Ascendance of a Bookworm — Capítulo 176: CAPÍTULO 176 - 175

Ascendance of a Bookworm
Cap. 176
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 176 - 175

Capítulo 176

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 175

A Guilda da Tinta e a Sucessão

— Myne, o Mestre Benno me disse para perguntar quando é o seu próximo dia livre — disse Lutz.

Foi cerca de dez dias após o nascimento de Kamil, que a Companhia Gilberta convocou uma reunião comigo. Imaginei que Benno havia encontrado uma oficina de cera para me levar, ou melhor, essa era a única razão pela qual eu conseguia pensar para ele me chamar.

— Ele quer me levar a uma oficina de cera, certo? É melhor se eu tiver Fran comigo, então que tal depois de amanhã pela manhã?

— Não, aparentemente há alguém que quer te conhecer.

— O quê? Wow. — Meu entusiasmo morreu em um instante. Eu queria ir a uma oficina de cera o mais rápido possível, mas meus sonhos não estavam sendo realizados. Concordei em ir, embora com os lábios franzidos.

— Você pode querer levar Gil com você em vez de Fran. O Mestre Benno disse que é um artesão de uma oficina de tinta.

Essas palavras fizeram meu entusiasmo cantar como uma fênix renascida. Eu estava querendo conhecer alguém de uma oficina de tinta, para falar sobre o desenvolvimento de novas tintas. Esta seria uma boa oportunidade para falar sobre como fazer tinta colorida.

— Eheheh. Mal posso esperar, Lutz.

— Seu humor melhorou rapidamente. — Lutz me lançou um olhar exasperado, o que me fez perceber algo. O falecido chefe da Guilda das Tintas estava procurando informações sobre mim. Talvez o novo chefe estivesse carregando seu legado.

— Hum, espere, eu realmente deveria estar me encontrando e conversando com alguém da Guilda das Tintas? — Perguntei, preocupada.

Lutz olhou para mim, depois pensou por um segundo, antes de responder:

— Se o Mestre Benno acha que está tudo bem, provavelmente está.

— Okay. Então, vou em frente e esperarei ansiosamente por isso.

Na manhã agendada, Lutz veio me buscar, e partimos para a Companhia Gilberta com Damuel e Gil. Mesmo que Mark parecesse muito ocupado, ele ainda saiu ao nos notar pela vitrine da loja.

— Bom dia, Senhora Myne. Seus visitantes já estão aqui.

— Bom dia, Mark. Você poderia ter a gentileza de tirar um momento do seu dia, ocupado, para nos guiar até eles?

Com seu habitual sorriso calmo, Mark nos guiou até o escritório de Benno, no edifício da Companhia Gilberta, onde encontrei um capataz de aparência familiar, e uma jovem não tão familiar, esperando. O capataz da oficina de tinta franziu as sobrancelhas da mesma maneira que eu me lembrava da última vez.

Eu poderia dizer que a jovem tinha chegado à idade adulta porque ela tinha trançado seu cabelo castanho-avermelhado para cima, embora fosse apenas uma única trança, que ela tinha torcido em um coque, então eu poderia adivinhar que ela não se importava muito com as aparências. A maneira como seus olhos cinzentos e cheios de curiosidade voaram por toda parte a fez parecer muito jovem.

— Ei, ei, pai. É ela?

— Ela é rica. Não aponte.

Aparentemente, eles eram pai e filha. Ele a avisou com uma voz mais baixa, e ela, imediatamente, escondeu o dedo indicador atrás das costas. Mas seus olhos, duas bolinhas de curiosidade incessante, permaneceram fixos em mim.

— Bom dia, Senhora Myne. — Benno me recebeu em seu escritório e fez um gesto para que eu me sentasse ao lado dele. Balancei a cabeça e olhei para Damuel, que suavemente me acompanhou até lá e ajudou a me sentar, com elegância treinada. Não esperava nada menos de um nobre.

— Eu sou Bierce. Wolf faleceu, e agora sou o novo chefe da Guilda das Tintas. Eu não queria isso, mas agora que aceitei o trabalho, quero fazer o máximo que puder para ajudar a salvar a Guilda — disse o capataz, antes de esfregar a testa e explicar o que estava acontecendo na Guilda das Tintas.

