Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 28 - 27
Capítulo 28Ascendance of a Bookworm – Capítulo 27
História Extra: Vida diária sem mudanças
– OK. Shuu. Estarei aqui.
– Sim. Eu vou buscá-la quando for a hora de fechar. Não vá sem mim, está bem?
– Eu não venho a biblioteca com frequência, então acredite em mim, não vou perder tempo assim. – respondeu Urano, levantando os óculos antes de girar e praticamente pular na biblioteca.
Seu cabelo estava preso em tranças em ambos os lados. Ela não fez isso sozinha, naturalmente. Sua mãe insistiu que ela deveria estar bonita em sua viagem e não a deixaria ir até que estivesse pronta. Não entendo o porquê, realmente. Urano nunca se importará com nada além de livros.
Quer você tenha feito o cabelo dela ou comprado roupas novas, Urano sempre faria a mesma coisa em suas viagens. Ela ia a biblioteca mais próxima, procurava livros que ainda não tinha lido antes e depois os lia até que eu viesse buscá-la. Era isso ou eu viajaria de livraria em livraria com ela, trabalhando como guia e mula de carga. Eu era amigo dela há tempo o suficiente para saber que era um ou outro. E eu estava mesmo interessado em curtir essa viagem, então não queria passar o dia todo em livrarias. Fiquei muito mais feliz jogando Urano em uma biblioteca e tendo o dia todo para mim.
– Esta biblioteca fecha as 18h30 aos sábados, às 17h aos domingos e feriados. – Coloquei o alarme no celular e fui embora. Uma vez fora da biblioteca, olhei em volta e vi um grande parque com um gigantesco globo prateado no final. Era o teto de um planetário que tinha os continentes desenhados no estilo de um globo.
– …Faz dez anos agora, hein? – Urano e eu também viajamos para cá dez anos atrás. Ou para ser mais precisa, a mãe de Urano não aceitou nenhum presente, apesar do tempo que eu acabei passando na casa dela, o que levou minha mãe a organizar uma viagem sob o pretexto de ser algo como uma excursão educacional. Um presente disfarçado.
A essa altura eu já tinha idade suficiente para ficar em casa sozinha, mas continuei com as viagens mesmo assim por respeito as duas.
– A mãe da Urano simplesmente não consegue descansar quando ela está por perto.
De qualquer forma, é hora de descobrir o que fazer até a biblioteca fechar, pensar enquanto me dirigia ao planetário, que envelhecera razoavelmente nos últimos dez anos. Passei por um marco de pedra com “parque da cidade” esculpido nele e observei crianças brincando sob o sol quente e famílias alimentando pássaros no lago enquanto eu caminhava.
– Eu tenho de ser mais cuidadoso desta vez… – eu me apertei, lembrando do meu erro de dez anos atrás.
◆
Dez anos atrás, eu era um estudante de ensino fundamental e estava absolutamente empolgado em fazer uma de nossas viagens de campo bianuais, tanto porque significava que eu poderia passar um tempo com minha atarefada mãe, quanto por que eu poderia ir a algum lugar novo.
Era nossa viajem de campo de outono. Ao chegar na estação e fazer check-in em um hotel onde poderíamos descarregar nossas coisas, enfiei guardanapos e doces e todo o tipo de coisa em uma mochila pronto para a aventura. Mas minha mãe foi privada do sono pela papelada e disse:
– Já que passa das três, deixe-me tirar uma soneca até a hora do jantar. – Antes de se preparar para dormir. O que significava que eu fui direto para o quarto vizinho.
– Estou aqui para brincar, Urano! Entrei na sala, animado, e vi a mãe de Urano caída em uma cadeira, exausta. Urano estava sentada em frente a ela e lendo.
– Shuu, mamãe está com esgotada, ela realmente tentou. Deixe-a dormir um pouco. Podemos brincar amanhã. – Isso não deixou muito espaço para discussão. Saí e voltei para o meu quarto.
– Mãe, a mãe da Urano também está descansando…
– Mmm, tudo bem. Você pode ficar com isso, Shuu. – Mamãe bocejando sonolenta, tirou um mapa da bolsa. Ela estendeu e marcou com uma caneta vermelha. – O deck de pedestres aqui é muito grande e se conecta a todos os tipos de lugares. Se você sair pela saída do balcão da recepcionista no segundo andar do hotel, você vai acabar aqui. Não há carros nesta área, então você pode explorar o quanto quiser. Seu destino final é aqui, o planetário. Use este mapa e tente ver se você consegue chegar lá. Se você fizer isso, traga de volta um bilhete de entrada como prova. Boa sorte, Shuu.
