Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 204 - 203
Capítulo 204Ascendance of a Bookworm – Capítulo 203
Finalmente Reunidos
Tentei correr para a sala do livro no instante em que Ferdinando me deu a chave, apenas para ser parada por Fran.
— Senhora Rozemyne, você esteve ausente por algum tempo. Há muito que preciso relatar e muito que devemos discutir. A sala do livro não vai a lugar nenhum e, embora tenha sido apenas brevemente, tenho certeza de que sua Intimidação sobre o Irmão Egmont, como o novo Arcebispo, foi mais do que suficiente para impedi-lo de bagunçá-la, novamente, em breve. Você pode ler à vontade assim que terminarmos nossos negócios urgentes.
Eu olhei entre Fran e a porta, então examinei a sala em busca de qualquer um que pudesse provar ser um aliado. Monika estava de pé atrás de Fran; Rosina estava polindo o fespiel, mostrando absolutamente nenhuma intenção de se envolver; Damuel estava evitando o contato visual, a fim de evitar se envolver na situação; e Brigitte estava observando os procedimentos com uma carranca. Parecia que ninguém estaria disposto a me apoiar.
— Mas Lutz e os outros virão amanhã, então quero fazer o máximo de leitura possível hoje — implorei. Se a Companhia Gilberta estava ocupada o suficiente para ganhar a simpatia de Ferdinando, então não havia dúvida em minha mente de que eu acabaria, irremediavelmente, ocupada, também. Hoje seria, certamente, o último dia que eu poderia relaxar e ler no meu próprio ritmo.
Mas minha súplica só me rendeu um sorriso de Fran, semelhante ao que Ferdinando sempre me dava.
— Fique tranquila, Senhora Rozemyne, há muito para você ler aqui nesta mesma sala. Antes de navegar pelas prateleiras da sala dos livros, por favor, olhe e memorize-as, todas, antes da Cerimônia do Nó das Estrelas. — Com isso, ele começou a empilhar tábuas na minha mesa. Elas aparentemente foram organizadas por Fran e meus outros assistentes, e detalharam uma ampla gama de orações e procedimentos rituais.
Mas não fui eu quem recuou ao ver a enorme pilha de tábuas, foi Brigitte.
— Espere um momento, há simplesmente muitas tábuas aqui para ela ler. Senhora Rozemyne ainda é jovem, e isso é demais para jogar em uma criança que acabou de terminar sua cerimônia de batismo.
Fran fez uma leve careta. Ela, sem dúvida, enfatizou que um nobre estava lutando com ele, mas, mesmo assim, devolveu a Brigitte um olhar calmo e se manteve firme.
— A Senhora Rozemyne deve participar da Cerimônia do Nó das Estrelas como Arcebispo. Se ela falhar em sua primeira cerimônia ritual, servirá como uma marca que manchará sua reputação para sempre. Certamente você entende, Dama Brigitte, o que acontece com aqueles na sociedade nobre que têm má reputação.
Fran tinha aprendido com Ferdinando como a sociedade nobre trabalhava, enquanto servia como seu assistente. Ele se lembrou de como Ferdinando precisava ser cauteloso, e que julgamentos ele tinha estabelecido sobre os outros.
— Eu entendo. Parece que falei fora de hora — admitiu Brigitte, antes de dar um passo para trás. O estresse desapareceu do rosto de Fran quase instantaneamente, e ele estendeu uma tábua para mim.
— Aqui está você, Senhora Rozemyne.
— Eu escrevi essa! — Monika exclamou, os olhos brilhando, enquanto olhava para mim. — Eu trabalhei duro para o seu bem, Senhora Rozemyne.
Não só não pude recusar o sorriso inocente de alguém que dera tudo por minha causa, mas também não tinha quase nenhuma chance de escapar de Fran, que estava atrás dela, com um sorriso próprio. Mais uma vez, fui lembrada de que Fran havia sido treinado pelo primeiro e único Ferdinando.
Nossa, Fran… Você está deixando ele te influenciar demais!
— Ha… Ok, vou memorizá-las. Para recompensar ambos os seus esforços, eu também colocarei tudo em meu aprendizado.
