Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 198 - 197
Capítulo 198Ascendance of a Bookworm – Capítulo 197
Prólogo
Após acompanhar Sylvester para a Conferência dos Arquiduques, Karstedt foi para a sala, agora vaga, do Arcebispo. Junto de Ferdinando, ele pegou todas as provas criminais de dentro antes de selar a sala.
Então, eles começaram a discutir sobre Rozemyne e a falsa história de fundo que usariam para ela com mais detalhes. Teria sido um pouco exagerado usar a que Sylvester havia improvisado no local. A ideia era dizer que Karstedt deixaria o Arquiduque adotar sua amada filha para sua própria proteção, uma vez que, como sua mãe, ela havia nascido com uma enorme quantidade de mana. Mas mana por si só não era suficiente para ganhar o prestígio de se juntar à família do Arquiduque. Precisavam de mais um empurrão.
Ferdinando bateu um dedo contra a têmpora, profundamente pensativo.
— Talvez possamos usar os frutos de seu ateliê. Rozemyne, lamentando o estado horrível do orfanato, deu aos órfãos comida e trabalho. Sua dedicação e novas ideias de negócios chamaram a atenção do Arquiduque, — ele propôs.
— Chorando pelos órfãos e depois os salvando, fornecendo comida e trabalho, hein? Isso é praticamente o trabalho de um santo — murmurou Karstedt, levando Ferdinando a acenar com a cabeça em satisfação.
—Ah, sim, uma santa, de fato. Isso deve servir perfeitamente. E se acrescentarmos alguns contos embelezados dos feitos de Rozemyne, deve ser fácil justificar dar-lhe a posição de Arcebispo… O quê? Karstedt, não me olhe assim. Não há nada de desonesto nisso. Rozemyne realmente criou seu ateliê para salvar os órfãos. Seu objetivo final pode ter sido chegar a um ponto em que ela pudesse ler livros sem se importar, mas isso não muda os resultados nobres causados por seus esforços.
Karstedt tinha ouvido de Ferdinando que Rozemyne havia estabelecido uma oficina no orfanato, mas, após conhecer a própria garota, era difícil pensar nela como sendo alguém capaz de algo tão grande.
— Como você sabe, ela é hábil em conceder bênçãos em larga escala e, desde que não fale de forma estranha, deve parecer uma santa, — continuou Ferdinando. — Tudo o que ela precisa fazer é o que ela fez ao curar a terra durante a missão de extermínio do trombe.
Quando ele pensou na cura, Karstedt lembrou que Rozemyne havia atordoado todos os cavaleiros que estavam presentes, mostrando sua enorme quantidade de mana, uma exibição que parecia ainda mais impressionante porque ela imediatamente seguiu a tentativa fracassada de Schikicoza. Ela era, certamente, muito jovem para ser chamada de santa, mas ele não podia negar que ela parecia uma. Seu cabelo azul-escuro era bem conservado, mais sedoso do que até mesmo o cabelo da maioria das meninas filhas de nobres superiores, e seus olhos amarelo-dourados como a lua, eram como janelas em seu coração emocional. Ela também tinha um rosto bonito e, sem dúvida, se tornaria uma verdadeira beleza.
Rozemyne tinha a pele branca pálida, em grande parte intocada pela luz do sol e mãos macias que não estavam de todo desgastadas pelo trabalho duro. Embora isso, talvez, fosse simplesmente devido ao quão doente ela estava, esses eram traços desejáveis raramente vistos entre os plebeus. Além disso, graças ao Ferdinando educá-la, ela agora se movia e falava tão graciosamente, que era difícil acreditar que ela era uma plebeia. Ela ainda não era refinada o suficiente para passar como uma nobre superior, mas seria apenas uma questão de tempo.
De qualquer forma, a história de fundo era um pouco exagerada, para dizer o mínimo. Chamá-la de santa para convencer os nobres de que ela era digna, não era uma má ideia, mas ela precisaria lançar uma ou duas bênçãos poderosas para selar o acordo.
Quando Karstedt assentiu para si mesmo, Ferdinando franziu a testa.
