Ascendance of a Bookworm — Capítulo 225: CAPÍTULO 225 - 224

Ascendance of a Bookworm
Cap. 225
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 225 - 224

Capítulo 225

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 224

Mosteiro de Hasse

Hoje era o dia em que os sacerdotes e as donzelas cinzentas do santuário deveriam se mudar para Hasse. Duas carruagens, que haviam sido fornecidas por Benno, estavam alinhadas no portão dos fundos do templo que se conectava à cidade mais baixa. Todos no orfanato se reuniram para vê-los, quando três sacerdotes entraram em uma carruagem e três donzelas de santuário na outra. Mark estaria junto dos sacerdotes cinzentos, enquanto Lutz estaria com as donzelas do santuário.

— Por favor, se cuidem, todos.

— Obrigado. Vou cuidar de seus estimados sacerdotes cinzentos, Senhora Rozemyne — disse Mark, enquanto se ajoelhava. Eu dei-lhe um aceno cortês, ali como representante do orfanato, mas não pude deixar de olhar por cima dos ombros de Mark, quando o fiz. Ele e Lutz deram um sorriso irônico e seguiram meu olhar.

Lá se ajoelhava um único soldado. Apesar de ter sido ordenado para proteger os sacerdotes a partir do portão leste para Hasse, papai tinha vindo para o templo, para ver os sacerdotes saírem em suas carruagens. Eu o cumprimentei também, mal segurando meu sorriso.

— Em breve eu mesma partirei para Hasse — eu disse. — Eu confio a você a escolta dos sacerdotes.

— Você pode contar comigo, — papai respondeu, levantando-se com um sorriso e batendo no peito duas vezes. Fiz o mesmo, depois vi as carruagens partirem.

Eu estaria indo para Hasse daqui a três dias, já que esse era o mínimo necessário para que as carruagens chegassem lá e todos terminassem de se instalar. Com o passar do tempo, contei nos meus dedos quantos dias restavam até poder voltar a ver o meu pai.

— Rozemyne, você tem certeza disso? Eu acredito que seria melhor para você andar com Brigitte — disse Ferdinando, com uma expressão grosseira, quando criei minha montaria escultural no portão da frente do templo. Mas eu levei meu treinamento a sério, e agora era boa o suficiente para dirigir o Menos, para que eu ficasse perfeitamente bem por conta própria.

— Hasse é a cidade mais próxima de Ehrenfest. Se eu não conseguir voar para lá, então não há como voar a longa distância necessária para o Festival da Colheita. Vou viajar no Pandabus para praticar.

— Concordo que você precisa de mais prática. No entanto… — Ferdinando parou, sendo surpreendentemente cauteloso sobre isso, mesmo que ele mesmo tenha dito que eu precisava de experiência prática.

— Senhor Ferdinando — interveio Brigitte, — se você está tão preocupado, posso sugerir que eu cavalgue com Senhora Rozemyne? Como eu também sou uma portadora de mana, podemos evacuar na minha montaria escultural, se necessário. Dessa forma, ela estará mais segura do que estaria de outra forma.

— Verdade… Brigitte, você se sentiria confortável fazendo isso?

— Eu vi a melhora da Senhora Rozemyne com meus próprios olhos. Ela tem minha confiança — disse Brigitte em um tom frio e confiante, mas pude ver que seus olhos de ametista estavam brilhando. Parecia-me que ela estava, pelo menos, um pouco interessada em montar meu Pandabus. Ela fez sua montaria escultural desaparecer e se aproximou, então abri a porta do lado do passageiro.

Ferdinando baixou os olhos, em derrota, enquanto observava.

— Se você insiste, Brigitte. Deixo-a com você.

Brigitte balançou a cabeça em um aceno de cabeça e entrou no meu Pandabus. Eu mesmo entrei no banco do motorista e fechei todas as portas.

— Brigitte, por favor, aperte seu (cinto de segurança). Puxe isso e trave aqui… — expliquei, colocando meu próprio cinto de segurança para demonstrar. Segurança em primeiro lugar, afinal. Apenas o banco do motorista se transformou para combinar com o meu tamanho, então o banco do passageiro ao meu lado parecia super grande e alto, da minha perspectiva.