— Isso não é ótimo, Fran? — Monika exclamou. — Parece que juntar tudo para a Senhora Rozemyne realmente não foi uma perda de tempo!
— A Senhora Rozemyne nunca ignoraria o trabalho árduo feito por seus servos. Agora, então, Senhora Rozemyne, por favor, comece lendo os procedimentos rituais descritos aqui.
Tendo desistido de ir para a sala dos livros, chorei e peguei a tábua de madeira de Fran.
— Buáa! São lágrimas de felicidade. Estou tão feliz por ter assistentes que se importam tanto comigo.
Suspiro… Em breve, minha doce sala de livros… Em breve…
E assim, meu dia passou aprendendo sobre a Cerimônia do Nó das Estrelas e os deveres esperados do Arcebispo.
Enquanto eu tomava café da manhã, na manhã seguinte, Gil me informou que Ferdinando e eu nos encontraríamos com a Companhia Gilberta mais tarde, naquele dia, para ver como seu trabalho na expansão da indústria de impressão estava progredindo. Ferdinando, aparentemente, queria receber o relatório antes que os acadêmicos tivessem a chance de falsificar os dados. Assim que Gil terminou seu próprio café da manhã, ele saiu da sala para ir avisar à Companhia Gilberta que eles também estariam vendo o Sumo Sacerdote. Sua viagem com os acadêmicos, supostamente, foi uma provação, mas, durante ela, ele desenvolveu fortes laços de companheirismo com Benno e Lutz.
Gil também se tornou muito melhor em ler e escrever enquanto eu estava fora, a ponto de agora poder escrever relatórios por conta própria. Seu trabalho árduo, frenético, desde que foi jogado no meio de comerciantes e acadêmicos, finalmente valeu a pena. Eu havia dado um tapinha na cabeça de Gil e o elogiei como sempre fazia, apenas para Brigitte me informar, de forma muito desconfortável, que não era apropriado interagir com assistentes assim.
Bem, parece que uma garota nobre dando tapinhas na cabeça do assistente não é visto muito favoravelmente. Suponho que eu poderia ter adivinhado isso, no entanto…
A Companhia Gilberta deveria chegar ao terceiro sino, e ficaria para o almoço assim que nos desse seu relatório. Para esse fim, Ella e Nicola foram para os aposentos do diretor do orfanato assim que terminaram de preparar o café da manhã em meus novos aposentos. Fran foi com elas para que ele pudesse preparar chá para nós, deixando Monika para trás para cuidar de mim e me acompanhar enquanto eu caminhava pelo templo. Era prática padrão que a música fosse tocada durante as refeições frequentadas pela nobreza e, uma vez que ela terminasse o café da manhã, Rosina também ia aos aposentos do diretor do orfanato, com o fespiel na mão. Enquanto isso, fiquei nos aposentos do Arcebispo para continuar a memorização de ontem.
— Rozemyne, é hora de ir. — Ferdinando veio aos meus aposentos, acompanhado por um assistente chamado Zahm em vez do habitual Arno. Eu estava pronta para ir, e então parti dos meus aposentos com Monika.
— Rozemyne, entendo que você pode estar animada para encontrar seus associados plebeus pela primeira vez em tanto tempo, mas permaneça no controle de si mesma até que eu termine de falar. Em troca, vou fechar os olhos para o que ocorrer em seu quarto escondido, depois, para que você possa acalmar seu coração dolorido o quanto quiser. — Ferdinando murmurou, enquanto caminhávamos.
Percebi que ele estava me dando algum tempo para abraçar Lutz, para que ele pudesse escapar dos meus abraços, mas honestamente, isso era mais do que bom para mim.
— Entendido!
Passamos pelos corredores até chegarmos aos aposentos do diretor do orfanato, momento em que Monika abriu a porta para mim. Fazia tanto tempo desde que visitei meus antigos aposentos que fiquei imediatamente cheia de nostalgia. Mesmo ver a mobília familiar trouxe paz ao meu coração.
— Fico feliz em ver que aqui não mudou muito — eu disse.