—Isso será suficiente para justificar suas realizações, mas não é irracional dizer que você a escondeu no templo por medo do abuso de suas esposas? Elvira não é tola, e eu acho difícil…
— Acreditar que ela vai cooperar com uma história de capa como essa…
—Um ponto justo, mas é verdade que Elvira evitou Rozemary.
Tanto a primeira esposa de Karstedt, Elvira, quanto a segunda esposa, Trudeliede, haviam evitado sua terceira esposa, Rozemary, tratando-a como uma ovelha negra. O esgotamento emocional que isso causou foi, sem dúvida, um dos fatores que levaram a já fraca Rozemary ao colapso.
— Você ouviu isso da própria Rozemary, certo? Você confirmou os dois lados da história antes de julgar? — perguntou Ferdinando, olhando Karstedt de perto. Ele sabia que Karstedt tinha uma tendência a ficar do lado de Rozemary, já que ela era a vítima nessa situação.
— Ouvi dizer que a causa raiz foi o antagonismo entre as famílias de Trudeliede e Rozemary. Mas Elvira, a pessoa mais influente da família em casa, privou Rozemary de qualquer paz, dando seu apoio a Trudeliede, apesar do fato de que Rozemary era quem ela precisava proteger.
A disputa foi, pelo menos, administrável enquanto Elvira era neutra, mas tudo desmoronou no momento em que ela escolheu um lado. Karstedt achou isso frustrante, acima de tudo.
— Você não perguntou a Elvira por que ela ficou do lado de Trudeliede?
— Eu fiz, e ela disse que era porque eu sempre protegia Rozemary. Mas como eu poderia não ter feito quando a vi sendo insultada? Não faço ideia do porquê Elvira deu apoio a Trudeliede — explicou Karstedt, e Ferdinando esfregou suas têmporas com uma expressão exasperada.
— Se Elvira apoiou sua segunda esposa porque você estava protegendo Rozemary, talvez ela estivesse apenas tentando manter o equilíbrio? Eu estava certo. Seria melhor para nós revelarmos tudo para Elvira, a fim de ganhar seu apoio. Ela determinará tudo sobre o futuro de Rozemyne no lado feminino da nobre sociedade.
A maior facção feminina da sociedade das mulheres era liderada pela mãe do Arquiduque, mas agora que ela se foi, a facção em que Elvira e a esposa de Sylvester estavam, tomaria seu lugar. A sociedade das mulheres não era algo que os homens pudessem entrar facilmente, estando fora dos limites até mesmo para Sylvester, então se juntar a essa facção seria a melhor chance de Rozemyne viver uma vida pacífica. Mas, mesmo sabendo disso, Karstedt não pôde deixar de se sentir apreensivo por pedir ajuda a Elvira.
— Ferdinando, você me acompanharia quando eu for explicar isso para Elvira? A atitude dela mudará drasticamente, dependendo de você estar lá comigo ou não.
Ferdinando era o irmão mais novo do Arquiduque, de outra mãe, e foi precisamente devido ao seu talento impressionante que Veronica, a mãe do Arquiduque, o tratou friamente desde o seu nascimento. Karstedt, no entanto, não só aceitou Ferdinando na Ordem dos Cavaleiros, mas também se esforçou para protegê-lo da malícia, tratando-o com tanto respeito quanto ele faria com o próprio filho de um Arquiduque.
Mas, quando o antigo Arquiduque adoeceu e chegou a hora de escolher seu sucessor, a crueldade de Veronica só se intensificou. No final, Ferdinando declarou que não tinha interesse em se tornar Arquiduque e juntou-se ao templo. Mesmo assim, ele continuou a ajudar Sylvester com seu trabalho, e apoiou a Ordem dos Cavaleiros sempre que faltava números. Elvira frequentemente o elogiava, dizendo que, se não fosse pelo Senhor Ferdinando, Ehrenfest teria entrado em colapso há muito tempo. Então, sua reação, sem dúvida, variaria dependendo se fosse Karstedt ou Ferdinando quem fornecesse a explicação.