Acariciando o lado do assento, Brigitte sorriu.

— Esta é realmente uma montaria escultural fofa.

— Nééééééé? Ele é tão fofo, não é?

Ferdinando tratou como algo estranho, mas eu sabia que meu Pandabus era fofo. Talvez eu pudesse discutir sua fofura com uma garota. Olhei para Brigitte com olhos esperançosos, apenas para ela se arrepender e pigarrear desajeitadamente.

— Ahem! Er, bem… eu quis dizer isso no sentido de que é uma boa combinação para você.

— Ahaha. Agradeço muito você. Agora, é hora de decolar.

Eu agarrei o volante do Pandabus, despejei mana nele, depois pisei no acelerador para perseguir a montaria escultural de Ferdinando, que já havia voado. Ele começou a correr em suas pequenas pernas de panda vermelho e, quando puxei as alças para trás, comecei a voar pelo ar.

— Eu nunca considerei que alguém pudesse se sentar dentro de uma montaria escultural. O assento é muito confortavelmente macio, e é bom que eu não teria necessariamente que mudar em roupas projetadas para as montarias esculturais. Tenho a sensação de que as senhoras da sociedade nobre podem querer copiar esse modelo — disse Brigitte.

Parecia que mulheres nobres tinham que vestir roupas feitas especialmente para andar nas montarias esculturais, já que sentar nas costas de um animal exigia que você abrisse as pernas para montá-lo. Mas tais acomodações não eram necessárias para andar no Pandabus.

— Não haviam carruagens quando as montarias esculturais foram feitas pela primeira vez, eu me pergunto?

— As montarias esculturais são feitas à imagem de animais, e o feitiço não está equipado para criar carruagens ou algo parecido. O conceito de montar dentro do próprio animal é definitivamente novo, e é uma ideia muito maravilhosa, na minha opinião.

Retrospectivamente, eu provavelmente não teria pensado em montar dentro de um animal se eu não tivesse crescido em torno de anime e parques temáticos cheios de carrinhos de animais. Mesmo com todos os elogios da Brigitte, não pude comemorar muito. Afinal, a ideia original, aqui, definitivamente, não era minha.

— Eu não tinha certeza se seria na moda entre as mulheres, já que Ferdinando parecia tão descontente com ele — confidenciei. As pernas do Pandabus acenaram pelo ar enquanto ele seguia o leão de Ferdinando.

Meu panda vermelho é tão fofo. Ehehehe…

Nossas montarias esculturais pousaram no mosteiro. Parecia que alguém estava vigiando, e Benno e os outros saíram imediatamente. A Companhia Gilberta, os sacerdotes cinzentos e os soldados que os guardavam estavam todos ajoelhados.

Saí da minha montaria escultural e a devolvi à sua forma de feystone, que coloquei na gaiola pendurada no meu cinto. Demorei muito mais do que o Ferdinando e o Damuel, mas, mesmo assim, estava melhorando.

Com isso feito, dei meio passo na frente de Ferdinando. Se tivéssemos sido capazes de fazer as coisas do meu jeito, eu estaria me escondendo atrás dele, mas me disseram que era impróprio para o Sumo Sacerdote ficar à frente do Arcebispo.

Ferdinando olhou para as pessoas ajoelhadas, depois assentiu.

— Agradecemos suas boas-vindas. Agora, veremos o interior do mosteiro de uma vez.

Todos se levantaram. Fiz contato visual com o papai, que estava na frente dos soldados, e trocamos sorrisos. Isso foi tudo o que pudemos fazer com Ferdinando e os outros ao redor.

— Vou começar com o prédio das meninas — disse Benno, assumindo o papel de guia, enquanto nos levava para dentro. As entradas, anteriormente vazias, agora tinham portas, e havia caixas para colocar pertences pessoais ao lado de colchões, no chão. — As camas devem estar prontas no inverno. Dada a pressa, priorizamos tornar os quartos habitáveis.

Eu balancei a cabeça repetidamente, os quartos serem habitáveis era importante. Caixas e colchões eram tudo que os órfãos precisariam, uma vez que eles não tinham muitos pertences pessoais para começar.

