Ascendance of a Bookworm — Capítulo 25: CAPÍTULO 25 - 24

Ascendance of a Bookworm
Cap. 25
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 25 - 24

Capítulo 25

4.107 palavras~18 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 24

Encontro com o Comerciante

Acertei em limpar Lutz contra a vontade dele e ensiná-lo como funcionavam as entrevistas. Otto e seu amigo estavam bem-vestidos e arrumados, muito mais do que a maioria das pessoas que passava pela praça.

Eu realmente gostaria que Lutz tivesse conseguido uma roupa boa de Ralph. As roupas deles parecem meio estranhas… ou melhor, eu não estava acostumada com o estilo. Usavam tanto pano que dava para fazer grandes cortinas, e não encontrei nenhuma mancha ou retalho, uma diferença gritante das roupas que eu estava acostumada a ver. A julgar apenas pelas roupas, eu poderia supor que o amigo de Otto estava ganhando um bom dinheiro. Suas roupas, postura e aparência afiadas estavam todas alguns quilômetros acima dos mercadores que eu via no mercado.

Mas, embora fosse um comerciante de sucesso, não era como um presidente de empresa enrugado. Ele tinha a intensidade de um CEO administrando uma empresa de capital de risco. De relance, seu cabelo encaracolado loiro, cuja cor lembrava chá com leite, lhe dava uma impressão suave, mas seus olhos castanhos avermelhados estavam cheios de confiança e brilhando com a ferocidade aguda de um predador.

– Ei, Myne. Imagino que seja Lutz?

– Bom dia, Otto. Este é o Lutz, meu amigo. Obrigado por reservar um tempo para nos encontrar hoje. – Eu não sabia que saudação funcionaria aqui, então eu apenas fiz minha saudação normal de toque no peito. Otto saudou de volta, então isso não poderia estar muito errado.

– Oi, eu sou Lutz. Prazer em conhecê-lo. – Lutz parecia nervoso, mas não desmoronou sob os olhares intensos de dois adultos. Ele conseguiu terminar a saudação que eu lhe ensinei sem tropeçar ou deixar sua voz tremer. Primeiro desafio, completo.

– Benno, está é Myne, minha assistente e filha do meu capitão. Myne este é o Benno. Um associado dos meus dias de comerciante viajante.

– Prazer em conhecê-lo, eu sou Myne. – não era costume inclinar a cabeça neste mundo, então fiz questão de manter a minha enquanto o cumprimentava com um sorriso.

– Que educada. Eu sou Benno. É um prazer conhecê-la também. Hmm… Você é uma garotinha bem-educada, hein.

– Ela não é tão jovem quanto parece. Ela tem seis anos. – Otto contou minha idade para Benno, já que eu provavelmente parecia uma criança de quatro anos. Benno arregalou os olhos, olhou para Otto com diversão, então curvou os lábios em um sorriso.

– … Sua assistente ainda não foi batizada?

– Ah, bem, na verdade. Estou no meio de ensiná-la a ler e escrever para que ela possa se tornar minha assistente.

– Você com certeza fez parecer que ela já estava te ajudando bastante.

– … Deixa para lá, cara.

As entrelinhas de sua conversa fizeram um calafrio percorrer minha espinha. Lutz e eu conseguiríamos numa entrevista que esses dois nos

aceitassem? Por alguma razão… eu tenho a sensação de que nenhum deles mostraria qualquer misericórdia conosco, mesmo sendo crianças pré-batismo.

Benno me olhou de cima, desconfiado, e começou a falar.

– Há algo do qual eu estou realmente curioso. Se importa de eu começar com uma pergunta?

– De jeito nenhum. O que seria?

– O que é esse pau preso na sua cabeça?

Hum… entendo. Você está perguntando isso agora porque seria estranho falar sobre coisas casuais depois de nos rejeitar, não é? A entrevista nem começou e você já está prestes a nos rejeitar?

Com um sorriso falso estampado no meu rosto, eu puxei o Kanzashi¹ e o apresentei a Benno, mantendo meus olhos fixos nele para tentar captar qualquer informação que pudesse de sua reação.

– Isso é um palito de cabelo. É usado para manter o cabelo preso.

Otto parecia ter ficado curioso sobre isso também, dado a forma como ele e Benno o examinaram com curiosidade. Eles o ergueram viraram e olharam fixamente para ele. Hum… é só um pau. Não há truques nem nada.

