Ascendance of a Bookworm — Capítulo 23: CAPÍTULO 23 - 22

Ascendance of a Bookworm
Cap. 23
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 23 - 22

Capítulo 23

2.111 palavras~9 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 22

Mokkan e uma febre misteriosa

O lápis de fuligem que trabalhei tanto para fazer secou e endureceu depois que deixei-o secar por um tempo. Enrolei-o em um pano para fazer uma alça que eu pudesse segurar sem me sujar. Feito isso, afiei sua ponta com uma faca e tentei escrever.

… Funcionou! O lápis se desintegrou facilmente, mas escrevia. Eu havia inventado uma forma de registro de informações ainda mais antiga que os próprios livros, mas ainda assim. Sucesso é sucesso.

– Viva! Pode escrever, Lutz!

– Ah, legal, parabéns.

Estou animada por finalmente criar uma ferramenta de escrita, comecei a fazer mais mokkan com entusiasmo. Eu poderia fazer mokkan enquanto pegava a lenha que nossa família precisava de qualquer maneira, então não era muito difícil fazer mais deles. A melhor parte foi que eu poderia fazer tudo sozinha sem depender de mais ninguém. Eu ficaria sem espaço se continuasse fazendo, mas o mesmo teria acontecido com as placas de argila. Eu só tinha que aguentar até crescer e poder viver sozinha.

Basicamente, fiquei bem satisfeita com meu mokkan. Mas um dia, voltei para casa e descobri que todos haviam desaparecido. Eles não estava onde eu os deixei.

– O que?! Onde eles estão?! Huh?!

– O que há de errado, Myne? – Mamãe enfiou a cabeça no depósito enquanto eu procurava o mokkan.

Perguntei a ela aonde eles estavam… Pensando que talvez ela os tivesse movido.

– Mãe, você sabe onde estão os mokkan?

– Mo.. o quê? Hmm? O que é isso? – Mamãe inclinou a cabeça confusa, então expliquei o que eram mokkan da maneira mais simples que pude.

– Umm, alguns são finos e alguns são grossos, mas são todos pedaços de maneira plana com palavras escritas neles.

– Ah, os pedaços de lenha que você juntou? Eu os usei.

– Hu? O que? Você os usou? – Minha cabeça ficou em branco.

– Você trabalhou tão duro para ir a floresta e juntar lenha para casa, Myne. Eu não gostaria de desapontá-la e não usar nada depois disso.

– Mas a lenha está empilhada ali. Por que você se esforçaria para usar a lenha que separei do resto? Eles eram uma coleção das histórias que você me contou antes de dormir!

– Ah! Se você queria que eu lhe conte mais histórias, você pode simplesmente pedir. – Mamãe acariciou minha cabeça alegremente, sorrindo para si mesma.

– Não foi isso que eu quis dizer…

… eles foram todos embora. Senti a vida me esvair enquanto eu olhava para o espaço vazio onde o mokkan costumava estar. Não importa o quando eu

trabalhasse para fazer mokkan. Eles acabariam queimados. Por que se incomodar, então?

No momento em que desisti, esgotada, o calor que eu estava suprimindo dentro de mim começou a ficar selvagem e cresceu rapidamente. Parecia que as febres que eu tinha quando excitada ou cansada estavam se formando juntas para fazer uma super febre que entorpecia meus membros e me deixava imóvel.

– O que está acontecendo? – Sem sequer entender o que estava acontecendo dentro do meu próprio corpo, de repente desmaiei, acometida por uma febre muito intensa. Minha consciência vibrou. Parecia que o calor que se agitava por dentro estava lentamente engolindo minha alma, me devorando pouco a pouco. Foi só então que percebi que a Myne original provavelmente havia sido devorada por essa febre.

Estava queimando e doía mais do que tudo. Sem força de vontade para resistir, senti-me sendo devorada enquanto minha família preocupada entrava e saia de vista. No meio de tudo isso, vi o rosto de Lutz vagar pela minha mente por algum motivo. Por que Lutz? Tentei fazer contato visual com ele e, em meus esforços, empurrei minha consciência para longe do calor, que me engolia. Eu fiquei tensa ao redor de minha têmpora e tentei olhar para ele o mais intensamente que pude, o que finalmente resultou em ver Lutz corretamente, ao invés de uma visão vaga.

– Myne?

– … Lutz?

– Sra. Efa! Myne acordou! – gritou Lutz.

Mamãe imediatamente invadiu o quarto.