– Obrigado mãe. Vou tentar! – Com o mapa, a bússola e o dinheiro em mãos, me senti como se tivesse me tornado um herói. Eu estava em território desconhecido e iria sozinho até um planetário.
– Shuu, diga à mãe da Urano onde você está indo!
– Entendi durma bem. – mais uma vez fui para o quarto vizinho. Quando eu disse que estava indo em uma aventura para chegar ao planetário, ela me pediu para trazer Urano comigo. Eu realmente não queria. Ela era lenta e atrapalhava…
– Eu não me importo, eu acho, mas Urano provavelmente quer continuar lendo aqui. – Toda a minha experiência me levou a ter certeza de que Urano escolheria continuar lendo, mas depois de olhar um pouco o mapa, ela começou a se preparar para sair.
– Ok, vamos, Shuu.
Com a inusitadamente aventureira Urano ao meu lado, segui as instruções da mamãe e saí pela porta automática da recepção do segundo andar. Foi a primeira vez que a vi, já que entramos direto no hotel pela estação de trem, mas o deck de pedestres realmente era enorme. Ele se ramificou em mil direções e meu trabalho era encontrar o caminho certo a seguir.
Eu sorri com o mapa aberto na minha frente. Mas meu primeiro Obstáculo apareceu imediatamente na forma de um inimigo temível.
– Shuu, vamos para aquela loja de departamentos ali. Definitivamente tem uma livraria dentro. – disse Urano, apontando para um prédio do outro lado do hotel. Mas eu não me divertiria indo para lá. Este… esta maldita supermonstra devoradora livros!
– De jeito nenhum! Não! Vou ao planetário hoje.
– Uma nova livraria definitivamente será muito mais divertida do que um planetário!
– Não para mim!
Urano resmungou infeliz baixinho e começou a procurar um livro em sua bolsa, mas eu agarrei sua mão para detê-la e, em vez disso, caminhei até o parque da cidade. O planetário ficava no fundo do parque. Eu não vou deixar essa supermonstra devoradora livros ficar no meu caminho!
Caminhamos ao longo do deck de pedestres e, depois de atravessar a grande rua, ela descia e levava a um caminho com grandes árvores alinhadas em ambos os lados. Uma vez no caminho, os sons dos carros na rua desapareceram e foram substituídos pelos gritos de crianças brincando e o farfalhar de folhas ao vento.
– Shuu! É uma biblioteca! Há uma biblioteca aqui!
– Es..Espere, Urano. Nós estamos indo ao planetário. – Eu estava prestes a impedi-la, como de costume, mas, de repente, percebi algo. Se eu a deixasse entrar na biblioteca, ela definitivamente não sairia sozinha. E pensando nisso, Urano estava apenas atrapalhando minha aventura. Se eu fosse buscá-la na hora da biblioteca fechar, ela poderia ler como quisesse e eu poderia explorar como quisesse. Era perfeito.
– Ok, Urano. Não saia até eu voltar.
– Ok. Vou ler livros e esperar por você. – Urano acenou adeus com um sorriso largo enquanto corria para a biblioteca.
Tendo vencido a supermonstra devoradora livros, eu abri meu mapa, com o coração acelerado de emoção para começar minha aventura como planejado originalmente. Virei as costas para a biblioteca em que Urano entrou e corri em direção ao grande globo prateado que eu podia ver dentro do parque.
– Ahh, isso foi divertido.
O globo continha mais do que apenas um planetário. Havia toneladas de exposições científicas interativas com as quais eu poderia brincar, então eu apenas fiz isso em vez de ver o show. Fiz amizade com as crianças de lá e competi para ver quem conseguia mover mais areia com imãs. Ficamos atordoados juntos com o peso de um meteoro e brigamos para ver quem poderia gerar mais eletricidade pedalando. Continuei brincando até o horário de fechar as 17:30h.
Quando saí já estava bem escuro, pois era início do outono, e senti a temperatura cair imediatamente com o sol. Estava quente ao meio-dia, mas nem mesmo uma jaqueta foi suficiente para me impedir de sentir frio. Corri pelo caminho iluminado pelas luzes da rua até a biblioteca com as sombras das árvores balançando e caindo sobre mim.