Aparentemente, as circunstâncias da morte de Wolf foram muito suspeitas, e nenhum dos capatazes das oficinas de tinta em Ehrenfest queria o trabalho. Ninguém queria o cargo e, em vez disso, tentaram empurrar a responsabilidade para outra pessoa, até que Bierce, finalmente, assumiu o trabalho.

Minha simpatia.

— Não gosto de falar mal dos mortos, mas Wolf foi longe demais e se envolveu em coisas que realmente não deveria — disse Bierce, com a cabeça baixa. Parecia que ele estava tendo muita dificuldade em limpar tudo, depois das bagunças de Wolf, que haviam sido impiedosamente empurradas contra ele.

Ele continuou, meio que murmurando suas palavras, como se não estivesse acostumado a falar muito.

— Eu quero manter as oficinas funcionando e reuni-las todas. Mas eu não sou bom em me explicar, como você pode dizer. Não sou vendedor.

Normalmente, as oficinas de tinta só tinham que fazer tinta. A venda real era feita por comerciantes da Guilda dos Comerciantes ou lojas locais. Mas havia apenas uma papelaria na cidade baixa, que vendia tinta, e Wolf estava usando medidas vigorosas para monopolizar os negócios com os nobres.

— Os artesãos estavam bem fazendo tinta, não importava como fosse vendida, mas alguém tem que lidar com os nobres, agora que Wolf está morto. Você não esperaria que o velho que administra a papelaria, de repente, tivesse que começar a lidar com nobres do nada, não é?

Negócios com nobres traziam muito lucro, mas havia problemas mais do que suficientes para equilibrar isso. Do meu ponto de vista, Benno podia ter lidado com nobres sem problemas, mas, na realidade, ele estava profundamente nervoso sempre que se encontrava com Sylvester ou o Sumo Sacerdote, com muitas dores de cabeça induzidas pelo estresse, depois disso. Isso era razoável. Havia muito que você tinha que memorizar apenas para cumprimentar os nobres, e um único erro poderia arruiná-lo financeiramente.

Seria cruel esperar que uma loja usada para lidar, casualmente, com a população mais rica da cidade baixa, de repente, tivesse que fazer negócios com nobres. O dono da loja não saberia como lidar com eles, nem seus daplas ou sucessores. Eles não teriam nenhuma oportunidade real de aprender sobre os nobres, e estariam substituindo alguém que havia morrido de maneira misteriosa, enquanto lidava com eles. Ninguém concordaria com isso.

Qualquer um fugiria se pensasse que nobres estavam envolvidos.

Na realidade, apenas os proprietários das maiores lojas da cidade tinham relações diretas com os nobres. Realmente, não havia muitos, e se você pensasse em qual dessas lojas poderia, razoavelmente, lidar com tinta, o número encolhia ainda mais.

— A loja do mestre da guilda lida com bens para nobres, não é? Por que não pergunta a ele? — Benno perguntou, com uma sobrancelha levantada. O fato dele não ter se oferecido para vender a tinta e, em vez disso, ter jogado a oferta no caminho do mestre da guilda, provavelmente significava que o negócio de tinta era realmente pouco atraente, tinha muitos problemas ligados a isso, ou simplesmente não era uma área que Benno estava interessado em espalhar o seu negócio.

Bierce, aparentemente esperando que Benno assumisse o cargo, caiu para a frente, em decepção, e balançou a cabeça.

— Eu gostaria de poder, mas isso é tudo o que a loja do mestre da guilda estava lidando no passado. Então Wolf monopolizou as coisas no segundo em que se tornou chefe da Guilda das Tintas. Você pode adivinhar o que vai acontecer se eu for até ele, certo?

Benno fez uma careta, tendo imediatamente imaginado que tipo de atitude o mestre da guilda teria.

— Ele iria torcer você até secar. Já posso ver o sorriso desagradável daquele velhote.

— Sim. É por isso que eu queria perguntar a você.