– Myne! Você desmaiou no depósito e simplesmente não acordou. Eu estava preocupada com você

– Eu sei. Eu vi seu rosto às vezes. Desculpe por preocupá-la. E… mãe. Minha garganta está seca. Além disso, estou super suada. Eu quero me limpar. Você pode me trazer um pouco de água?

– Certamente. Eu volto já. – Depois de ver minha mãe se virar e sair do quarto, apertei a mão de Lutz deitada na cama, fraca demais para levantar a cabeça.

– … Lutz, não funcionou de novo. Mamãe queimou meu mokkan.

– Ahh… Bem, eles provavelmente pareciam pedaços de lenha com marcas estranhas neles.

– Mas trabalhei tanto para fazê-los, e separá-los do resto da lenha… acabou. Fim. Meus sonhos nunca se tornarão realidade. Eu nunca farei um livro. – Soltei um suspiro e senti o calor dentro do meu corpo se intensificar. Eu tive que balançar a cabeça para impedir que minha consciência desaparecesse.

– Alegria. Você só tem que fazer algo que eles não possam queimar. – Madeira não é bom. Então eu só tenho que usar outra coisa. Algo que eles não podem queimar. O conselho de Lutz me deu um lampejo de inspiração… agora não é a hora de ficar deitada na cama com febre. Eu preciso descobrir com o

que mais eu poderia fazer um livro. Eu tensionei todo meu corpo, determinada a sobreviver, e senti o calor encolher no meio do meu corpo.

– … O que você acha que eu posso usar que não vai queimar? Eu pensei muito sobre isso, mas não consegui pensar em nada. Talvez por que a febre dificultasse o pensamento, talvez por que eu não estivesse familiarizada o suficiente com os materiais que existiam nesta área.

– Uuh, tipo, bambu ou algo assim?

– … Lutz, você é um gênio. – O bambu explode quando queimado, então mamãe não tentaria usá-lo como lenha sem um bom motivo. Senti a esperança transbordando dentro de mim. E de alguma forma, isso fez o calor encolher um pouco mais, tornando mais fácil respirar.

– Minha Myne, sobre o que vocês dois estão falando? – Mamãe entrou com um balde de água. Lutz e eu nos entreolhamos, depois rimos um pouco para nós mesmos.

– É segredo mãe.

– Vou pegar um pouco para você. Então, melhore.

– Obrigado, Lutz. Você é tão legal.

– Isso é só para que você possa me apresentar ao Sr. Otto, certo? Eu já fiz minha parte, então ficarei chateado se você não melhorar! Tudo bem? – Lutz saiu correndo do quarto, então comecei a me lavar com a água que mamãe trouxe

… Há algo estranho naquela febre. Parece que está vindo de dentro do meu corpo e me corroendo. Não conheço febres assim. Definitivamente, não conheço nenhuma febre que subitamente aumente ou diminua quando você se concentra. Exatamente o que está causando a febre dentro do meu corpo agora?

Quando vim a este mundo pela primeira vez, peguei febres com tanta frequência que nem pensei sobre elas. Mas agora que eu tinha melhorado e podia me mover sem problemas, definitivamente é algo estranho. Com o que no mundo estou doente?

Infelizmente, este mundo não é próspero o suficiente para os plebeus verem médicos casualmente, nem havia almanaques de medicina domésticos. Levaria algum tempo para eu investigar isso. Já que a febre diminui se eu me concentrar muito nela, talvez eu não precise me apressar?

Passei dois dias pensando em como lidar com minha febre, e então Lutz realmente me trouxe alguns pedaços de bambu perfeitos para transformar em mokkan. Ele já os havia esculpido para que eu pudesse escrever neles.

– Nem pense em tocá-los até você estar melhor. Você quebra essa promessa e eu nunca mais vou te ajudar, certo?

– OK. Obrigada, Lutz. – Observei Lutz correr para casa, depois peguei um pedaço de bambu na mão.

Pedi para mamãe guardar o resto no depósito. Eu ainda não conseguia sair da cama, mas assim que a febre baixava, eu escrevia neles e ia terminando meu livro. Eu precisava melhorar. Minhas pálpebras baixaram lentamente

enquanto segurava o bambu que Lutz trouxe para mim. Mas logo antes que eu pudesse adormecer, ouvi explosões altas.

– Ahhhh?!

– O que?! O que está acontecendo? – Ouvi explosão após explosão da cozinha.

Mamãe correu para o quarto, parecendo tensa.

– Myne! O que Lutz trouxe para você?!

– … Bambu?