– Huh? – A entrada da biblioteca estava iluminada, mas estava completamente fechada. As janelas estavam cobertas com cortinas brancas, e o que eu podia ver do lado de dentro era escuro como breu. Ninguém estava lá. Dei uma volta pela biblioteca, procurando lugares iluminados onde Urano pudesse ler, esperando por mim. Mas não consegui encontrá-la.
– Ela já deve ter voltado para o hotel agora. – O hotel estava perto o suficiente para ficar do outro lado da rua. Só fazia mais sentido voltar para o hotel do que esperar por alguém em um lugar desconhecido. Corri em direção ao hotel.
– Urano? Não, ela não voltou. – No momento em que fui ao quarto dela e ouvi sua mãe dizer isso, senti o sangue sumir do meu rosto.
– Shu, você não deveria estar com ela? – Mamãe me encarou e eu confessei que havia deixado Urano na biblioteca para ir sozinho ao planetário.
– Porque quero dizer, eu queria ir ao planetário, mas no segundo em que saímos, Urano só ficava falando sobre ir às livrarias e ri a biblioteca. Ela estava sendo egoísta.
A mãe da Urano olhou para cima, como se tivesse percebido algo. Eu percebi isso também.
– … Uma livraria?! – urano estava interessada em ir a uma livraria dentro da loja de departamentos. Ela sempre era ativa quando se tratava de livros. Ela definitivamente decidiu ir à livraria depois que a biblioteca fechou.
– Vou procurá-la!
– Espere, Shuu. Eu irei com você. – Mamãe e eu corremos juntos para a loja de departamentos, verificamos o mapa e fomos para a livraria no quinto andar. Era uma loja grande, mas era apenas uma entre muitas. Não demorou muito para procurarmos cada centímetro do lugar.
– Ela não está aqui.
– … talvez haja outra livraria?
Mamãe perguntou a um funcionário de uma livraria se havia outras livrarias por perto. Ela disse:
– Tenho um amigo me esperando em uma livraria, mas não consigo descobrir qual. – enquanto espalhava o mapa. A funcionária contou a ela sobre duas livrarias, ambas a uma curta distância do deck de pedestres.
– Vamos Shuu.
– … Mãe, eu não acho que Urano estará em nenhum desses.
– Por que não?
– Urano só queria vir aqui porque achava que uma grande loja de departamentos teria uma livraria. Ela provavelmente não sabe sobre essas livrarias pequenas, e eu não acho que ela seja proativa o suficiente para perguntar como chegar a uma livraria e depois caminhar até lá em um lugar que ela nunca esteve antes.
Urano pulava como uma idiota em qualquer livraria que visse, mas não andava no escuro pedindo a estranhos indicações de livrarias próximas em um novo lugar.
– Oh? Mas você não fez uma peregrinação à livraria como alunos da terceira série nas férias de verão? Você surpreendeu todo mundo andando de bicicleta com Urano até uma livraria a quilômetros e quilômetros de distância, lembra?
– Fizemos isso porque ela usou um mapa e uma lista telefônica para marcar todas as livrarias antes de sairmos. Você não nos disse que estávamos vindo aqui até hoje, então é diferente. É mais provável que ela tenha sido sequestrada esperando por mim na biblioteca.
– Entendo… acho que devemos voltar para o hotel e chamar a polícia, então.
– Ah.. ah…
Era muito provável que ela tivesse acabado de ser sequestrada enquanto esperava na frente da biblioteca. Ela provavelmente seria enganada em um segundo por qualquer sequestrador dizendo: “Entre na van, eu tenho livros”
Isso nunca teria acontecido se eu verificasse quando a biblioteca fechava primeiro…!
– Ela não estava lá, então? Eu vou chamar a polícia. – a mãe de Utano suspirou, suas sobrancelhas franzidas. Ela primeiro contatou a prefeitura local e disse que uma garota poderia estar fechada dentro da biblioteca, mas eles responderam que um funcionário havia confirmado que não havia ninguém lá dentro.
– Ainda devemos ir à biblioteca e verificar, só para ter certeza. Urano tem uma história. – Urano tinha o hábito de se sentar nos lugares mais estranhos para ler, então em casa, ela já havia sido fechada dentro da biblioteca sem perceber que havia acabado o expediente. Desde então, Urano acabou se tornando uma “Pessoa de interesse” na biblioteca e os funcionários de lá sempre se certificavam de que ela não ficasse fora do horário de funcionamento.
A mãe de Urano chamou a polícia com as mãos trêmulas. Ela disse a eles que Urano não havia retornado e perguntou se eles poderiam começar sua busca na biblioteca.