Não seria estranho que a Companhia Gilberta começasse a vender tinta, pois já vendia livros feitos pelo Ateliê da Myne, que primeiro inventou a nova tinta e, com certeza, se tornaria um grande cliente. Mas Benno apenas esfregou as têmporas e balançou a cabeça.

— Não é tão simples. Haverá nobres querendo que eu mantenha as coisas obscuras que Wolf estava fazendo, e se eu começar a vender tinta, o mestre da guilda vai me dar um tratamento ainda mais duro do que ele já faz.

Olhei para Benno.

— Então você deixaria outra pessoa tomar o negócio?

Eu podia entender a hesitação de Benno, mas se outra loja começasse a fazer negócios com a Guilda das Tintas, eu teria que fazer negócios com eles também. Era exaustivo só de pensar em quanto tempo levaria para eles não me julgarem com base nas aparências e começarem a fazer negócios de verdade comigo.

— Já sabemos que precisarei de muita tinta quando for começar a imprimir com o Ateliê da Myne. Prefiro fazer negócios com você do que com qualquer outra pessoa, Benno.

— Vê? A garota está dizendo isso também. Vamos, Benno.

— Humm, mas, você sabe — Benno protestou, uma expressão conflitante no rosto, mas sua recusa foi mais fraca do que antes. Sentindo isso, Bierce olhou para mim e implorou desesperadamente.

— Você poderia cavar um pouco mais nele para mim, garota?

— Não me importo de ajudar a convencer Benno, mas só se você me ajudar a desenvolver tinta colorida.

— Tinta colorida? Do que você está falando?

Enquanto Bierce piscava confuso, a garota ao lado dele levantou a mão. — Eu vou fazer isso! É por isso que estou aqui!

— Humm… Desculpe, mas posso perguntar seu nome?

— Ela é a Heidi, é minha filha, e vai dirigir minha oficina um dia. Ela adora fazer tinta e descobrir coisas novas, não tendo se acalmado nem quando completou vinte anos. Heidi e o marido são os que fazem a tinta para papel vegetal que você inventou.

Mesmo que ela parecesse ter apenas quinze anos, de relance, na verdade, ela tinha mais de vinte e já era casada.

Uau.

— Sua tinta é tão nova e fresca, realmente abalou meu mundo. Estou ansiosa para trabalhar com você.

— Meu nome é Myne. Acho que faremos grandes coisas juntas.

— Neste momento, ninguém está comprando tinta de papel vegetal, exceto sua oficina. Compre muito e use muito, ok?

O único problema real com a tinta normal era que danificava um pouco demais o papel vegetal, não era inútil nem nada, o que significava que, mesmo que mais pessoas começassem a comprar o papel vegetal um pouco mais barato, a maioria, provavelmente, continuaria usando a tinta que eles estavam acostumados. Não havia necessidade deles se esforçarem para comprar tinta separada. E, o mais importante, o que ensinei a Guilda das Tintas a fazer foi tinta altamente pegajosa, feita especificamente para impressão. Era difícil imaginar que outra pessoa além de mim, quisesse essa tinta agora.

— Acho que terei que me apressar para fazer meu segundo livro ilustrado, então.

— Sim. E, a propósito, pensei nisso enquanto fazia a tinta do papel vegetal, mas, definitivamente, parece que você pode fazer tinta de cores diferentes da mesma maneira.

Heidi descobriu que você poderia fazer tinta colorida, mas não foi capaz de experimentar ela mesma. Isso porque seu pai, Bierce, havia dito a ela que a Companhia Gilberta havia assinado um contrato mágico caro, para transferir os direitos da tinta preta, e que eles já poderiam ter feito o mesmo com tinta colorida. Mas ela queria tanto fazer tinta colorida que o convenceu a ir falar com Benno, para discutir se eles poderiam ou não experimentar. Benno mal sabia alguma coisa sobre fazer tinta, e foi assim que esse encontro comigo aconteceu.

— É realmente possível fazer tinta colorida. Por favor, sinta-se à vontade para fazer o quanto quiser.

— Bem, que tipo de materiais devo usar? Vim aqui esperando que você tivesse algumas ideias para mim. Eu tenho muitos materiais usados para tintas e corantes juntos, mas qual seria bom para tinta? — Heidi perguntou, seus olhos cinzas brilhando, enquanto ela olhava diretamente para mim.