— Muito bem. Me convide para jantar amanhã, então. Minha agenda está lotada até amanhã à tarde.
— Tudo bem. Isso funciona bem para mim também, já que nós, da Ordem dos Cavaleiros, ainda precisamos conduzir nossa investigação.
Karstedt deixou o templo e voltou para a Ordem dos Cavaleiros, onde Damuel, que parecia bastante enjoado, estava sendo interrogado por outro cavaleiro. Ele fora levado para fora do templo inconsciente, mas agora estava sentado e falando muito bem. Aparentemente, a Ordem lhe enviou alguém capaz de usar magia de cura.
— Quando o interrogatório de Damuel terminar, será tudo por hoje. Vamos investigar nossos prisioneiros amanhã, — declarou Karstedt. Como comandante da Ordem dos Cavaleiros, ele recebeu uma rodada de saudações nítidas em resposta.
No meio de tudo isso, Damuel, timidamente, fez uma pergunta a Karstedt.
— Senhor Karstedt… ham… e a aprendiz…?
— Ela está bem. Você se saiu bem a protegendo por tanto tempo quanto você fez, dada a desvantagem que você estava.
Um nobre inferior como Damuel, naturalmente, tinha muito menos mana do que um nobre superior como o conde Bindewald, então Karstedt ficou genuinamente impressionado com o quão capaz ele se mostrou.
Com essas palavras, Damuel caiu em alívio total e exausto.
— Estou honrado — ele conseguiu forçar a resposta.
A Ordem dos Cavaleiros se dispersou, assim que o interrogatório de Damuel terminou, e Karstedt foi para o quartel dos cavaleiros para descansar. Ele pensou que ir para casa sem avisar com antecedência causaria problemas, já que, no que diz respeito a eles, ele estava participando da Conferência dos Arquiduques, na Monarquia.Certamente não estou fazendo isso para evitar falar com Elvira sem Ferdinando, ele garantiu a si mesmo, antes de balançar a mão para recuperar seu schtappe e tocá-lo contra uma feystone amarelo.
—Ordonnanz— disse ele, e a feystone se transformou na forma de um pássaro branco. — O senhor Ferdinando estará nos visitando para o jantar, amanhã. Por favor, prepare-se para sua chegada.
Tendo falado sua mensagem, Karstedt balançou seu schtappe, ordenando mentalmente que o pássaro fosse para Elvira. Voltou em pouco tempo.
— Oh meus Deuses, Senhor Ferdinando? Não diga mais nada. — Disse com uma voz brilhante e ansiosa três vezes, antes de retornar à forma de uma pedra. Convidar Ferdinando foi uma boa ideia, afinal.
Na manhã seguinte, Karstedt foi interrogar os prisioneiros. O primeiro foi Bezewanst, o Arcebispo. Ferdinando havia investigado seus crimes tão minuciosamente e com detalhes tão precisos, que Karstedt estava honestamente exausto de sua persistência. Ainda assim, mais exasperante do que qualquer coisa, era que Veronica, de alguma forma, conseguiu proteger Bezewanst através de tudo o que havia acontecido.
— Estou surpreso que ela tenha te protegido por tanto tempo, — disse Karstedt. Ele tinha certeza de que Bezewanst faria um escândalo e protestaria por ter seus crimes listados, mas tudo o que ele fez foi inclinar a cabeça. Parecia que ele estava realmente devastado que sua irmã mais velha fosse ser punida por Sylvester.
Mas, em contraste com a rendição de Bezewanst, o conde Bindewald parecia ter a intenção de manter seu silêncio. Eles teriam que usar a ferramenta mágica de busca de memória assim que Sylvester voltasse da Conferência dos Arquiduques. Karstedt não sabia qual mana seria mais compatível, mas, com certeza, não invejava quem tivesse que olhar as memórias do conde. Ele apenas rezou para que sua própria cor de mana não acabasse sendo a que mais se assemelhava à do Conde Bindewald.