– Parece um simples palito?

– Ué. É um pedaço de madeira que meu pai esculpiu de um galho para mim.

– Você pode amarrar seu cabelo apenas com isso?

– Sim! – ele devolveu o kanzashi e eu prendi meu cabelo em seu estilo usual. Peguei um pouco do meu cabelo, enrolei-o no kanzashi, girei-o e empurrei-o para frente para fixá-lo no lugar. Eu fazia isso todos os dias, então estava acostumada.

– Oh ohh… Impressionante. – Era a primeira vez que um deles me via prender o cabelo, então Lutz e Otto arregalaram os olhos.

Benno de repente estendeu a mão e tocou meu cabelo, então franziu as sobrancelhas.

– Ei. Seu cabelo também é impressionante. O que diabos você está colocando nele? – ao contrário de seus dedos, que estavam tocando suavemente meu cabelo como se avaliasse seu valor, seu olhar era tão afiado que quase engasguei de surpresa.

Eu podia dizer pelos olhos dele que ele havia encontrado algo para lucrar e, considerando como todas as senhoras mais velhas se aproveitaram do xampu no batismo de Tuuli, eu podia imaginar que meu xampu tudo-em-um simples seria muito valioso.

– É uma combinação de coisas comuns, mas os detalhes são um segredo.

– Rapaz, você fez a mesma coisa no seu cabelo?

– Myne fez para mim, dizendo que eu precisava parecer mais limpo…

Ah… Sr. Benno. Você acabou de estalar a língua? Você me pegou de animo leve, pensando que eu diria a você imediatamente só porque sou uma criança? Que pena. Sua entrevista com Lutz ainda nem começou. Eu não vou largar uma carta valiosa da minha mão durante esta escaramuça preliminar. Benno e eu trocamos sorrisos falsos, faíscas voando, até que Otto soltou um suspiro e coçou a cabeça.

– Assim. Você quer se tornar um comerciante viajante, Lutz? – A entrevista estava finalmente começando. Ouvi Lutz engolir em seco ao meu lado. Você está pensando nisso desde ontem, certo? Agora é a sua hora de brilhar. Diga-lhes a sua motivação e agarre o sucesso! Apertei furtivamente a mão de Lutz, na esperança de transmitir que o estou apoiando ao seu lado.

– Ah. Certo. Eu…

– Desista! – ele foi parado antes mesmo que pudesse se explicar. Pelo menos deixe-o dizer o que ele trabalhou tanto para pensar! Gritei por dentro enquanto Otto olhava para Lutz com um olhar desconfortável e amargo. – Só um idiota abriria a mão de sua cidadania urbana.

– … Senhor. Otto, o que é uma cidadania urbana? – Deixei escapar a pergunta por acidente. Eu nunca tinha ouvido esse termo antes. Eu imaginava que isso significava o direito de ser um morador de uma cidade. Mas eu não sabia se era ou não semelhante a cidadania nacional, que era dada a qualquer pessoa nascida em determinado paós, mesmo que não soubesse até aprender na escola.

– É o direito de viver nesta cidade. Ao mesmo tempo, é uma prova de sua identidade. Quando você completa sete anos e é batizado no templo, você é registrado como cidadão da cidade. A cidadania muda tudo, seja para conseguir um emprego, casar ou alugar uma casa. Custa uma quantia absurda de dinheiro para um forasteiro se registrar no templo, obter a cidadania e ganhar o direito de morar numa cidade.

– Sr. Otto, você pagou esse dinheiro?

– Claro que sim. – Otto assentiu com uma carranca, provavelmente lembrando de como era.

Benno sorriu e apontou para Otto.

– Esse cara largou todas as suas economias para poder se casar com Corinna.

– Eu esperava que sobrasse o suficiente para comprar uma loja aqui, mas precisei de tudo para pagar a cidadania.

Eu não tinha ideia de quanto dinheiro um comerciante podia economizar, mas tinha a sensação de que nada seria suficiente para pagar sua cidadania, o casamento e a abertura de uma loja.

– Além disso, viver em uma cidade e na estrada são situações completamente diferentes. Escute, Lutz. Você sabe como é viver a maior parte de sua vida em uma carruagem puxada por cavalos?

– … Não. – Lutz balançou a cabeça. Levava no máximo duas horas para caminhar de um lado da cidade par ao outro, então as crianças da cidade fundamentalmente andavam por toda parte. Lutz provavelmente nunca havia

andado de carruagem na vida, então provavelmente não poderia imaginar uma vida assim.