Comecei a abrir a boca para responder, mas Benno colocou a mão no meu ombro.

— Myne. Você entendeu como isso funciona, agora, certo? — Seus olhos diziam alto e claro: Não fale de graça.

Fechei a boca e dei a Benno um aceno de cabeça, antes de me virar para olhar para Heidi.

— Vou pegar um décimo de todos os lucros da tinta colorida como pagamento por minhas informações.

— Isso é demais! Vai nos custar muito dinheiro desenvolver o material antes mesmo de começarmos a vendê-lo! — Heidi exclamou, quase gritando. Ela tinha uma boa ideia de quanto custaria pesquisa e desenvolvimento.

Inclinei a cabeça em pensamento.

— Vou tirar um décimo dos lucros da tinta colorida, mas cobrirei metade do custo de pesquisa e desenvolvimento.

— Okay! Você tem um acordo! — Heidi estendeu a mão no local, seu rosto brilhando. Negociações concluídas.

Mas quando fui apertar a mão dela, Benno agarrou minha cabeça, no momento em que Bierce bateu a mão na de Heidi.

— Isso não é para vocês duas decidirem!

Heidi e eu olhamos para nossos respectivos guardiões, suas mãos em nossas cabeças.

— Mas por que não? Não foi um acordo justo?

— Nem um pouco. Você estava sendo estupidamente generosa. Se você vai fornecer informações, você só precisa cobrir um quarto das taxas de desenvolvimento, no máximo.

— Sim, isso é mais razoável. — Bierce concordou com a correção de Benno.

Os dois começaram a trabalhar nos detalhes, mas eu só queria começar a conversar com Heidi sobre tinta colorida. Ela parecia pensar a mesma coisa, a julgar pelo olhar esperançoso que ela estava me dando, enquanto se contorcia no lugar.

— Senhora, quer vir a minha oficina? Eu tenho todos os materiais que eu poderia pensar para você. Embora papai tenha ficado muito bravo comigo por causa disso.

— Isso soa absolutamente maravilhoso! Claro que eu gostaria de ir!

Eu já podia dizer que Heidi e eu estaríamos nos dando muito bem. Nós duas nos levantamos ao mesmo tempo, mas fomos agarradas e forçadas a sentar por nossos respectivos guardiões.

— Ainda não terminamos de conversar!

— Se contenha, idiota!

Nossos guardiões estavam completamente sincronizados.

Benno soltou um suspiro pesado, enquanto ainda me segurava.

— Tudo bem. Vou me encarregar de vender a tinta por enquanto. Mas tudo o que teremos monopólio é a tinta de papel vegetal que o Ateliê da Myne utiliza. Isso inclui a tinta colorida. Qualquer outra coisa está disponível para quem vier pedir para entrar no mercado. Dê ao mestre da guilda mais alvos para focar.

— Certo. Obrigado, isso é uma grande ajuda.

As exaustivas idas e vindas de Benno e Bierce finalmente foram concluídas, com os vendedores de tinta sendo decididos.

— Posso ir para a oficina agora?

— Vamos trabalhar nessa tinta.

Heidi e eu nos levantamos, levando Benno a chamar por Lutz. Ele colocou a mão em seu ombro.

— Fique de olho nelas, Lutz. Parece que temos duas Mynes em nossas mãos agora.

— Mestre Benno, isso é demais até para mim. Eu tenho minhas mãos cheias com apenas uma Myne.

Uma expressão extremamente desconfortável tomou conta do rosto de Benno, e eu acenei, com um grande sorriso, enquanto nos dirigíamos para a oficina de tinta. Mas não demorou muito para que Heidi perdesse a paciência com a minha velocidade de caminhada e simplesmente corresse à frente, sozinha, dizendo que iria preparar as coisas para nós. Bierce empalideceu e pediu desculpas, em seu nome, mas não me importei. Não era nada para ficar chateada.

— Então, Lutz. O que você acha de Heidi? Eu acho ela engraçada e trabalhadora, mas meio estranha.

— Olha quem fala.

