Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 26 - 25
Capítulo 26Ascendance of a Bookworm – Capítulo 25
Epílogo
Otto voltou para a casa de sua amada esposa após o encontro com Myne e Lutz
– Estou em casa, Corinna. Acabei de voltar. Benno está comigo.
– Bem-vindo ao lar, Otto. Espero que tenha ficado de olho no meu irmão. Embora eu não possa dizer que aprovo você voltando para casa com um sorriso depois de provocar aquelas crianças pré-batismo.
– Você fica mesmo fofa quando está fazendo beicinho. – Otto passou os braços em volta dos quadris de sua adorável esposa e beijou seu cabelo creme repetidamente antes de ir para a sala. Benno deu um tapa na cabeça dele e disse:
– Faça isso quando eu não estiver por perto.
Otto, sendo tão dedicado à esposa quanto ele, quis responder com “Não interrompa nosso doce tempo juntos”, mas se ele disse isso na frente de Corinna, ela provavelmente ficaria brava e diria para não a envergonhar na frente de seu irmão, então ele teve que engolir.
A sala da casa de Otto costumava ser usada como sala de reuniões de Corinna com seus clientes. O centro da sala tinha uma mesa circular, ao contrário da sala de jantar, e cadeiras de quatro pernas colocadas ao redor dela. O lado direito da sala tinha uma prateleira com amostras de roupas que ela havia costurado antes. Na parede esquerda havia tapeçarias que ela havia costurado com sobras de pano.
– Caraaa, eu não esperava que as coisas fossem assim. Pensar que ela forçaria Benno a negociar assim… – Otto, sentado em uma das cadeiras, sorriu para o carrancudo Benno sentado à sua frente.
– Oh? Meu irmão, forçado a negociar? Por favor, compartilhe os detalhes comigo, Otto querido. – Os olhos cinzas de Corinna brilharam e ela puxou a cadeira um pouco para Otto enquanto pedia detalhes com uma voz doce. Era raro ela agir tão docemente, então enquanto aplaudia entusiasticamente em agradecimento por Myne por dentro, Otto casualmente contou a ela o que havia acontecido.
– … E assim, Myne tornou a reunião muito mais interessante do que eu pensava que seria.
– Myne é filha do seu capitão, não é? Aquela que você disse que era incrivelmente inteligente.
– Sim, é essa. Mas você sabe, faz cerca de meio ano desde que ela se tornou minha assistente e eu ainda não a entendo. Ela é tão anormal que eu realmente não tenho ideia de que tipo de pais criariam uma criança como ela.
Otto conheceu todo tipo de pessoas de vários status em todo o mundo como um comerciante viajante, então a anormalidade de Myne se destacou ainda mais para ele. O mesmo valeu para Benno, que o acompanhou para conhecê-la hoje. Benno conhecia pessoas de todas as classes sociais graças ao alcance de seu trabalho como comerciante. Enquanto Otto, o ex-comerciante viajante, tinha um conhecimento amplo, mas superficial, Benno, o rico
comerciante da cidade, tinha uma compreensão profunda e profunda do povo de sua cidade.
– Ei, Otto. Era realmente a filha de um soldado?
– Sim. Nem uma única dúvida disso. Mas estou com você pensando que isso é estranho.
– O que vocês dois querem dizer? – Corina inclinou a cabeça, curiosa.
Otto pensou no que fazia Myne parecer estranha e disse o que lhe veio à mente.
– Primeiro, sua aparência. Ela é muito limpa para ser filha de um soldado. Suas roupas são o tipo de roupa de segunda mão esfarrapada que você espera, mas sua pele e cabelo estão extremamente limpas. O capitão é um homem mais velho como qualquer outro soldado, mas nenhuma de suas filhas é suja.
– Talvez a mãe delas cuide bem das crianças? – Corina foi criada como filha de um rico comerciante e, embora tivesse visto pessoas pobres pela cidade, ela não tinha uma boa compreensão de seu estilo de vida. Era preciso tempo, dinheiro e recursos para cuidar da pele e do cabelo. Ela não entendia que aqueles que estavam na pobreza não tinham margem de manobra para poupar nada disso.
– Hmm, eu a vi durante o inverno e não parecia que a mãe deles estava se esforçando tanto para se arrumar. Embora ela e Myne sejam bem parecidas. Ela é uma verdadeira beleza, totalmente desperdiçada com o capitão. – Myne tinha esperado no portão uma vez durante o inverno, quando sua família saia para reunir parues. Otto viu sua mãe quando ela veio buscar Myne, mas não teve a impressão de que ela estava particularmente mais limpa do que a média.