– Graças! Você deveria ter dito alguma coisa! Achei que ele tinha juntado lenha para você! – As reclamações da mamãe me fizeram perceber o que havia causado as explosões. Ela tinha queimado o bambu como lenha. Aquelas explosões foram muito mais poderosas do que eu esperava do bambu, mas bem, este é outro mundo, afinal.

– Você achou que era lenha desde que eles foram esculpidos…? Espere, você não consegue distinguir bambu e lenha?

– Você sabe o quanto bambu e a madeira das árvores banhit se parecem.

– Não, nunca vi essa árvore… – nem reconheci o nome. No mínimo, eu nunca tinha visto bambu ou qualquer árvore que se pareça com ele quando fui para a floresta.

– Do que você está falando? É a madeira que Tuuli usava para fazer cestas no inverno. Você não a ajudou, Myne?

– Ah, agora eu me lembro. Eles parecem semelhantes sem nenhuma casca. – Eu sabia sobre a madeira, pois tinha visto Tuuli prepará-la para seu trabalho de inverno. Parecia madeira normal quando tinha casca, mas uma vez descascada, parecia semelhante ao bambu.

– De qualquer forma, o bambu é perigoso. Não o leve para dentro de casa. Compreende?

– … Ok. – Depois de dar uma resposta calma, fui consumida por uma febre intensa enquanto segurava o último pedaço de bambu restante na minha mão.

A raiva de ter meus pertences queimados.

A frustração da minha raiva não ser compreendida.

O desespero de falhar repetidamente em obter um livro, apesar de meus melhores esforços.

Dei tudo de mim neste mundo e não recebi nada em troca. Uma sensação de impotência se espalhou por mim. Não senti vontade de fazer nada. Eu nem me importei o suficiente para lutar contra a febre dentro de mim. A essa altura, nem fiquei com raiva de mamãe por queimar meu mokkan e depois o bambu que Lutz trouxe.

Se ao menos meu corpo fosse saudável e forte como o de um adulto. Se eu fosse um adulto, poderia ter ignorado papiro, placas de argila e mokkan para fazer washi imediatamente. Se, pelo menos, eu fosse tão saudável quanto Lutz e tivesse forças para fazer um pouco mais de trabalho físico, poderia ter dado o melhor para fazer papel. Eu não conseguia pegar a água que precisava, nem começar fogo. Talvez todos os meus problemas desaparecessem se eu esperasse

até ser adulta. Mas isso era muito tempo para esperar. E eu iria crescer como uma pessoa normal? Eu ficaria maior e mais forte…? Era incerto.

Se nada do que fiz importa, por que não deixar a febre crescente dentro do meu corpo assumir o controle? Qual é o sentido de viver em um mundo sujo e desconfortável se todos os meus melhores esforços e toda a minha resistência não me deram livros? Seria melhor simplesmente desaparecer.

No segundo em que esse pensamento passou pela minha cabeça, o calor dentro do meu corpo se energizou como se fosse me engolir inteira. Parei de pensar em qualquer coisa e encorajei a febre a se espalhar para que eu pudesse desaparecer.

Só tinha um arrependimento: não havia pedido desculpas a Lutz. Ele trabalhou tanto para preparar aqueles brotos de bambu para mim, e eu não pedi desculpas por como eles foram queimados. O que Lutz me disse antes de sair para pegar o bambu passou pela minha cabeça.

– I-Isso é só para que você me apresente ao Sr. Otto, certo? Eu já fiz a minha parte, então ficarei chateado se você não melhorar! Tudo bem?

Eu não mantive minha promessa a ele. Ele me ajudou muito e eu prometi ajudá-lo em troca. Devo realmente me deixar desistir e fugir para essa febre? Lutz estava certo. Ele já fez a parte dele. Deixar-me sumir na febre seria simples, mas antes eu precisava melhorar e cumprir minha promessa a Lutz, apresentando-o a Otto.

Repetindo a mim mesma que isso era por causa de Lutz, reduzi a febre. Podia deixar a febre me consumir depois de cumprir minha promessa a Lutz. Resolver as questões antes da morte era importante. Da última vez morri tão de repente, não tive tempo de fazer nada.

… Sim, exatamente. Eu não estava totalmente pronta para morrer naquele terremoto… Aaaaah! O que aconteceu depois disso?! É tão embaraçoso! Eu tenho que saber, eu tenho que saber! Aaaah! Ainda não posso morrer!

Todas as memórias embaraçosas da minha vida passada surgiram uma a uma, e depois de gritar o suficiente que eu não podia me deixar morrer ainda, a febre dentro do meu corpo de alguma forma ficou muito menor.

Fim da leitura

Capítulo 23 concluído

CAPÍTULO 23 - 22