— Meus Deuses, Senhor Ferdinando. Agradeço muito a sua visita durante este período movimentado — disse Elvira. Ela estava usando um sorriso três vezes mais agradável do que o habitual, e amarrou o cabelo em um estilo particularmente requintado. Karstedt acabara de voltar para casa com Ferdinando, e, embora ele estivesse mais do que acostumado com o quão diferente ela os tratava, ele não pôde deixar de suspirar.
Assim que terminaram de jantar, Karstedt pediu aos assistentes para que saíssem da sala e olhou para Elvira. Ela voltou a olhar para ele, aguardando silenciosamente suas palavras.
— Ham… Elvira. Minha… ah… filha está sendo batizada neste verão.
— Oh, meus Deuses. E quem seria a mãe dela? — Elvira perguntou, estreitando os olhos escuros, como se observasse cada movimento de Karstedt.
— Ah… Rozemary. É o batismo de Rozemyne, a filha que tive com Rozemary.
— Meus Deuses, isso não é possível. Não acredito que Rozemary teve filhos. Sua família nunca teria mantido o silêncio se ela tivesse um filho. Você não se lembra daqueles tolos, e a arrogância absurda que desenvolveram depois que sua filha se casou com um nobre superior? Como eles fizeram uma demanda irracional após outra demanda irracional sobre nós? Você reacenderá a disputa entre as famílias de Trudeliede e Rozemary ao fazer isso — disse Elvira, com um olhar, lembrando-o de que os parentes de Rozemary haviam sido a razão inicial para ela ser excluída.
Karstedt começou a protestar, mas Elvira continuou, o interrompendo.
— Toda essa bagunça finalmente se acalmou, e você quer começar de novo, apresentando um filho dela? Eu não permitirei… Ou melhor, eu não permitiria, mas já que Senhor Ferdinando está aqui, posso imaginar que há algumas circunstâncias profundas por trás de tudo isso. Posso oferecer minha ajuda dependendo de quais sejam essas circunstâncias.
— Você realmente é uma mulher sábia, Elvira. Estou precisando de sua ajuda e humildemente peço sua cooperação — disse Ferdinando.
— Oh meus Deuses, Senhor Ferdinando. Você sempre sabe exatamente o que dizer.
Ferdinando começou a explicar as circunstâncias a Elvira. Uma menina talentosa, com o nome de Rozemyne, seria batizada como filha de Karstedt e, em seguida, adotada pelo Arquiduque, no mesmo batismo. Ele e seu irmão mais velho, o Arquiduque, queriam que ela fosse adotada, porque já haviam confirmado que ela seria uma enorme bênção para o futuro de Ehrenfest.
— O conflito começará de novo se os parentes de Rozemary souberem da existência dessa garota, então sugiro que realizemos o batismo sem anunciar que ela é filha de Rozemary. Vou criá-la como sua mãe, para que ela não traga vergonha para Karstedt ou nossa família.
— Isso seria extremamente útil, Elvira. Parece que confiar isso a você foi a coisa certa a fazer o tempo todo — elogiou Ferdinando.
Elvira sorriu brilhantemente, todos os vestígios de nitidez desapareceram de seu rosto. Como todos esperavam, fazer Ferdinando falar com Elvira tinha sido provado ser muito mais eficaz do que se Karstedt tivesse perguntado, apesar do fato de que este último era seu marido.
— Eu a tenho educado até certo ponto, no templo, então não acredito que ela seja uma vergonha, mas caberá a você terminar o trabalho e torná-la uma dama adequada, que não se destacará negativamente dentro do castelo do Arquiduque.
— Oh, meus Deuses. Você mesmo a educou, Senhor Ferdinando? — Elvira perguntou, os olhos arregalados. Ela provavelmente estava se perguntando se o infame e duro Ferdinando, que era brutal até mesmo para os aprendizes da Ordem dos Cavaleiros, era capaz de criar uma criança com segurança.