— Esta sala é para lidar com a papelada — continuou Benno. — Há uma idêntica no prédio dos meninos.

A sala havia sido montada com cadeiras, mesas e utensílios de escrita. As donzelas cinzentas do santuário seriam encarregadas de escrever documentos sobre alimentação e despesas de vida, enquanto os sacerdotes cinzentos seriam encarregados de escrever relatórios sobre a oficina.

A sala de jantar só tinha uma mesa improvisada, que consistia em uma tábua apoiada em várias caixas. O resto seria preparado depois. Os carpinteiros o usavam enquanto trabalhavam no mosteiro, e aparentemente era mais do que bom o suficiente para eles comerem.

Como já era tarde, os soldados e a Companhia Gilberta passariam a noite no mosteiro também. Isso significava que todos estariam jantando juntos, o que exigia que uma ou duas tábuas extras fossem adicionadas à mesa.

Como no templo, o porão do dormitório das meninas era uma cozinha, e estava equipada com panelas, grades de metal e um forno, como na minha cozinha. Também tinha pratos de madeira e talheres, então comer aqui seria como comer no orfanato do templo.

— É um pouco excessivo para a cozinha de um orfanato, mas fomos um pouco além, já que sabíamos que você estaria visitando, Senhora Rozemyne.

— Eu agradeço muito. Meus chefs certamente apreciarão isso.

Havia uma saída no porão do prédio das meninas, assim como havia no templo, levando ao porão do prédio dos meninos, que tinha sido transformado em uma oficina. Tinha todas as ferramentas e materiais necessários para funcionar como uma filial do ateliê da Rozemyne. As únicas coisas que não tinha, eram tipos de letras de metal e uma impressora, mas já que esta última exigia a força de vários homens adultos e tínhamos uma escassez de pessoal, eles estariam focando na fabricação de papel e impressão de mimeógrafo, por enquanto.

— Traremos as prensas de impressão uma vez que as pessoas cheguem, mas, no momento, isso deve ser suficiente para a oficina funcionar — disse Benno, enquanto nos levava para cima.

Os quartos no prédio dos meninos eram como os do prédio das meninas, mobiliados com caixas e colchões para torná-los habitáveis. Parecia que era aqui que os soldados e a Companhia Gilberta estariam hospedados.

— Essas crianças são apenas órfãs e estão vivendo melhor do que nós, hein? — um dos soldados que nos acompanhava resmungou com uma careta.

— Você gostaria de se tornar um sacerdote também? Você não terá permissão para se casar ou sair do templo, e sua vida será constantemente abalada pelos caprichos dos sacerdotes azuis, mas se isso parecer uma vida agradável para você, então teremos prazer em recebê-lo no mosteiro. — Eu disse, incapaz de permanecer em silêncio.

Eles não sabiam nada sobre a situação dos órfãos, que estavam presos no orfanato até o batismo, que poderiam ser facilmente descartados, se desnecessários, ou que poderiam morrer se não houvesse ninguém por perto para cuidar deles. E, no entanto, eles tiveram a ousadia de dizer que viviam vidas melhores do que eles.

O soldado rapidamente notou minha frustração e o sangue escorreu de seu rosto. Ele se ajoelhou e disse: “Perdoe-me, eu não queria ofender”, antes de oferecer uma variedade de desculpas.

— Senhora Rozemyne, é compreensível que eles pensem isso depois de ver como vivemos agora. É graças a vós e aos vossos esforços no templo que a nossa qualidade de vida melhorou tão drasticamente. Eles não têm como saber o quanto nossas vidas seriam piores se não fosse por você — disse um padre cinza, tentando me consolar com elogios. Todo o tempo, eu podia ver o pai acenando com a cabeça, orgulhosamente, com um olhar em seu rosto que parecia dizer: “Minha filha não é incrível?”

Não apenas acene de acordo. Pense no soldado tremendo no chão agora. Ele não é seu? Eu pensei, mas ver papai agindo tão orgulhoso de mim, como de costume, aliviou minha raiva, e meus ombros logo se soltaram.

— Eu imagino que você falou sem pensar, mas eu pediria que você tomasse cuidado, antes de fazer tais suposições prejudiciais sobre os outros — eu disse.