Enquanto esperávamos pelo terceiro sino, Ferdinando e eu discutimos a Cerimônia do Nó das Estrelas em uma mesa no segundo andar. Seria um dia agitado, com certeza. O festival da cidade baixa aconteceria pela manhã, seguido da Cerimônia do Nó das Estrelas pela tarde. Também conversamos sobre o que os órfãos estariam fazendo naquele dia e, após algumas negociações implacáveis, Ferdinando concordou em nos deixar jogar como tínhamos feito no ano passado, desde que Lutz tivesse tempo e Wilma ficasse para trás para manter as coisas em ordem.
O terceiro sino tocou. Não demorou muito para que Gil trouxesse os visitantes da Companhia Gilberta, que estavam esperando no portão para a cidade baixa. Havia Benno, Mark e também Lutz.
Parecia que Lutz tinha ficado um pouco mais alto desde a última vez que o vi. Seu rosto parecia um pouco mais crescido também. Fiquei surpresa com o quanto Gil havia crescido, mas parecia que Lutz estava amadurecendo rápido também. Empurrei o desejo de pular em seus braços, em vez disso, apenas, oferecendo um pequeno aceno. Mas no segundo em que minha mão se contraiu, Ferdinando olhou para mim e murmurou “Rozemyne” em voz baixa.
Eu sinto muito. Vou me controlar.
— Agora, então, Benno, eu gostaria que você me dissesse o que você viu e quais foram seus pensamentos durante a viagem. Não esconda nada, desejo um relatório que não seja de um acadêmico oficial.
— Como você quiser.
Foi só quando Benno começou a falar que eu aprendi que Ehrenfest era a única cidade que tinha um templo. Ferdinando observou que seria ridículo para as províncias serem preenchidas com padres azuis, como se fosse óbvio, mas eu estava pensando sobre as coisas a partir de uma perspectiva da Terra, onde cada cidade, geralmente, tinha, pelo menos, uma igreja.
Mas aqui, havia apenas um grande templo em todo o ducado. Em todos os outros lugares havia santuários e outras coisas dedicadas a deuses individuais. As lojas na cidade baixa adoravam o Deus do Comércio e a Deusa da Água, os ferreiros adoravam o Deus do Ferreiro e o Deus do Fogo, e os que estavam nas estalagens adoravam a Deusa do Vento e a divindade patrona dos viajantes. Nas cidades agrícolas, havia pequenas capelas nas mansões de inverno, onde todos os deuses eram adorados. Como resultado, não havia santuários menores.
Quanto aos orfanatos, estes eram geralmente administrados por prefeitos e pelas principais potências das cidades. Para preservar a paz e a ordem, um Arquiduque, várias gerações atrás, ordenou que os orfanatos fossem construídos perto da propriedade do prefeito. Órfãos que eram encontrados seriam acolhidos, e em troca de dar-lhes comida e abrigo, os prefeitos receberiam o direito de usá-los como escravos. Os órfãos eram mais ou menos como sacerdotes e donzelas cinzentas do santuário, apenas com seus mestres sendo os prefeitos e autoridades da cidade, em vez de sacerdotes azuis.
— O orfanato em Hasse estava em um estado horrível — disse Benno.
Foi neste ponto que Gil se levantou para começar seu relatório, em que ele comparou o orfanato de Hasse ao orfanato do templo antes do ateliê ser estabelecido. Ao contrário de Ehrenfest, os orfanatos em outras cidades e vilas não foram construídos em um templo. Isso significava que os órfãos que viviam lá não recebiam dons divinos e, como os prefeitos não eram nobres ricos, quase nenhum dinheiro foi enviado para apoiá-los. Dito isso, enquanto esses órfãos viviam em sujeira anti-higiênica, nenhum deles havia sido completamente abandonado como as crianças no porão.
— As crianças não estão trancadas no orfanato, então elas sobrevivem procurando comida enquanto recolhem lenha na floresta. Acho que as circunstâncias deles devem melhorar um pouco, pelo menos, se pudermos fazer um ateliê no verão, antes do outono — disse Gil, concluindo seu relatório.
Ele cresceu tanto desde seus dias como um pirralho atrevido… Senti o mesmo sentimento de orgulho que uma mãe teria olhando para as boas notas do boletim escolar de seu filho, sorri para Gil e dei-lhe um aceno de cabeça. Ele assentiu de volta, sorrindo de satisfação.