Karstedt entendeu bem os sentimentos dela. Ele também duvidou de seus ouvidos quando ouviu pela primeira vez. Ferdinando deve ter criado Rozemyne com dureza, a julgar por quão graciosamente ela se movia e quão habilidosa ela era em tocar o fespiel, mas ela, no entanto, confiava totalmente nele. Foi a primeira vez que Karstedt viu uma criança se apegar emocionalmente a Ferdinando. Ele ainda se lembrava do choque absoluto que sentira ao ver Rozemyne se esconder atrás de Ferdinando, para proteção, durante o extermínio do trombe.
— Eu a eduquei porque acreditava que era necessário que ela fosse adotada por um nobre — disse Ferdinando antes de começar a dar mais detalhes sobre Rozemyne. — Ela é uma excelente assistente, quando se trata de fazer papelada, e tem uma abundância de mana, além disso, ela tem padrões de pensamento simplista, que a tornam fácil de lidar, e, embora ela exiba uma falta impressionante de bom-senso, às vezes, ela não é ininteligente. As tentativas de educá-la darão frutos. Além disso, embora ela aprenda rápido, infelizmente sou incapaz de ensiná-la qualquer coisa sobre feminilidade.
— Você pode deixar isso comigo. Vou criá-la corretamente.
Com isso resolvido, eles começaram a discutir seus planos. Karstedt pediu a Elvira que preparasse tudo para o batismo. Um quarto teria que ser providenciado para Rozemyne, e o instrutor de etiqueta que ensinava seus filhos precisava ser solicitado a ensiná-la, também. Uma vez que tudo estivesse pronto, Rozemyne seria movida do templo para o Bairro dos Nobres.
— Então, preciso preparar quartos e roupas para uma garota — disse Elvira, seus olhos brilhando de excitação. Ela só tinha criado garotos antes.
Acho que ficaremos bem deixando isso para ela, Karstedt pensou, colocando a mão no peito dele em alívio.
Não muito tempo depois, Ferdinando enviou a notícia a Karstedt de que ele estava começando seu exame de Rozemyne. Karstedt deixou a investigação criminal em andamento para retornar aos aposentos do Sumo Sacerdote no templo.
— Humm… Hum… Olá, pai? — Rozemyne gaguejou desajeitadamente. Sua voz infantil fez Karstedt sorrir. Todos os seus filhos eram meninos, alguns dos quais agora eram até cavaleiros, então ouvi-la chamá-lo de “Pai” aqueceu seu coração. Se Rozemary realmente tivesse lhe dado uma filha, talvez ela tivesse sido assim.
— Rozemyne, você vai chamar a suspeita para si mesma se você gaguejar assim — Karstedt advertiu.
Rozemyne soltou um gemido, depois murmurou “Pai” para si mesma, repetidamente, enquanto praticava. Vê-la trabalhando tanto para sobreviver na sociedade nobre, para que pudesse proteger sua família, fez Karstedt soltar um suspiro pesado.
Em outro lugar, Ferdinando começou a espalhar um pedaço de pergaminho no chão, já com um círculo mágico desenhado. Ele havia retirado os assistentes da sala, de forma preventiva.
Rozemyne olhou para o círculo mágico com curiosidade.
—O que é isto? Isso faz alguma coisa?
— Ele analisará o fluxo de sua mana. Você disse antes que não poderia se mover sem uma certa quantidade de mana enchendo seu corpo, correto?
— Isso é possível? — Karstedt perguntou.
Ao entrar na Academia Real, os alunos adquiriam um schtappe, através do qual sua mana poderia ser direcionada e eram ensinados a comprimir a mana dentro de seus corpos. Porém, antes disso, eles geralmente derramavam sua mana em ferramentas mágicas, dadas a eles por seus pais. Mover mana exigia resistência e não era bom para o crescimento do corpo, então era amplamente entendido que quanto menos mana fosse mantida em seu corpo, melhor.
— Não há dúvida de que seu crescimento físico está sendo atrofiado pelo fato de que seu corpo está sempre cheio de mana. No entanto, nunca ouvi falar de alguém adoecer por ter muito ou muito pouca mana dentro deles.
— O quê? Isso não é normal? — Rozemyne perguntou surpresa, olhando para o próprio corpo.