— Eu não tenho desculpa. Não vai acontecer de novo — disse o soldado, se desculpando. Eu o perdoei, e então o assunto terminou aí.

A próxima foi a capela. Tinha duas impressionantes portas de madeira ornamentadas, que imediatamente exalavam a majestosa aura que se esperaria de uma capela. Quando os sacerdotes cinzentos os abriram, vi que o chão, anteriormente branco dentro, agora tinha um tapete colocado sobre ele, e havia um altar no final da sala destinado a segurar as estátuas dos deuses. A capela não era muito grande no geral, mas definitivamente tinha a mesma atmosfera que o templo.

— Benno, quando as estátuas estarão prontas? — perguntou Ferdinando, olhando para o altar sem adornos.

— Disseram-me que levará mais um mês.

— Entendo. Então elas estarão prontas a tempo do Festival da Colheita. Excelente. Rozemyne, siga-me. Agora vou arrumar seu quarto.

Ferdinando tirou uma feystone, o pressionou contra a parede na altura da cintura, depois fez seu schtappe aparecer e começou a cantar algo. Em pouco tempo, uma faixa de luz vermelha começou a se estender para fora da feystone, estendendo-se até que era cerca de quinze centímetros mais alto do que Ferdinando antes de se dividir em duas e mover-se em direções opostas.

Depois de crescer um pouco mais, as faixas de luz, de repente, se dobraram em um ângulo de noventa graus e se dirigiram para baixo, depois se dobraram em outro ângulo de noventa graus pouco antes de tocarem o chão. As duas linhas estavam agora se dirigindo uma para a outra, movendo-se paralelamente ao chão até que finalmente se fundiram.

Então, a luz se esticou para retornar ao feystone, que começou a brilhar intensamente. Quando o brilho desapareceu, o feystone estava embutido na porta de uma sala escondida.

— Rozemyne, registre sua mana aqui e construa seu quarto.

— Ok.

Coloquei a mão na feystone e registrei minha mana com ela, assim como fiz com o quarto escondido em meus próprios aposentos. Naquela época, estava tão alto que eu precisava usar uma cadeira para tocá-lo, mas aqui estava baixo o suficiente para que eu pudesse alcançá-lo do chão. Foi só então que percebi que Ferdinando havia ajustado a altura para minha conveniência.

Deixei minha mana fluir enquanto pensava no meu quarto no templo, e quando a porta se abriu para sinalizar o fim do registro, revelou um quarto que parecia ser exatamente do mesmo tamanho.

— Você pode pedir móveis e quaisquer outras coisas que precisar e trazê-los para cá — disse Ferdinando, olhando para Benno e Mark. Eu segui seu olhar. Eles estavam sorrindo, mas eu podia ver em seus olhos que eles estavam surpresos por terem mais trabalho a fazer esperando por eles.

Desculpe. Sinto muito mesmo.

— Ah, sim, e despeje sua mana nisso até que a cor tenha mudado completamente — instruiu Ferdinando, apontando para uma feystone que estava embutida na parede dos fundos, na extremidade da capela.

— O que é?

— Algo essencial para proteger o mosteiro. Até agora, ele ainda contém mana de quando foi construído, mas não vai durar até a primavera. Proteger este lugar é um de seus deveres.

Eu constantemente derramei minha mana na ferramenta mágica de proteção para carregá-la. Eu esperava que exigisse uma tonelada de mana para proteger todo o mosteiro, mas, como se viu, a quantidade que precisava era surpreendentemente pequena.

Andamos pelo mosteiro e voltamos para a porta da frente, era hora de nós, nobres, nos apressarmos e sairmos, para que todos os outros pudessem voltar a trabalhar no mosteiro e preparar o jantar.

— Vejo que o mosteiro é mais do que habitável — disse a uma donzela cinzenta do santuário, que respondeu com um sorriso.

— Sim, eu acredito que nós ficaremos bem aqui.