– Pense em água, por exemplo. O que você faz se precisar de água?

– Vou até o poço.

– Certo. Mas, não há poços na estrada. Você precisa encontrar suas próprias fontes de água.

– Um rio poderia… – Lutz imediatamente imaginou usar um rio como fonte de água como o da floresta. Mas não é como se ele estivesse viajando ao longo de um rio o tempo todo. E dado o quão caro era o papel, eu não podia imaginar que todo mercador viajante tivesse um bom mapa.

– Quando um mercado viajante sai da cidade, não sabe aonde estão os rios, Lutz. Você não vai viajar ao lado de um o tempo todo, então… – eu disse.

– Myne está certa. Então, geralmente, você segue as mesmas rotas. Você aprende mais com o passar dos anos, troca informações e, gradualmente, conhece quais estradas são seguras e onde estão as fontes de água utilizáveis. Você passa essas informações para seus filhos e eles herdam suas rotas. Não há espaço para outras pessoas no meio da carruagem apertada que você mora. E agora, a parte mais importante: onde os mercadores viajantes mercadores acabam. Você sabe o que os mercadores viajantes querem mais do que qualquer outra coisa?

Lutz calou-se e sacudiu a cabeça.

– Cidadania urbana.

– O que?

– Eles querem acabar com sua vida dura na estrada e viver numa cidade algum dia. Eles querem ter uma loja em uma cidade e fazer negócios com segurança. É para isso que eles economizam dinheiro. Esse é o sonho de todo comerciante viajante. Nenhum comerciante levará uma criança que já tem cidadania urbana. Se você quer seguir esse caminho na vida, terá de começar por conta própria. Não existe um sistema de aprendizes para comerciantes viajantes.

Se o sonho de todo comerciante viajante era a cidadania, então Otto já havia realizado seu sonho. Ele não conseguiu a loja que aparentemente queria, mas, ainda assim, eu não sabia por que um comerciante se tornaria um soldado.

– Sr. Otto, por que você escolheu se tornar um soldado?

– Espere! Pare. Não pergunte issgruhhhh… – Beno começou a dizer alguma coisa, mas Otto rapou a boca dele com a mão e fez uma proclamação ousada.

– Para casar com Corinna.

– E… Eu quero saber os detalhes!

– Ouça, guria, eu não quero ouvir. Ele nunca vai calar a boca depois de começar. – Benno tentou me impedir apressadamente, mas os olhos de Otto já estavam brilhando.

– De fato. Tudo começou pouco depois de eu entrar na idade adulta. Eu vim para esta cidade e me apaixonei por Corinna à primeira vista. Era como uma flecha perfurando meu coração, ou os próprios céus brilhando sobre nós.

Em ambos os casos, eu não conseguia ver nada além de Corinna. Eu sabia em meu coração que ela era a única com quem eu gostaria de me casar e imediatamente a cortejei.

– … eu não esperava que você fosse tão apaixonado, Sr. Otto.

Aparentemente, mesmo um ex-comerciante calculista com ideias obscuras escondidas atrás de um sorriso caloroso poderia ser levado a loucura pelo amor. Seus olhos castanhos e cabelo castanho escuro lhe davam uma aura composta e pé no chão, então era difícil para mim imaginá-lo perdido de paixão.

– É assim que Corinna é maravilhosa. Bem, eu lancei um ataque bem impressionante, mas ela me recusou no início. Ela é uma costureira famosa e habilidosa e queria preservar as relações de trabalho que formou na cidade. Ela me disse que não poderia viver uma vida de viagens, pelo que me lembro.

É verdade que você precisa valorizar seus fregueses e, se ela for habilidosa, provavelmente ganhará dinheiro suficiente para ter uma vida satisfatória. Não posso culpá-la por não jogar sua vida estável fora para se tornar uma mercadora viajante. Sem falar que, do ponto de vista dela, Otto vindo do nada e tentando flertar com ela parecia bastante suspeito. Eu podia imaginá-la suspeitando que ele estava tentando enganá-la.

Eu balancei a cabeça com interesse enquanto ouvia, e as histórias de amor de Otto gradualmente aumentaram e esquentaram. Ele falou mais alto com mais força e começou a acenar com os braços.