A oficina que Bierce nos levou, mais parecia um laboratório de química da escola, que um lugar para fazer tinta. Havia uma tonelada de equipamentos espalhados, com artesãos usando balanças para medir cuidadosamente os materiais que seriam usados para fazer tinta de noz. A tinta do papel vegetal estava sendo feita em um canto. Havia vários potes cheios de tinta acabada, que foi onde encontrei Heidi recebendo sermão de um cara de vinte e poucos anos. Parecia que suas queixas poderiam ser resumidas como: “Termine seu trabalho antes de brincar”.

— Bierce, Heidi está ocupada?

— Nah, isso não é nada para se preocupar. Ei, Josef! Não se preocupe com Heidi agora. Ela tem um cliente para lidar hoje. — Bierce gritou, sobre o barulho da oficina. Heidi se virou com um sorriso radiante, enquanto o homem chamado Josef piscou surpreso.

— Chefe, você está louco?! Você está deixando Heidi lidar com um cliente?

— Esta aqui é uma patrona importante, que quer tinta colorida e está disposta a pagar um quarto do custo de desenvolvimento por isso. Não precisamos parar a pesquisa de Heidi hoje. Apenas observe e certifique-se de que ela não faça nada rude.

A conversa deles foi mais do que suficiente para eu inferir como Heidi era normalmente tratada aqui.

— Senhora Myne, este é Josef. Ele é o marido de Heidi e o sucessor de fato da oficina. Espero que você e ele se deem bem o suficiente.

— Sou Myne, a capataz do Ateliê da Myne. Vim comprar a tinta de papel vegetal que você fez e também ajudar a desenvolver tinta nova e colorida — eu disse, o que fez Josef dar um suspiro de alívio. Parecia que a falta de compradores para a tinta de papel vegetal o estava deixando nervoso.

— Este é o quanto fizemos até agora.

— Por favor, leve isso para nossa loja até amanhã, ao fim do dia — disse Lutz. Ele estava comprando a tinta, como dapla da Companhia Gilberta, para depois vender para o Ateliê da Myne. Parecia tedioso e desnecessário, mas, aparentemente, era um processo importante.

Deixei o negócio mercantil para Lutz e, em vez disso, dei uma olhada na oficina. Damuel e Gil tinham vindo conosco e também estavam espiando, intrigados com a vida na cidade baixa.

— Senhora Myne, aqui, aqui.

Fui até onde Heidi estava me chamando e vi pequenas quantidades de uma grande variedade de materiais colocados em uma mesa. Todos já haviam se transformado em pó, o que tornava impossível dizer o que era o quê. Havia também uma variedade de óleos diferentes.

— Heidi, que tipos de óleos são esses?

— Peguei todos os tipos que pude. Apenas óleo de linhaça pode não ser suficiente, certo?

— De fato. Eu estava pensando a mesma coisa.

Um componente essencial da tinta era o óleo de secagem, mas a única coisa assim, na cidade, que eu conhecia era óleo de linhaça, algo que eu pude adivinhar que existia quando vi cânhamo e linho neste mundo, que eram feitos das plantas que cresceram das sementes transformadas em óleo. Mas não havia muito óleo de linhaça aqui, e era muito caro. Eu estava pensandoemprocurar um óleo que pudesse ser usado em seu lugar, e agora seria uma boa oportunidade para aprender mais sobre os diferentes tipos de óleo deste mundo.

— Alguns óleos endurecem quando expostos ao ar e outros não, mas são os que endurecem que são bons para fazer tinta — eu disse. — Eles são chamados de óleos de secagem.

— Hum, não há muito óleo assim além de óleo de linhaça. Apenas óleo mische, pedgen, eise e turm — disse Heidi, pegando os respectivos potes de óleo da fileira alinhada. Eu rapidamente peguei meu díptico e escrevi os nomes das flores e nozes que ela havia listado.

— A tinta com a qual estou familiarizada é feita principalmente da moagem de minerais em pó e depois é feita a mistura deles com óleo. Deixe-me ver. Esta argila amarela deve fazer uma tinta com uma coloração entre amarelo e marrom.