— Eu sugiro que vocês fiquem aqui por um tempo. Se tudo estiver determinado a ficar bem, podemos ir buscar os órfãos. Voltaremos em três dias para verificar as coisas. Por favor, diga-me então se precisarem de mais alguma coisa — eu disse, dando a cada sacerdote e donzela do santuário um díptico. Pedi ao Benno que os preparasse com antecedência, uma vez que seriam essenciais para o seu trabalho. — Estes têm seus nomes gravados neles, o que significa que não são propriedade compartilhada, mas seus pertences pessoais. Considere eles meu presente para vocês, pelo trabalho que em breve realizarão neste mosteiro. Eu rezo para que eles sejam úteis.

— Estamos honrados.

Os sacerdotes, sabendo que apenas meus assistentes carregavam dípticos, no templo, sorriram, enquanto olhavam seus nomes nos dípticos.

— Lutz, está tudo pronto? — Perguntei.

— Claro — respondeu ele, entregando-me uma bolsa de pano que fazia um pequeno barulho, enquanto se movia. Eu peguei dele e me virei para encarar os soldados.

— Obrigado a todos por seus esforços em nos proteger hoje. Não posso oferecer muito, mas espero expressar meu apreço com um presente. Vocês podem aceitar isso sem se preocuparem — eu disse.

Os soldados raramente saíam da cidade, então não era difícil imaginar que suas famílias ficariam preocupadas com a ausência deles por tantos dias seguidos. Meu presente era como um bônus, ou uma empresa cobrindo as despesas de viagem de seus funcionários. Eu pretendia pedir-lhes para guardar as caravanas de suprimentos de Benno no futuro, então quanto mais gostassem de nós, melhor.

— Pode acontecer de eu pedir que vocês nos protejam novamente no futuro. Se assim for, confio que vocês nos sirvam bem.

Eu entreguei-lhes uma pequena moeda de prata cada, e eventualmente alcancei o pai. Observando os outros trocarem olhares gananciosos pelo canto do olho, dei a ele uma prata grande. — Por favor, os elogie por seu trabalho — eu sussurrei, baixinho, e papai sorriu, em resposta.

Com isso, me dirigi às fileiras de soldados mais uma vez.

— Devo sair agora, mas lembrem-se de que os homens não podem entrar no prédio das meninas sob nenhuma circunstância. Acredito que nenhum de vocês são homens imorais, que procurariam colocar as mãos em minhas donzelas do santuário, mas os responsáveis devem ter o cuidado de manter seus homens sob controle. Os infratores não serão perdoados em nenhuma circunstância. — eu disse, olhando, para que eles levassem meu ponto a sério.

Papai e a Companhia Gilberta estavam bem, com certeza, mas as pessoas na cidade baixa desprezavam aqueles do orfanato do templo. Eu não queria que nenhum deles relaxasse quando eu fosse embora e tentasse desabafar um pouco, colocando suas mãos sujas nas donzelas do santuário. Eu não estava brincando quando disse que todas as donzelas do santuário, do orfanato, eram bebês absolutos, então colocar firmemente minha posição por segurança era crucial.

Ferdinando convocou sua montaria escultural, então eu segui o exemplo e fiz meu Pandabus. Brigitte entrou comigo, e lá fomos nós. Passariam três dias antes de voltarmos para Hasse.

Ao voltar para Ehrenfest, recebi relatórios de Benno e papai, completei o terceiro livro ilustrado que eu estaria imprimindo (um baseado em torno de Leidenschaft, o Deus do Fogo e seus deuses subordinados), e me e encontrei com Wilma, para pedir-lhe para desenhar as ilustrações. Os três dias se passaram antes que eu percebesse. Supondo que os sacerdotes não tivessem experimentado nenhum problema vivendo no mosteiro, seria hora de começar a pensar em trazer os órfãos.

Desta vez, encontraríamos o prefeito de Hasse.

— Rozemyne, você realmente pretende fazer seus assistentes cavalgarem nessa coisa? — Ferdinando perguntou, olhando para o Pandabus do tamanho de um carro de família, como se ele fosse lixo ambulante, ou melhor, voador.

— Claro. É por isso que ele é um Pandabus. — Respondi, sem me incomodar com sua falta de gosto. Pelo menos, meus assistentes estavam felizes.

— Uau, Senhora Rozemyne! A porta se abriu! Que maneiro.

— Uau, o assento é tão macio e confortável!