– … Você acha que Myne é estranha também, irmão?
Benno pousou a xícara, olhou para o teto e soltou um suspiro lento.
– Sim. Seu cabelo era da cor da noite, tão sedoso que a luz brilhava nele. Sua pele era de um branco puro, sem uma partícula de sujeira a ser encontrada. Suas mãos eram lisas com as de um nobre que não sabe nada de trabalho ou tarefas domésticas. Até seus dentes eram brancos. Tudo nela entrava em conflito com suas roupas esfarrapadas. Não importa como eu olhe para isso, as coisas não batem.
– Cabelo tão sedoso que a luz brilha nele, você diz?! O que ela faz para ficar assim?!
– O que? Corinna, você já é muito bonita.
– Silêncio, Otto. Estou perguntando ao meu irmão.
Otto piscou surpreso com o quão séria ela estava. As mulheres realmente se importavam muito com o quão sedoso seu era. Corinna raramente mostrava tanto interesse em qualquer coisa além da costura.
– Parece que ela está colocando algo nisso, mas ela não me disse o que. – A resposta de Benno levou Corinna a olhar para Otto, os olhos cheios de esperança.
– Ela contaria a você, Otto?
– … ela provavelmente está em guarda agora. Acho que ela não vai me contar. – Otto, no entanto, resolveu perguntar a Myne na próxima vez que a
visse, pelo bem de sua esposa, que queria saber o segredo do cabelo sedoso. Ele era um homem que faria qualquer coisa por sua amada.
Otto continuou:
– Bem, além do cabelo, ela tem as mãos limpas, pois é muito pequena e fraca para ajudar muito na casa. A pele dela provavelmente é tão branca porque ela fica de cama com febre o tempo todo e não sai muito ao sol.
– … Agora que você mencionou, nosso encontro foi originalmente adiado porque ela ficou doente. – Murmurou Benno para si mesmo.
Otto assentiu com uma carranca, lembrando-se de quão doloroso tinha sido lidar com o quão nervoso o capitão tinha ficado depois de cinco dias da febre forte de Myne.
– Se Myne está do jeito que ela está devido a estar doente, vocês dois realmente deviam estar chamando ela de anormal? Determinou pela conversa que Myne não era grande coisa. Ela deu de ombros como se tivesse perdido o interesse, mas Benno balançou a cabeça.
– Não, não é apenas a aparência dela. O que realmente me impressionou foi sua atitude e tom. Ela se comportou de uma maneira que apenas aqueles treinados para isso fariam. Isso é um exagero, mas seus pais não são nobres caídos que são rigorosos com seus filhos, são?
– O capitão tem outra filha, e ela é normal. Ela também tem cabelos sedosos e a pele relativamente limpa, mas isso é tudo. Ela não se destaca como Myne.
Benno assentiu com a explicação de Otto e olhou Corinna de frente.
– Corinna, havia muito mais naquela garota do que sua aparência. Ela teve coragem suficiente para não desviar o olhar quando eu olhei para ela, a inteligência para esconder os detalhes de seu cabelo de mim e virar as coisas a seu favor, a coragem de apostar em fazer um protótipo com prazo, a habilidade de negociação para adicionar condições nos termos dela… nada nela era como uma criança que ainda não foi batizada.
– Existe uma criança que não desviou o olhar depois que você olhou para ela?! Essa garota é certamente estranha, sem dúvida! – exclamou Corinna, com os olhos arregalados. Benno era o filho mais velho da família e Corinna é a mais nova, então quando seu pai morreu pouco depois de seu nascimento, Benno tomou seu lugar de muitas maneiras. Ela cresceu sendo repreendida duramente por Benno em portanto, sabia muito bem o quão aterrorizante seu olhar poderia ser.
– Aaah, você sabe, ela tem uma ótima memória e mente para matemática também. Eu não podia acreditar quando lhe dei aquela lousa. Ela sabia como segurar a caneta e usá-la sem nenhuma instrução. Quase como se ela já soubesse escrever, de alguma forma.
– Talvez ela tenha aprendido observando você? – Sugeriu Corinna enquanto servia mais vinho para Otto, tendo notado que sua xícara estava vazia.
Otto tomou um gole enquanto pensava em como formular sua resposta.
– Bem, eu mostrei a ela como fazer isso, mas não é tão simples escrever sem prática. Você poderia explicar como segurar uma caneta para uma criança
por cem anos e eles ainda lutariam para desenhar linhas no início. Escrever, ainda mais.