– Embora ela continuasse lendo mesmo depois da biblioteca fechar, ela definitivamente nunca sairia da biblioteca sozinha. Se ela não está na biblioteca, ela foi sequestrada.
Ela os informou sobre a história de Urano ser fechada em bibliotecas e, a pedido da polícia, a biblioteca abriu para nós imediatamente. Eu tinha achado o interior da biblioteca preta como o breu, mas em um canto as grandes janelas alinhadas atraíam muita luz do lado de fora, fazendo a cortina parecer meio brilhante.
– Eu acho que sua filha provavelmente foi sequestrada. Verifiquei a biblioteca antes de fechar e, mesmo que sobrasse alguém, um aluno do ensino fundamental saberia usar o telefone da mesa para pedir ajuda, não? Eles poderiam ter pedido socorro pela janela, abrir as cortinas, tentar chamar a atenção dos pedestres… – Um funcionário da biblioteca, infelizmente obrigado a trabalhar além do horário normal, acendeu o interruptor.
Corri pela biblioteca agora bem iluminada, procurando as janelas que pareciam brilhantes do lado de fora. Como esperado, Urano estava sentada no parapeito da janela, lendo livros espalhados pela pequena estante abaixo dela.
– Urano!
Ao ouvir minha voz, ela ergueu os olhos de seu filho, fechou-o e se virou para mim. Apesar de o quão desesperadamente estávamos procurando por ela, a ponto de chamar a polícia, ela parecia completamente calma e despreocupada.
– Aí está você, Shuu. Você com certeza demorou. Está escuro como breu lá fora.
– Está escuro como breu dentro da biblioteca também! Como você não percebeu isso, sua idiota!? – eu reflexivamente soltei um grito. Urano olhou para mim, bochechas inchadas em um beicinho.
– Não seja mau. Percebi que estava escuro e difícil de ler.
– Você é uma idiota por perceber isso e não sair daqui! Sua supermonstra devoradora livros.
◆
Desta vez, depois de ver o show no planetário, fui fazer compras e fiz questão de voltar a biblioteca antes dela fechar. O local favorito de Urano era a cadeira mais próxima de uma estante. Não importa qual biblioteca fosse ela sempre se sentava na cadeira mais próxima de uma estante, então nunca era tão difícil encontrá-la. Olhei ao redor da biblioteca que eu não tinha tido tempo de examinar dez anos atrás. A parte de baixo da escada tinha uma corrente de plástico com uma placa de “entrada proibida”, o que era apropriado porque urano havia evitado a luz do sol poente dez anos atrás, movendo-se para a parte de baixo da escada. Realmente, deve estar lá por causa dela.
Quando esses pensamentos passaram pela minha cabeça, logo encontrei Urano. Ela estava lendo livros, como sempre. Apesar de suas roupas recém-compradas e seu cabelo arrumado, ela estava fazendo a mesma coisa que sempre fazia. Seus olhos percorreram a página enquanto ela consumia palavra após palavra com um leve sorriso no rosto.
– Urano, está quase na hora de fechar.
– Ah, Shuu. Parece que você conseguiu chegar aqui antes do anoitecer desta vez. – Urano fechou o livro e se levantou, sorrindo.
– … Você lembra disso?
– Claro. Mamãe ficou brava comigo e disse que nunca mais me compraria um livro novo se eu continuasse lendo depois do anoitecer. Desde então, eu meio que saio do meu transe sempre que escurece enquanto estou lendo. – Urano suspirou, o que me lembrou que, desde então, ela também dizia “ainda estou aqui!” se a biblioteca em que ela estava começasse a fechar enquanto ela estava nela, em vez de apenas continuar lendo sem realmente se importar ou perceber.
Parece que até a supermonstra devoradora livros cresceu um pouco… – enquanto eu pensava em como ela havia amadurecido um pouco nos últimos 10 anos, eu a vi parada na frente de uma estante e lendo um novo livro em vez de parar como ela deveria.
– Você não cresceu nada!
– Huh? Do que você está falando?
Tirei o livro da mão e Urano e o coloquei de volta na estante, depois peguei seu braço e saí da biblioteca enquanto a ouvia resmungar. Ela apontou para a loja de departamentos e disse:
– Vamos ao menos à livraria lá enquanto estamos aqui. – Mas eu continuei arrastando-a para o hotel onde nossas mães estavam esperando.
Ela tinha crescido tão pouco que honestamente me machucou em um nível emocional. Urano, espero que um dia você fique presa em um mundo sem livros e sofra!
Comentários do capítulo 28
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.