Depois que Gil se sentou, era a vez de Lutz se levantar e dar um relatório.
— Já que o orfanato deles não tem dons divinos como no orfanato do templo, precisaremos de muito mais dinheiro para melhorar as suas condições de vida. O aspecto mais problemático aqui é que os orfanatos das cidades agrícolas não consideram todos os órfãos iguais como o orfanato do templo. Não posso imaginar que melhorar suas condições de vida seja um processo tão pacífico quanto foi aqui.
Lutz havia crescido em um ambiente onde era a sobrevivência dos mais aptos, mesmo entre os membros da família. Por essa razão, ele estava além de confuso ao ver como as coisas eram completamente iguais no orfanato do templo. Essa igualdade foi a razão pela qual tudo correu tão bem, mas Lutz sustentou que seria errado da nossa parte assumir que outros orfanatos seguiam um sistema semelhante.
— Além disso, o diretor do orfanato era muito parecido com os padres azuis aqui. Se o orfanato começar a dar lucro, há uma boa chance de que ele simplesmente o roube para si mesmo.
— Nesse caso, — comecei — pode ser sábio para mim, fazer um orfanato inteiramente novo antes de fazer a oficina. Dessa forma, podemos ensinar-lhes o modo de vida do templo desde o início.
Aqueles que estavam acostumados a um mundo de cão-come-cão instintivamente, sabiam obedecer a aqueles mais fortes do que eles, então, provavelmente, seria mais fácil usar minha autoridade para criar uma base inteiramente nova a partir da qual começar. Quaisquer autoridades municipais que se intrometessem em roubar lucros estariam, por extensão, atrapalhando nosso trabalho na indústria gráfica. Em outras palavras, eles eram inimigos dos livros, e eu não hesitaria em usar minha autoridade para eliminá-los.
— Se estamos incorporando o orfanato no Ateliê da Rozemyne, não me importo de colocar dinheiro nos custos de construção. Mas se fizermos deste novo orfanato um negócio de propriedade do governo, então o ducado pagará por isso, certo?
— Isso não é óbvio? — Ferdinando perguntou, com uma sobrancelha levantada, mas Benno balançou a cabeça.
— Pode ser difícil fazer disso um negócio de propriedade do governo.
— E por que isso?
— Os acadêmicos parecem querer esmagar a indústria gráfica antes mesmo dela começar, — disse Benno, seu olhar severo. Mark silenciosamente assentiu ao lado dele. — Eu não sei o que foi informado aos acadêmicos quando receberam este trabalho, mas eles pareciam odiar fazê-lo. Era como se tivessem sido forçados a fazer um trabalho que ninguém queria.
Lutz e Gil assentiram em firme concordância enquanto Benno falava. Os acadêmicos que tinham ido com eles, aparentemente, lhes deram um tempo extremamente difícil.
— Já que você pediu minha opinião honesta, direi o seguinte: é difícil acreditar que esses acadêmicos foram realmente encarregados de iniciar um novo negócio sob a autoridade do Arquiduque. Como um humilde comerciante, é impossível eu determinar se eles não entenderam a intenção do Arquiduque, se eles intencionalmente querem que o negócio falhe, ou se eles são simplesmente ininteligentes, mas com eles no comando, o plano falhará sem qualquer dúvida.
Benno parecia irritado quando eu queria construir uma filial do Ateliê da Myne no orfanato, mas, mesmo assim, ele não havia me dito que era impossível; ele acabou me aconselhando sobre a melhor maneira de prosseguir. A situação era aparentemente tão ruim, desta vez, que Benno, um comerciante com um nariz afiado para o sucesso financeiro e fracasso, estava convencido de que o desastre nos esperava.
Ofeguei um pouco, temendo o quão provável era para a indústria gráfica desmoronar antes mesmo de nascer. Mas Ferdinando não parecia nem um pouco preocupado. Havia um leve sorriso espalhado por seu rosto.
Haaa… Sim, aí está seu sorriso de vilão maligno. Ele provavelmente está tramando dentro de sua cabeça agora.