– Você tem razão… – Corina sabia, por ensinar seus próprios aprendizes, que explicações verbais por si só não eram suficientes para as crianças aprenderem.
– As habilidades matemáticas de Myne também são bizarras. Ela disse que sua mãe lhe ensinou números no mercado, mas saber seus números não significa que você sabe fazer contas, certo?
– Espere. – disse Benno. – Os aprendizes da minha casa sabem fazer um pouco de matemática. Eles aprendem ao passar tempo com seus pais. – A maioria dos comerciantes aprendizes eram filhos de comerciantes, muitos deles sabiam ler, escrever e fazer contas em algum nível na época do batismo. O próprio Otto aprendera a ler e fazer contas enquanto viajava pelo mundo com seus pais comerciantes. Mas a matemática que Myne podia fazer estava em um nível totalmente diferente.
– Myne sabe muito mais do que um pouco de matemática. Os relatórios de orçamento envolvem o cálculo do estoque e do preço de todas as coisas que usamos no portão sul, certo? Os números ficam muito maiores do que os pequenos no mercado. Vários dígitos maiores. Mas ela pode calculá-los sem problemas, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E ela nem usa calculadora. Ela apenas escreve os números um ao lado do outro na lousa.
– … eu sabia, você a tem feito trabalhar como sua assistente. Como você pode fazer uma criança como essa ajudar com relatórios de orçamento? Vergonhoso.
Otto, olhando para o sorriso divertido de Benno, baixou a voz.
– Eu nunca disse isso a ninguém, mas ouça. Ela está fazendo a maior parte da minha papelada para mim. Setenta por cento, pelo menos.
– … Oque?
– … Setenta por cento? Querido…
Ambos ficaram chocados. Benno congelou brevemente, os olhos se arregalaram em choque, e Corinna não foi muito diferente.
Otto não pode deixar de rir.
– Se ela soubesse ler mais palavras, ela faria tudo. Ela é outra coisa. Uma vez, eu estava fora em uma reunião, e ela lidou com a carta de apresentação de um nobre perfeitamente.
Esse incidente realmente o surpreendeu. Otto recebeu o relatório de Myne após a reunião. Ela lhe disse que um mercador com uma carta de apresentação de um nobre leigo estava esperando. Normalmente os visitantes com cartas de um nobre apresentando-os a outro nobre recebem a mais alta prioridade, e suas necessidades são atendidas imediatamente para que possam ser enviadas aos portões do castelo o mais rápido possível. Até os plebeus são tratados como leigos.
Naquele dia, no entanto, uma reunião estava sendo realizada por um arqui-nobre. Era óbvio que o arqui-nobre deve ser priorizado. Mas um erro no tratamento e o visitante poderia ficar furioso o suficiente para usar sua carta de
apresentação como um escudo para forçar sua entrada na reunião, o que geraria a ira do arqui-nobre e sairia do controle.
A situação era complexa e, em meio a essa complexidade, Myne explorou o orgulho do mercador plebeu, enviando-o para a sala de espera dos nobres leigos e enquadrou a situação de maneira agradável, dizendo-lhe que a reunião de um arqui-nobre está em andamento. Para completar, ela fez um relatório da situação assim que a reunião terminou, o que habilmente evitou uma situação em que o comandante saiu antes de dar a devida assinatura. A situação foi resolvida rapidamente e de tal forma que o comandante pode repreender o soldado confuso por contar com a ajuda de uma criança. Foi perfeito.
– Ela deve ser incrível, então.
– Incrível é uma maneira de dizer, mas é mais como… ela é anormal. Algo é estranho nela. Mas não acho que o pai dela, o capitão, tenha notado isso. Ele a trata como faria com qualquer filha fofa e doentia. Se eu não tivesse dito que queria torná-la minha assistente, ele provavelmente nunca teria notado o quão inteligente ela é.
– Bom para ela que tem pais mais grossos. Se eles tivessem notado, eles poderiam tê-la expulsado por ser uma aberração. – disse Benno, fazendo Corinna franzir as sobrancelhas.
– Nem brinque com isso. Não quero imaginar.
– Não se preocupe, Corinna. Mesmo que seus pais a expulsassem, Benno a pegaria. Ela é habilidosa o suficiente para lutar contra Benno e vencer. – disse Otto com um sorriso. Corina deu uma risadinha.
