, ele está bem — mamãe respondeu, com um pequeno sorriso, e acenou com a cabeça.

Entrei no quarto, para dar uma olhada no rosto de Kamil, depois coloquei minhas coisas no chão e lavei as mãos, antes de almoçar com mamãe. Estávamos no meio do almoço quando Kamil começou a chorar baixinho. Mamãe terminou apressadamente a comida e correu até ele.

— Desculpe, Myne, mas você poderia limpar para mim?

Limpei nossos pratos, antes de começar a copiar os resultados dos experimentos de hoje dos dípticos para o meu bloco de notas, feito de falhas de papel. Os resultados, aparentemente sem sentido, começaram a assumir uma forma mais sensata, quando os agrupei. Óleo de linhaça tendia a fazer cores azuis, mische cores verdes, pedgen cores vermelhas, e eise fazia cores amarelas. Turm produziria cores aparentemente aleatórias, mas todas tinham tons pastéis.

— Humm. Existem algumas exceções a essas regras, mas acho que entendi como elas funcionam.

Poderíamos fazer uma gama surpreendentemente ampla de cores com essas combinações. Tudo o que era preciso era listar o que fez com que os óleos mudassem para qual cor.

— Você parece estar pensando muito, Myne. No que você está trabalhando? — Mamãe perguntou, quando voltou do quarto com Kamil, que estava enrolado no que parecia ser uma longa tipoia de bebê. Seus olhos estavam bem abertos, talvez porque ele apenas se encheu de leite.

— Estou planejando um livro ilustrado para Kamil. Vai precisar de tinta bonita e colorida, que estou tentando fazer agora.

— Você está fazendo isso do zero? Isso parece que vai demorar um pouco.

— Vai, eu acho. Como está o Kamil hoje? — Perguntei, enquanto acariciava sua cabeça. Ele olhou para o meu rosto, sem piscar. Eu não conseguia me comparar ao poder de irmã mais velha esmagador de Delia, mas Kamil não chorar com a minha presença era bom o suficiente para mim.

— Kamil, Kamil. Sou eu, Myne, sua irmã mais velha.

Passei algum tempo brincando com Kamil, até que, eventualmente, seus olhos começaram a cair, novamente. Eu vi a mamãe levá-lo de volta para a cama, depois olhei de volta para a lista que fiz.

— Oh? — Enquanto olhava os nomes do óleo, percebi que o óleo de parue, tão familiar, não estava incluído. — Pode valer a pena experimentar isso também. Me pergunto o que aconteceria. Talvez eu deva levar um pouco para a oficina. E também, precisamos testar para ver se a tinta que fizemos muda de cor, quando colocada no papel, sem mencionar se dura, ao longo do tempo. Experimentar cores em camadas também será importante. — Escrevi tudo o que eu queria investigar que eu poderia pensar. Essas eram coisas que eu teria que perguntar à Heidi, da próxima vez que a visse.

No dia seguinte, fui ao templo, para minha prática diária de Fespiel, depois ajudei o Sumo Sacerdote. À tarde, passei um tempo com Delia, que estava sempre entediada e apática, enquanto Dirk estava no orfanato. Pedi a Lutz para pegar papel e pincéis no ateliê, pois amanhã os levaríamos para a oficina de tinta, para testar a tinta.

E assim, chegou o dia seguinte. Gil, Damuel, Lutz e eu, fomos para a oficina de tinta com o papel, os pincéis e o resto do nosso óleo de parue, do inverno. Heidi estava andando na frente da oficina. Não era difícil imaginar que ela estava morrendo de ansiedade, esperando por nós. Assim que ela nos viu, seu rosto se iluminou e ela deu um grande aceno.

— Bom dia, Senhora Myne. É tão bom te ver.

— Bom dia, Heidi. Aqui está o gráfico de dados compilados. — Mostrei a ela a pesquisa que havia compilado, assim que chegamos na oficina. Ela olhou para ele com entusiasmo, mas depois caiu tristemente.

— Eu posso dizer o que algumas dessas coisas são, mas não consigo ler a maior parte disso.

— Além disso, tive uma ideia ao compilar isso — Comecei a listar todas as coisas que queria tentar, o que me rendeu um grande aceno de cabeça, ansioso, de Heidi.

— Eu não incluí nenhum óleo de parue, já que você só pode colhê-los no inverno. Isso pode dar alguns resultados interessantes. Vamos experimentar agora mesmo!