Eu já podia dizer que os oficiais acadêmicos, que haviam acompanhado Benno e Gil, seriam comidos vivos. Mas como eu não queria que a indústria gráfica fosse sabotada, eu apenas olhei, silenciosamente, dando a Ferdinando todo o meu apoio.
— Entendo. Suas perspectivas, sem dúvida, serão úteis. Vir aqui eu mesmo, foi uma jogada sábia, afinal. Agora, então, a Cerimônia do Nó das Estrelas está se aproximando rapidamente. Como está o restaurante?
Estávamos nos aproximando de um jantar que não estava apenas sendo assistido também pelo Arquiduque, mas seu irmão, sua filha adotiva e o comandante da Ordem dos Cavaleiros. Minha cabeça doía só de pensar em quão altas eram as esperanças de Sylvester.
Benno, no entanto, deu um sorriso invencível.
— As coisas estão indo muito bem. A construção do restaurante em si terminou, nossos chefs estão ficando mais habilidosos a cada dia, e temos mais garçons, treinados, já prontos. A maioria dos nossos trabalhadores já tem muita experiência com nobres, então prevejo que a refeição terminará sem problemas.
— É bom ouvir isso. Mais alguma coisa?
— Isso é tudo o que tenho a relatar, honorável Sumo Sacerdote. Dito isso, há alguns assuntos sobre o restaurante italiano que eu gostaria de discutir com a Senhora Rozemyne — disse Benno, olhando bruscamente para mim.
Meu Deus, Benno… O que há com esse olhar assustador em seu rosto? Não é minha culpa que eu não poderia contatá-lo.
— Nesse caso, Rozemyne ajudará a organizar seus relatórios e calcular os custos iniciais do empreendimento. Como filha adotiva do Arquiduque, ela precisará aprender o significado de estabelecer novas indústrias.
Então, você está dizendo que eu preciso entender as lutas daqueles que realmente estão fazendo o trabalho, para que eu não faça demandas irracionais como Sylvester? Eu te ouço alto e claro. Dito isso, não vou me conter nem um pouco se isso me aproximar de conseguir meus livros.
— Rozemyne, você pode discutir esses assuntos em seu quarto escondido. Damuel vai te proteger. Brigitte, fique de guarda aqui por enquanto e termine seu almoço.
— Sim, Senhor!
Por ordem de Ferdinando, Monika começou a preparar o almoço de Brigitte, enquanto Fran guiou Ferdinando e Zahm para fora dos meus aposentos. Após vê-los, pressionei a mão contra a porta escondida e despejei uma pequena quantidade de mana nela. A mana fluiu do meu anel, e a porta se abriu assim que confirmou que a mana era realmente minha. Ao contrário da oficina de Ferdinando, eu não tinha restrições de mana para passar pela porta, então qualquer um teria permissão para entrar, desde que tivesse minha permissão.
— Os da Companhia Gilberta podem me acompanhar? Damuel pode me proteger como Ferdinando sugeriu, e Gil pode me acompanhar como meu assistente. Monika, enquanto isso, sirva a comida para Brigitte. Você pode pressionar a feystone nesta porta se precisar de mim.
Quando todos entraram, gentilmente fechei a porta. Dentro, meu quarto escondido tinha uma mesa e cadeiras como uma sala de estar, e tinha cerca de três metros e meio de cada lado. Não era particularmente grande, no que diz respeito a salas escondidas. Quanto mais mana você colocava em uma sala, maior ela se tornava, mas como a minha só existia para eu falar com as pessoas sobre coisas que eu não queria que meus assistentes ouvissem, não havia necessidade de torná-la maior.
Eu verifiquei para ter certeza de que a porta estava bem fechada, depois exalei. Não precisei mais me segurar. Me virei, corri direto para Lutz e pulei em seus braços.
— Haaa! Lutz, eu queria muito te ver!
—Uau!
Eu o apertei com força, acariciando minha cabeça em seu peito, enquanto tentava empurrar toda a frustração que havia acumulado dentro de mim.