– … Ei, Otto. Você acha que aquela garota realmente vai fazer as coisas? – Benno deu a Otto um olhar duro enquanto tamborilava os dedos na mesa. Seus olhos castanhos avermelhados se tornaram os de um mercador sondando o futuro em busca de lucro.
– O papel que não é pergaminho feito de pele de animal? Sim, ela vai conseguir. Nenhuma dúvida disso.
– Você parece muito confiante nela.
– Não faz muito tempo, dei a ela a ideia de que, se ela não pode fazer algo sozinha, deveria obrigar outra pessoa a fazê-lo. Agora que Lutz se tornou seus braços e pernas, ela não tem nada a temer.
Myne estava frustrada com sua fraqueza acima de tudo, o que era um sinal claro de que ela conhecia o método para fazer o papel e simplesmente não conseguia executá-lo sozinha. Ela havia dito que faria protótipos precisamente por que sabia que poderia fazê-lo. Otto não achava que ela estava apostando.
– … Papel assim vai virar o mercado de cabeça par abaixo. Eu me pergunto como devo lidar com ela.
– Woaw agora, você está pensando em contratar Myne? – Otto, percebendo pelas palavras de Benno que pretendia levar não apenas Lutz, mas também Myne como aprendizes, arregalou os olhos, surpreso.
– Claro! Você acha que eu vou deixar outra pessoa tê-la!? Você tem ideia de quantos produtos essa garota vai inventar sozinha? Aquele bastão de cabelo, aquela coisa que faz o cabelo brilhar, o papel que não é pergaminho… Essas são
todas as invenções que aprendi hoje, mas ela definitivamente está escondendo mais. Ela vai se tornar um desastre natural vivo que destrói o mercado e o refaz.
– Pare aí! Ela é minha assistente. Eu não vou deixar você levá-la de mim. – Benno estava completamente certo, mas Otto não queria nada disso. Ele passou o último meio ano treinando-a especificamente para que ela pudesse ajudá-lo durante a temporada de orçamento. Ele não deixaria alguém levá-la embora sem lutar.
Mas Benno apenas deu uma risada presunçosa e curvou os lábios em um sorriso.
– A garota disse que ser comerciante era sua segunda escolha. Ela até disse que não estava interessada em ser sua assistente. Você só passou meio ano com ela, certo? Desista e procure outra pessoa.
– Eu nunca vou encontrar alguém que precise apenas de seis em seis meses de treinamento pra se tornar nem metade tão competente quanto ela! Se Myne está apenas pensando e Lutz está fazendo tudo, qual é o problema de ela trabalhar no portão?!
No mínimo, ele não cederia em ter sua ajuda para a temporada de orçamento. Ou então ele pensou, olhando o mais forte que podia, mas foi Benno quem não se moveu um centímetro. Ele abaixou a xícara e se inclinou para frente.
– Não! Vou conseguir um contrato com ela na guilda dos comerciantes. Eu não vou arriscar deixar ninguém a levar.
– Myne não tem o que é preciso para sobreviver na guilda dos comerciantes! Ela é tão fraca e doentia que você mal acreditaria. Qualquer trabalho que envolva locomoção é demais para ela!
– … ela é realmente tão doente? – Benno ficou tão atordoado que perdeu o ímpeto, o que Otto aproveitou com uma oportunidade. Ele levou seu ponto para casa.
– Achei que ela ficaria bem em uma sala com um forno e a deixei sozinha por um sino, mas quando voltei, ela estava desmaiada e doente com febre.
– O que?
Otto precisou ficar no portão quando estava de guarda, então deixou Myne em uma sala aquecida por um forno por um tempo, mas quando voltou para ver como ela estava, ela estava desmaiada com a testa quente. Quando Gunther veio buscá-la, ele disse:
– Não se preocupe. Isso acontece o tempo todo. – Otto podia imaginar que isso significa que a fraqueza anormal de Myne era aceita por sua família como um fato da vida.
– As coisas eram horríveis quando a primavera começou. Ela não conseguia nem andar de sua casa até o portão.
– Oh? Mas não acredito que deva ser uma caminhada tão longa até o portão de qualquer casa na cidade, querida. Como as muralhas externas circundavam a cidade em sua totalidade, não era realmente uma cidade tão
grande. Uma criança deve ser capaz de andar do portão oeste ao leste dentro do intervalo de tempo de um único toque de sino.
– Está certo. A casa do capitão não fica muito longe do portão sul. Mas ela não conseguiu lidar com isso. Ela ficava exausta no meio do caminho, era carregada pelo resto do caminho e depois descansava imóvel na sala do turno da noite. Depois disso, ela ficava de cama por dois ou três dias todas as vezes.