– Quando Corinna me disse que planejava se casar com um homem desta cidade, fiquei tão chocado que foi como se um raio tivesse me atingido. Eu não conseguia nem imaginar outro homem se casando com Corinna e, depois de pensar desesperadamente em uma solução, fui direto ao templo e comprei minha cidadania.

– O que? Espera um segundo. Isso não foi um pouco repentino? – Olhei para Benno para saber se o comportamento de Otto era normal para este mundo e o vi esfregando as têmporas com uma expressão exausta.

– … Sim, até uma criança percebia isso. E isso não é tudo. O dinheiro que Otto gastou na cidadania aqui foi o dinheiro que ele planejava gastar na abertura de uma loja na cidade onde seus pais compraram a cidadania.

– O que?! – O preço de comprar a cidadania urbana em uma cidade era reduzido pela metade se seus pais tivessem cidadania na cidade, e Otto planejava usar o restante para abrir uma loja, de acordo com Benno. Usar as economias de uma vida inteira para ter uma chance com uma garota que você acabou de conhecer em vez de abrir uma loja não é algo que um comerciante frio e calculista faria. Era algo que um touro furioso com apenas seu objetivo a vista faria.

– Eu queria abrir uma loja nesta cidade, mas não tinha dinheiro nem conexões na época. Eu sabia que me tornar um soldado mostraria a Corinna que eu estava determinado a abandonar minha vida de comerciante e começar uma vida aqui com ela, então perguntei ao seu pai, que eu conheci ao passar pelo portão, e ele me contratou como um soldado para lidar com a papelada. Ahh… pensando nisso agora, Corinna com certeza ficou surpresa quando eu à

pedi em casamento depois de comprar minha cidadania e me tornar um soldado.

Bem quero dizer… naturalmente. Não há uma jovem no mundo que não ficará surpresa ao ver alguém despejar suas economias e mudar sua vida apenas para se casar com ela. Eu quero perguntar a Corinna sua perspectiva. Ela disse sim por sentir a necessidade de manter Otto no controle, ou por seu coração palpitar com a pura intensidade de seu amor por ela? Sinto que a história dela será completamente diferente da de Otto.

– Passei dias a cortejando e acabei me casando com a família dela, em vez de ela com a minha. Você não tem ideia de como Corinna ficou fofa quando ela riu e me chamou de o homem mais persistente que ela já conheceu! E agora…

Otto começou a falar longamente sobre o quão fofa sua esposa era. Ele simplesmente não parava. Desejei que ele não usasse as excelentes habilidades de comunicação que desenvolveu ao longo dos anos como comerciante apenas para se gabar de sua esposa. Quer dizer, Lutz estava apenas sentado ali, dominado pela enxurrada interminável de se gabar. Eu tinha ouvido falar que Otto tinha tudo a ver com sua esposa, mas achei que papai estava apenas exagerando. Ele não estava.

… O que devo fazer? Eu não achava que Otto fosse esse tipo de pessoa. Olhei para Benno pedindo ajuda e, depois de fazer contato visual, ele deu de ombros. Ele parecia acostumado com isso.

– Otto, não esqueça por que estamos aqui. Abandone a conversa da esposa e volte ao assunto.

– Aham! Desculpe. De qualquer forma, é isso. Desista de ser um comerciante viajante.

O que você quer dizer, é isso? Eu queria provocá-lo um pouco, mas engoli o desejo. Ele saiu do assunto, mas descobrimos que os comerciantes viajantes não tinham um sistema de aprendizes, que ser um comerciante viajante é difícil, que a cidadania urbana que temos é importante e que estar perdidamente apaixonado é muito assustador. Lutz, tendo recebido ordens para desistir de seus sonhos, baixou a cabeça de forma deprimente. Ele havia pensado muito sobre suas motivações, mas foi rejeitado antes mesmo de poder dizê-las, então teve a dura realidade de ser um comerciante viajante batendo em seu rosto junto com uma fanfarronada sem fim. Qualquer um ficaria deprimido.

– … Lutz, isso é algo que Myne sugeriu, por que você não tenta se tornar um aprendiz normal de mercador? Você vai pelo menos sair da cidade para comprar mercadorias.

– Myne? – A cabeça de Lutz se ergueu e olhou para mim. Seus olhos ardendo de raiva deixaram claro o que ele estava pensando.

– Você sabia que eu não seria capaz de me tornar um comerciante viajante?