Heidi e Josef começaram a misturar vários materiais no óleo de parue que eu havia trazido. Ela experimentou materiais vermelhos e ele experimentou azuis; eles os misturaram, os moeram e os agitaram uma tonelada, mas não houve mudanças estranhas. Ambos simplesmente se transformaram na cor do material colocado neles.

— Ambos os lotes de óleo de parue se transformaram nas cores que esperávamos. Isso é incrível — eu disse, olhando para a tinta acabada, com os olhos arregalados. Eu tinha visto tantas mudanças estranhas de cor, que resultados simples e lógicos eram suficientes para me impressionar.

Heidi soltou um assobio, impressionada com a tinta acabada.

— As cores também são muito vibrantes. Só podemos coletar parues lá fora durante o inverno, né??

Heidi estava certa. O óleo de parue não podia ser usado livremente, já que os parues só podiam ser coletados em dias ensolarados de inverno. O óleo era muito bom, mas, infelizmente, não adequado para produção em grande quantidade.

Enquanto Heidi e eu tristemente nos consolávamos, Josef já estava se preparando para o próximo experimento.

— Vamos tentar colocar a tinta que fizemos no papel, sim?

Heidi ajudou Josef a trazer toda a tinta que tínhamos feito no outro dia. Me inclinei para Lutz, enquanto os observava se preparando.

— Ei, Lutz. Acha que podemos fazer papel com árvores de parue? — Perguntei, cheia de esperança, após ver como o óleo de parue funcionava bem para isso. Os trombes eram feyplants e faziam um bom papel, então talvez as árvores de parue também fossem um bom material.

— Não, isso nunca vai funcionar. Essas árvores simplesmente derretem e desaparecem quando o fogo as toca. Elas desapareceriam se você tentasse ferver a madeira delas, e não há como descascar a casca delas.

— As árvores de parue são realmente tão estranhas? — Nunca tendo ido à floresta durante o inverno, eu ainda não tinha visto uma árvore parue. Eu tinha ouvido falar sobre como elas eram estranhas, bonitas e só apareciam em manhãs ensolaradas de inverno, mas fora isso, eu realmente não sabia nada sobre elas.

— Senhora Myne, está tudo pronto.

Ao chamado de Heidi, chamei Gil para que ele pudesse testar a tinta no papel, usando seu pincel. Eu tinha trazido várias folhas falhadas de volrin e trombe, para que pudéssemos usar livremente. Não íamos fazer livros ilustrados com papel trombe, mas ainda assim, valia a pena ver como ficava com a tinta.

— Wow.

Sem surpresa, a tinta até mudou de cor, dependendo do tipo de papel em que foi colocado. As cores permaneceram praticamente as mesmas no papel trombe, mas acabaram mais opacas no papel volrin, embora não fosse realmente perceptível, a menos que você comparasse os dois, lado a lado.

Tudo bem, eu tentei dizer a mim mesma. Mas com o passar do tempo e a tinta secando, as cores ficavam cada vez mais sem graça.

— Acho que precisaremos fazer outros tipos de papel e experimentar com eles também. — Eu poderia ter chorado enquanto comparava as cores no papel trombe e volrin. Lutz, por outro lado, apenas deu um leve encolher de ombros.

— Volrin é o único tipo de papel que usaremos, por um tempo, então, por que não fazer cores que fiquem boas nele?

Ele tinha razão. O Ateliê da Myne estava apenas fazendo papel trombe e papel volrin, no momento. Se quiséssemos fazer os livros ilustrados, em breve, precisaríamos nos concentrar em fazer cores adequadas ao papel volrin.

— Esta cor vermelha era muito bonita antes, mas agora que está no papel e secou, é mais como um vermelho-escuro, quase preto. Seria bom para pintar sangue.

— Não precisamos de uma cor que só será boa para isso! — Lutz gritou.

Apertei os lábios. Talvez precisássemos de uma tinta que só sirva para sangue. Não era incomum que os mitos religiosos ficassem ensanguentados.

— Esta coisa é realmente complicada — Heidi murmurou enquanto olhava para a tinta desbotada, os braços cruzados. — Acho que entendo por que as oficinas de arte mantêm suas receitas de tinta em segredo. — Realmente não foi fácil fazer tinta colorida de forma independente.