— Na verdade, não é. Estarei investigando o fluxo de sua mana, em parte, para determinar por que isso está acontecendo.
— Uau, você pode fazer isso? Isso é realmente impressionante — disse Rozemyne, olhando para o círculo mágico e acenando com a cabeça várias vezes, curiosa.
Karstedt, em contraste, estava olhando para Ferdinando. Nem todos carregavam círculos mágicos que mostravam o fluxo de mana dentro do corpo de alguém.
— Esse círculo mágico é usado por médicos, não é? Por que você tem um?
— Eu mesmo fiz, na verdade, modificando um círculo mágico comum, usado para fazer ferramentas mágicas. Embora eu não pudesse dizer se é o mesmo círculo mágico que os médicos usam, e esta é a primeira vez que estou usando em alguém que não seja eu mesmo.
Karstedt estava sem palavras. Sempre que Ferdinando queria algo, ele acabava fazendo por conta própria, e isso por si só estava além do que a maioria das pessoas podia fazer.
Ignorando o espanto de Karstedt, Ferdinando colocou quatro feystones no círculo, uma em cada uma das quatro direções cardeais, antes de se virar para Rozemyne.
— Rozemyne, tire suas roupas e sapatos, depois fique no círculo.
— Huh?!
— E-Espere aí, Ferdinando! — Karstedt ficou boquiaberto. Rozemyne ainda era jovem, mas essa não era uma ordem que você daria a uma mulher tão casualmente.
Independentemente disso, Ferdinando permaneceu inabalável, apontando para o círculo mágico com uma expressão plana em seu rosto.
— Não conseguiremos fazer isso depois que ela for batizada e adotada pelo Arquiduque. Esta é a nossa única oportunidade. Apresse-se e faça isso.
Rozemyne olhou entre Karstedt e Ferdinando, depois corou de vergonha.
— De jeito nenhum. Isso é muito embaraçoso! — disse ela, recuando com cautela.
Enquanto Karstedt tinha pena dela, Ferdinando aparentemente não teve: ele apenas olhou para ela e zombou.
— Não tenho certeza de onde vem essa vergonha repentina. Você estava bem na banheira.
— O quê?! Banheira?!
Karstedt não podia acreditar em seus ouvidos. Ela estava “muito bem na banheira”? Eles tomaram banho juntos? Ferdinando tomou banho com Rozemyne? Fixando o olhar em Ferdinando, ele perguntou:
— Ferdinando, o que diabos você fez com essa garotinha?
Os olhos de Ferdinando se arregalaram.
— Na-Não entenda mal, Karstedt! Refiro-me a quando observei suas memórias usando a ferramenta mágica. Eu não tomei banho com ela! — ele protestou, quase em pânico.
Karstedt calmamente determinou que Ferdinando devia estar dizendo a verdade, já que sua fachada em branco, habitual, desmoronou quase instantaneamente. Mesmo assim, quem não teria entendido mal? Alguém que não sabia sobre aquela ferramenta mágica, estaria convencido de que Ferdinando tinha interesse em meninas. Se Sylvester estivesse aqui, ele já estaria brincando alegremente com ele.
— Rozemyne, você estava completamente imperturbável naquela hora! Por que você está ficando envergonhada agora, de todos os tempos?!
— Quero dizer, na hora, eu estava tão animada sobre ser capaz de usar (xampu) e (sais de banho), depois de tanto tempo… E eu nem podia vê-lo, então era como se estivéssemos apenas no (telefone) ou alguma coisa assim, e era um sonho, não realidade, então… Enfim! Não posso tirar a roupa na frente de outras pessoas! — Rozemyne protestou.
Karstedt sabia agora, com certeza, que a cena do banho havia surgido em suas memórias e que, na hora, ela não se incomodou com isso.
— Estou apenas examinando seu corpo. Isso é realmente mais embaraçoso do que um banho?
— Sim! Se você quiser chamar isso de exame médico, então traga um médico para fazer isso!
— Você não pode apenas pensar em mim como um médico? A mesma coisa vai acontecer, de qualquer maneira.