Gil estava tão animado que nem percebeu que ele havia parado de falar educadamente, enquanto o interminável interesse de Nicola por coisas novas, significava que ela estava completamente feliz, desde o momento em que fez as malas e entrou. Fran era o único olhando para o Pandabus com uma expressão de desespero abjeto e resolução sombria.

— Estou preparado para viajar com você até o fim dos meus dias, Senhora Rozemyne.

— Fran, você não precisa fazer parecer que está prestes a cair de um penhasco. Não é tão perigoso assim. Brigitte foi comigo da última vez e achou muito bom.

— E irei de novo. Não tema — disse Brigitte, entrando no banco do passageiro, na frente. Fran, preparando sua determinação de uma vez por todas, cerrou os dentes e subiu no banco de trás.

— Todo mundo está de cinto de segurança? Estamos prestes a partir — eu disse, antes de voar. Fran estava nervosamente segurando o cinto de segurança, e Gil e Nicola soltavam gritos de excitação, enquanto o Pandabus subia pelo ar.

— Uaaau! Tão alto!

— Senhora Rozemyne, a cidade parece tão pequena. Fran, olhe pela janela!

— Gil, Nicola, vocês não devem falar com a Senhora Rozemyne diretamente.

Ela precisa se concentrar. — Fran imediatamente os repreendeu, e eu não pude deixar de sorrir.

— Fran, posso falar muito bem enquanto dirijo.

— Por favor, não. Eu imploro que você se concentre.

Chegamos a Hasse em pouco tempo. Meus assistentes começaram a descarregar minha bagagem, assim que eu desembarquei, em frente ao mosteiro, e vários sacerdotes cinzentos saíram para ajudá-los a carregá-la para dentro.

Uma vez que tudo foi trazido para o quarto escondido, no final da capela, meus assistentes começaram a organizar meu quarto. Não demoraria muito, já que só tínhamos trazido o tapete e as cortinas conosco. Uma cama extra do templo seria trazida aqui mais tarde para que eu não tivesse que me preocupar muito com meus desmaios.

Enquanto isso acontecia, Ferdinando e eu estávamos descansando no refeitório, sendo servidos por uma donzela cinza do santuário enquanto comíamos os doces que trouxemos.

— Como é a vida aqui? — Perguntei aos sacerdotes cinzentos, enquanto bebia meu chá.

— Tudo tem corrido bem. Ter a floresta e o rio tão perto torna a fabricação de papel muito mais fácil — respondeu um. Havia um tom de nervosismo em sua voz, sem dúvida devido à presença de Ferdinando.

Olhei para a donzela do santuário que havia servido nosso chá.

— As coisas continuariam a ficar bem se trouxéssemos os órfãos para cá?

— Acredito que sim. Podemos começar a preparar o almoço para que eles possam ser trazidos imediatamente.

Com isso, Ferdinando, meus assistentes e eu viajamos de montaria escultural para ver a mais alta autoridade de Hasse, o prefeito. Aliás, apesar de os termos informado de nossa chegada, com antecedência, o servo que nos cumprimentou quase imediatamente enlouqueceu e começou a hesitar. Eles provavelmente não tinham se preparado.

— O Arcebispo e o Sumo Sacerdote, você disse?! O comerciante não deveria estar vindo?!

Benno havia passado o anúncio de que iríamos atrás dos órfãos, mas parecia que ele não havia mencionado que Ferdinando e eu seríamos os únicos a coletá-los. A julgar pela forma como o prefeito estava praticamente espumando na boca, quando ele entrou na sala, eu poderia adivinhar que Benno não havia sido tratado excepcionalmente bem.

— Onde estão os órfãos? — Ferdinando perguntou bruscamente. — Nós o informamos de nossa chegada com antecedência. Traga-os aqui de uma vez.

O prefeito engoliu em seco no ar e imediatamente mandou um servo ir convocar os órfãos. Logo, uma multidão de crianças de aparência óssea com cabelos sujos e roupas ainda mais sujas entrou na sala. Eles me lembraram dos órfãos do templo quando os vi pela primeira vez, e um único olhar foi tudo o que precisei para saber o quão difícil suas vidas eram.

Contei que havia catorze crianças, o que me confundiu.

— Estes não são todos, né? Disseram-me que havia mais.