De acordo com Benno, a produção de tinta não estava vinculada a nenhum contrato mágico, então, qualquer oficina poderia fazer o que quisesse, mas os próprios métodos de produção eram mantidos em segredo pelas oficinas e nenhuma estava à venda na cidade baixa. As oficinas fazendo tinta para nobres amantes da arte, entregavam seus produtos diretamente. Eu sabia disso por Rosina, que havia sido a assistente de uma donzela de santuário amante da arte. Você não conseguia obter certas cores em nenhum lugar, exceto na oficina que as fazia, então, aparentemente, Christine havia favorecido várias oficinas ao mesmo tempo.

— Senhora Myne, vamos descobrir por que está mudando de cor.

— Como eu disse, os resultados são o importante aqui. — Eu poderia apreciar sua dedicação à descoberta, mas meu objetivo era fazer livros ilustrados para Kamil. Eu não tinha tempo a perder em pesquisas supérfluas. Eu queria tinta colorida utilizável o mais rápido possível.

— Vamos tentar sobrepor as cores a seguir. Gil, você faria isso?

— Como desejar, Irmã Myne. — Gil desenhou uma linha azul, entre as cores que já havíamos colocado no papel, e as partes sobrepostas escureceram significativamente. Não era preto como breu, era mais uma versão muito escura das cores misturadas. Nenhuma das combinações poderia ser descrita como brilhante ou vívida. Se tivéssemos um sinal de “Perigo: Não Misture” na mão, este seria exatamente o momento certo para ele.

— O que vamos fazer? — Gil perguntou, erguendo a folha de papel descolorido. O resultado foi tão inesperado que estávamos todos sem palavras. Tudo o que podíamos fazer era olhar em silêncio para as cores escuras.

Josef eventualmente quebrou o silêncio.

— Acho que devemos apenas nos ater a cores separadas para isso — disse ele com um aceno de cabeça.

— Mas tenho certeza de que você precisa misturar cores para pintar as coisas corretamente. Parece que ainda há muitos segredos por trás da tinta que as oficinas de arte usam. — Heidi estava certa. Se nossa tinta ficasse preta, quando misturada com outras cores, não seríamos capazes de desenhar nada como as pinturas da seção nobre do templo. A tinta usada neste mundo definitivamente tinha um segredo que eu não sabia.

— Vamos parar por hoje. Não importa quantas cores façamos, se elas mudam ao longo do tempo e ficam pretas quando misturadas.

Talvez haja alguma maneira de descobrirmos o segredo de fazer tinta em uma oficina de arte, pensei, abaixando meus ombros, em desespero, por causa da falta de tinta. O fato de não termos feito nenhuma tinta colorida utilizável, significava que tínhamos falhado.

Voltei para casa, com a cabeça baixa, e relatei os resultados do dia a Tuuli, enquanto a ajudava a fazer o jantar.

— O que significa que a tinta colorida não funciona. Eu não sei o que fazer sobre isso.

— Hum, você definitivamente não quer que cores misturadas fiquem pretas.

— Sim… Esse é um grande problema. Não seria utilizável para impressão, não importa o quanto eu tentasse. — Mexi a sopa na panela, enquanto apertava meus lábios em um beicinho.

Mamãe, que estava nos vendo cozinhar enquanto amamentava Kamil, colocou a mão na bochecha dela, em confusão.

— Você não está usando um agente de fixação ao colocar a tinta no papel?

— O que é um agente de fixação? — Eu tinha lido sobre agentes de fixação de fotos e arte, nos meus dias de Urano, mas não tinha ideia de que tipo de agentes de fixação eram usados aqui.

Vendo minha confusão, mamãe voltou seu olhar para Kamil e continuou.

— Um agente fixador é um líquido usado para estabilizar as cores. Nós os usamos ao tingir, para impedir que a cor desapareça ao longo do tempo.

— Mamãe, pode explicar melhor? Como exatamente você faz um agente de fixação? — Olhei para mamãe, com olhos brilhantes, mas ela apenas franziu a testa, em preocupação.

— Isso é algo que eu deveria estar dizendo a você?

— Vou verificar se está vinculado a algum contrato mágico mais tarde.

— Bem, suponho que não será um problema, então. Confio em você para garantir que seja seguro. — disse mamãe, com um tom um pouco desconfortável, antes de continuar.