Ferdinando era tão habilidoso que ele realmente podia trabalhar como médico, e sua personalidade era tal que ele não ficaria satisfeito a menos que ele mesmo a examinasse.
— Você não entregou sua vergonha feminina em três dias, após se tornar Myne quando foi despojada por um homem que você não considerava ser seu pai? Já se passaram três dias desde que você se tornou Rozemyne. É hora de se render mais uma vez.
— Na… Na-Na… Na-Não pode ser! — Rozemyne balançou os braços e correu em direção a Karstedt, gritando —S-Salve-me, Senhor Karstedt! — Ela tentou dar a Ferdinando um bom espaço, enquanto ele já estava parado entre eles, mas ele simplesmente estendeu a mão e a agarrou, sem esforço. — BUÁA! Solte-me! Buáa!
— Tola. Quantas vezes eu lhe disse para se dirigir a Karstedt como “Pai”? E, a partir deste ponto, me chame pelo meu nome, quando estivermos fora do templo — disse Ferdinando, secamente, removendo a faixa e as vestes de donzela azul do santuário da lamentavelmente chorosa Rozemyne, sem hesitar. Olhando de fora, ele parecia exatamente como um pai punindo uma criança que estava fazendo birra. Mas, independentemente de quão jovem ela era, despir as roupas de uma mulher com tanta força simplesmente não era certo.
Rozemyne, agora despida do vestido verde que ela tinha usado durante a Oração da Primavera, olhou para Karstedt, depois estendeu os braços, com um olhar desesperado no rosto.
— Paaai! Ferdinando está sendo um canalha!
— Não convide a mal-entendidos, sua garota tola. — Ferdinando apertou a mão na cabeça de Rozemyne, apertando-a, enquanto ela gritava por ajuda.
Vendo isso, Karstedt considerou a possibilidade de que eles estivessem muito mais próximos do que ele pensava, embora talvez ele estivesse simplesmente tentando evitar enfrentar a realidade de sua situação. Sylvester, falando de brincadeira, depois de saber da imensa mana de Rozemyne após a missão de extermínio do trombe, sugeriu que Ferdinando se casasse com ela, e olhando para eles agora, a ideia não parecia tão absurda.
Enquanto Karstedt ponderava isso, os movimentos de Rozemyne começaram a desacelerar.
— Ferdinando, acredito que você está indo um pouco longe demais. Rozemyne está respirando pesadamente.
Ferdinando arregalou os olhos, surpreso, e afrouxou o aperto, criando uma abertura para Rozemyne se contorcer e pular em direção a Karstedt. Ela circulou ao redor dele, soltando um gemido, enquanto se escondia na sombra de sua capa e olhou com raiva para Ferdinando. Ela era como um pequeno animal se esforçando para parecer ameaçadora, e Karstedt não pôde deixar de rir. Sylvester estava certo quando disse que Rozemyne se parecia com um shumil. Tudo o que ela precisava fazer era dizer “puhi” e a imagem estaria completa.
Ferdinando cruzou os braços frustrado e olhou para Karstedt e Rozemyne. Sua expressão deixou claro que ele estava irritado porque as coisas não estavam acontecendo de acordo com o plano.
— Karstedt, como pai dela, o que você acha da fraqueza de Rozemyne? — ele disse, exigindo sua ajuda de uma forma indireta.
Karstedt comparou Ferdinando e Rozemyne. Os métodos vigorosos de Ferdinando podem ter sido um pouco desconfortáveis de observar, mas Rozemyne era fraca o suficiente para estar mais ou menos à beira da morte o tempo todo. Se Ferdinando era capaz de ajudar, então era melhor fazer o que ele dizia.
Karstedt levantou Rozemyne e a olhou nos olhos.
— Rozemyne, Ferdinando é um especialista quando se trata de mana. Examinar sua mana permitirá que ele descubra qual poção é necessária para curá-la, não seria sábio deixá-lo?
— Bem, quero dizer… eu acho… — Rozemyne parou de encarar e se acalmou, aparentemente convencida. Ela tinha a mente racional de um adulto, depois de tudo. Ao contrário de outras crianças, ela não faria uma birra de verdade ou pararia de ouvir por despeito. Tudo o que tinha que fazer era ser razoável e explicar as coisas com cuidado para ela.