— Eu já odeio ser uma nobre! Estou presa passando o dia todo estudando etiqueta e todo tipo de outras coisas. Isso é um tédio. Estou exausta. Quando desmaio, eles me forçam a ficar de pé, fazendo-me beber poções desagradáveis que fazem minha cabeça girar. A maioria das pessoas que conheço são mal-intencionadas. Não existe nada para alegrar meu dia. Minha família não está lá. Você não está lá. Minha nova “mamãe” e “papai” não me dão nenhum abraço. E, e, e…
Listei todas as minhas reclamações sobre morar no Bairro dos Nobres enquanto me agarrava a Lutz, e ele descansou a cabeça contra a minha como se dissesse que não sabia o que mais poderia fazer.
— Uuuh, Myne?
— Não, Lutz, você não pode misturar isso. Você tem que me chamar de “Rozemyne” agora.
Apesar de sentir uma onda de emoções surgir no meu peito ao ser chamada de “Myne” pela primeira vez em anos, tive que balançar a cabeça.
— Lutz… Me dê um abraço, já que minha família não pode. Eu preciso de mais. Muito mais.
Lutz se obrigou, envolvendo seus braços em torno de mim como costumava fazer. Um sorriso grande e satisfeito se espalhou pelo meu rosto, mas todos que estavam nos observando estavam fazendo uma careta. Mas isso não era o suficiente para me impedir. Eu ainda não estava satisfeita.
Olhei para Benno, meus braços ainda apertados em volta de Lutz.
— Benno, Benno, eu tenho um pedido.
— O quê? — Benno perguntou, sua carranca exasperada se tornando mais cautelosa enquanto olhava para mim.
— Você poderia me repreender um pouco? Só um pouco?
— O quê?! — Benno exclamou, não mais olhando para mim com a expressão cautelosa que ele sempre dava aos nobres. Isso por si só foi o suficiente para me fazer me sentir feliz.
— Pode ser por causa da minha alta posição, mas ninguém está disposto a me repreender na propriedade de Karstedt. Todo mundo me elogia, não importa o que eu faça, e é honestamente meio nojento. Eu nem estou fazendo nada louvável!
Meu instrutor de etiqueta e meu tutor pessoal me colocaram em um pedestal tão alto, que era realmente desconfortável. Nem mesmo Karstedt ou Elvira me repreenderiam, também. Sempre que eu estragava algo, eles apenas sorriam como se fossem me cortar completamente, o que era genuinamente aterrorizante.
Benno me ouviu com a cabeça baixa, tremendo todo, e, de repente, disparou de volta.
— Você está baixando demais a guarda, sua idiota! Você já é uma cabeça de vento desmiolada que entra em apuros como um bebê burro. Não piore as coisas! Eles vão explorar você! — ele gritou, soltando seu trovão em mim.
— Sim, é isso! Era o que eu queria. Haa, isso é muito melhor!
O fato de que até a raiva de Benno era suficiente para me deixar tonta de nostalgia, mostrava o quanto eu estava sofrendo ultimamente. Soltei um suspiro de satisfação, que Lutz encontrou com um suspiro pesado e contrastante de exaustão. Ele abaixou os ombros, depois se inclinou um pouco contra mim.
— Cara… Você não mudou nada, hein? Você é uma nobre agora, mas ainda é a mesma de sempre por dentro.
— Quero dizer, as pessoas não mudam tão facilmente, não é? O que você está dizendo, Lutz?
Certamente, seria mais surpreendente se eu não fosse a mesma de sempre. Eu certamente tinha melhorado em esconder meu verdadeiro eu, e eu estava me segurando muito mais como uma nobre, mas eu era a mesma de sempre no interior.
— Viu? Eu disse a você — disse Benno a Lutz em um tom um tanto derrotado. — Deixar de ser uma plebeia para ser um Arcebispo não é suficiente para mudá-la.
Lutz rangeu os dentes de frustração e olhou para mim.
— Droga… Me devolva todas as lágrimas que chorei por nunca mais ser capaz de ver Myne de novo!
— Okay. Vou devolver todas elas e muito mais através de abraços.
Achei que era uma boa ideia, mas Lutz imediatamente me recusou. Estranho. Mas, de qualquer forma, eu havia tratado minha deficiência de Lutz e me sentia ótima.
— Se você já terminou, podemos voltar aos trilhos? Quero falar sobre o pão fofo que vamos vender no restaurante italiano — disse Benno, os olhos brilhando com o entusiasmo de um comerciante.
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