– Achei que seria melhor se você ouvisse diretamente de um ex-comerciante viajante. Você vai acreditar em Otto mais do que você acreditaria em mim, certo? Desde que crescemos juntos.

– … Ahh. – Eu devia estar exatamente certa, considerando como Lutz desviou o olhar sem jeito.

– Eu sabia por Otto que ser um comerciante viajante seria difícil, então pensei que seria melhor se você começasse um trabalho que o deixasse sair da cidade e não fosse rejeitado por sua família. Além disso, eu nem sabia disso até agora, mas acho que você não deveria aceitar um emprego que o faça perder sua cidadania urbana.

– … Sim. – O discurso de Otto definitivamente deu a Lutz algo no que pensar. Ouvir a experiência da vida real de Otto foi definitivamente mais influente para ele do que qualquer coisa que eu pudesse ter dito.

– Papai me disse que o Sr. Otto tinha algumas conexões com comerciantes desta cidade, então eu apenas pedi para ele apresentá-lo a um deles já que você queria isso. Você pode recusar se quiser, Lutz.

– Huh. Você realmente pensou nisso. – Lutz soltou um suspiro e olhou para Benno. Eu olhei para ele também. Se Lutz quisesse ser aprendiz de mercador, teríamos que lidar com Benno, não com Otto.

– E é por isso que estou aqui. Você quer ser um comerciante, guri?

– Sim. – Lutz assentiu e Benno estreitou os olhos vermelhos. A atmosfera casual que ele tinha ao ouvir Otto se gabar de sua esposa havia desaparecido completamente. Ele olhou para Lutz com os olhos semicerrados de um predador que havia encontrado uma presa para abater.

–Hum. Então o que você tem para vender? O que você gostaria de vender como comerciante?

– O que? – era normal os entrevistadores perguntarem por que o candidato queria trabalhar para eles, mas Lutz vinha pensando nos motivos para se tornar um comerciante viajante. Não foi fácil para ele encontrar uma nova razão para se tornar um comerciante normal na hora.

– Estou perguntando o que você quer fazer como comerciante, e o que pode fazer.

– Eu…

Ahhh! Esta entrevista é muito intensa para uma criança de seis anos! Eu queria dizer a Benno para relaxar um pouco, mas para os comerciantes, cada aprendiz envolvia uma quantidade significativa de tempo e dinheiro gastos. Ele não tinha motivos para colocar Lutz sob sua asa e perder tanto por uma conexão tão fraca quanto “amigo do assistente do Otto”. Se Lutz não tivesse algo útil para Benno, como determinação adequada, motivação ou informações sobre um produto que valesse dinheiro, não seria surpresa se ele fosse rejeitado imediatamente. Realmente, devemos ser gratos por ele estar disposto a nos conhecer.

– Se você não tiver uma resposta, terminamos aqui.

Pude ver Lutz baixar um pouco os olhos e morder o lábio de frustração. Eu não sabia se o que estava prestes a dizer ajudaria Lutz ou o empurraria para um caminho de luta desnecessária. Caberia a ele.

Sussurrei baixinho para Lutz de forma que ele pudesse ouvir.

– … Você vai fazer o meu papel, Lutz?

– Eu irei. – Lutz ergueu a cabeça. Ele apertou minha mão com força. Eu podia senti-lo tremendo, mas Lutz estava olhando para Benno com uma expressão feroz. – Sim, eu tenho algo que quero fazer! Quero realizar tudo o que a Myne pensa!

– Ué. Isso é o que você vem fazendo a muito tempo.

– Myne se esforça demais sem mim, então vou fazer as coisas para ela.

Lutz… estou orgulhosa de você. Você disse o que precisava dizer. Benno está realmente surpreso agora.

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No final, eu não sabia se havia puxado Lutz para isso ou se Lutz que me puxou para isso, mas se Lutz estava disposto a fazer o que eu não podia, então

eu estava disposta a fazer o que lutz não podia. E ao contrário dele, eu tinha muita experiência com entrevistas de emprego.

Ainda olhos para Benno, sorri brilhantemente. Respirei fundo, soltei o ar e comecei a falar.

– Quero fazer e vender papel que não seja feito de pele animal. Será mais barato fazer do que os pergaminhos, então creio que será muito lucrativo.

Ao ouvir isso, Benno fez uma careta. Ele olhou para mim com um olhar muito mais intenso do que para Lutz e falou em voz baixa e áspera.

– … Você quer ser uma comerciante também, guria?