– Ei, isso não é, uh, perigoso? Ela não morreria se alguém a colocasse para trabalhar?
Essa era uma preocupação legítima. Em particular, a loja de Benno estava crescendo em tamanho e estava tão movimentada quanto bem-sucedida. Otto não esperava que Myne fosse capaz de trabalhar ali com seu corpo doentio.
– Humpf… – Benno foi informado de que ela estava doente, mas ele não deve ter esperado que ela estivesse tão doente. Ele esfregou as têmporas e caiu em seus pensamentos.
Com esse assunto resolvido, Corinna se levantou para preparar o almoço. Sobre a mesa havia um abajur, um pequeno jarro para encher os copos e um prato de carne seca empilhada em cima para lanches. Otto, mastigando com força a carne seca salgada, observou Benno servir-se de um copo.
– Ei, Benno. Tem certeza de que não sabe nada sobre aquela doença que Myne mencionou? Aquele calor dentro dela? – Otto percebeu pela reação que Benno teve a pergunta de Myne que ele realmente sabia o que era a doença, e isso estava correto.
Benno ergueu os olhos um pouco, perguntando-se se deveria ou não dizer isso. Depois de pensar um pouco, ele soltou um murmúrio baixinho, o que era raro para ele.
– Eu pensei que ela poderia ter a Consumação. Mas não posso afirmar com certeza. Não há provas suficientes.
– … ? Que tipo de doença é essa?
– Não é uma doença. É quando a mana dentro de você aumenta demais e te come vivo de dentro para fora.
Os olhos de Otto se arregalaram de surpresa. Mana era uma energia misteriosa e poderosa que os plebeus não tinham. Ele não o via com tanta frequência e, portanto, não sabia muito sobre isso, mas até onde sabia, dizia-se que nenhum país seria capaz de sobreviver sem a ajuda de mana. É por isso que os nobres, possuindo mana com eles, estavam acima dos plebeus e lideravam os países
– … é raro, mas às vezes quem não é nobre acaba tendo mana também. Mas as ferramentas mágicas para liberar mana são incrivelmente caras, então é verdade que apenas nobres são capazes de usar mana corretamente. – Benno, dadas suas conexões de mercado com os nobres, sabia mais sobre o funcionamento interno do país do que Otto.
– Eu não posso dizer com certeza, mas se aquela garota tem a consumação, isso explicaria tanto sua natureza doentia quanto seu tamanho pequeno. A questão é, porém, se esta é realmente a consumação com a qual
estamos lidando aqui, então, sem uma ferramenta mágica, não demorará muito para que aquela garota… morra.
– O que? – Otto, com pensamentos no Gunther apaixonado por Myne passando por sua mente, fixou os olhos em Benno como se tivesse sido atingido por um balde de água fria. Mas a expressão de Benno era séria, e Otto percebeu que ele não estava brincando.
A mana crescerá com ela, e a comerá viva no processo. Plebeus com mana geralmente não sobrevivem até o batismo sem uma ferramenta mágica.
– Há algo que possamos fazer? – perguntou Otto desesperadamente.
Talvez Benno conhecesse uma solução para o problema.
Benno suspirou e coçou a cabeça.
– Ela pode evitar morrer se assinar um contrato com um nobre. Eles vão emprestar-lhe ferramentas mágicas. No entanto… isso seria acabar com sua vida. Ele se tornou um móvel vivo que existe apenas para usar seu poder para os nobres. Difícil dizer se morrer jovem com sua família seria melhor ou pior do que isso.
As palavras de Benno não foram fáceis. O próprio Otto não sabia qual seria melhor. Ele não queria morrer, mas também não queria viver uma vida servindo nobres como gado.
– Otto, não fique muito sério. Não sabemos se ela realmente tem a consumação ainda. – disse Benno – Em primeiro lugar, ela já estaria à beira da morte se realmente tivesse. Ela não seria capaz de andar lá fora assim.
– Entendo… – o peito de Otto foi inundado simultaneamente com um leve alívio e grande desconforto. Myne esteve à beira da morte várias vezes. Ele ouviu que ela só era capaz de sair de casa devido à meses de trabalho duro, e que até agora ela mal tinha saído.
Ela realmente ficaria bem? Ele deveria relatar isso a Gunther? Otto engoliu o turbilhão de sentimentos dentro dele tomando um gole de álcool de sua xícara.
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