— Tenho certeza de que quem quer que tenha dito isso estava errado — disse o prefeito, com um sorriso, enquanto se ajoelhava diante de nós, apenas para um dos meninos órfãos olhar para ele e balançar a cabeça com força.

— Não, ele está mentindo! Ele escondeu Marthe e minha irmã para que ele pudesse vendê-las!

— Cala a boca, Thore! — o prefeito gritou, os olhos ardendo de raiva enquanto se levantava para atacar o menino. Mas Damuel deu um passo à frente suavemente, prendeu o braço do prefeito atrás das costas e puxou seu schtappe.

— Senhor Ferdinando ordenou que todos os órfãos fossem apresentados. Você não o ouviu, ou o está desafiando deliberadamente? — Damuel perguntou friamente. Para um mero plebeu como o prefeito, desafiar uma ordem direta de Ferdinando, o meio-irmão do Arquiduque, era como assinar sua própria sentença de morte. Ele poderia ser executado aqui e agora sem ninguém piscar um olho.

O prefeito ofegou ao ver Damuel sacando sua arma com zero hesitação.

— A-alguém! Qualquer um! Vá buscar Nora e Marthe!

Duas meninas foram trazidas para o quarto, ambas tão bonitas que eu entendi por que elas foram escolhidas para serem vendidas. Agora tínhamos o número correto de órfãos que Benno havia relatado, então comecei a falar com eles.

— Algum de vocês gostaria de se mudar para o orfanato que construí? Você se tornará sacerdote ou donzela de santuário, mas não estou forçando ninguém a vir contra sua vontade. Você terá um lugar para dormir e comer no mosteiro, mas precisará trabalhar e viver de acordo com nossas regras.

Os órfãos olharam com medo entre o prefeito e eu, além de Thore, que simplesmente olhou diretamente para mim.

— Se você não vai vender minha irmã, ela e eu iremos com você.

— Thore… — murmurou a mais velha das duas meninas, um olhar preocupado em seu rosto. Ela provavelmente era irmã dele.

O prefeito estendeu a mão em direção a ela para interromper o que estava acontecendo.

— Espera! Nora não vai…

— Silêncio. A Senhora Rozemyne não permitiu que você falasse. — disse Damuel, empurrando a cabeça do prefeito ajoelhado para baixo.

Ferdinando estreitou os olhos friamente para o prefeito, esse era o olhar que ele dava quando estava ficando irritado. Virei as costas para o ar frio que se reunia ao redor dele para que eu pudesse falar com Nora.

— O que você quer fazer, Nora? Se você se mudar para o nosso orfanato, nunca a venderemos. Mas sacerdotes cinzentos e donzelas de santuários não podem se casar.

— Não é como se os órfãos pudessem ter um casamento adequado de qualquer maneira — Thore cuspiu.

— Não estou pedindo a você, Thore. Estou perguntando à Nora.

Nora baixou os olhos por um momento, depois olhou para mim.

— Eu vou. Também não poderei me casar aqui, e estava prestes a me separar de Thore para sempre. Qualquer coisa é melhor do que ser vendida — disse ela com um sorriso triste.

— Então eu vou te dar as boas-vindas.

— Se Thore vai, eu e Marthe também vamos! — disse outro garoto, pegando a mão da garota que havia sido trazida com Nora.

— Rick, você tem certeza…? — Thore perguntou.

— Se ficarmos aqui, Marthe será a próxima a ser vendida.

Parecia que os outros órfãos não pretendiam desafiar o prefeito, pois todos apenas balançaram a cabeça e pediram para ficar. Se eles estavam com medo de mudar de ambiente ou com medo porque Damuel tinha sido violento com seu dono, o prefeito, eu não podia dizer. Mas de qualquer forma, eu não pretendia forçá-los a se juntar a nós.

— Vou levar esses quatro, então. Tudo bem para você, Ferdinando?

— Muito bem. Fizemos o que viemos fazer e nada mais. Vamos embora.

O prefeito apenas nos observou sair, atordoado, não tendo mais as duas meninas em sua posse, que ele havia escondido de nós para vender.

Fim da leitura

Capítulo 225 concluído

CAPÍTULO 225 - 224