No entanto, algumas pessoas não entendiam como ter tato.
— Karstedt, agora! Segure-a! — Ferdinando ordenou, falando no mesmo tom que usaria na Ordem dos Cavaleiros. Quando Karstedt instintivamente agarrou Rozemyne, Ferdinando rapidamente se aproximou, ficando atrás dela, e habilmente desfazendo os minúsculos botões que alinhavam a parte de trás de seu vestido, um por um.
— Woww! Ferdinando, seu pervertido! Você era um lolicon esse tempo todo?!
— Não tenho ideia do que você está insinuando, mas não temos tempo para isso. Apresse-se. — Ferdinando terminou de abrir os botões e apontou bruscamente para a cortina ao redor de sua cama. — Tire suas meias lá. Estarei examinando suas costas, então só seu torso precisa estar nu. …O que há com esses olhos desafiadores? Você precisa que eu tire suas calças também?
— Não! Vou tirar as meias, está bem? Feliz?!
—Sim. Faça isso rapidamente e não desperdice mais do meu tempo.
Rozemyne correu para trás da cortina, o tempo todo olhando para Ferdinando, com os olhos cheios de lágrimas. Ele parecia completamente indiferente a isso, mas a visão era suficiente para enviar uma pontada de dor diretamente através de Karstedt. Por que Ferdinando tinha que ser tão cruel com uma garota tão jovem?
— Você está sendo muito frio, Ferdinando. Ela é uma menina tímida e envergonhada. Quantas vezes eu te disse para ser um pouco mais gentil com as mulheres?
— Isso seria uma perda de tempo.
Ferdinando foi abusado por Veronica durante toda a sua infância, e sua mãe não lhe ofereceu nenhuma proteção. A experiência foi suficiente para deixá-lo um pouco desconfiado das mulheres, então, a menos que ele visse uma vantagem particular em ser gentil, Ferdinando sempre foi extremamente duro com elas. Hoje não foi exceção.
Karstedt não pôde deixar de suspirar.
— Como sempre, você e Sylvester são exatamente iguais, pois você nunca ouve conselhos pessoais, não importa quantas vezes você os receba.
— Não me compare com ele — disse Ferdinando, dirigindo a Karstedt um olhar irritado.
Foi quando Rozemyne, cobrindo a sua frente com suas roupas empacotadas e cheia de vergonha, saiu de trás da cortina, descalça.
— Fique em cima disso.
Ferdinando fez o círculo mágico espalhado, alterando um, destinado a verificar o fluxo de mana nas ferramentas mágicas e detectar quaisquer irregularidades. Rozemyne timidamente pisou nele e virou as costas para Ferdinando, que chicoteou a mão para desenhar seu schtappe, antes de se ajoelhar e bater levemente no círculo mágico. Mana começou a fluir para dentro dele, e momentos depois, o círculo mágico, cheio de mana, brilhou vermelho e se levantou no ar. Passou pelos pés de Rozemyne e subiu até a cabeça, fazendo com que a mana fluindo dentro dela também brilhasse vermelha. Suas calças escondiam sua metade inferior, mas linhas finas eram visíveis nas costas e nos braços.
— Uau! O que está acontecendo?
— Eu disse que estaria olhando para o fluxo de sua mana, não disse? Seu cabelo está atrapalhando. — Ferdinando afastou o cabelo, olhando para as costas pequenas de Rozemyne com uma carranca. Karstedt e Rozemyne poderiam ter olhado para o fluxo de mana sem ele, mas Ferdinando era o único lá que poderia examinar as linhas vermelhas e determinar o que estava errado com o fluxo de mana, e onde.
Após examiná-la por um tempo, Ferdinando soltou um suspiro pesado e se levantou. Ele olhou para Rozemyne, esfregando as têmporas e franzindo a testa.
— Vejo que você já morreu antes. Há pedaços de mana endurecida dentro do seu peito.
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