– Sim. É a minha segunda escolha. – Assenti com um sorriso e Otto piscou confuso.

– Sua primeira escolha é fazer a papelada no portão?

– Não, quero ser uma bibliotecária.

Os três pareciam confusos. Como esperado, eles não entenderam o que eu disse.

– … Nunca ouvi falar disso antes.

– Quero trabalhar onde eu gerencie um grande número de livros.

Depois que expliquei de forma simples o que era um bibliotecário, Benno começou a rir.

– Pfff… Haha, desculpe, mas esse é um trabalho que apenas nobres podem ter.

– … Eu sabia. – Malditos sejam, nobres. Imaginei que se apenas os nobres tivessem livros, então os bibliotecários que os administravam também seriam nobres. A discriminação baseada em status me irritou.

– Mas espere. Papel que não é pergaminho, você diz? Você tem algum em mãos? – ele olhou para mim, visivelmente em guarda. Eu poderia adivinhar que ele estava calculando os efeitos e o lucro potencial que a introdução de papel diferente do pergaminho no mercado teria.

– Ainda não.

– Então terminamos aqui.

Ele disse que terminamos, mas ele estava definitivamente interessado. Eu provavelmente poderia empurrá-lo em um acordo num instante. Alarguei meu sorriso.

– Se você quer apenas uma demonstração real, eu posso fazer um. Nosso batismo é no verão do ano que vem, então vou fazer protótipos do meu papel na primavera. Você pode decidir então se pode usá-los ou não.

– … Tudo bem. – Benno pretendia nos recusar, mas no final consegui adiar sua decisão. Uma vitória clara e esplêndida.

– Muito obrigado. Sr Benno.

– Ainda não disse sim.

– Mas ainda assim, você nos deu a chance de tentar. – Agora Lutz e eu precisávamos dar o nosso melhor. Seu trabalho e futuro estavam em jogo aqui. Não pude deixar de sorrir depois de perceber que agora, do nada, tive a chance de finalmente conseguir papel.

– Vamos fazer o nosso melhor, Lutz

– Sim

– Senhor. Otto, muito obrigado por nos apresentar ao Sr. Benno. – Expressei minha gratidão a Otto, que estava olhando nos enquanto sorria. Graças a seus esforços, Lutz sabiamente desistiu de se tornar um mercador viajante e deu o primeiro passo para se tornar um aprendiz de comerciante. Esse foi o melhor resultado imaginável para esta reunião.

– Este dia de folga acabou muito divertido. Estou ansioso para a próxima vez que você passar pelo portão.

– Eu também. – Parecia que Otto também nos deu uma nota de aprovação. Suspirei de alívio e, ao perceber que Otto sugeria sutilmente que encerrássemos a reunião aqui, saí andando com Lutz. Ah… espere. Eu esqueci.

– Uh! Acabei de me lembrar que tenho algo a perguntar para vocês dois, Sr Otto! Sr Benno! – Parei, me virei e vi que Otto e Benno também começaram a se afastar. Ambos se viraram ao mesmo tempo.

– Sim? E aí? – disse Otto.

– Algum de vocês conhece uma doença na qual há um calor por dentro da pessoa que aumenta e diminui rapidamente? – Otto tinha viajado pelo mundo e Benno parecia um cara com conexões em todos os lugares, então era possível que um deles soubesse do calor dentro de mim.

– Parece que o calor está corroendo seu próprio ser, e se você desesperadamente o afasta, ele encolhe. Desculpe a explicação subjetiva, mas…

– Nenhuma pista. Nunca ouvi falar de algo assim. – Otto casualmente deu de ombros.

Olhei para Benno. Ele baixou os olhos brevemente, então lentamente sacudiu a cabeça.

– … Nunca ouvi falar.

Se nenhum deles estava familiarizado com isso, então era seguro para eu supor que ninguém na minha esfera de interação sabia o que era. Aparentemente, eu estava doente com algo bem raro.

– … OK. Obrigada.

Lutz e eu voltamos a andar de mãos dadas. Não aprendi nada de novo sobre minha doença, mas ganhei um emprego condicional e ganhei um ajudante para fazer papel. Um passo à frente.

– Vamos fazer papel juntos, Lutz.

– Sim! – Lutz, tendo conseguido trilhar um caminho na vida sem a ajuda da família, me deu um sorriso cheio de esperança e emoção.

Fim da leitura

Capítulo 25 concluído

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