Aparentemente, você poderia fazer a base de um agente fixador colocando a seiva de uma árvore chamada gnade no caule de uma flor chamada heirein, depois, a fervendo até que ficasse pegajosa. Ao usá-lo, você teria que dissolvê-lo em cerca de vinte vezes de água fervente.

— Tenha cuidado. Tenho certeza de que haverá diferenças entre usá-lo em pano e papel.

— Obrigado, mamãe. Vou tentar.

Agora que eu sabia sobre os agentes de fixação, eu imediatamente pedi ao Lutz para obter os materiais necessários para mim. Ele também parecia não saber sobre agentes de fixação, a julgar por como seus olhos se arregalaram de surpresa.

— Eu não sabia que havia algo assim. Poderíamos nunca ter descoberto se a Senhora Effa não trabalhasse em uma oficina de tingimento.

— Uhrrum. Quero juntar os materiais e tentar fazer isso imediatamente, especialmente, já que mamãe se esforçou para me ensinar como fazer isso. — Comecei a cantarolar de emoção com nossa nova descoberta, mas Lutz e Gil me pararam.

— Você deveria nos ensinar como fazer isso.

— Sim, vamos fazer isso. Você não deveria fazer isso sozinha, Irmã Myne.

Se fôssemos fazer isso no Ateliê da Myne, então eu não tinha permissão para fazer nenhum trabalho. Apertei meus lábios, por ser a única deixada de fora, mas ninguém me apoiou.

Pedi a Benno que procurasse os contratos mágicos através da Guilda dos Comerciantes e procurasse materiais, preparando o cenário para começarmos a fazer um agente fixador. Quando finalmente chegou a hora, Lutz e Gil estavam pulando de emoção com o novo desafio. Entreguei as duas tábuas, com instruções detalhadas, e foi isso. Meu trabalho estava feito.

Eu não gostava de ser deixada de fora, então, após praticar Fespiel com Rosina, contei a ela sobre a tinta colorida para desabafar minha frustração solitária.

— E agora Lutz e Gil estão fazendo o agente de fixação, sem mim, enquanto falamos. Você não acha que isso é simplesmente cruel?

Mas Rosina era menos compreensiva com minha situação e mais surpreendida por eu não saber sobre agentes de fixação.

— Ah, você não sabia como consertar as tintas, Irmã Myne? — ela perguntou, os olhos arregalados. — Eles são essenciais para o desenho. Sem eles, nenhuma arte colorida poderia ser feita, realmente.

Em uma reviravolta chocante, o templo também tinha alguém que sabia sobre agentes de fixação. Aparentemente eram essenciais para a arte. Mas como Rosina só tinha usado agentes de fixação prontos, ela não sabia como fazê-los.

— Você, por acaso, também não sabe como usar agentes fixadores, Irmã Myne?

— Eu não sei. Posso pedir que me ensine? — Mamãe só sabia como usá-lo para corantes coloridos. Eu precisaria saber como usá-lo para a arte, ao fazer os livros ilustrados coloridos.

Rosina deu uma risada refinada com a rapidez do meu pedido.

— Você deve colocar o agente fixador no papel com antecedência e deixar secar. Dessa forma, não haverá descoloração, mesmo ao sobrepor diferentes cores de tinta. Irmã Myne, você parece saber uma quantidade chocante sobre tudo, mas vejo que há algumas coisas simples que escapam do seu alcance.

— Eu simplesmente nunca tive tempo para desenhar com tinta ou aquarela antes.

— De fato — Rosina murmurou antes de bater palmas e sorrir. — Nesse caso, não seria sábio que Wilma lhe ensinasse a desenhar, depois de terminar o agente de fixação e a tinta colorida? A arte é uma pedra angular importante no aprendizado de qualquer mulher culta.

— Vou pensar sobre isso. — Dei uma resposta ambígua, mas já tinha uma resposta clara, por dentro. Não, obrigado, não quero perder mais tempo livre do que já perdi.

Dito isto, uma parte do meu coração me disse que poderia ser inteligente para mim aprendê-lo agora, uma vez que em dois anos eu seria filha adotiva de um nobre, quer eu gostasse ou não.

Usando o processo de produção do agente fixador, que eu tinha aprendido com a mamãe e o aplicando, como ensinado por Rosina, resultou em nós sermos capazes de colocar várias cores, em camadas, sem que elas se tornassem pretas ou descoloridas. A tinta colorida estava completa.

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Fim da leitura

Capítulo 177 concluído

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