— Ok, vamos tentar. Josef, nos dê uma mão. — Heidi chamou Josef e começou a trabalhar misturando óleo e argila em cima de uma placa de granito.

— Hein? Não está ficando marrom!

— Ma-mas por quê?

Argila amarela misturada com óleo deveria ter feito uma cor amarelo-acastanhada. Não faria sentido que se transformasse em outra cor, e ainda assim, a mistura havia se tornado um azul-celeste brilhante, diante dos meus olhos. Eu olhei para ele, em transe.

— Vamos tentar usar outro tipo de óleo.

Josef e Heidi tentaram misturar a argila com os outros óleos, um por um. Primeiro mische, depois pedgen, eise e, finalmente, turm. Eise foi o único tipo que produziu a cor amarela que eu esperava, enquanto os outros ficaram vermelhos e azul-esverdeados, completamente fora das minhas expectativas. Tudo o que pudemos fazer foi piscar de surpresa, enquanto olhávamos para as cinco cores diferentes, na placa.

— Isso simplesmente não faz sentido, certo?

— Sim. Eu nunca teria imaginado que o tipo de óleo que usamos, mudaria a cor da tinta. É surpreendente, mas acho que devemos ficar felizes por termos conseguido fazer tantas cores diferentes usando apenas um único tipo de material?

Josef, que agora estava revirando os ombros cansados, para alongar os músculos, olhou para mim com uma expressão exausta.

— Você é mais otimista do que eu esperava.

— Bem, tudo que eu quero é tinta colorida, então estou feliz, desde que não fique transparente.

Fui em frente e escrevi nossos resultados no meu díptico. Talvez houvesse um método para a loucura.

Enquanto isso, Lutz olhava a tinta, com a mão no queixo.

— Como isso aconteceu? O que está acontecendo aqui?

— Você também está curioso? É muito estranho, não é? Você não quer apenas descobrir, não importa o que aconteça?! — exclamou Heidi, agarrando ansiosamente as mãos de Lutz, com um sorriso maníaco no rosto. Parecia que ela era o tipo de garota que realmente queria descobrir qualquer coisa que ela não entendesse.

Fechei meu díptico.

— Heidi, não importa por que isso está acontecendo, agora. O que importa é quais cores podemos criar ao combinar esses materiais.

— O quê?! Algo misterioso está acontecendo bem na sua frente, e você nem quer descobrir o que está causando isso? — Os olhos cinzentos de Heidi se abriram, e ela olhou para mim com uma mistura de surpresa e traição.

Josef imediatamente estendeu a mão de lado para agarrar sua cabeça.

— Pare com isso. Esta bela dama não é uma esquisita como você!

— Esquisita? Que crueldade. Achei que ela e eu nos daríamos muito bem.

Eu simpatizava com Heidi, mas não estava exatamente nisso para resolver nenhum mistério científico. Eu só queria fazer livros ilustrados para o meu irmão mais novo, Kamil. E, a propósito, embora eu não estivesse particularmente investido em fazer pesquisa, acolheria todo e qualquer livro que compilasse os resultados de qualquer pesquisa.

— Estou mais interessada no resultado do que no processo que produz o resultado. Eise nos deu a cor que eu queria, e é isso que importa. Vamos tentar misturar o pó azul com o eise, em seguida. Podemos encontrar algumas conexões e diferenças importantes, ao longo do caminho. — Apontei para o pó azul e Heidi deu um grande aceno de cabeça.

— Concordo com você. Vamos voltar a fazer isso.

Eise nos deu a cor amarela que eu queria, mas misturá-la com o pó azul, que parecia lápis-lazúli, produziu um amarelo brilhante, por algum motivo. Seria perfeito para pintar um campo de girassóis, mas o amarelo não era a cor que eu estava procurando. No final, foi o óleo de linhaça que nos deu um azul lápis-lazúli.

— Isso pode ser difícil — eu disse, olhando para os resultados escritos no meu díptico. A lacuna entre meu conhecimento e o conhecimento deste mundo era muito grande. O enorme número de materiais e os cinco tipos diferentes de óleo, pareciam fazer um número infinito de cores possíveis. Isso poderia ser difícil, de fato.

Fim da leitura

Capítulo 176 concluído

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